quarta-feira, 18 de abril de 2007

E se fizéssemos "queixinhas"?

Há uns tempos atrás fiquei a saber, através de uma entrevista na TSF, que a Ordem dos Arquitectos tinha criado a figura de Provedor da Arquitectura.

Diz assim: "O Provedor da Arquitectura recebe queixas ou reclamações de cidadãos, de arquitectos e de entidades terceiras, com vista ao seu esclarecimento, encaminhamento, mediação de eventuais conflitos ou emissão de pareceres e recomendações."

Já todos sabemos que vários dos empreendimentos em que moramos apresentam alguns problemas estruturais: o sobreaquecimento das casas nos Jardins de S. Bartolomeu (e outros empreendimentos), o revestimento frágil do Condomínio da Torre, ou de má qualidade na Colina de S. Gonçalo, etc, etc. Ao fim de, já alguns anos às turras com a SGAL ou com os gabinetes de arquitectos responsáveis pelos projectos, temos agora alguém a quem nos dirigirmos enquanto cidadãos. Podemos fazê-lo individualmente ou de forma organizada: por prédio, empreendimento, ou mesmo toda a zona de residência (deixo este repto à ARAL), mas não estamos dependentes de ninguém para além de nós para o fazermos. É só enviar um e-mail para: provedordaarquitectura@ordemdosarquitectos.pt.

Para além da arquitectura das nossas casas podemos também queixarmo-nos, se quisermos, de questões de urbanismo. A questão da pista de ski, ou dos prédios junto ao Eixo N-S são um bom exemplo, se quisermos explicações e discussão.

O actual provedor, o Arquitecto Francisco da Silva Dias, que ouvi em entrevista, garante que TODAS as queixas têm resposta.

13 comentários:

Tiago disse...

Queixinhas é um termo que não gosto muito, mas às vezes, quando a má fé impera na relação dos empreendedores com os compradores lesados, é uma das coisas a fazer. O ideal seria a construção ser de boa qualidade, competente no projecto e na execução, para que os problemas fossem a excepção.

Joana disse...

Posso mudar o título do post, se preferires :-)

Não estava a insinuar que existe má fé da parte dos empreendedores. O que é facto é que problemas existem e alguns deles são ao nível do projecto e não da execução. Tu experiencias isso com as temperaturas da tua casa no Verão, por exemplo. E também já sabemos, por experiência, que não existe diálogo com a SGAL (para que por sua vez dialogue com os projectistas) ou até mesmo com as empresas gestoras de condomínio que deveriam ser a nossa voz no que diz respeito a aspectos como estes.

O Provedor da Arquitectura é (espero eu que seja realmente) alguém a quem nos podemos dirigir directamente e que tem como função, pelo menos, obrigar ao diálogo.

Tiago disse...

E eu não estava a reduzir o assunto à Alta de Lisboa e à SGAL.

Anónimo disse...

Carissimos sabem por acaso que as opçoes dos arquitectos nao correspondem ao resultado final pq o promotor normalmente quer reduzir custos.
Qto às placas do Cond. da Torre conhecem a proposta do Arq Valssassina? vale a pena perder um pouco de tempo a saber como realmente as coisas se passam.
Quem dera aos arquitectos que as suas indicações fossem seguidas.

Anónimo disse...

Então qual é/era a proposta do Arq. Valssassina em relação as placas do Cond. da Torre?

Pedro Veiga disse...

De facto os problemas não são a excepção. Eu hoje sei, ao contrário do que diz a propaganda, que estes apartamentos custam uma fortuna, quando comparada com a qualidade que têm. Cada vez mais me irrita a irresponsabilidade com que as empresas lidam com os problemas. O empreendimento "Colina de S. Gonçalo" é um exemplo vivo desta triste realidade. Recentemente duas pessoas ficaram com os seus automóveis danificados porque o portão da garagem fechou quando iam a passar! Ora, a famosa empresa que instalou os portões esqueceu-se de arranjar as células fotoeléctricas!
A juntar a isto há o problema das fachadas em que as lages que cobrem o prédio estão em risco de ruína, apesar do esforço de reparação que está a ser feito nas áreas maiores!
A isto juntam-se os problemas dos esgotos pluviais que estão mal dimensionados, do parque infantil que na época das chuvas é uma autêntica piscina, das portas de entrada dos blocos que são de má qualidade e que não têm mola para fechar, etc., etc., etc. Isto dava para uma reportagem jornalística a sério para mostrar o que a "nossa" conhecida empresa imobiliária esconde por detrás dos "preços imbatíveis". Eu já sei que por detrás da propaganda está uma grande, grande IRRESPONSABILIDADE! Mas felizmente há consumidores esclarecidos que escrevem e divulgam aquilo que merece ser conhecido: a outra face da propaganda!

Joana Fisher disse...

Obrigada pela indicação, Eu vou escrever ao Sr. Provedor.

Joana F.

a.bernardo disse...

Bem, a maior parte dos problemas referidos aqui, não são de facto, responsabilidade do arquitecto... Como sejam todos os problemas técnicos verificados depois da compra do imóvel. A não ser, claro, que o dito arquitecto tenha assumido a fiscalização da obra, o que raramente acontece.
Quanto à ineficácia energética dos edifícios, espero que num futuro próximo a U.E. aperte os regulamentos que regulam a eficiência enegética dos edifícios, e que obrigue à formação profissional neste sentido, para arquitectos, engenheiros e etc. É que até agora, nada disto é obrigatório!!!
O Provedor da Arquitectura existe para começar a informar as pessoas da importância de ter um arquitecto profissional e competente, ajudá-las a reconhecer um (pq infelizmente há muitos q não o são...), e ajudar a mediar conflitos que possam, porventura, existir.
Acho muito bem que todos nós comecemos a exigir aquilo a que temos direito. O Direito à Arquitectura é um deles. Assim, além de se queixarem de todos os problemas técnicos que têm com as vossas casas, podem exigir a revogação do decreto-lei 73/73 (está agora em votação), que é o que permite que pessoas sem qualificação se façam passar, legalmente, por arquitectos e engenheiros, produzindo a maior parte das barbaridades que se espalham por Portugal.Aqui está o link para a associação destes senhors http://www.aatae.pt/, verifiquem a formação académica deles e divirtam-se!

Pedro disse...

Discordo. Já existe legislação desde 1990 no que respeita às características de comportamento térmico dos edifícios, corporizada num regulamento que, não limitando ou condicionando os arquitectos nas soluções de espaços e materiais, exige um comportamento mínimo passivo face às solicitações exteriores de frio e calor. Regulamento cuja verificação é feita por um membro credenciado pela respectiva Ordem (e não por um licenciado em universidades não reconhecidas pelas mesmas) a qual deverá obrigatoriamente fazer parte dos projectos técnicos a entregar para aprovação à autarquia licenciadora após a aprovação do projecto de arquitectura. Ora este regulamento foi substituído este ano por legislação mais completa e restritiva, complementada pela criação de uma Certificação Energética dos Edifícios que deverá entrar em vigor no próximo mês de Julho, trazendo - para além de uma maior transparência nos rótulos de "qualidade" com que a esmagadora maioria dos promotores baptizam a sua oferta - uma maior consciência ecológica, com a quase obrigatoriedade de recurso a energias alternativas para aquecimento das águas sanitárias e de uma menor dependência de sistemas energéticos de condicionamento da temperatura interior. Obviamente que esta legislação surge por obrigação da UE.
Sendo isto assim, difícil para mim se torna compreender os problemas térmicos que edifícios recentes apresentam. Manipulação de software sem a sempre necessária sensibilidade técnica? Ausência de senso comum? Falta de tempo? Inexperiência? Arrogância de artista? Responda quem saiba.

a.bernardo disse...

Verificação da qualidade energética do edifício feita por um elemento da Ordem dos Arquitectos?? Meu caro Pedro, o senhor deve viver num país que não o meu Portugal.
Eu quero deixar bem claro que penso que concordamos em tudo o que diz respeito à obrigatoriedade da boa execução técnica e energética e, ainda mais, à sua fiscalização! Infelizmente, por mais que existam "regulamentos", o que está escrito na teoria, não é realizado na prática... Só para informação, o RCCTE (o tal regulamento para a eficiência energética dos edifícios), ainda não é totalmente fiscalizado. Aliás, devem estar agora a sair os primeiros fiscais formados pela ADENE...
Além disso, todos os empreiteiros em Portugal gostam de poupar naquilo que não se vê, inclusive no isolamento térmico!
A propósito das pessoas sem qualificação que mencionei, não me estava a referir a pessoas de universidade não reconhecidas ou acreditadas pela Ordem (isso dá azo a muita discussão), mas sim a pessoas sem qualquer formação superior na área (sim, existem e é legal). São os auto-intitulados técnicos de arquitectura e engenharia.

Pedro disse...

Bernardo, anda a ler coisas que não escrevi. Referi-me a verificação das características térmicas e não energéticas e falei de Ordem e não Ordem dos Arquitectos. Respondendo, no entanto, ao seu espanto: o referido regulamento nada tem de esotérico nem traz consigo verificações que só uma licenciatura em engenharia possibilite resolver. Daí que não perceba muito bem qual é o seu Portugal - o dos arquitectos iliterados? Dos arquitectos artistas que nem a tabuada sabem de cor? Dos arquitectos iluminados que acham que isso da técnica é para os broncos dos engenheiros? Pois, esse não é o meu Portugal. Felizmente no meu Portugal ainda vai havendo arquitectos que gostam de pensar, que gostam de fazer contas, que gostam de evoluir e que gostam de saber resolver problemas que os seus projectos levantam sem esperar pelo "imprimatur" dos engenheiros. (Nota necessária: não se infira destas palavras que eu considero dispensável o trabalho dos engenheiros - antes pelo contrário!)
E o RCCTE não é o regulamento para a eficiência energética dos edifícios - é o das características de comportamento térmico dos edifícios o que, pelo menos na sua primeira versão, ainda significava alguma diferença.
E a ADENE não forma fiscais - forma peritos qualificados na certificação energética de um edifício, os quais se basearão em muito mais do que na nova versão do RCCTE para emitir certidões de desempenho energético - e isso só muito latamente se poderá considerar como uma fiscalização do RCCTE.
Quanto aos "técnicos", eu sei a quem se estava a referir. Mas quantos edifícios conhece nas grandes cidades do país projectados por esses profissionais? E qual a percentagem dos mesmos em termos de área total projectada? Não acha que a discussão que a OA levantou à volta do 73/73, ainda que justa, serviu mais como uma cortina de fumo para esconder a falta de qualidade de muitos dos projectos elaborados por alguns dos seus membros?
No resto, estamos de acordo.

Anónimo disse...

Bom dia.Parabéns pela qualidade deste blog.
Como posso vir a ser uma futura vizinha dos jardins de S. Bartolomeu o que está aqui escrito e noutros locais deixa-me inquieta e perplexa. Em relação aos problemas estruturais, lembro-me de Alcantara Rio que em mais pequeno tem semelhanças, ou mesmo o Pateo de S. João de Brito, tb. exposto a sul. Terão os mesmos problemas? ou eles devem-se a outros factores que não só a gde área de vidro? Outra questão: as paredes de pladur, que pelos vistos já estão a sofrer degradações não constituem tb um elemento de revela falta de qualidade na construção? li tb no blog que as pedras da casa de banho que eu achei bonitas e sóbrias tb já estão com problemas.
Para testar o percurso resolvi ir hoje por volta das 8h30 da manhã do campo Grande até aos "jardins de S.B" e voltar: resultado quase uma hora. Existem perspectivas reais de acessibilidades e redes de transporte no curto médio prazo?
Obrigada

Tiago disse...

Cara futura vizinha,

Agradeço as palavras de incentivo, em nome de todos os colaboradores do blog.

Quanto aos JSB, este blog tem feito menção sobretudo a duas questões, ambas relacionadas com os vidros: a dificuldade de limpeza exterior, e as previsões que vários engenheiros fazem do efeito estufa nos meses de maior calor. Nunca foi vocação do blog falar doutro tipo de acabamentos, apesar de termos sido convidados a fazê-lo. Nesse mesmo convite, feito com base num debate sobre o papel alegadamente nefasto que teria junto dos leitores pela imprecisão, falta de credibilidade, alguma arrogância e desonestidade intelectual, garanti chicotear-me publicamente no Verão se as casas não aquecessem de facto acima do considerado normal, numa avaliação intelectualmente honesta. Até lá, não me pronuncio mais sobre esse assunto.

Devo dizer-lhe que gosto muito de morar nos JSB e não tive até agora qualquer problema nem com a pedra nem com o pladur.

Quanto às acessibilidades, basta dar uma vista de olhos pelo blog, já que no site da SGAL pouca informação relevante irá encontrar, para saber o estado em que se encontram a Av. Santos e Castro e o Eixo Norte-Sul. A primeira está inquinada, à espera da CML. A segunda, lá para 2008.

Demorou assim tanto tempo nesse percurso? Não fazia ideia que estava tão demorado. Felizmente os meus trajectos são efectuados contra a corrente.