terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ora bolas

A instalação destas bolas luminosas com publicidade a uma empresa privada na praça mais importante da capital, para além de me parecer um crime de lesa património (Que tal pendurar um "m" de hamburguer nos Paços do Concelho? Que tal condecorar com um autocolante de marca de queijo a fachada da Assembleia da República? Porque não colocar um pai natal insuflável da empresa que o inventou a subir o mastro da bandeira gigante do alto do parque?) reforça a atitude desta Câmara de se vender (barato?) a quem lhe oferecer o maior prato de lentilhas. Há legitimidade neste aluguer da coisa pública?

Não sei se é só a mim que acontece, mas quando vi estas bolas pensei no diálogo travado entre uma menina recatada e um senhor intuitivo que lhe perguntava se por um milhão de euros aceitaria fazer sexo com ele. "Por um milhão... acho que sim..." "E por 20 euros", insistia ele. "Ora, quem é que o senhor pensa que eu sou???" "Quem a menina é já ficou estabelecido na primeira pergunta; agora estamos só a acertar o preço..."

Mutatis mutandis...

26 comentários:

Anónimo disse...

Olha que maravilha,
uma oportunidade de ouro para falar nas magníficas iluminações de Natal e acabam a falar de meninas e de sexo!!!!!!!
Eu bem digo que vocês representam cada vez menos gente na Alta.
Quanto ao facto das bolas estarem onde estão, a mim não me incomodou nem um bocadinho.
São engraçadas e ficam bem. E se por um acaso ajudaram a pagar o resto das iluminações melhor!

Anónimo disse...

Quando a menina não tem outros méritos e tem contas para pagar (mil milhões de euros, no caso desta), não se afigura nada fácil a saída do problema. Claro que se pode sempre escolher ser casta e pobre, como ensinava o Prof. Oliveira Salazar(agora o anónimo das 08:03h está a espumar pela boca, passou-se de iluminações para prostitutas e já se chegou ao Salazar, caramba! Que falta de nível.).

Luís Lucena disse...

Comentário 08:03: não compreendo o que significa:
. "Eu bem digo (...)". "Eu" quem?
. “vocês”. Qual “vocês”?
. “representam”. Qual representação?

Pedro,
relativamente ao post em si:
penso que temos definitivamente que assumir o que assumimos, enquanto País, quando aderimos – há 23 anos (!!!) – à Comunidade Europeia. É que deixámos definitivamente a “via do socialismo” para aderirmos à economia de mercado. Com livre concorrência e todas as suas variantes, incluindo a publicidade. E os cidadãos, consumidores, já o sabem.

Deixemos pois cair o “complexo de esquerda” e o “complexo judaico-cristão” que tem como princípio básico que o “dinheiro é maldoso”, especialmente se for de outrem.

É que o “dinheiro” em si mesmo não é pecado. É um instrumento de gestão. Nem a publicidade em si mesma. Claro está, desde que a Liberdade seja assegurada (o que nem sempre acontece). E a Liberdade, neste caso, representa direitos dos consumidores, transparência das regras para igualdade de oportunidades para outros concorrentes.

Também é verdade que em Liberdade, nem tudo nos agrada. Mas são as regras do jogo.

E não podemos comparar a história da menina dos 20 Euros com a publicidade. A primeira tem inerentemente uma abordagem moral. A segunda é mesmo uma questão de economia de mercado e uma questão de montantes. E é também, concordo contigo, uma questão de bom gosto ou de falta dele.

Se fossemos os gatos fedorentos a imitar o Prof. Marcelo, teríamos qualquer coisa do género:
“P.: A menina poderia fazê-lo, por um Milhão Euros? R.: Não pode, por valor nenhum! P.: E a CML deve aceitar algumas propostas indecentes? R.: Depende: se tal puder ajudar a pagar facturas, por princípio pode, se a proposta for horrível o preço de aceitação deverá ser mais elevado; Se pagar a construção da Porta Sul e esta se vier a ser construída em dois meses – nem que Jesus desça à Terra – Pode definitivamente! Nem que tenhamos de suportar as ideias veiculadas pelo Pedro do Viver. Aceitaremos qualquer publicidade na fachada da Assembleia da República se tivermos a Porta Sul rapidamente” diria o Prof. Marcelo.

Anónimo disse...

Boas.
Eu até acho bem. O António Costa apareceu há uns dias na TV a dizer que a CML não ia gastar dinheiro a meter iluminações de Natal e que todas iam ser colocadas por privados. Prefiro assim do que saber que milhares de euros de impostos estão a ser gastos em iluminações de Natal.
Já pensaram nos milhares de euros de mão-de-obra, material e electricidade que se gasta por esse país/mundo fora em iluminações de Natal? Já pensaram se não seria mais útil usarem o dinheiro para melhorar outras coisas ou ajudar os mais carenciados. Por mim nem devia haver iluminações de Natal, mas já que há que sejam os privados a suportar os custos em vez dos contribuintes!
Iolanda

Pedro disse...

Olá Luís.

É só há 23 anos que temos economia de mercado e publicidade em Portugal? Caramba, a minha cabeça já não é o que era, julgava que tínhamos tido disso todo o século XX.

O que me parece que não tínhamos - e que agora, a avaliar pela postura do poder executivo (validada pela falta de protesto, ou até pelo agrado público), temos cada vez mais - é a falta de sentido de património, de noção da integridade do Estado e da coisa pública.

Como se intuía do que escrevi, tudo está à venda - é apenas uma questão de preço.

Ora, do meu ponto de vista, há coisas que não deveriam estar à venda: a privatização (ainda que temporária) do espaço público é uma delas (é preciso explicar que o espaço público, sendo de todos, por todos deverá ser livremente acessado?), assim como o desvirtuamento arquitectónico de monumentos ou edifícios públicos ou o abastardamento do seu uso.

Aparentemente estou pouco acompanhado nesta posição. Fica claro que a maioria dos meus cidadãos se está a borrifar para a perda de identidade das instituições desde que isso signifique - pelo menos na aparência - menores gastos para si próprio. (O dinheiro tudo justifica, até a hipócrita chamada à colação da Liberdade e dos complexos esquerdistas ou judaico-cristãos. Por onde é que essa liberdade tem andado nestes últimos tempos de nacionalização - com o nosso dinheiro! aquele que não se gastou com as iluminações de Natal (dos próximos 500 anos)! - de bancos corruptos e à beira da falência? Onde se escondeu esse "orgulho de direita" nestes últimos tempos de controlo do mercado de capitais pelos Estados?) Que ilusão.

Termino com mais uma analogia, daquelas escritas por um tótó vermelhusco que ainda acreditava nos amanhãs que cantam e na supremacia do socialismo mas que, apesar dos complexos e das ilusões, soube acertar na mouche: "primeiro foi o meu vizinho de cima a ser levado, mas como era comunista e eu não, não me importei. Depois foi o do lado, mas como era negro e eu não, não liguei. Agora estão-me a bater à porta..."

Mutatis mutandis, mais uma vez...

JP disse...

Inteirissimamente de acordo.

Pedro Veiga disse...

Também estou de acordo com o Pedro.
Este é um sinal dos tempos: tudo se compra com dinheiro e tudo se pode vender. Só o dinheiro é que interessa e nada mais.

Tiago disse...

Lembro-me de há tempos haver muita gente contra as ventoinhas eólicas que o Sá Fernandes queria colocar em Lisboa. Havia até quem apostasse que a Alta receberia uma, li algures, não me lembro onde. Mas nestas coisas de venda do espaço público há opiniões que não são de princípio, são de cor. E aí até tem piada a história dos moinhos de vento.

Também me faz impressão ver Lisboa completamente vendida, sem se saber bem a que preço (desconfio que seja por uma versão mais próxima dos 20€ do que da do milhão). Percebo a tentação de fazer face aos erros das gestões passadas, que deviam ser punidos (no mínimo, gestor autárquico que tenha demonstrado a sua incompetência na gestão financeira, não devia mais poder candidatar-se a qualquer cargo público), mas seria positivo que a CML fizesse um comunicado a todos os munícipes, tornando a coisa mais transparente, dizendo por quanto vendeu a publicidade a todas estas empresas. E fazendo um juizo estético e moral do assunto também, reconhecendo que não devia ser, mas que os tempos estão difíceis.

Anónimo disse...

Eu acho engraçado darem-se ao trabalho de fazer um post com este tema.
A Câmara Municipal tinha duas opções para a iluminação de Natal:

1º Simplesmente não fazia, por falta de verba;

2º Ou arranjava alguém que a pague-se, mas claro, com algumas contrapartidas.

Eu, prefiro a segunda opção. Porque já andamos todos tão tristes e Lisboa sem a tradicional iluminação de natal, já não é concebível.

Não havia necessidade ...

Luís Lucena disse...

Olá Pedro.

Isto aqueceu.

Parece-me que temos visões diferentes.

Não é verdade que tenhamos tido economia de mercado no século XX. . O que tivemos, e infelizmente continuamos a ter, é um mercado em que a LIVRE concorrência é permanentemente ou pontualmente violada. O que tivemos em Portugal, e não só no Sec XX, foram monopólios ou carteis/oligopólios, em que a influência interpessoal (por também por razões de natureza cultural) encontra espaço para inúmeras distorções, em que uma delas é a da corrupção política. Um país de “negócio” zecos.

E de há 23 anos para cá, temos a obrigação institucional e jurídica para a assumirmos (diria ainda que temos inclusivamente a obrigação moral para assumirmos a economia de mercado, já que estivemos a receber metros e metros cúbicos de fundos para gozarmos das infra-estruturas viárias, de distribuição de águas electricidade e esgotos). Acresce que esta perspectiva é reforçada com a “legitimidade democrática”, já que foi no processo de “consolidação do regime” que aderimos à, então, CEE.

Temos ainda algumas melhorias na qualidade de vida que certamente não teríamos se não tivéssemos aderido e continuássemos “orgulhosamente à parte”. Não sei se alguém o contesta, e não temos dois processos históricos para os podermos comparar, nem quero desenvolver neste fórum uma tese académica de que estamos melhor do que estaríamos sem CEE, mas parece relativamente consensual (desculpa, não tenho estatísticas).

Dito isto, não significa que esteja de acordo com determinadas opções. Por exemplo, parece-me que o que a Renault pagou para usufruir do espaço público-de-todos, foi manifestamente pouco para o impacto a que “teve direito”, como contrapartida. Mas não sou “contra” em termos absolutos.

E concordo com a tua perspectiva de que o bem arquitectónico é um bem precioso, e que é preciso preservar. O mais possível.

Não sei qual é o acordo que existe entre a empresa que goza da utilização do espaço de que fizeste referência no teu post, mas deve/tem de ser obviamente do conhecimento público. Contudo, e sem sequer avaliar a qualidade “estética” desta “acção publicitária”, também não será o “fim do mundo”, já que o património continuará e a “campanha publicitária” não. Finalmente, é ainda importante referir que tudo tem boa-medida e medida-de-abuso. E no nosso País, por todo o lado, vemos abuso, abuso, abuso. E vemos muito do que te queixas: pessoas indiferentes, sem reacção, sem qualquer protesto (ou melhor, protestam “para dentro”).

Portanto, é sempre bom perceber o que é público, privado, concorrência sã. São conceitos que não são necessariamente contraditórios mas que, por vezes, até poderão ser completamente incompatíveis. Por exemplo, quando o estado anuncia privatizações porque o “privado é bom gestor” e o que está a dar é “privados”, nada mais preocupante… Assumirá o Estado que é mau gestor? Absurdo! Porque se pretende passar a mensagem de que “privado e concorrência é a mesma coisa”. Absurdo!

E cada um de nós não defende também, por exemplo, o direito de propriedade, cuja natureza é completamente privada?

Provavelmente estás pouco acompanhado na tua posição apenas porque, com todo o mérito, tens uma. Como dizes, e bem, as pessoas (na generalidade, como um rebanho) não se opõem a nada, tudo deixam fazer; porque é chato ter opinião e assumir identidade dá trabalho. Mesmo que a minha opinião seja contrária à tua (o que em muitos aspectos, até nem é) também sou pouco acompanhado. Mas é a vida …

E estes “auto-intiludados-esquerdistas-mas-com-ideias-de-direita-também-designados-de-esquerdistas-de-caviar” e os “de-direita-mas-não-tão-assumidamente-que-possam-ser-acusados-de-estar-a-trabalhar-para-o-grande-capital” descobriram que afinal existem receitas e começaram a brincar à venda a retalho de espaços públicos e que a privatização aos olhos da opinião pública se "parece-se com concorrência e isso passa bem". E é pena.

Existe efectivamente um “problema” cultural com o “dinheiro”. É insofismável. Se te parece que pelo que afirmei que sou “orgulhosamente de direita”, posso assegurar-te que nem sei que conceito é esse. A culpa é minha porque referi “esquerdistas” e devia ter referido “os-que-se-intitulam-de-esquerdistas”. Peço desculpa pela imprecisão. É que não sei o que é ser de direita ou de esquerda (embora reconheça tiques, etiquetas e comportamentos).

Hei! Tenho de ir trabalhar... Até breve!

Mr. Steed disse...

Aqui não concordo com o Pedro.

Não me faz impressão que as iluminações tenham patrocínio. É um bocado morcão mas a CML não tem dinheiro...do mal o menos.

Quanto ao anónimo...porque é que não gosta da gente?

Carlos Moura Carvalho disse...

Pois eu acho a ideia de serem os privados a pagar as iluminações boa.
A forma como foi concretizada a "parceria publico-privada"... é que me parece errada.
Ou seja, a CML "vendeu" o espaço público das zonas mais nobres de Lisboa, a troco de iluminações de Natal. A apropriação do espaço publico do Marquês, do Terreiro do Paço ou do Rossio, a fazer-se que seja com conta, penso e medida.
Para mim, houve desproporção, exagero e sinceramente algum mau gosto.
Neste caso, o que dá a sensação, é que se permitiu que empresas efectuassem acções de propaganda e de marketing em grande escala e, em troca, em vez de pagarem as respectivas taxas de ocupação de via pública, colocaram iluminação de Natal. Ou seja, o dinheiro que seria das taxas foi canalizado para a iluminação.
A pergunta agora é: quanto receberia o município em taxas?
Se amanhã a Macdonald's quiser fazer uma grande acção promocional no Marquês, colocando, insufláveis com figuras relacionadas com a sua actividade durante 3 semanas (!), quanto receberá o município?
Em várias cidades, as iluminações são pagas pelos comerciantes e os municípios participam, ou não. Se há mais dinheiro, são melhores. Se não há, são piores.
Pelo dinheiro que representariam as taxas que não foram cobradas, entendo que em Lisboa deviam ser melhores.
Assim, concordo com o Pedro em parte...para variar.

Anónimo disse...

(no mínimo, gestor autárquico que tenha demonstrado a sua incompetência na gestão financeira, não devia mais poder candidatar-se a qualquer cargo público),

Apoiado. Deixava era de haver candidatos, autarcas e cargos públicos...

E o que fazer, por exemplo, a quem, não sendo na altura gestor autárquico, demonstrou muita competência a meter providências cautelares e a rebentar com a gestão financeira da autarquia?

Talvez relacionado. Por exemplo, o Costa é muitissimo competente a bloquear a Alta.

Divagando, acabo a pensar que a competência pode ser negativa e a incompetência positiva...em certos contextos.

Anónimo disse...

A diferença entre uma empresa que pretende fazer publicidade numa zona nobre e uma autarquia que recorre a empresas para financiar iluminações é exactamente esta. Quem parte na posição de pedir está logo a pagar mais caro.

Anónimo disse...

Interesante opinião do Dr. Moura de Carvalho, que até há bem pouco tempo, era Director da UPAL, e que tinha como "patrão" a CML.

Paulo Henriques disse...

A ideia de serem privados a pagar a iluminação em troca de alguma publicidade não me incomoda por aí além...O que me incomoda é o profundo mau gosto desta suposta iluminação patrocinada pela TMN!O Terreiro do Paço está "magnífico"! E o Rossio?

Anónimo disse...

"Existem aqueles que vêm uma empresa privada como um tigre que é imperativo matar. Outros vêm-na como uma vaca que só serve para mungir. Poucos a vêem como é na realidade: um robusto cavalo que arrasta um carro pesado" - W.Churchil

O discursinho retrógrado dos horrores do capitalismo e da iniciativa privada, feito por uma esquerda esvaziada de ideias, teima em tornar à baila em tempos de crise, servindo apenas os interesses dos pseudo-líderes que orientam apenas mais um rebanho cujos membros se dizem ou julgam mais bem formados ou intelectuais que a maioria.

Gostos não se discutem, e este em especial pois nem sequer tive a oportunidade de ir ver este "crime lesa património" que por ali se fez.
- Quando no mesmo espaço, a CML gastou uns bons milhares para colocar aquelas esculturas do Botero no mesmo espaço, houve assim tanta polémica? Porquê ou porque não? Ou porque, tendo sido gastos dinheiros públicos para que os pseudo-intelectuais se satisfizessem, já terá havido problema?
- Ou deveremos também bloquear o acesso à tal "praça mais importante da capital" quando uns milhares de pessoas individuais (privadas) ali se querem manifestar, sem sequer pagar taxas de ocupação e impedindo o acesso do publico ao usufruto?

Continuo sem perceber esta aversão à iniciativa privada.

Ou assume-se aqui que, possivelmente teria sido melhor não se ter feito nada, ou pior, terem sido gastos uns milhares de euros que a CML não tem, para pelo menos termos alguns enfeites que nos lembrem a quadra em que estamos?

Eu preferirei sempre a solução da iniciativa privada. Goste-se ou não, ao menos algo se fez.

Pedro disse...

Não é só o Terreiro do Paço que serve de placa publicitária. O Marquês de Pombal está igual. No Rossio a publicidade é ao jogo (Santa Casa) ainda que 50% das receitas do mesmo (100% do lucro?) seja aplicado na extensa obra de apoio social - sua única razão de existir, aliás - que a mesma promove. Nos Restauradores passa-se o mesmo, ainda que de uma forma mais disfarçada e "nobre", com a promoção aos correios. Isto só no eixo Terreiro-Marquês. O resto da cidade não tive oportunidade de ver.

O ponto de vista alternativo que o comentário do Carlos levanta é interessante: o problema não se poria se, em vez da oferta da reserva do espaço público para uso de empresas para pagamento da iluminação de Natal, o mesmo fosse alugado segundo os valores das taxas de ocupação. Do ponto de vista jurídico,do ponto de vista da lisura de processos e da transparência dos serviços, tem toda a razão e faz todo o sentido.

Mudamos o registo mas a questão de fundo continua a manter-se: deverá a Câmara restringir o acesso ao espaço público em nome do usufruto por privados? Mais especificamente: estará todo o espaço público disponível para uso privado, qualquer uso privado? Publicidade nos monumentos nacionais? Fecho de jardins e parques (não confundir com ocupações para actividades de usufruto da população como as culturais ou desportivas)? De ruas?

Antes de discutir o gosto (péssimo) das bolas ou a bondade das intenções importa definir isso.

Depois, bom a guerra... de palavras será entre os que entendem que a discussão de gostos é coisa de pseudo-intelectuais e os que defendem que o gosto, como a educação e a civilidade, é uma coisa que se aprende.

Para terminar quero afirmar o profundo desprezo que me provocam as insinuações que, a tempos, vão aparecendo nos comentários a coberto do anonimato (neste caso, mais ou menos "pseudo" mas enfim), especificamente em relação ao Dr. Moura Carvalho. Sendo pública a nossa divergência em muitos dos assuntos que rodeiam a Alta nunca e em nenhum deles esteve em causa a personalidade, o profissional, o homem. Quem as faz ou é tolo e gosta de graçolar com coisas sérias ou transporta em si os defeitos que prefere apontar a terceiros. Uma triste pessoa em todo o caso.

Carlos, peço desculpa por me intrometer, mas há coisas que o meu sangue quente me impede de deixar passar em branco.

Iolanda disse...

Lanço aqui uma questão. Em Londres não há publicidade fixa em cartazes nas ruas (pelo menos não me lembro de ver nenhum). Mas há umas pessoas que andam a segurar uns cartazes de publicidade e que podem andar a passear os cartazes ou simplesmente ficarem de pé no mesmo local umas largas horas.
Se estas bolas da tmn, ou as outras publicidades da santa casa, ctt ou dos outros estivessem a ser seguras por pessoas que estavam lá exactamente no mesmo local a segurá-las já não achariam revoltante? Seriam pessoas num espaço público..

Anónimo disse...

Já não é a primeira vez que os senhores colaboradores deste blog, ficam aborrecidos por ser contrariados.
O que é que a iluminação de Natal da Cidade tem haver com a Alta Lisboa?
O que é que o Dr. Moura de Carvalho, que foi Director da UPAL e que penso agora exerce funções na SGAL tem a dizer sobre o Eixo Central que nunca mais é feito, a Av. Santos e Castro, entre outras infraestruturas que demoram em ser conluídas?
Mas sobre a iluminação de Natal no Terreiro do Paço já tem?

Carlos Moura Carvalho disse...

Relativamente aos comentários anónimos, tenho a dizer que o facto de ter trabalhado na CML, como no Ministério da Cultura, no Ministério da Educação, na Tobis, na Heller Factoring, no Efisa, na CCE e de actualmente, entre outros locais, trabalhar na SGAL, não me impediu, nem impedirá nunca, repito nunca, de dizer o que penso, de dar a minha opinião sobre qualquer assunto,sobre qualquer entidade e no local que eu entender.
Assumo sempre aquilo que digo de forma frontal sem me esconder por detrás do anonimato.
Procuro fazê-lo com isenção, independência e verdade. Provavelmente, nem sempre o conseguirei.
Neste caso em concreto, concordando com a ideia da Câmara de se associar ao apoio de privados, procurei trazer para o debate uma outra perspectiva, um outro lado da questão, o da das taxas que ficaram por cobrar, que me pareceu de debater.E seria interessante ouvir a opinião do(s) anónimo(s) sobre isso e não sobre aspectos colaterais.
Quanto ao que penso sobre o Eixo Central, a Porta Sul, o Centro Social da Musgueira, a Pista de Atletismo, a malha 14, o Centro Cultural, o centro de saúde, a Av. Santos e Castro, terei muito gosto em transmitir o que penso, da forma, no local e perante quem quiser, incluindo, naturalmente, no Viver. Asseguro-lhe que tenho imenso gosto e vontade.

Anónimo disse...

O que me trouxe a discordar com o post foi o facto das opiniões proferidas parecerem que a CML não agiu de boa fé.
Concordo que a receita da publicidade podia ter sido canalizada para outros lados, mas então tinha-se que assumir que devido há grave crise finaceira do Município, não havia a tão falada iluminação. E depois, possivelmente, estavamos aqui todos a falar que, em tantos anos, este ano a CML não colocou iluminação... blá blá blá, percebe?
Acho que falar mal só por falar, não nos leva a lado nenhum e o Viver como blog de referência que é, tem que saber aceitar outras opiniões

Pedro disse...

Se o blog não aceitasse outras opiniões, a sua - mesmo anónima - não estaria aqui, não é?

Ou o seu conceito de "aceitar opiniões" é fazê-lo de forma passiva sem as contestar ou responder? É que nem nós somos jornalistas nem este espaço se chama TSF ou SIC-Notícias...

Todos por aqui podem comentar (com as restrições já conhecidas a opiniões de carácter racista, xenófobo ou insultuoso) mas arriscam-se - como nós - a serem respondidos. São as regras deste jogo.

Anónimo disse...

então respondam lá:
na vossa opinião "jornalistica" (frustrada a meu ver), para quando o fim das eternas obras "SGALIANAS"?
para quando o fim da censura neste blog...?
e por último, há matéria aqui para não colocarem estas questões...?
é que, se na vossa opinião há, estamos mal... ou como dizia o outro pobre coitado ...tá muito mali, muito mali mêmo!!!

Pedro disse...

Como escrito no meu anterior comentário, não somos jornalistas.

Não pretendemos ser.

Vou dar-lhe corda mais um bocadinho só para ver se, finalmente, consegue bem entender o que escrevemos em vez dos delírios que a sua leitura apressada lhe parece estar a provocar.

Para lhe responder com precisão à sua primeira pergunta, teria de ter precisado o que são as obras "sgalianas" - serão as que estão em curso, as que estão paradas ou as que estão por fazer no âmbito do PUAL? As primeiras acabarão quando o prazo indicado nos placards afixados à entrada dos estaleiros o indicar (a menos de atrasos na obra; nesses casos questionar-se-à a SGAL e ela responderá se quiser). Quanto às restantes, já foi bastas vezes afirmado neste blog que a sua conclusão depende quase exclusivamente da CML. Leia-nos com mais atenção.

Quanto à questão da censura, se não o percebeu através do que escrevi anteriormente,recomendo mais uma vez a leitura do VIVER. Se o seu objectivo não é o de perceber, antes o de chamar a atenção para o facto, não se canse. Assumimos abertamente que censuramos e censuraremos todos os comentários racistas, xenófobos, insultuosos. Também não gostamos de opiniões idiotas, insinuações desprovidas de fundamento e graçolas sem piada mas essas, porque atingem muito mais quem as faz do que quem as lê, normalmente ficam. O que é que quer, o Viver não é o pasquim da caserna, os seus integrantes ainda têm o seu controlo editorial integral.

Quanto à sua terceira questão, não a percebi - "há matéria aqui"? "Matéria"? Na blogosfera não, só há fluxos de energia em forma de bits agrupados a movimentarem-se de um lado para o outro. No Viver, a matéria somos nós... "Aqui"? Na Alta, no Viver, nas questões? Quererá perguntar - ou insinuar - que não discutimos as obras "sgalianas" ou a censura por alguma razão inconfessável? É isso? Por acaso leu o post anterior onde eram citadas as obras na Alta? Ou será que "aqui" é o seu comentário? Se for, faça um loop e retorne ao parágrafo anterior.

E fico por aqui.

Anónimo disse...

A acutilante quote que o Pedro inclui no seu comentário a sei lá que comentário não pertence a nenhum «vermelhusco» que de totó nada tinha (olhe a arrogância! olhe a petulância!) mas ao pastor protestante Martin Niemöller. Toca a googlar! Ai.