segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dia “sem carros”

Campo Grande
Lisboa, Campo Grande, 22 de Setembro de 2008

Supunha-se que o dia 22 de Setembro seria sem carros ou seria um dia para reflectir sobre os carros que enchem as nossas cidades?
Seja como for, hoje de manhã, decidi reeditar a proeza de ir trabalhar usando a minha bicicleta como meio de transporte. Lisboa estava cinzenta logo pelas 7 horas e 45 minutos quando abalei de casa com os pés nos pedais. Entre a Alta de Lisboa, freguesia da Charneca, e a zona do Largo do Rato, freguesia de S. Mamede, devem ser uns 6 a 8 quilómetros de distância pelo trajecto mais curto.
Das primeiras vezes que tentei esta aventura optei por subir até ao alto do Parque Eduardo VII a fim de evitar a caótica rotunda do Marquês de Pombal. Desta vez não. Optei por um trajecto mais directo e muito mais plano: percorrer a Avenida 5 de Outubro até às Picoas seguindo depois até ao Marquês de Pombal. Do ponto de vista físico este trajecto é muito mais fácil do que o trajecto do alto do Parque. Poupei cerca de 20 minutos porque pude fazer um percurso muito mais directo sem necessidade de fazer uma pausa para descanso. No total foram 45 minutos de exercício feitos com muita calma no meio de avenidas muito poluídas e ruidosas.
Fica aqui o alerta: Lisboa é uma cidade insuportavelmente poluída à hora de ponta.

3 comentários:

Miguel disse...

Realmente foi ridícula a adesão a este dia "sem carros". A poluição foi tremenda hoje, como noutros dias, tornando-se muito mais cansativo pedalar. Os carros continuaram pouco corteses para com os ciclistas, e mesmo na baixa, onde o trânsito estava cortado aos carros individuais, os taxistas e os condutores de autocarro fizeram o favor de continuar a conduzir de forma não respeitadora na presença de bicicletas. De qualquer forma, caro Pedro, parabéns por ter optado por esse meio de transporte e espero que continue a fazê-lo. Pode ser que contagiemos outros a fazer o mesmo!

Abraços, Miguel

tbilou disse...

Ironicamente no dia "sem carros" deixei a bicicleta em casa e fui de carro para o trabalho.

Pedro Veiga disse...

Gostei desta experiência, apesar de todas as dificuldades que representa pedalar no centro de Lisboa nas horas de ponta. Por regra faço a viagem para o trabalho andando a pé e utilizando o metro. Normalmente demoro cerca de 45 minutos porque uma boa parte deste tempo corresponde ao percurso pedonal (20 a 25 minutos na sua totalidade). Faço isto porque tenho o privilégio de trabalhar no centro da cidade relativamente bem servido de transportes públicos. Todavia, quando tenho necessidade de me deslocar para outros pontos que não o centro de Lisboa sinto bem a dificuldade que é em ter que utilizar múltiplos transportes públicos, pelo gasto de tempo que isso implica. Nestas ocasiões o uso do automóvel particular torna-se muitas vezes uma absoluta necessidade.
É pena que a região de Lisboa seja uma área urbana muito desordenada. É muito difícil trazer pessoas para o sistema de transporte público numa situação em que o automóvel particular traz enormes vantagens no aspecto do conforto pessoal. Para esta situação muito contribui o investimento feito em infra-estruturas destinadas ao automóvel particular que é muito superior ao investido no transporte colectivo.
A implementação de uma sistema de transportes públicos de superfície eficiente, cómodo, prático e amigo do ambiente é algo que não está previsto nos planos autárquicos para os próximos anos. Assim, vamos ter que aguentar viver numa cidade feita à medida do automóvel particular. Prova disso é o conflito diário entre peões e o trânsito automóvel que tem como palco as ruas da nossa cidade. Eu penso que isto é resultado das más políticas urbanas das últimas décadas. Quem tem o poder está desligado da cidade. Normalmente não anda a pé deslocando-se, ao invés, dentro de um automóvel de vidros fechados e com o ar condicionado ligado. Assim não é possível sentir na pele os sintomas de uma grave doença que atinge as nossas ruas e avenidas.
É preciso inverter isto, não numa lógica de proibir o automóvel particular de circular, mas sim, dando boas oportunidades a quem quer usar a superfície da sua cidade sem ter que a poluir diariamente com quilos e quilos de de gases nocivos. A rua é de todos os cidadãos e não é só dos veículos motorizados!