sexta-feira, 7 de abril de 2006

Argumento de autoridade

"É importante o jogador trabalhar bem, com um tempo útil de treino elevado, com intensidades altas, mas com tempo para o repouso, tempo para a família, tempo para que possa fazer outras coisas. Fala-se muito na fadiga física e na recuperação física, mas eu falo na fadiga do sistema nervoso central."

José Mourinho, à revista Dragões de Janeiro de 2002
in Mourinho - porquê tantas vitórias?, edições Gradiva, 2006



E se pensássemos nisto aplicado às empresas e às escolas? Se se percebesse de uma vez por todas que interessa mais a produtividade do trabalho do que as horas passadas à secretária a conversar com colegas, ligado ao messenger, a desempenhar tarefas inúteis, ou na escola com disciplinas inventadas para ocupar o tempo às crianças porque os pais não têm tempo e não querem os filhos a brincar na rua ou sozinhos em casa?

É por isso também que interessa pensar na cidade como o local onde as pessoas vivam com qualidade de vida, uma cidade onde habitação, comércio e emprego coabitem harmoniosamente e não como um aglomerado desordenado e caótico de estábulos e currais sujos e inóspitos onde a existência se resume a esperar pelo último dia das nossas vidas numa febre autista e individualista.

4 comentários:

Tiago disse...

Estava aqui a pensar que podem pensar que sou apologista de escritórios sem janelas ou linhas de montagem tipo fábrica de sapatos minhota onde se sacrificam os trabalhadores em prol da produtividade. Nada mais errado. Continuando como Mourinho, vejam como a variedade de trabalho aumenta os niveis de motivação. Para Mourinho o bem estar psicológico dos jogadores é essencial ao seu rendimento.

Pedro disse...

Só é pena que, urbanisticamente falando, o ideal - com que toda a gente concorda, em principio - seja substituído por um realismo que tem mais de cobarbia e ausência de vontade política do que de possibilidade.
O óptimo é sempre sacrificado ao comezinho. Até que chega um Mourinho (um Duarte Pacheco, um Marquês) com visão e coragem para fazer e nos revela a todos como os pobres e banais carneiros que somos.

joana disse...

O meu orientador devia fazer uns cursos com o Mourinho. Por um lado é muito pelos cuidados parentais - não fosse ele biólogo - e tudo o q sejam desculpas relacionadas com filhos para não aparecermos nas reuniões ou para sairmos mais cedo, são sempre muito bem aceites. Por outro lado acha q a nossa sala sem janelas deveria aumentar a nossa produtividade por ausencia de distracção e que deveriamos todos voltar a secretaria para a parede para aumentar o espaço e ainda conseguir enfiar na sala mais alguma pessoa que apareça.

Temos autorização, no entanto, para personalizar o nosso espaço de parede branca, com fotos e tirinhas de BD, desde q tb coloquemos tb posters de congressos.

Ah, e fazemos jantares de Natal pq somos "um grupo", ao contrario das empresas onde muitos trabalham que tentam ser "um grupo" à força de jantares de natal (obrigatorios).

Talvez nao me possa queixar, afinal.

Pedro Veiga disse...

Não, não te podes queixar. Infelizmente o mundo real do trabalho cada vez tende mais para a escravatura. Existem muitas empresas onde o horário é: chegar cedo e só sair quando o trabalho acabar, o que significa trabalhar habitualmente entre 10 e 14 horas por dia. Por vezes este género de situações traz-me à memória um antigo poema do Sérgio Godinho: "Greves? Só das seis e meia às sete e em frente ao cassetete! Feriado em Abril? Só no dia dos enganos! Primeiro de Maio? Só de quinze em quinze anos!"