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domingo, 9 de novembro de 2008

Largo do Rato

O Largo do Rato já foi uma praça bonita e calma e eu tenho a sorte de ainda me lembrar dela assim, antes das obras que o Eng. Krus Abecassis mandou fazer na década de 1980.

Agora um estudo com certificação científica comprova o que o senso comum já dizia. Não se pode viver em cidades assim. Isto não é solução para as pessoas, e é nas pessoas, sem armadura de lata à volta, que se tem de pensar quando se decide o que fazer na cidade.

A notícia vem no PÚBLICO e pode ser lida mais abaixo.

Peão esquecido é o elo mais fraco da vida do Largo do Rato
09.11.2008, Inês Boaventura

Estudo sobre fluxos pedonais concluiu que o largo só se torna "realmente humano" em ocasiões específicas como manifestações

O Largo do Rato, em Lisboa, é "um lugar hostil e perigoso para o peão", onde todos aqueles que não circulam em veículos motorizados foram afastados da parte central do largo e confinados às "zonas marginais" da praça e ao espaço privado dos pequenos comércios, que "tem vindo a tornar-se o único espaço de convivência possível".

Estas são algumas das conclusões da pesquisa desenvolvida entre Setembro de 2006 e Setembro de 2007 pelo investigador francês Aymeric Böle-Richard, no âmbito de um doutoramento em antropologia social. O trabalho, que procura dar conta daquilo que significa ser peão numa praça de Lisboa definida como "um exemplo paradigmático da recente motorização da sociedade portuguesa", deu origem ao livro Pedonalidade no Largo do Rato: Micropoderes, que será lançado na quarta-feira, numa edição da ACA-M (Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados), paralelamente à realização do colóquio O Peão e a Cidade, no Goethe-Institut de Portugal, em Lisboa.

Para Böle-Richard, o objecto da sua pesquisa pode ser encarado "como um símbolo da situação rodoviária geral de Lisboa e, portanto, de um processo de alienação e delapidação da cidadania pedonal e do espaço dito 'público', em benefício de uma sociedade motorizada desigual e cada vez mais constrangedora".
Itinerários impostos

O investigador defende que a "intensidade maciça do trânsito rodoviário" e o "agenciamento impositivo da mobilidade pedonal", em que as guardas metálicas, os pilaretes e as passadeiras "impõem determinados itinerários ao peão", foram os responsáveis pelo "processo centrípeto de afastamento do cidadão peão da parte central do largo". O resultado, diz, é "a agonia lenta e dolorosa de um espaço que devia ficar um lugar público, isto é, de encontros, de diálogo e de vivência".

Böle-Richard fala mesmo numa "inversão dos papéis entre espaço privado e espaço dito público", já que o Largo do Rato passou de espaço de "convivência" a espaço de "atravessamento", fazendo com que os estabelecimentos comerciais nas suas margens se tenham tornado "o único espaço de convivência possível, concentrando as sociabilidades mais 'tradicionais' de rua". Actualmente, afirma, "para conviver, torna-se necessário entrar num café, numa loja, ou seja, em lugares privados que implicam o dispêndio de dinheiro, esquecendo a premência de utilizar o espaço público do Rato, dando-o desta forma, à partida, como perdido para o automóvel".
Manifestação/metamorfose

Apesar desta realidade e de o largo se transformar num "local desertificado" aos fins-de-semana, "altura em que os tais espaços comerciais estão encerrados", Böle-Richard sublinha que "de vez em quando ainda pode observar-se formas espontâneas de encontro e de ocupação cidadã do espaço público". Como exemplo, o antropólogo aponta "a manifestação dos sindicatos do 2 de Março de 2007", em que "durante cerca de uma hora e meia o largo metamorfoseou-se num espaço realmente humano".

Mas Böle-Richard aponta ainda outros factores que contribuem para a hostilidade do Largo do Rato: "Poluição hedionda devido a emissões de CO2 e monóxido de carbono por parte do trânsito rodoviário; ausência de fonte pública de água; escassez de vegetação - o largo contabiliza apenas 18 pequenas árvores situadas em locais pouco frequentados pelos peões". Em suma, diz o investigador, "o peão parece ter sido esquecido, enquanto elemento participante da vida do largo".

Na sua pesquisa, o antropólogo procurou ainda observar as "relações de força" que se estabelecem entre os condutores e peões, tendo notado que os últimos "geram estratégias temporárias espontâneas de resistência relativamente ao poder impositivo do trânsito e da própria organização infra-estrutural do referido largo". Isto acontece, por exemplo, quando o peão abandona o passeio e caminha pela estrada ou, como coloca Böle-Richard, quando este, "para retomar posse do espaço cívico que jamais devia ter deixado de ser seu, a rua, se atreve a abandonar as estruturas autoritárias que lhe estão destinadas".

Para esta atitude dos peões contribuem, segundo o antropólogo, a ocupação dos passeios com estacionamentos abusivos, com lixo, obras e outros obstáculos, bem como o facto de alguns passeios serem demasiados estreitos para permitirem, por exemplo, a passagem de um carrinho de bebé ou de uma cadeira de rodas.


Gosto pelo risco
Outro problema apontado por Böle-Richard é o dos "semáforos pedonais com tempos de verde curtíssimos", que "incentivam" o peão a atravessar com o vermelho.
Apesar disto, o investigador reconhece que algumas das "afrontas" dos peões ao Código da Estrada e à "sua própria segurança" se devem à "falta de civismo". "Seja para atalhar uma trajectória ou para ganhar tempo, os peões revelam um gosto bastante pronunciado pelos comportamentos e percursos arriscados", diz Böle-Richard, notando que estes comportamentos "caracterizam todas as faixas etárias e camadas da população".

O medo de atravessar a estrada
O Largo do Rato é ou não um ponto negro na sinistralidade rodoviária da cidade?

O Largo do Rato só não é considerado um ponto negro na sinistralidade rodoviária em Lisboa - conceito que o antropólogo Aymeric Böle-Richard diz ser "contestável, segundo o ponto de vista do cidadão peão" - porque "o seu índice anual de mortalidade e de feridos graves registados no local não ultrapassa o limite daquilo que é politicamente aceitável".

Mas a realidade é outra, sublinha Böle-Richard no seu estudo, quando constatou que nesta praça de Lisboa o peão "tem medo de atravessar a estrada, que também pensa duas vezes antes de sair de casa, que reduz propositadamente as suas deslocações no local e, pior ainda, porque abandona progressivamente o espaço cívico para se refugiar dentro de zonas comerciais, nos jardins dos arredores ou até em condomínios".

Nesse sentido, uma das conclusões do trabalho do antropólogo é que "entre a situação real do Largo do Rato e o discurso oficial existe um abismo". Böle-Richard acredita que isto acontece porque o último se baseia numa análise "apenas em termos de fluxos motorizados", que não tem em conta "a realidade vivida pelos seus utentes".

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sábado, 4 de outubro de 2008

E foi.


Regular o trânsito e zelar pela segurança rodoviária é uma competência da CML.

A actuação ou inércia da CML tem consequência na vida de todos nós.

As soluções urbanas não devem ser implementadas pelos cidadãos - mal seria se cada um de nós interviesse conforme critérios pessoais, sem competência técnica, sem estudos feitos.

No entanto, se a espera é eterna, se as entidades gestoras adormecem durante anos, apesar dos avisos e pedidos, a acção das pessoas passa a ser um meio de protesto.

Não devia ter sido necessário que os moradores fizessem esta rotunda.

Mas acaba por ser uma demonstração de amor pela cidade, da capacidade de mobilização das pessoas para resolver os problemas do seu bairro.

E seria excelente que a CML, animada pelos munícipes, se juntasse e fizesse também o seu papel.

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domingo, 24 de agosto de 2008

Inquérito ao atropelamento


O inquérito arrasa tudo e todos. Mas estarão prevenidos riscos futuros idênticos? A pintura de uma passadeira e a colocação de um semáforo tornará mais seguro o atravessamento pedonal na Azinhaga da Musgueira, em frente à D. José I, mas será suficiente para corrigir uma diagnosticada incapacidade de coordenar, fiscalizar, gerir e até de escrever relatórios de forma inteligível?



Inquérito aponta para descoordenação na CML no caso de atropelamento mortal
24.08.2008, Sofia Rodrigues

Investigação interna não poupa críticas ao desempenho dos serviços municipais e da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa na sequência de um acidente em frente a uma escola


Houve falta de coordenação e de comunicação entre serviços da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a sociedade privada gestora da Alta de Lisboa na intervenção ao nível da segurança rodoviária junto a uma escola onde se verificou o atropelamento mortal de uma aluna, no passado mês de Junho. Esta é a principal conclusão de um inquérito interno da CML, ao qual o PÚBLICO teve acesso, e que foi aberto para apurar eventuais falhas do município no acidente junto à Escola EB 2-3 D. José I, no Alto do Lumiar.

O relatório conclui que "não existem indícios de infracção disciplinar na actuação dos serviços e funcionários", mas não poupa críticas ao desempenho dos serviços da CML e da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa (SGAL), promotora imobiliária privada que é a entidade responsável pelo empreendimento e infra-estruturas daquela zona da capital, à luz de um contrato celebrado com a autarquia.

Num extenso dossier de mais de 100 páginas, o instrutor conclui que houve "faltas de coordenação e de comunicação entre os serviços municipais e entre os serviços e a SGAL".
Segundo o mesmo relatório, os departamentos em causa funcionaram como se fossem ilhas: "Cada serviço agia, apenas, de acordo com a sua óptica do problema, considerando que os aspectos que diziam respeito ao serviço do lado lhes era alheio", lê-se no documento que indica também algum desconhecimento da realidade.

O Departamento de Segurança Rodoviária e Tráfego da CML, por exemplo, "não conhecia o projecto pormenorizado das vias para a área envolvente da Escola D. José I". E a Unidade de Projecto do Alto do Lumiar (UPAL) - serviço da CML com objectivo de assegurar a gestão e a reconversão urbanística da zona - "não conhecia a calendarização da abertura do lado sul da avenida" onde se situa a escola (em obras antes do acidente) e que alterou as condições de circulação no local.

Foi também apurado que "a generalidade das infra-estruturas do Alto do Lumiar não estão a ser recebidas pela câmara municipal, apesar de estarem em funcionamento", o que leva a uma "indefinição jurídica" sobre quem é responsável pela sua manutenção.

Os resultados do inquérito denotam também "falta de funcionários em quantidade ou qualificação suficientes para assegurarem algumas funções importantes." No Departamento de Segurança Rodoviária e Tráfego, por exemplo, o técnico responsável pelo Lumiar e outras zonas próximas declarou ser um aprendiz e "nunca ter exercido" as funções.

A comunicação por parte dos serviços também é criticada: "Na generalidade, é pouco clara e, frequentemente, não indicativa do que se pretende".

Por último, o relatório conclui que a intervenção da UPAL é "essencialmente gestionária". O director desta unidade reconhece no inquérito que o acompanhamento à urbanização do Alto do Lumiar é feito numa "perspectiva de gestão e não de fiscalização, que seria impossível".

Perante este relatório, o presidente da CML, António Costa, determinou que fossem executadas as obras propostas pelo autor do inquérito para melhorar a segurança rodoviária na zona envolvente da escola. Em despacho, de 22 de Julho, Costa determina que as intervenções devem estar concluídas até ao início deste ano lectivo, e avisa que "não devem ser adiadas por dúvidas quanto ao âmbito da responsabilidade entre município, SGAL e Estado". As obras recomendadas estão em andamento, segundo a assessoria de imprensa da CML. A SGAL, contactada pelo PÚBLICO, não se quis pronunciar sobre o relatório.


Escola pediu "encarecidamente" uma passadeira
24.08.2008

Em meados de Abril, cerca de dois meses antes do acidente mortal de uma aluna de 15 anos, o director da escola EB 2-3 D. José I enviou uma carta aos serviços da Câmara Municipal de Lisboa a "pedir encarecidamente" a colocação de uma passadeira em frente ao estabelecimento.

O alerta consta do relatório do inquérito interno da CML que apurou ter havido outras chamadas de atenção para os riscos que os peões corriam no troço junto à escola, nos seis meses que antecederam o atropelamento. Aliás, segundo o relatório, o troço da avenida Carlos Paredes, onde se situa a escola, "é perigosíssima".

Na carta dirigida ao director municipal de Segurança Rodoviária e Tráfego, o responsável da escola indigna-se com a falta de acessos para os alunos e queixa-se do problema se arrastar "há quatro anos sem resolução".

Foram trocados dezenas de ofícios entre os vários serviços da CML sobre a melhoria da sinalização e das condições de acesso dos alunos à escola, mas nenhuma das diligências resultou em acções concretas no terreno. Até chegou a ser marcada uma reunião entre a UPAL e o Departamento de Segurança Rodoviária da CML para tentar resolver este problema, mas o encontro já se veio a realizar após o acidente.

Existe uma passadeira a 25-30 metros da escola, mas é pouco utilizada pelos alunos, que preferem atravessar em linha recta. Uma das hipóteses mais discutidas entre os serviços foi a colocação de outra passadeira mesmo em frente à escola, mas concluiu-se que era inviável, por ser impossível instalar um gradeamento, já que o portão do estabelecimento de ensino é utilizado por peões e por automóveis. Agora, é parte da solução que vai ser adoptada por ordem do presidente da CML, António Costa.

O presidente determinou ainda que seja estudada a colocação de uma passadeira onde haja melhor visibilidade e protegida por semáforos, tal como recomendava o relatório.

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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A thin yellow line

Isto com férias e outras coisas, uma pessoa vai-se esquecendo de dar algumas boas novas. Lembram-se da Av. Helena Vieira da Silva, ali já perto da Quinta do Lambert, que mesmo em frente ao Pingo Doce passava de três faixas para uma por estacionamento abusivo? Parece que já não, com a linha amarela pintada junto ao separador central e alguma vigilância persuaviva dos agentes de trânsito alocados na Superesquadra.

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sábado, 1 de março de 2008

Raised Crosswalk na Av. Krus Abecassis


Aproxima-se a conclusão da 1ª fase do caminho pedonal, com o trânsito da Av. Nuno Krus Abecassis a ser cortado no sentido descendente para a construção das passadeiras sobreelevadas. A ausência de sinalética de tráfego já fez alguns automobilistas pensar que, à semelhança da Estrada da Torre, a circulação automóvel se continuasse a fazer nos dois sentidos, interinamente apenas com uma faixa para cada lado, sofrendo e causando alguns calafrios quando se deparam com um carro no sentido inverso. Um perigo desnecessário, que facilmente se resolverá com duas placas, uma de sentido proibido e outra de obrigatoriedade de virar à direita, para a Rua Tito de Morais, para os carros que descem a Krus Abecassis.

Fica também um video oportunamente sacado do StreetFilms, com a apologia da passadeiras sobreelevadas (raised crossowalk).


This stop-animation Streetfilm illustrates the advantages of adding a raised crosswalk.

Raised crosswalks are Speed Tables outfitted with crosswalk markings and signage to channelize pedestrian crossings, providing pedestrians with a level street crossing. Also, by raising the level of the crossing, pedestrians are more visible to approaching motorists.

Raised crosswalks are good for locations where pedestrian crossings occur at haphazard locations and vehicle speeds are excessive.

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Passagens sobreelevadas no Eixo Pedonal

Teve início no final da semana passada a obra de intersecção com as vias rodoviárias, que finalizará também o primeiro troço do eixo pedonal. Uma obra planeada em duas fases, com cortes de ao trânsito necessários. Toda a informação está disponível no site da SGAL, na secção das notícias.

Já o dissemos aqui uma vez, mas não nos importamos de repetir: esta obra revela princípios urbanísticos saudáveis para a população que o Viver defende desde a primeira hora. Um espaço pedonal onde o automóvel perde prioridade sobre o peão, uma solução urbana que obriga os automóveis a reduzir a velocidade, minorando quase ao zero a possibilidade de atropelamento, uma solução que termina finalmente com as veleidades dos tunnings na Av. Krus Abecassis.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cheias na Alta de Lisboa 2.0

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Pilaretes nos passeios - solução ou problema?

(Rua do Século, no dia 25 de Janeiro de 2008 - via Cidadania LX)


(Rua do Século, no dia 31 de Janeiro de 2008)

Este post no Cidadania LX suscitou uma interessante discussão sobre a hierarquia da rua e a apropriação dos espaços. Uma proposta/conceito baseia-se na rua ser totalmente dedicada o peão, podendo este circular livremente em toda a sua área, sendo a faixa de rodagem uma concessão feita ao automóvel, que a deve utilizar a baixas velocidades, respeitando o elemento de vivência principal, o peão. Simpatizo com o conceito.

E nesse caso há quem argumente, mesmo não atacando os pilaretes, que esta solução só por si tem o efeito perverso de aumentar a velocidade dos automóveis pelo aumento do espaço na faixa de rodagem. Certo e factual. Como solucionar então esse aumento de velocidade? Com as lombas desniveladas defendidas aqui (nos comentários ao post dos pilaretes descritas como plataformas transversais), e não tendo como função passadeira de atravessamento de peões, já que o conceito de rua é, neste contexto, outro, como dito anteriormente.

Este é um problema mais comum nas zonas antigas da cidade, com ruas mais estreitas, onde no início do Séc.XX a vivência era esta.



Nas zonas modernas da Cidade, nas que foram planeadas como a Alta de Lisboa, os problemas serão outros. Mas haverá certamente pontos comuns. O debate leva-nos a evoluir. Vale a pena a visita às réplicas dadas no Cidadania LX, com exemplos de cidades europeias onde o uso de pilaretes também existe.

E ainda um video muito interessante sobre a problemática do trânsito, do estacionamento à superfície e soluções para tornar as ruas mais agradáveis ao peão e portanto mais vivas.



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