sábado, 23 de setembro de 2006

O Vivel vai ao Centlo Cultulal

Por acaso estava já há uns tempos para fazer qualquer coisa aqui sobre a forma Fuga. Queria mostrar a estrutura, as partes em que se divide, o papel contrapontístico de temas, respostas e contratemas. Mas para fazer o que queria, isolando cada uma destas partes, retirando do bolo final cada um dos ingredientes, teria de ligar o piano digital ao computador, o que é por enquanto impossível.

Uma fuga é uma espécie de canone mais elaborado. Todos conhecem certamente o Frère Jacques, em que a melodia é imitada integralmente por outras vozes, desfazada no tempo, como se uma perseguisse a outra sem nunca a apanhar. O resultado da combinação vertical dos vários momentos melódicos resulta numa coerência harmónica que nos põe a olhar uns para os outros a pensar "Eh pá! Isto é muita giro!" A Fuga parte do mesmo princípio, mas vai muito mais longe na elaboração e riqueza de recursos.

Entretanto encontrei, via Meow, um exemplo muito engraçado de como explicar a forma Fuga, usando como tema uma canção da Britney Spears.




Não consigo resistir a mostrar-vos também um famoso pianista canadiano, Glenn Gould, um dos maiores de todos os tempos. A maneira como toca uma fuga é um autêntico milagre musical e humano, controlando cada voz como se fosse feita por uma pessoa autónoma. Glenn Gould diz que treinava a capacidade de se concentrar em várias coisas ao mesmo tempo ligando dez rádios simultaneamente. E descobriu que a atenção não era dada simultaneamente, mas fazendo um varrimento muito rápido por todos eles. Como o multitasking dos computadores. Glenn Gould toca aqui uma das fugas de um ciclo composto por J.S. Bach chamado "A Arte da Fuga".




8 comentários:

Pedro disse...

Pois, Tiago, temos de começar a tratar do áudio. Que me dizes a uma shopping list para um orçamento preliminar para o podcast w-Art?

Meow disse...

Que vergonha! Fizeste um link para o meu blog e eu nem sequer consigo pôr o raio do You Tube a funcionar :s Este exemplo do "Oops, I did it again" é muito elucidativo! Obrigada pelo Glenn Gould, ainda que com uma má gravação ;)

Tiago disse...

Pedro, amanhã falamos disso à hora de jantar. Que tal? Alinhas no tal chinês clandestino e undeground que te falei? Já sei onde é.

M., ea gravação do Gleen Gould é de facto má, heistei bastante, mas a fuga era a mais enérgica que estava disponível no YouTube. Gostava de ter posto a 1ª da Arte da Fuga, mas falta-lhe a 1 nota, imagina!!!

sushi disse...

Você é genial...
Onde é que vai descobrir estas relíquias?

M., cuidado com os chineses que são uma fraude... são todos iguais... dá para ver no seu vídeo!!!

joana disse...

Já agora, o que é um chinês underground?

Tiago disse...

Imagina uma rua esconsa na zona do Martim Moniz, um porta discreta, com uns dizeres em mandarim, não sabes o que significam, mas já te disseram, em segredo, que é no 2º andar. Olhas em volta, ninguém te observa, tocas, a porta abre-se, olhas de novo e entras. Depois é como viajar à China profunda. Verdadeira comida chinesa caseira, sem E332, sem aculturação ao gosto ocidental, feita por chineses, comida por chineses e ocidentais em busca de experiências alternativas, numa casa de família de imigrantes chineses. A ementa está parcialmente traduzida, com a ajudo de um fã. Nunca lá fui, mas dizem que é inesquecível. Vou na 5ª. Deixo-te um epitáfio no email, Joana. Se alguma coisa correr mal, publica-o por mim, a despedir-me postumamente dos estimados leitores.

joana disse...

Podes contar comigo para as tuas despedidas póstumas, mas estou cheia de inveja! Talvez a razão de não ser apreciadora de comida chinesa seja precisamente a aculturação ao gosto ocidental. Se conheceres um Mexicano ou Indiano desses undergound passa-me já o contacto antes de 5ª feira. Gostaria de ir a um restaurante onde quando peço picante seja *mesmo* picante!

E isto fez-me lembrar uma ida minha ao C.C.Mouraria, na minha qualidade de "ocidental em busca de experiências alternativas", como dizes. Fui de papelinho escrito em mandarim (seria?) pelo cozinheiro do restaurante chinês da rua dos meus pais, em busca do ingrediente secreto para a sua fabulosa sopa de cogumelos chineses. Tirei-o da carteira e mostrei-o à senhora da loja, na horizontal. Ela olhou-me com ar de desprezo, tirou-mo das mãos, girou-o 90º para que ficasse vertical, e entregou-me o que eu queria (que continuo sem saber exactamente o que era). Senti-me mesmo... ocidental! :-)

Tiago disse...

:) Giro.

Há uns anos, tinha uns 12, fui com o meu pai a um indiano que tinha aberto uns 15 dias antes, no bairro das colónias. Eles tinham aterrado em Portugal, estabeleceram-se logo, trataram de tudo e abriram o restaurante em pouco tempo, sem poderem ser aculturados.

A comida era uma verdadeira bomba. Nunca comi nada tão picante em toda a minha vida. Saí de lá a cambalear. Adorei!