sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A reunião

O gabinete do Vereador José Sá Fernandes convidou o blog Viver na Alta de Lisboa para uma reunião nos Paços do Concelho, depois de gorada a primeira tentativa, por impossibilidade de agenda, para discutir o Parque Oeste, sua vivência e adequação ao bairro envolvente, fazer um balanço de um ano de utilização e apontar medidas para o futuro.

A reunião realizou-se com Pedro Soares, Coordenador do Gabinete do Vereador do Ambiente, Espaços Verdes e Plano Verde.

Na primeira parte da reunião foi-nos comunicado que medidas tenciona o Vereador adoptar para o Parque Oeste:

Colocação de uma malha de protecção junto às bermas do lago, que ficará submersa, acautelando quedas involuntárias de pessoas e objectos, facilitando também a saída da água, em caso de acidente.

Enrocamento das margens dos lagos, como forma dissuasora de aproximação à água.

Ainda em fase de estudo, prevê-se contornar os lagos com um pequeno murete que delimite os espaços e previna acidentes.

Reforço da sinalética existente, proibindo a entrada na água.

Estudo da instalação de um armazém central de jardinagem donde partirão todas as equipas de jardineiros que tratam dos espaços verdes desta zona de Lisboa, pretendendo-se com isto aumentar a frequência do espaço.

Promoção junto de entidades privadas ou associações do bairro para explorar um bar/esplanada no Parque.



O Viver concordou com a proposta da Vereação e propôs como medidas adicionais:


Instalação de bancos com encosto que, pela sua comodidade, convidem os visitantes a uma estadia mais prolongada.

Instalação de um parque infantil como modo de atrair crianças e suas famílias.

Instalação de equipamentos desportivos (campo de futsal, basketball, pista de skate) que atraiam e ocupem a população adolescente.

Retomar o modelo de vigilância inicial, entretanto abandonado pelo Vereação anterior, com pessoal contratado no bairro, mais eficaz na prevenção do vandalismo ou da utilização perigosa dos espaços.

Instalação de iluminação que garanta a segurança no atravessamento e utilização do Parque.


Estas propostas foram debatidas tendo encontrado bom acolhimento por parte do Coordenador do Gabinete. Algumas delas não são economicamente difíceis de concretizar, como a aplicação dos bancos, dos equipamentos desportivos e infantis; outras, como a iluminação nocturna, exigem um esforço financeiro mais difícil nestes momentos de debilitadas economias camarárias. Outras ainda, como a implantação do bar/esplanada, dependem da vontade, competência e energia de quem agarrar a ideia.

Acompanharemos de perto o evoluir da aplicação destas medidas. O Parque Oeste tem vindo a ser recuperado aos poucos de todo o abandono a que foi votado desde o início de 2007, e seria uma pena e desperdício não aproveitar este esforço para introduzir as alterações necessárias que o tornem mais usufruível.

No entanto, é importante que algumas destas medidas sejam aplicadas em simultâneo, dado funcionarem em simbiose. Sem os equipamentos desportivos e de mobiliário urbano que atraiam visitantes ao parque, a exploração do bar/esplanada pode ficar comprometida. O Armazém Central de Jardinagem ficará demasiado vulnerável sem vigilância nocturna.

Louvamos a atitude demonstrada pelo Gabinete de José Sá Fernandes, procurando conhecer a opinião dos moradores e agradecemos desde já o eco que as nossas propostas tiveram, dando-nos uma fundada esperança nas possibilidades reais de participação que a população pode ter na evolução da cidade.

24 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns Tiago.

Anónimo disse...

Penso que o mais importante seria o Rui voltar a vigiar o Parque. De resto, gosto da ideia original do parque como foi concebido pela arquitecta e qualquer alteracao tera de ter o acordo dela, nao ?
E nao gosto da ideia de criar um armazem central de jardinagem nem um bar/esplanada. Estou ja a imaginar barracas de gosto duvidoso, cadeiras e mesas de plastico branco sujo, churrasco, lixo e beatas pelo chao, etc...
PD

Anónimo disse...

O bar deve ter um enquadramento arquitectónico, claro. E não ser daqueles que têm horas «só para almoços e jantares». se seguirem o exemplo do jardim da Estrela onde o material é todo descartável, sendo uma espécie de self service, nem necessita quase de empregados. Tenha bom pão, mini pizzas, mini brunch (omoletas, cachorros)e bom café/capuchino,é será um sucesso.
A esplanada deve também ser de bom gosto (mas agora as marcas de café/bebidas oferecem bom e bonito mobiliário)...
Obrigada, «VIVOS»

Anónimo disse...

Parabéns pela iniciativa!

ana disse...

Entao e o RUI?
nao percebo, mais cimento, mais armazem, mais bar/cafe, mais parque infantil, dinheiro a sair da camara e a questao mais importante e barata, pimba, nada!!!!!!!!!
o que e que se passa?
Para estar com criancas nao precisamos de parque infantil, podemos ter manta na relva e ler livros, bola e correr, papagaio e sonhar.

Tiago disse...

Ana, viste ao longo deste ano tantas pessoas assim a estender mantas na relva, a ler livros, a correr e jogar à bola, a lançar pagagaios e sonhar no Parque Oeste? Houve algumas, é certo. Mas suficientes para dizermos que a utilização do Parque foi um sucesso? As suficientes para exercer pressão social dissuasora nos miúdos que se ocupam a vandalizar árvores e paredes? As suficientes para socorrer ou dar o alerta a tempo quando acontece um acidente como o de há duas semanas? Aqui, a leitura que fazemos da vivência do Parque Oeste, é que deixa muito a desejar quando comparada, por exemplo, com a Quinta das Conchas ou o Central Park.

Não só a orografia é mais ingrata, em vale, com poucos planos horizontais, como a ausência de equipamentos acaba por não tornar o parque suficientemente apelativo para muitas pessoas. Há muita gente que prefere ir à Quinta das Conchas mesmo tendo o Parque Oeste mais próximo de casa.

O Rui foi, a meu ver, o melhor vigilante que o Parque Oeste teve. Não os conheci todos, falei muito com o Rui, mas constato que enquanto ele lá esteve não havia um grafiti, uma criança a mergulhar nos lagos, um único acto de vandalismo.

Falámos do Rui na reunião. Falámos na necessidade de contratar pessoal do bairro para a vigilância do parque pela facilidade de lidar e inluência que têm nos mais jovens. A Vereação está legalmente limitada neste aspecto. A CML instituiu uma Central de Compras durante o anterior executivo, precisamente para acabar com contratações sem concurso que promovessem situações menos claras ou de abuso. Uma medida que tem consequências boas pode, porém, impedir uma lexibilidade como a que era desejável na contratação de um vigilante para o Parque Oeste.

A solução mais provável e viável é ser o bar/esplanada a contratar o vigilante, no âmbito das contrapartidas da concessão.

Esperemos que tudo entre nos carris, que tudo corra bem, e que depois destes acontecimentos maus se consiga tranformar o Parque Oeste numa mais-valia para a população.

ana disse...

Tiago
O Central Park
http://www.centralparknyc.org/site/PageServer
serve uma populacao de 10 milhoes de habitantes (mais ou menos Portugal inteiro). e obvio que tem que ter todas as valias que possamos imaginar (zoo, 2 restaurantes, parques infantis, um castelo, campos de desporto, areas de espectaculos, areas vastas de relvado, um reservatorio de agua, mata, um museu). Mas a Alta de Lisboa nao e Manhattan. Nao podemos enfiar o Rossio na Rua da Betesga! Quem quer ter parque infantil vai ao parque das Conchas quem quer estender a manta ou fazer um papagaio voar vai ao do Vale Grande. Se bem me lembro na parte superior do parque do vale Grande esta projectado um centro cultural com uma zona de bar. E na 2 fase ha uma pista de atletismo pelo menos.
Estas a imaginar as vedacoes que se terao de criar para as criancas nao correrem para a avenida krus abecassis. O parque do vale grande (1 fase) nao e grande. Se la construirmos bar/restaurante, parque infantil, barraca para ferramentas... fica em nada.
Creio que ja ha muitos parques infantis na alta vandalizados. Agora e so preciso manter os que ha e anima-los, frequenta-los.
Um vendedor ambulante de "hot dogs" ou gelados e mais facil de implementar que um restaurante.

Temos que pensar na demografia do bairro. a populacao da Alta vai envelhecer muito rapidamente. A natalidade e baixa!
O pais/cidade e pobre. temos que pensar em solucoes altamente rentaveis.

Iluminar um parque a noite e carissimo. Queremos o parque frequentado a noite? nao!
Para que gastar energia desnecessariamente?

Anónimo disse...

Relativamente ao Rui, ja estava a espera desta resposta. A CML tem sido um dos maiores exemplos de "croonismo", com todos os partidos a empregarem os seus funcionarios politicos, mas para contratar alguem realmente util e com provas dadas (o Rui), ja nao pode ser por causa da "central de compras", etc...
E nao podera a CML por 1 dos seus 10000 funcionarios a guardar o Parque ?
Provavelmente tambem nao, pelo que terao de ser os moradores a resolverem a questao. Se cada condominio a volta do Parque der uma contribuicao proporcional ao respecivo numero de moradores, nao devera ser dificil pagar o salario do Rui.

Um bar/esplanada no ambito do centro cultural do Siza seria uma boa ideia, mas uma qualquer outra "barraca" no meio do Parque, nao. So consigo imaginar o pior dos cenarios, com musica alta na esplanada, venda de caracois e minis aos "jovens" durante as pausas do grafiti, que depois de muitas minis vao acabar por partir aquilo tudo...
PD

Anónimo disse...

"Queremos o parque frequentado à noite? Não!" Ana, ou usa o plural majestático ou não percebo em que sondagem é que se baseou para decidir por mim - ou por mais alguém - se o parque deve ser utilizado à noite ou não. Porque é que o parque não há-de ser frequentado depois do pôr-do-sol (respeitosamente lhe lembro no Inverno às 18:00 já é escuro) e utilizado depois do escurecer? Porque é que os habitantes terão de dar uma volta de quilómetros quando o percurso mais curto é através do parque?

E qual centro cultural do Siza?

Tiago disse...

A esplanada pode ser regulamentada. Não terá de ser uma barraca, não terá ter de música alta. E pode servir como garante de uma correcta vivência do Parque. O pior cenário não tem de ser o único possível e inevitável.

Ana, as perguntas que te fiz mantêm-se. Viste ao longo deste ano o tipo de utilização que advogas? E não consideras que outros tipo de utilização são viáveis e legítimos? A Quinta das Conchas não tinha cafés, parques infantis e bancos com encosto há três anos, porque foram então lá colocados? Quanto à utilização nocturna, relembro-te que aqui em Portugal é noite escura a partir das 6 da tarde. Sendo o Parque Oeste longitudinal à Alta de Lisboa, separando zona Norte e Sul, é naturalmente uma zona de atravessamento por quem anda a pé. Parece-me ligeiramente arrogante obrigar as pessoas a contornar o Parque, num desvio de quilómetros. E acredita que se acontecer alguma coisa menos agradável no Parque a um traseunte a publicidade para a Alta de Lisboa será muito negativa. Quem não se preocupa com a qualidade das cidades para os cidadãos pense pelo menos no que a má publicidade representa na desvalorização das casas.

O Parque não é tão pequeno assim, e o contorno é ainda maior porque onde dizes que irá existir o Centro Cultural do Siza (o tal que infelizmente não se sabe se irá avante) está neste momento um descampado, e depois a obra do Eixo Central. É um desvio grande, mesmo.

ana disse...

quanto a utilizacao do plural, quero esclarecer que faco parte de uma familia de 4. Quando faco aqui um comentario, represento-a so e apenas. Nao posso nem quero representar ninguem mais.
Quanto ao por-do-sol, cresci, vivi e tenho acesso a informacao que me permite saber quando fica noite em lisboa.
quando ocupo o meu apartamento em Portugal sei que a iluminacao no parque e suficientemente para grupos de pessoas atravessarem o parque em seguranca, especialmente se la estiver o RUI ou outra pessoa que conheca o bairro e os seus habitantes.
Quanto ao facto de as casas se desvalorizarem se acontecer alguma coisa a alguem, comprei a casa para la viver. E se bem me lembro ja mataram um homem em frente ao Condominio da Torre e uma crianca esteve a beira da morte num dos lagos do parque oeste.
Quanto estou ai, vejo muitas pessoas atravessarem o parque a noite, nunca pensei que alguem tivesse medo de atravessar o parque depois das 6.
Vamos la fazer um exercicio de retorica
Estou no parque com os meus filhos preciso de: uma casa-de-banho - onde esta?
preciso de uma garrafa de agua - onde esta?
"preciso" de uma bica - onde esta?
preciso de alguem que me tire do lago - onde esta?
preciso de alguem que ligue 112 -onde esta?

se tens um orcamento limitado (como e o da camara) quais sao as tuas prioridades
alguem para me tirar do lago, e ligar o 112?
uma casa-de-banho?
uma garrafa de agua?
uma bica?

a questao do lago e do 112 - Rui
a questao da casa-de-banho -casa/cafe no condominio do parque
a garrafa de agua - casa/cafe do condominio do parque/ bebedores publicos
bica - casa/ cafe no condominio do parque

em quais achas que devemos investir o nosso (camara) dinheiro?

Arnaldo Ventura disse...
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ana disse...

bom, com este comentario encerro aqui a minha participacao
boa sorte

Anónimo disse...

Parece imprudente, nos dias de hoje, prescindir de iluminação num parque com aquela dimensão. Alias, há certamente boas soluções (painéis solares que tornam a solução barata - como os postos SOS da autoestrada).
Vivo há 15 anos no Lumiar, perto das conchas e só depois de lá haver esplanada, parque infantil - e iluminaçao - senti segurança para o frequentar com as crianças. Antes era só homens a jogar futebol, agora são famílias o que é muito diferente.
A Ana está a ser um pouco inflexível.
Julgo que o Tiago tem razão: o rui pode ser contratado pelo bar - que tal um tipo «quiosque», minimalista?

Quanto ao Centro Cultural, eis uma boa causa parao Viver. Então correm boatos (quais? esclareçam) que não vai haver e vocês reagem como se fosse inelutável?
É um dos maiores motores de criação de uma verdadeira comunidade, a cultura, e vocês não abrem uma petição? Não batem o ´pé, chamam o Zé, pedem ao padre Seabra para pedir aos empreiteiros amigos que, em vez do quartel de bombeiros construam o Centro???... Ai ViVer ViVer, conviver com o poder já vos esmoreceu?

Anónimo disse...

Ana, não ligue. Quem a conhece do blog sbe da sua nobre actividade cívica em prol da comunidade do PER. Deixe ladrar, mas aceite conversar sobre pontos de vista distintos do seu. Rui? Sim. Esplanada? Café? Sim, Sim, Sim. Pista de skate para os miúdos se exibirem? Why not?

Bom trabalho, Tiago. Mas olhe que os políticos esgotam a acção na reunião (dão ao interlocutor a sensação de importância de serem ouvidos, depois, nem acta. Fina-se a boa intenção com a burocracia, a fdmae que tudo tolhe!) Exijam prazos, peçam provas de acção, façam o acompanhamento (aqui, todos) da coisa. Palavras leva-as o vento e esse senhores moram na Av Roma ou em Cascais-Sintra. Querem lá saber...

Anónimo disse...

Quanto às conchas alguem quer fazer a reportagem - estão a terminar o muro no topo nordeste.

Tiago disse...

Bem, Ana, abrir a caixa de comentários anónimos dá nisto, há quem a use para os fins mais reprováveis. Qual grafitti, já está apagado.

Respondendo a ti, parece-me que por um lado estás a ver o Rui como uma espécie de Deus, omnipresente. Não é, nem será. Quanto ao bar, não seria a CML, em princípio, a fazer o investimento. À semelhança da Alta de Lisboa, uma parceria será a solução.

Não temos de chegar ao fim desta troca de ideias e encontrar necessariamente um consenso. Parece-me que temos prespectivas diferentes da cidade, deste parque, e talvez da Alta de Lisboa. Talvez as nossas vivências sejam diferentes. A tua inevitavelemente mais distante, mais desapaixonada, mais conceptual. E retórica, como o exercício que te propuseste fazer, que é o que as memórias descritivas dos projectos como o Parque Oeste fazem. Na teoria, no papel, tudo é perfeito, tudo funciona. A tal cena idílica da família a ler, a lançar papagaios e a sonhar, por exemplo. Um parque perfeito, imaculado, a servir uma população acriticamente receptiva ao projecto da arquitecta. Mas na prática, os usos que as pessoas dão aos espaços confrontam-nos com umaa realidade diferente. E aí cabe-nos discutir se se quer continuar o logro ou modificar alguma coisa.

ana disse...

Tiago tens razao
obrigada pela tua disponibilidade e por manteres este blog vivo.
Quanto ao comentario do Sr. Arnaldo Ventura nao sei o que dizer.

Pedro disse...

Para desfazer confusões identitárias que, pela leitura de alguns comentários, parecem existir: este blog tem na sua lista de colaboradores, 3 Anas. A Ana que, com todo o direito, aqui vem expressando a sua opinião em relação aos usos do Parque Oeste não é a Ana que, no dizer de outro comentador, tem desempenhado uma "nobre actividade cívica em prol da comunidade do PER"

Anónimo disse...

obrigada Pedro
ana

Luis Santos disse...

Citando Tiago:
uma "nobre actividade cívica em prol da comunidade do PER"

Do PER? Porquê?

Anónimo disse...

Tiago? Onde é que o Tiago escreveu isso?

E porquê o quê?

ana disse...

a questao de quem trabalha para o PER, ou e nobre nao estava aqui em discussao.
o que estava aqui em discussao era a seguranca e utilizacao do Parque Oeste.
Eu chamo-me ana (com a minusculo, nao sou a Ana Louro nem a Ana B.)
tenho a firme certeza que nenhuma de nos tem actividades ilicitas nocturnas no parque (comentario apagado pelo Tiago, segundo criterios dele).
Continuo a defender os meus pontos de vista, mas recuso-me a participar num debate em que ha participantes que nao se importam de chamar nomes ou levantar falsas acusacoes a outros.
A democracia nao envolve humilhacoes publicas!
um abraco e boa sorte
ana

Anónimo disse...

Concordo com a ana minuscula.