quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Clima, pessoas, cidadania

As características climatéricas e geográficas condicionam largamente as possibilidades de um país. Querermos encher o Alentejo de campos de golf, como existem em Inglaterra ou na Escócia, por exemplo, é um disparate criminoso do ponto de vista ambiental. Mesmo que possa trazer proveitos económicos com o turismo, a água necessária para manter um campo de golf é imensa para um país que tem um clima quente e seco e que apenas recolhe 10% da água que cai do céu. Também é um erro não aproveitar o Sol que temos para secar a roupa e propor aos habitantes o uso de máquina de secar. São recursos naturais que são desperdiçados.

É realmente verdade, como foi dito num comentário, que a produtividade e riqueza é maior em países europeus com menos calor e horas de exposição solar, mas isso não nos impede de tentar contrariar essa tendência, aproveitando ao máximo as características geográficas que temos. De qualquer forma, tudo o que seja política fiscal, planeamento urbano ou florestal ou de sistema educativo não pode ser justificada com a fatalidade da temperatura média.

O planeamento urbano caótico que temos é um reflexo da nossa incapacidade de pensar a longo prazo. Quer queiramos quer não, está associado às características cívicas, humanas e profissionais que nos leva a ter os piores níveis de escolaridade ou a maior área florestal ardida da Europa. A justificação para esta catástrofe não é apenas climática.

Com os exemplos holandeses que tenho dado não pretendi apenas louvar o que é estrangeiro e maldizer com amargura o que é português. Continuo é a acreditar firmemente que se os cidadãos se juntarem podem alterar e intervir na construção das cidades, das florestas, do país, e melhorar a qualidade de vida de todos.

Termos consciência de bons exemplos e compará-los com a nossa realidade ajuda-nos a ter maior lucidez para exigir. O que falta é saber como intervir na máquina burocrática (juntas de freguesia, câmaras municipais, etc.) para as medidas necessárias serem tomadas.

A Associação de Moradores será um orgão fundamental de representatividade para estabelecer esse contacto. Encontro também cada vez mais virtudes e potencial na internet, nomeadamente nos blogs, para divulgação e congregação de ideias. Blogs e Associação de Moradores poderão coexistir de forma muito interessante.

5 comentários:

jvieira disse...

Subscrevo na grande maioria este texto.

Se houver interesse do "pessoal", posso "patrocinar" um domínio e respectivo alojamento em servidor profissional para um website da Alta de Lisboa para os moradores e respectivas associações.
Poderia ser um local com um forum para cada empreendimento, mais um forum geral, links para os blogs dos moradores, e áreas próprias para as associações de moradores com promoção e/ou desenvolvimento das suas actividades.

Rodrigo Bastos disse...

Caro jvieira,

Eu pessoalmente estou disponivel para discutir com mais detalhe os contornos desse projecto, pois acho uma ideia muito interessante...

jvieira disse...

mandei e-mail para
condominio.torre _AT_ gmail.com

Pedro Veiga disse...

Acho excelente a ideia da criação do website da Alta!

ana disse...

ja viram o novo blog AMAL?