segunda-feira, 12 de junho de 2006

Escola do Lumiar encerrada após agressão de professora

Decisão tomada por docentes da Escola Básica do 1º ciclo de São Gonçalo
Escola do Lumiar encerrada após agressão de professora
11.06.2006 - 18h39 Lusa

A Escola Básica do 1º ciclo de São Gonçalo, no Lumiar, vai estar encerrada amanhã, por decisão dos professores, depois de uma docente ter sido agredida anteontem por familiares de um aluno do estabelecimento.

De acordo com a presidente do Sindicato Democrático dos Professores da Grande Lisboa (SDPGL), Maria Conceição Pinto, o estabelecimento vai manter-se fechado "enquanto não se resolver o problema de segurança".

A informação sobre o fecho do estabelecimento está afixada num cartaz colocado à porta da escola desde o dia da agressão, que foi, segundo a sindicalista, reportada de imediato pelo órgão executivo do Agrupamento de Escolas Pintor Almada Negreiros, a que pertence a S. Gonçalo, à Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL). Da DREL a escola recebeu indicações para que "ninguém fale com a comunicação social e que a escola não feche".

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O incidente ocorreu pela hora de almoço, quando a professora em causa, que é coordenadora da escola e membro do conselho do SDPGL, se encontrava dentro do estabelecimento de ensino. A docente, que está na escola há quase duas décadas, terá chamado a atenção a um aluno, com cerca de 13 anos, que estava a atirar cascas para o chão. Este terá ignorado o aviso da professora, que fez menção de lhe segurar a mão para que o jovem apanhasse as cascas, mas este recusou-se a fazê-lo.

Segundo o relato da dirigente sindical, "pouco tempo depois" terá entrado na sala onde estava a docente um casal, aparentemente familiar do aluno, que a insultou, tentou arremessar-lhe à cabeça um balde de lixo de alumínio e lhe bateu na cara e na cabeça repetidas vezes até que os restantes professores e auxiliares conseguiram por cobro ao ataque.

A professora, de 50 anos, foi assistida pelo Instituto Nacional de Emergência Médica na escola e vai ficar de baixa, adiantou Maria Conceição Pinto.

A sindicalista acrescentou não ter conhecimento de outras agressões a docentes neste estabelecimento, mas acentuou que a escola tem vários problemas de segurança, que haviam levado já a professora atacada a solicitar a presença da polícia no recreio durante os intervalos.

Maria Conceição Pinto acrescentou que o SDPGL, que integra a Federação Nacional dos Sindicatos de Educação, vai entrar em contacto com a DREL amanhã "para saber que tipo de intervenção se vai fazer numa escola destas, onde os professores não se sentem seguros".


in Público.pt Última Hora

13 comentários:

Tiago disse...

No seguimento da reportagem transmitida há semanas na RTP1 sobre a violência nas escolas, o Ministério da Educação reagiu, alegando suspeita de eventual violação do direito à imagem dos alunos filmados, sem o seu conhecimento.

Também neste caso da escola de S: Gonçalo, «Da DREL a escola recebeu indicações para que "ninguém fale com a comunicação social e que a escola não feche"».

Aparentemente temos nas cúpulas deste ministério mais um zelador da manutenção caótica e impune do comportamento indisciplinado dos alunos nas salas de aula, responsabilizando os professores pelos males do insucesso escolar, do que alguém honestamente interessado em discutir o problema que vai muito para além do que se passa na sala de aula.

Pedro Veiga disse...

É terrível este mal da sociedade. Quando fui professor bem senti a pressão diária do sistema de ensino. Conviver diariamente com jovens revoltados e inquietos não é tarefa fácil. É mesmo uma missão impossível...
Lamentavelmente a nossa sociedade não consegue segurar a degradação do ensino. A culpa é de todos nós. Mas os professores é que estão na linha da frente deste difícil combate, por isso são os primeiros a sofrer as consequências.

ana disse...

um escandalo!
que um profissional seja agredido no seu local de trabalho.
que o seu "chefe" diga que nao se pode proteger ou sequer queixar.
que haja insinuacoes de que a culpa e afinal do proprio.
um horror!

Quando pela primeira vez visitei uma escola no lumiar, achei estranho haver um seguranca a porta e um aviso no portao dizendo que os pais deveriam deixar os meninos ali mesmo e nao na sala de aula.
Agora entendo.

Por favor, alguem que venha a publico defender esta mulher que e professora ha 20 anos nesta escola. tem 50 anos e o unico crime que cometeu foi pedir a um aluno (de 13 anos numa escola de 1 ciclo) para nao atirar lixo para o chao.
Faz-me lembrar os grafitti nas paredes e os meninos a nadar nas piscinas de outrem. Sem que a policia ou os segurancas facam nada para os impedir.
CHEGA!

Se juntarmos esta noticia a de que os pais devem passar a participar nas avaliacoes dos professores. Honestamente nao sei se hei-de chorar ou rir.

Pedro Veiga disse...

Caminhamos para a bandalheira. Ninguém quer saber disto para nada. Quem tem dinheiro põe os putos na privada porque o ensino público está em colapso.
Quando dei aulas numa escola de Lisboa havia várias "classes" de professores. Os professores que dinham horários diurnos e que estavam na "linha da frente de combate". Eram geralmente os mais novos e os que ganhavem menos. Depois havia os professores da noite, mais velhos e com melhores ordenados, que davam menos aulas (apenas a adultos no ensino recorrente). Depois havia os contratados como eu que tinham um horário misto (tarde e noite) e que contactavam com todo o leque de estudantes (adolescentes e adultos) e eram os mais mal pagos de todos por estarem fora da carreira Quem tinha horário da noite poderia ter outra actividade profissional, porque o trabalho do ensino recorrente era muito mais leve do que o do ensino regular.
Em Portugal é prática comum receber ordenado de um cargo no estado e trabalhar na privada. Os mais espertos até vão bem mais longe nesta prática: são funcionários do estado mas não cumprem horário porque nas horas de expediente estão a trabalhar na privada . O estado é só para receber o ordenado a horas e esperar por uma boa reforma merecida. Tenho conhecido ao longo da vida vários exemplos desta prática. Para estes as "promoções automáticas" da função pública eram óptimas pois não exigiam qualquer esforço.

ana disse...

Tantas coisas para discutir no ensino, nao e Pedro?
A seguranca
A qualidade
A carreira
...
Gostava de ter tempo para discutir tudo. Tambem gostava de ter a sabedoria do mundo inteiro para saber o que de facto e melhor e conhecer solucoes para os problemas que se poem.

Conheco alguns sistemas educativos. Nao sei se melhores ou piores, mas certamente diversos do nosso.

Em relacao a seguranca, tenho uma certeza: nem alunos, nem professores podem ser vitimas de violencia num ambiente que se quer saudavel e propicio a aprendizagem de regras de cidadania.

Em relacao a avaliacao dos professores tambem tenho uma: Deve ser feita pelo proprio, colegas e superiores, no ensino publico. No ensino privado pode ate ser feita pelo pais, alias ja a e, uma vez que se os pais se nao gostam mudam o menino de escola.

Em relacao a gestao de uma escola, distribuicao de horarios, promocao na carreira
como e nas empresas, hospitais, tribunais...?

Ana Louro disse...

Nem sei o que dizer. Quando dei aulas na Damaia tinha muitos alunos problemáticos. Aliás fui substituir uma professora que estava a dar em maluca com eles, mas sei lá já como, consegui dar-lhes a volta. E vi comportamentos de professores que não sei sequer se fazem parte de algum livro de pedagogia. A minha sorte foi não ter seguido alguns conselhos que me deram como "entrar a matar" (ainda me lembro da frase) e sim o meu instinto. Continuo a achar que todas as crianças são educáveis (e são crianças) e se os pais não falharam nesse papel a escola tem que fazê-lo um bocadinho (é pena que assim seja, mas é a realidade). Felizmente correu tudo bem apesar das críticas de alguns professores que achavam que eu facilitava (porque por exemplo lhes dava 5 minutos para fazerem barulho no início da aula e irem acalmando, mas depois tinha 45 minutos de aula a correr às mil maravilhas). Adaptei-me a eles e não lhes exigi o contrário, mas não fiz nada de novo. Muitos professores (talvez a maioria) ainda hoje funciona assim naquela escola que é até um exemplo pela forma como tem conseguido motivar os alunos.

Neste caso parece que a agressão foi dos pais e não do aluno. Digo só que sempre me fez confusão ver pais ausentes e desinteressados sobre os filhos na escola e quando o filho faz uma "queixa" aparecem e exacerbam comportamentos como que a justificar essa ausência perante o próprio filho. É triste.

Ana Louro disse...

Queria dizer :se os pais falharam nesse papel a escola tem que fazê-lo...

Rodrigo Bastos disse...

Tal como noutras coisas também na Educação está tudo a remar para o lado que mais lhe convém...Enquanto não houver um trabalho em equipa entre os pais, professores, sindicatos, escolas e ministério a educação em Portugal só tenderá a piorar.

Tiago disse...

O problema é que ninguém sabe o que quer dizer trabalhar em equipa. Em que consiste. Falta também abandonar o discurso politicamente correcto, o "eduquês". Definir o que se quer nas escolas, se é que os alunos saiam com um grau académico independentemente dos conhecimentos adquiridos, se se quer promover capacidade de trabalho, de responsabilidade, de obidiência hierárquica. É preciso discutir se isso interessa ou não. Se gerações de jovens sem hábitos de trabalho, sem capacidade de compreender um texto, de escrever um texto, de alinhavar oralmente duas frases seguidas com algum sentido gramatical e de conteúdo, conseguem depois preencher utilmente uma vaga no mercado de trabalho.

É preciso saber se interessa cumprir os mínimos de escolaridade obrigatória se um dos custos é a degradação da qualidade de ensino.

Não me parece que a falta de disciplina e aquisição de competências nas escolas sejam um problema estanque, mas antes uma consequência de um certo estado de espírito laxista e impune que vemos em muito mais exemplos para além do ensino.

Uff... Mas dizer estas coisas é fácil. Encontrar soluções é que é mais difícil. E isso até agora...

ana disse...

tens toda a razao rodrigo. mais colaboracao, mais formacao, menos demagogia.

ana disse...

Nao vou dizer se e bom ou mau, vou so dar exemplos de

um sistema para ajudar a maioria a atingir os objectivos minimos e uma minoria a atingir a excelencia:


As escolas publicas sao obrigadas a aceitar qualquer crianca da area geografica que servem. Se um pai quer por o seu filho numa determinada area fora da sua area residencial, mente ou paga uma verba ao ministerio para poder mudar para outra area (ate agora pouca ou nenhuma diferenca entre portugal e este sistema).
Um grupo de escolas publicas com curriculo especializado faz testes psico-tecnicos ou entrevistas a criancas de 5 anos. Ou seja, os meninos especialmente dotados podem ter acesso a estas escolas com menos alunos, mais e melhores professores e melhores curriculos.

um sistema que da liberdade as escolas (um grupo constituido por pais, professores, membros da comunidade) para escolher os seus proprios professores:
As escolas contratam directamente os seus professores. Os professores sao avaliados pela direccao da escola e os seus salarios estao directamente relacionados com o seu desempenho.O ministerio contrata empresas que visitam as escolas e avaliam o desempenho geral da escola (desde higiene, seguranca, qualidade das aulas observadas, exposicoes, actividades extra-curriculares,organizacao e utilizacao do orcamento...), publica um relatorio e a escola e financiada de acordo com os resultados dessa avaliacao

Acham que Portugal esta preparado para algumas mudancas?
Eu estou!

Pedro Veiga disse...

Ana,
Esses são princípios correctos. O que é oferecido deve ter em conta o desempenho.
Se não mudarmos este execesso de igualitarismo nunca mais sairemos da cepa torta. Chegou-se a uma situação em que as pessoas contam o tempo que estão num serviço, mas não como realizam as tarefas. Nos empregos do estado o tempo ainda é um posto e pouco vale a capacidade ou a dedicação de um indivíduo. Por isso é que há situações escandalosas de indivíduos que atingem o topo da sua carreira só a receber o ordenado ao fim do mês!

Meow disse...

É por estas razões que eu dou graças de dar aulas no ensino vocacional!!