terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ainda mais graffiti

À conta destes posts do Tiago esbarrei aí pela net no conceito de graffiti invertido (tradução livre de reverse graffiti). É simples: pega-se numa parede de um túnel de uma cidade grande, limpa-se diferencialmente a camadinha de poluição até chegar à cor original das paredes, e assim nasce um desenho.

Este aqui é de Alexandre Orion, um artista Brasileiro. O túnel fica em S. Paulo, entre a Av. Europa e a Cidade Jardim.


Este, é um graffiti que limpa as paredes, não as "suja". E é tão temporário quantos mais carros ali passarem. Aos poucos, as paredes tornar-se-iam de novo negras e tudo voltaria ao "normal".

Ao mandar apagar este graffiti, como se vê na foto em baixo, a prefeitura de S. Paulo perde o argumento institucional de que o graffiti danifica o espaço público, reduzindo-o a vandalismo. Assim se vê que o que incomoda mesmo é a expressão pessoal.


Ao menos este caso teve um final menos infeliz: limparam-se todos os túneis da cidade. Nao fosse alguém limpar primeiro e atrever-se a dizer qualquer coisa com isso.

9 comentários:

Tiago disse...

Por acaso não sei se o que incomoda é a expressão pessoal. Não achas que há diferenças entre o Banksy ou o Roadsworth e as tais tags tipo Márcio love Carina? Eu sei que é difícil defender que uns têm mais direito que outros a fazer graffitis, mas mesmo sendo um leigo no assunto, parece-me que existe nestes writers mais mediaticos, para além de uma abismal diferença de talento, algum código ético que falta noutros.

Joana disse...

Sim, acho q tens razão. Mas não reconheces talento neste Alexandre Orion? Não só talento de "desenho" mas tb acho que tem um bom "conceito". E nem por isso deixou de ser apagado.

O que me salta mais à vista neste caso em particular é que parece q mais vale estar uma parede suja de puluição e fuligem, do q parcialmente limpa, de forma a passar uma mensagem. Pq o q se apaga aqui é a mensagem, enquanto era uma parede preta de sujidade não se mexeu uma palha para limpar.

Tiago disse...

Sim, claro. Este tb tem muita piada. Mas só te estou a dizer que o que me incomoda na maior parte dos graffitis não é ser uma expressão pessoal mas a falta de gosto e ética. E a este Alexandre Orion nem sequer se pode acusar de ter modificado algo definitivamente.

Anónimo disse...

E que tal um post sobre as verdadeiras "nojeiras" que se vêem um pouco por todas as paredes da Alta?

Há, de facto uma grande diferença entre arte e simples deterioração de propriedade alheia, com o único intuito de se fazer notar!

Ainda que ache interessantes alguns dos trabalhos dos artistas mencionados, continuo a achar que me estão a impor essa arte.
Se a isso juntarmos os inúmeros falta de talento que pululam as nossas cidades, está dado o mote para discutirmos onde está a linha entre a liberdade de expressão e a liberdade da minha escolha em "levar com essa arte em cima"!

Afinal, existem tantos museus na nossa cidade (e porque não na Alta, desde que não nas nossas paredes?)

Mr. Steed disse...

o problema com os grafittis está mesmo aí. no conceito de arte.

o Bansky é giro mas depois podemos partir para outros tipos q já n achamos giros. e acabamos nos taggers e nos Edicleison loves Josineide.

Num dos canais por cabo vi no outro dia mais um destes conceitos de invasão do espaço público.

A diferença estava em que era um grupo de malta que de repente construia um jardim assim no meio da rua ou num passeio. E não estou a falar de umas flores. Estou a falar de um jardim mesmo.

Tiago disse...

E essa do jardim era onde? Você se lembra, Istide?

uptownlisbon disse...

http://www.guerrillagardening.org/ -- we could do with some here.. I'm tempted.

Tiago disse...

Eu alinho nisso. O que tem graça é que aqui na Alta já existem jardins desses, feitos pela população. Um dos meus sonhos era mesmo fazer uma horta comunitária, com plantas aromáticas para todos os gostos e feitios onde cada um pudesse abastecer-se de um raminho, se precisasse.

Temos mesmo de pensar nisto.

Mr. Steed disse...

É mais ou menos isso.

Tiago, aqui o que existe é a ocupação de uma área abandonada e a transformação numa horta/jardim.

O que eu vi no documentário do Discovery era por exemplo criar um jardim nas escadarias da assembleia da republica ou no meio do rossio.

É engraçado porque há uns anos lembro-me que os habitantes de um bairro de Lisboa tomaram o lugar da CML e arranjaram um jardim que a autarquia tinha deixado ao abandono. O mais risível no fim disto tudo é que apareceu uma senhora com ar pomposo a dizer que eles não tinham nada que mexer naquilo que era terreno camarário.

As hortas comunitárias são uma coisa fantástica e algo que devia haver por todo o lado. Não com o ar abarracado que se costuma ver mas num espaço feito de propósito para esse efeito. Por várias razões. Uma de que me lembro assim de repente: contaminação de solos. Não dá muito jeito estar a comer as alfaces plantadinhas numa zona contaminada.

Ó SGAL, então e que tal, junto aos courts de ténis e ao sítio para os plane spotters, um espaço para umas hortas comunitárias? Aposto que faziam milagres por aquela coisa que ninguém sabe como fazer que dá pelo nome de integração social.