quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Mas afinal que cidades querem?


Vi esta notícia no DN, hoje de manhã. Prevê-se o pedido de licenciamento de 90 novos shoppings nos próximos dois anos. Garante-se que nem todos serão aprovados mas os números previstos, mesmo assim, impressionam.

É compreensível o sucesso destes centros comerciais. Uma grande concentração de lojas, grande variedade de oferta, temperatura amena faça chuva ou faça sol, sensação de segurança. A rua, nestes critérios, perde para a maioria das pessoas. É excusado moralizar aqui os novos hábitos consumistas da população que antes passeava na Baixa para ver montras e ir às compras e agora vai de automóvel ao Colombo ou Vasco da Gama. Por razões óbvia, já apontadas.

A consequência para a cidade, porém, não parece ser a melhor. Não existe mais população, ou seja, esta nova oferta comercial, em muitos casos, não complementa a anterior, substitui-a. As ruas outrora frequentadas ficam agora desertas, o comércio local fecha por falência ou muda-se para um shooping. E ruas sem gente são ruas menos seguras, as pessoas por isso evitam-nas, preferem assim usar o automóvel, num aparentemente irreversível círculo vicioso. É surpreendente que o estudo citado na notícia dê conta de uma recuperação do comércio de rua, apesar do aumento de centros comerciais.

Mas o que fazer para contrariar esta tendência, numa sociedade de mercado livre? Torná-lo menos livre, legislando e proibindo grandes aglomerados de comércio? Exigir dos donos destes Centros Comerciais contrapartidas no espaço público? Deixar tudo como está e esperar mais trinta anos para ver o que acontece ao resto da cidade?

11 comentários:

Joana disse...

Eu penso que o sucesso dos centros comerciais está tb associado ao conceito de hipermercado. Um centro comercial sem hipermercado esta destinado, tal como comércio de rua, a estar as moscas. Ja viste o alvalaxia, por exemplo?

Anónimo disse...

É certo. Mas o gosto e o civismo educa-se, evoluem... no resto da Europa não se verifica este fenómeno, muito aliado ao consumismo...

Diogo disse...

O problema está na má concepção de Lisboa. Poucas pessoas moram em Lisboa e quando querem ir às compras não vão apanhar o comboio/transportes públicos para ir para o meio de Lisboa fazer compras. É muito mais cómodo ir a um Colombo, onde tem todas as lojas num único sitio e ainda pode ir ao super fazer umas compras lá para casa.

Não me lembro de ir para a baixa fazer compras, nem outro sitio que não seja um Centro Comercial. Só se for algo muito especifico e que não se encontra num CC.

O Comercio de rua só funciona perto de escritórios em Lisboa onde as pessoas à hora de almoço podem ir comprar qualquer coisa.

Joana disse...

Cómodo, cómodo, é a internet. Se não fosse a viagenzinha a más horas aos CTT da Calçada Carriche.

É interessante tb que a internet é que mantem viva algumas das coisas "tradicionais". Eu se quisere alguma coisa tradicional portugesa (nao sendo comida, para isso há a Loja do Mundo Rural em Campo de Ourique) procuro em sites como a Feitoria, por exemplo. E existe tb muito "novo artesanato" online, onde se recuperam muitas artes antigas, embora com uma aproximação mais moderna a nível de design, etc.

É tb uma boa (se não a melhor) forma de divulgação de lojas de comércio justo, por exemplo (em Portugal só conheço uma loja destas que se dê bem, em termos de ter uma localização física; mas grande parte do seu marketing promocional, para além das feiras, é a newsletter. e tb vendem online).

Acho que o comércio tradicional se está a virtualizar. De outra forma, realmente, não tem pedalada para a concorrência.

Acho tb interessante ter assistido recentemente ao fecho de algumas lojas de cadeia em Centros Comerciais e que, no entanto, se mantêm na Av de Roma e na Baixa. Não consigo explicar pq.

Anónimo disse...

O comodismo e o consumismo andam na nossa cultura, de mão dadas.
Afinal, o que querem as pessoas?
E afinal, o que o comércio lhes oferece?

O comércio da baixa lisboeta, aos pouco e desde já há muito tempo, tem vindo a morrer... e não me venham dizer que a culpa é só da criação das grandes superfícies comerciais!

Perdeu-se aquela cultura de ir passear à baixa, de comprar na baixa, mas a baixa já não é o que era!
As lojas estagnaram, os seus donos "enfiaram a cabeça na terra" e armaram-se em coitadinhos sem clientela! Nada fizeram para atrair as pessoas para os seus negócios.
Exemplos?

Deixo 2!
Domingos à tarde. Lisboa "deserta". Não seria mais lógico, em vez de se andar apenas a criticar a abertura dos "hiper" aos domingos, terem-se definido novos horários de funcionamento? Ter-se dado às pessoas a possibilidade de passearem por Lisboa com a sensação de esta não ser um deserto?
(as lojas do centro da cidade, por essa Europa fora, fazem-no)

Outro exemplo. Aveiro. Centro da cidade.
Um "centro comercial" foi ali aberto, há já algum tempo. Mas é um "centro comercial" muito particular. Situa-se num espaço aberto, tipo as ruas da baixa. Verificou-se um movimento de várias entidades (município, entidade empreendedora, lojistas) por forma a tornar mais moderna e atractiva a lógica do negócio no centro da cidade.
O que se fez em Lisboa? Nada! Preferiram manter o status quo dos negócios individualizados, com o seu horariozito 9 às 6 aos dias de semana (e vá lá, em alguns sábados), criticou-se o fogo do chiado, a demora na reconstrução e depois a solução encontrada...
Nada mais foi feito para manter a atracção da zona, perante uma população cada vez mais distante (e por isso com necessidade de se fazer transportar de automóvel), mais comodista (a falta de estacionamento e de transporte público "decente"...), mais consumista, mais exigente...

São vários os factores que contribuem para esta fuga das pessoas para os shopings... Para mim, o pior de todos creio ser este "inanimismo" no combate a novos desafios que a própria sociedade vem colocando!

Nuno Freire disse...

Não me surpreende nada que o estudo referido aponte para uma recuperação do comércio tradicional.
Tendo vivido grande parte da minha vida perto do Centro Comercial Colombo assisti, ao contrário do que previam os arautos da desgraça, um reavivar do pequeno comercio em Benfica e S.Domingos de Benfica.
A verdade é que ninguém vai a sítio nenhum onde apenas exista uma loja a menos que o produto aí vendido seja muito específico. As pessoas preferem ir onde há muita variedade de escolha e onde aproveitam melhor o tempo fazendo várias compras.
Estou absolutamente convencido que o melhor que poderia acontecer ao pequeno comércio na Alta era a abertura do tal centro comercial do Taveira projectado para a malha 5.
Mais comércio traz mais gente ao local, mais empregados das lojas, mais negócios associados e mais riqueza.
Podemos lamentar-nos e permanecer saudosos de outros tempos mas esta tendência veio para ficar. Embora eu gostasse de ver os arados puxados por bois na terra natal dos meus pais os tractores e as debulhadoras lá estão.
Conforme apontou uma leitora do blogue também a internet começa a oferecer uma alternativa de comércio e não vejo razão para se tomarem medidas para proteger qualquer comércio, de pequena ou grande superfície, desta nova forma de concorrência. O consumidor julgará e escolherá o que lhe trouxer mais valor e lhe for mais conveniente.

Anónimo disse...

AVISO/ALERTA:

No site do Zé SFernandes (gente feliz blogspot) está um apelo a ideias para o ORÇAMENTO PARTICIPATIVO (da CML), que poderíamos aproveitar para dizer de nossa «economia criativa»:

A par disto, é de assinalar, igualmente, o arranque do processo de Orçamento Participativo na cidade, com uma sessão em Telheiras. Nos próximos dias 12 e 14 terão lugar outras sessões, respectivamente no Fórum Lisboa e no cinema S. Jorge, sempre às 18 horas.


Para além dos partidos, os cidadãos, através dos seus movimentos, associações e de qualquer outra forma de participação, nomeadamente a individual, têm um papel relevante e insubstituível em tudo o que diga respeito às suas vidas e ao território que ocupam.


Aqui fica o nosso apoio e incentivo, bem como o nosso agradecimento. Temos consciência de que melhor do que governar para os cidadãos é governar com os cidadãos .»
(transcrição parcial do post)
Fica a sugestão.

Anónimo disse...

Tenho feito alguma pesquisa sobre a Alta de Lisboa, a segurança, a zona e os problemas, pois estou interessado em comprar lá um apartamento, no Condominio da Torre. Tenho visto muita coisa sobre os atrasos de certas obras estruturantes, como os acesso rodoviários e afins. Mas gostaria que me esclarecessem sobre a segurança na zona. Muita coisa se diz por causa do edificio de habitação social e dos seus moradores, mas normalmente são coisas mais antigas. Gostaria de saber qual a situação em termos de segurança na zona actualmente.

Obrigado,
Luis.

espertinha disse...

E que tal resolver as dificuldades de estacionamento nas zonas de comércio tradicional? E que tal tornar os transportes públicos acessíveis a passageiros com mobilidade reduzida?

Posso dizer que gosto muito da Baixa e da Av. Roma para passear, mas agora com um carrinho de bebé é impossível: tenho carro, mas não tenho onde estacionar; para ir de metro, não consigo sair das estações porque a maioria não tem elevador até à superfície...

O que me resta? O meu bairro, com a gincana de subir e descer passeios sem rampa, e os centros comerciais... Lamento. Lamento mesmo.

Anónimo disse...

E se espreitassem o blog «Gente de Lisboa», onde se noticia que um vereador da CML admitiu que pela sua vivenda do Restelo só paga 15 (quinze) euros!...

Dr Koch disse...

no fundo o que tu dizes é que gostavas q as pessoas te fizessem a vontade e fossem para a rua qd elas preferem os centros comerciais, o mundo nao gira a tua volta e nem todos acham q as ruas fazem a cidade