quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Eixo Central para 2007?

Um dos projectos mais ansiados neste 2007 é o do Eixo Central, ex libris do projecto da Alta de Lisboa. Um longa avenida que procura simbolizar a ligação ao centro da cidade, por dar continuidade aos eixos de avenidas já existentes: Av. da Liberdade, Fontes Pereira de Melo, da República e Campo Grande. O Eixo Central terá 70m de largura, o que a torna mais larga que a Avenida da Liberdade, na Baixa Lisboeta.

O conceito é simples: três faixas de rodagem para cada lado, separadas por um enorme corredor verde com 31m de largura, com bancos (com encosto!) para os transeuntes desfrutarem o charme parisiense importado para este projecto. Não haverá estacionamento de superfície, apenas subterrâneo, o que permite mais espaço para passeio, árvores e uma paisagem mais limpa. Dois grandes passeios, com cerca de 10m, ladeiam a avenida. E se não bastasse todo este espaço para usufruto do espaço público, também os projectos de arquitectura dos edifícios já previstos respiram pedonalidade, tendo ao nível do solo arcadas com pórticos e grandes pátios interiores.






Esta grande avenida irá ser dividida em dois troços: um a Sul (a vermelho), desde a 2ª circular até à já existente rotunda (a amarelo) junto à futura malha 5, e outro a Norte (a azul), desde a mesma rotunda até uma outra ainda a construir (a verde).




Apesar da importância estratégica desta grande artéria para o sucesso e imagem do projecto da Alta de Lisboa, o início da obra foi sendo adiado ao longo dos anos. A prudência é lei, agora. É sábio esperar pelas condições garantidas de construção, sem situações pendentes a obstruir, para que enganos, atrasos e prejuízos passados e presentes não se repitam.





Até há pouco tempo o Centro de Saúde ocupava o terreno onde irá ficar o troço Norte do Eixo Central. A situação arrastou-se ao impensável de uma mera burocracia fazer depender a transferência dos serviços médicos para um Centro de Saúde construído numa das lojas do Condomínio da Torre em Maio. O barracão provisório onde o Centro de Saúde existiu provisoriamente durante mais de uma década chegou em Novembro ao ponto de ruptura, tendo os serviços passado temporariamente para o Lumiar, ainda à espera que o tal o acordo entre ARS e CML (consta que por verbas próximas do amendoim) chegasse a ser feito. Entretanto o barracão passou a ser utilizado como sala de chuto provisória, o que obrigou a UPAL a dar finalmente autorização para a sua mais que prevista demolição. Mais inércia burocrática e corria-se o sério risco do imóvel ser classificado pelo IPPAR, inviabilizando assim o Eixo Central.




Burocracia resolvida? Não. A loja preparada há quase oito meses continua fechada, à espera de médicos e enfermeiros dependentes de ARS e CML. Os enfermos continuam à espera de ter um Centro de Saúde mais próximo das suas residências.




Nos terrenos onde irá ficar o troço Sul do Eixo Central existe ainda o moribundo bairro de Calvanas numa morte também adiada, também dependente dos contratos entre moradores e CML para que o bairro projectado pelo Arq.º Frederico Valsassina possa finalmente receber os novos habitantes. Quando isto acontecer, podemos então despedir-nos de Calvanas e ver o Eixo Central avançar até Sul. De realçar que também a Av. Santos e Castro está dependente do fim de Calvanas, para a construção da Porta Sul. Mas esta é uma obra que depende infelizmente de outras vontades e outros humores.


Será para 2007 o nascimento do Eixo Central? Será para 2007 o avançar dos projectos de escritórios, habitação e Centro Cultural que se propõe a SGAL fazer contíguos à mais importante via da Alta de Lisboa? Se a assinatura de umas folhas pode adiar por pelo menos sete meses a transferência de um Centro de Saúde, é razoável pensar em 2007 como um ano de grande impulso para a Alta de Lisboa?

9 comentários:

Anónimo disse...

Mesmo que a fizessem em 2007, a julgar pelo tempo que demorou a disponibilizarem a passeio junto ao parque das conchas e pelo tempo que está a demorar a abrir na totalidade avenida entre o C. da Torre e a Colina S. João de Brito (não me lembro do nome), só seria utilizável lá para 2009.
Quanto ao "não haverá estacionamento à superfície" quantos policias serão necessários para não ver os passeios pejados de carros? Não se esqueçam que estamos em Portugal onde para não se estacionar bem a 50 metros de distância se estaciona mal à frente da porta.

O meu pensamento optimista é que avançarão este ano com os trabalhos entre a Av. Krus Abecassis e a Rotunda Sul. Mais optimista ainda, entre a Av. Krus Abecassis e a esquadra de polícia.

A Porta Sul penso que será o projecto mais complicado de todos, mais ainda que o viaduto do Eixo Norte-Sul. É bem possível que seja necessário suprimir a circulação na Segunda Circular para a construção da rotunda! Será o caos...

RS

Anónimo disse...

A não ser que o perímetro do Passeio Central seja ladeado de arbustos e árvores de pequeno porte, para minimizar os efeitos da poluição e ruído provocados por 6 faixas de rodagem, bem como a integração de atractivos como os do jardim do Campo Grande (se bem que este não me parece ser tão largo), não vejo em que os bancos com ou sem encosto, possam ser relevantes!
Talvez se queira trazer a nostalgia de um tempo em que não havia automóveis, e os idosos se contentavam em ficar sentados a ver os carros passar.
Este projecto tem pernas para andar, mas os srs. arquitectos paisagistas deviam passar mais tempo nas ruas em vez de ficarem sentados a fazer desenhos bonitos.

Corrijam-me se me enganar: os PDM podem ser consultados em fase de aprovação pela população, tendo esta direito a uma opinião sobre a matéria (não sabemos é se são tomadas em conta)?
Não seria salutar se estes projectos, que ao que parece estão longe de ser iniciados, pudessem ser consultados e discutidos por uma comissão de moradores?!? É só para depois não se ouvirem tantas queixas como as do projecto do Parque Oeste...

Puma disse...

E porque não aproveitavam e metiam um electrico rapido no meio dessa avenida. ;)

Tiago disse...

Não me parece que esta avenida seja um horror de trânsito automóvel como é o eixo viário das avenidas em Lisboa, essas sim, esventradas até mais não poder, como muito mais que três faixas para cada lado. Mesmo assim, na Av. da Liberdade, com todos os carros que passam por minuto, vê-se bastantes pessoas utilizar os bancos.

Tiago disse...

A ideia do eléctrico rápido agrada-me imenso! É muitíssimo mais barata que o metro, e podia ser articulado com os túneis existentes na rede de metro, se mudassem os carris. Pois, isto não seria tão barato assim, mas parece-me menos oneroso a longo prazo começar-se a pensar como se fez no Metro do Porto.

Pedro Veiga disse...

Pois, pois, Lisboa necessita urgentemente de transportes não poluentes e eficazes! Os chamados eléctricos rápidos tão falados desde o tempo do Eng. Kruz Abecassis seriam uma óptima ideia, desde que articulados com o resto da cidade. Os bairros situados a norte da 2ª circular já deveriam de estar articulados por uma rede de transporte deste género que evitasse este crescimento insustentável do trânsito automóvel. É muito mais agradável circular na cidade dentro de um eléctrico confortável com vidros amplos, cheio de luz, do que no pára e arranca do nosso trânsito diário. Mas como no conceito do governante português o transporte público é para o pobre, nada feito!

Carlos disse...

O Eixo Central, que tem três troços, sendo o terceiro, aquele que liga á Porta Norte, é realmente um projecto decisivo para a Alta de Lisboa e é fundamental que arranque mesmo em 2007.
O Projecto tem tido, ao longo dos anos, aprovações sucessivas por parte da Câmara Municipal respeitantes às várias fases processuais. Houve estudos prévios, projectos mais desenvolvidos que culminaram no projecto de execução.
Uma das grandes apostas é a ausência de estacionamento á superfície e a construção de parques de estacionamento diversificados. Os lancis serão duplos dificultando o estacionamento desordenado. Pensa-se que desta forma não será obrigatório o policiamento reforçado. O mobiliário urbano foi projectado, ainda, pelo Prof. Daciano Costa. Os passeios serão largos, as árvores alinhadas, o piso convidando ao passeio.
Um dos aspectos que se introduziu numa dessas fases, em 2003, por iniciativa da UPAL, foi precisamente reservar uma via para transportes públicos, nomeadamente, para aqueles em sítio próprio, de que são exemplos os eléctricos rápidos. Pensou-se em diversas alternativas, havendo propostas por parte da equipa projectista coordenada pela Risco do Arq. Manuel Salgado, no sentido de reservar esse espaço canal no separador central ou nas vias mais à direita.
A favor da localização no separador central apontavam aqueles para quem esse separador não terá a fruição, o uso, a vivência que o projecto pressupõe. Com parques urbanos e equipamentos desportivos como os da Alta, quem irá ler para o separador central, quem vai brincar, jogar á bola, correr? Quantas pessoas fazem isso, por exemplo, na Praça de Londres, naquele espaço central?
A favor da localização na via da direita apontava-se a libertação plena do separador central e a possibilidade de assim se eliminar o chamado estacionamento em segunda linha, entre outros.
Optou-se por esta última e em meu entender optou-se bem.
Pensou-se, em colaboração com a TIS.pt, e com o Prof. José Manuel Viegas, na ligação à Porta Sul e na forma de ligar ao Campo Grande e, até, de ligar a Sete Rios. E pensou-se ainda na possível ligação á Porta Norte, onde seria instalado um grande parque de estacionamento. Falou-se com a Câmara Municipal de Loures, que lamentavelmente nada acrescentou, remetendo-se a uma atitude defensiva e desconfiada. Há vários estudos na Câmara com essas várias hipóteses que ajudam a perceber a evolução e as razões das tomadas de decisão.
Na altura, depois de vencidas múltiplas etapas, propostas e teses na Câmara de Lisboa, falou-se com a Carris e com o Metropolitano de Lisboa, que, no entanto, não se comprometeram com a proposta. A receptividade foi quase nula. As questões financeiras, os custos de manutenção, a própria "originalidade" da proposta foram argumentos desde logo presentes.
Entendo que não se deve desistir, pois é uma opção extremamente positiva a vários níveis, em termos urbanos e talvez se consiga apresentar novos argumentos.
Quanto ao parque de estacionamento na Porta Norte, que se destinava também a veículos semi-pesados, parece uma ideia a manter e a insistir, quer exista transporte em sitio próprio, quer apenas a via dedicada aos transportes públicos.

Anónimo disse...

Este sr. sabe de coisas...
E afinal todas essas opções estiveram disponíveis para o público consultar?

Quanto ao eixo central, para mim leio a sua localização como as "ramblas" ou como uma rua Augusta. Aí os bancos seriam indispensáveis para os maridos que esperam pelas suas mulheres enquanto elas fazem compras! ;)
Como atravessamento realmente não o entendo, começa e acaba em rotundas! Ainda considerei a ciclovia ou o percurso de jogging até ao parque das conchas com alguns quiosques pelo caminho, mas depois é sempre atravessado pelas ruas secundárias! Lá se vai o ritmo!

Anónimo disse...

A malta do tunning aqui do bairro chama-lhe um figo...isso é que vai ser acelerar.

Joao Correia