quinta-feira, 8 de maio de 2008

Um comentário à resposta da SGAL

Estamos todo de acordo com estas teclas batidas tanto pela CML como pela SGAL da "modernidade" e da "oportunidade para a cidade" e dos "polos de desenvolvimento". O que é facto é que, apesar das juras de amor eterno e das promessas de empenhamento, tudo continua cada vez mais exactamente como está, cada vez mais parado.

Todos já conhecemos a inépcia da Câmara, a falta de vontade dos dois últimos executivos em garantirem a continuação da velocidade de cruzeiro exibida no princípio do século - valeu-nos, pelo menos para isso, nesse tempo S. Pedro, Santa Eduarda ou, se calhar mais localmente, S. Carlos -, a inconstância política da Câmara que se vira a favor do vento que soprar melhor e com mais força mediático-eleitoral.

Todos também reconhecemos o interesse - pelo menos teórico - da SGAL em que tudo se desenvolva o mais rapidamente possível para que, o mais rapidamente possível, possa reaver no mínimo o investimento feito.

Há, no entanto, respostas que merecem comentário, pelo que dizem ou pelo que deixam por dizer.

Em resposta à nossa questão referente à existência e premência de serviços (designadamente escritórios) na Alta, refere a SGAL estar "a desenvolver todos os esforços para avançar com os escritórios e a área comercial da malha 5, bem como com os escritórios e hotel da malha 22.1, sendo, para isso, fundamental que a CML possa disponibilizar/libertar os terrenos que permitam construir em tempo os respectivos acessos."

Considerando que os lotes referidos estão totalmente acessíveis - isto é, têm arruamentos a toda a sua volta, depreende-se que os "acessos" a que administração da SGAL se refere (sem a eles se referir directamente) são, novamente, os terrenos para a Porta Sul e para a Av. Santos e Castro (e eventualmente para o Eixo Central se, para esse e apesar do início das obras, também ainda faltarem terrenos).

Logo, a tradução exacta para esta resposta será "A SGAL, consciente da importância da implantação de serviços para diferenciar e valorizar a Alta, está a desenvolver todos os esforços para avançar com os escritórios e a área comercial da malha 5, bem como com os escritórios e hotel da malha 22.1," logo após a conclusão da Av. Santos e Castro e da sua ligação à 2ª Circular.

Ora, como nos diz a nossa estimada vereação socialista através do seu porta-voz Manuel Salgado que teremos de esperar 6 anos até à conclusão daquelas, significa que a Alta ainda terá de esperar 6+tempo do projecto+licenciamento+obra anos até ter o seu hotel e centro comercial.

Convenhamos que, e para citar os exemplos que vêm sendo referidos nos comentários, nisto a EXPO foi mais veloz. Claro que a sua sociedade gestora era uma empresa pública e o buraco financeiro tinha de ser tapado pelo Estado pelo que se tornava essencial apressar o processo, mas mesmo assim...

9 comentários:

Anónimo disse...

Stanley Ho podia ter posto este Museu Oriente na Alta.

Fim das receitas do jogo obrigaram a diversificação
08.05.2008

Com um património líquido de 325 milhões de euros e receitas de 12,3 milhões de euros, a Fundação Oriente - uma das 20 maiores da Europa - diversificou nos últimos anos as suas fontes de financiamento, através de investimentos empresariais e aplicações financeiras. A estratégia seguiu--se ao fim das compensações anuais provenientes do jogo de Macau, das quais beneficiou até Abril de 2000 e que constituem a base do património da instituição.
Os dados disponíveis, ainda referentes a 2006, mostram um clima de contenção de despesa e de recuperação de saldos, apesar de os valores se terem mantido negativos. As despesas nesse ano excederam as receitas em 3,8 milhões de euros, mas, apesar de o saldo ser negativo, foi 45 por cento menos do que em 2005.


É, ainda assim, o ano em que a instituição, presidida por Carlos Monjardino, passa da promessa à prática, com a compra do edifício para o Museu do Oriente, antecipando que o projecto passaria a ser o "núcleo central" da sua actividade.
O relatório de actividades assinala o "bom nível" das receitas obtidas pelas aplicações financeiras de médio e longo prazo no estrangeiro (49,3 milhões de euros) e em Portugal (11,5 milhões de euros), com maior taxa de rendibilidade para as primeiras (seis por cento) do que para as segundas (2,2 por cento). A carteira externa foi, nesse ano, gerida por seis bancos em Londres e Genebra.
Já o retrato do comportamento das participações empresariais é misto, entre variações patrimoniais positivas e negativas, embora não identificadas. Globalmente, assinala uma descida de 7,2 milhões de euros.
Também em 2006, a instituição reporta uma descida do valor do activo e património líquidos. O primeiro caiu 3,7 por cento, para 335 milhões de euros, o segundo 0,3 por cento, para 325 milhões. No ano em que comprou o prédio onde foi instalado o Museu do Oriente, a fundação imputou 15,8 milhões de euros como custos de aquisição.
Para a construção do Museu do Oriente, a fundação diz ter constituído em 1994 uma carteira de títulos especificamente destinada a fazer face a este encargo. Nas últimas contas conhecidas, tinha-se valorizado 9,2 por cento.
A fundação, que nasceu em 1988 como contrapartida pelo então regime exclusivo de concessão do jogo de Macau, tem entre as suas participações de controlo mais conhecidas o Banco Português de Gestão, a gestora de fundos de pensões Futuro e a Generg, produtora de energia eólica e hídrica, e que controla em 57,5 por cento através da Lusenerg. É também accionista de referência do grupo Pestana e da operadora de telecomunicações de Timor, a TPT. A lista de participações inclui ainda as holdings ligadas a Stanley Ho (STDP), a Oriente, a Partisagres e a Mundigere, para além da Timortur.
Nas negociações com a China foi estabelecido que a fundação receberia 1,6 por cento da receita bruta anual do jogo de Macau, até 2001, mas o contrato expirou um ano mais cedo. A instituição está presente em Macau, Índia e Timor. Lurdes Ferreira
325.214
milhares de euros é o último valor conhecido do património líquido da Fundação Oriente, referente a 2006, e que equivale a menos 0,3 por cento que no ano anterior

-3737
milhares de euros foi o saldo negativo entre receitas e despesas em 2006

335.272
milhares de euros foi o valor estimado do activo da fundação nesse mesmo ano, menos 3,7 por cento que no ano anterior

4591
milhares de euros foi o montante de subsídios registado em 2006, ou seja, mais 2,9 por cento que em 2005

Carlos disse...

Pedro,
Independentemente da imagem dos Santos que não me parece a mais feliz, pois os "milagres" da Alta foram perfeitamente explicáveis e deveram-se a muito trabalho, esforço e dedicação, você acertou (quase) em cheio.
É evidente que com os actuais acessos da Alta se torna muito, mas muito dificil, investidores de escritórios se interessarem por esta nossa parte de cidade.
Tirando o Eixo Norte/Sul, que foi possível desbloquear em 2003, ao fim de muitos e muitos anos de hesitações e estudo de melhores opções..., porque Governo e CML se entenderam e articularam quer nas expropriações, quer na execução do projecto, qual é o investidor que opta pela Alta (em condições minimamente atractivas) com os actuais acessos?
Com tantas hesitações, estudos de "melhores opções", apologias de defesa da legalidade, o que é certo é que a Av. Santos e Castro depois de milhões de euros de investimentos "morre" sem solução à vista e a Porta Sul depois de anos de discussões, opções e estudos e depois de finalmente se ter decidido, segue o mesmo caminho.
Para não falar do Eixo Central, relativamente ao qual a CML ainda tem de formalizar o acordo feito no passado com a Carris, bem como realizar diversas expropriações, no 2º e 3º tramos.
Depois da experiência da DHL em que a CML disse pouco e o pouco que disse foi inconclusivo e hesitante, quem ao nível dos escritórios e serviços se mostra atraído pela Alta?
Por isso, é importante decidir.
Volto a dizer, pior que decidir é não decidir.
E o tempo passa e as oportunidades perdem-se.
Pessoalmente, nos casos da Av. Santos e Castro e da Porta Sul, entendo que a CML devia, por uma questão de respeito institucional, moral e principio, honrar os compromissos e as decisões anteriormente adoptadas e acordadas e permitir a conclusão da Av. Santos e Castro e a construção da Porta Sul, acordando com a SGAL, ao abrigo do Contrato que com esta mantém há cerca de 20 anos, os termos e a forma de o conseguir.
A Alta é uma parceria estratégica, pioneira e original em Lisboa. Faz-se partilhando opções e decisões. Encontrando em conjunto as melhores opções. Faz-se discutindo, divergindo, contraditando se necessário, mas procurando no final encontrar um ponto comum que cumpra e respeite os compromissos assumidos com todos aqueles que, acreditando neste projecto e neste modelo de vida e de cidade, para cá vieram morar.
Há muito a fazer, sem “milagres” ou “santos”, mas com muito trabalho.
E projectos, vontade e ideias não faltam.
Mas é preciso mais garantias, mais prazos definidos, mais empenho, mais trabalho. Menos estudos, menos processos de intenção, menos “traumas”, menos hesitações. Para que a Alta possa ser tudo aquilo que pode ser. Com muito mais comércio e serviços. Com mais escritórios. Com mais “ancoras”. Com mais equipamentos culturais. E com melhores acessos.
A SGAL está verdadeiramente interessada nisso. Estamos todos.
A “bola” está do lado da CML.

Anónimo disse...

o senhor Carlos é funcionário da SGAL???

Vá lá... confesse...

Pedro disse...

Finalmente o preto no branco. Obrigado, Carlos.

E os "santos" era, desta vez sem ironias, mesmo um cumprimento. Estamos em Lisboa, a aproximarmo-nos de Junho, era justa uma homenagem aos padroeiros da Alta.

Pedro Veiga disse...

Esta CML precisa de um abanão!
Esta direcção da CML está a apostar tudo nos novos grandes projectos. Fala-se na nova ponte e na renovação da avenida central de Chelas, na nova Alcântara, na nova estação do Oriente com a construção das linhas de alta velocidade, etc. Todas as medidas mais pequenas e fundamentais para a melhoria da melhoria da mobilidade urbana estão postas de parte. Afinal a integração de grandes personalidades no elenco camarário não traz aparentmente grandas vantagens para a cidade.
Agora que se aproximam tempos difíceis com a crise energética mundial a bater à porta é urgente a tomada de medidas que tornem as cidades mais sustentáveis. Até agora nada se viu por parte desta administração.

Pedro disse...

Pedro, como se viu logo com a despromoção de Manuel Salgado de número 2 da lista para número "x" - assumindo Marcos Perestrello esse lugar-, a "integração de grandes personalidades" no elenco municipal era só para compor o ramalhete.

A menos que me demonstrem o contrário, o Arq. Manuel Salgado é pouco mais que uma figura de retórica no poder municipal, é o nome com que o presidente e a vereação socialista caucionam as suas acções e afirmações, um pouco como aqueles projectos arquitectónicos falhados que enxameiam a cidade mas que, como são assinados pelo Pritzker nacional, ninguém se atreve a pôr em causa - pelo menos em público. Numa terra de cegos arquitectónicos e urbanisticos como é toda a veração no poder, Salgado faz para o exterior figura de quem vê bem - por alguma razão todos se cortaram a responder ao nosso questionário deixando para aquele o ónus de o fazer. O facto é que anda a ver mal, ou a fingir que não vê. O que seria incompreensível para quem pôs as mãos na massa em alguns dos projectos da Alta, se não houvesse a vidinha para tratar e os consequentes sapos que, às vezes, se torna necessário engolir.

Se os moradores não acordarem depressa, um dia vão ficar a dever ao banco muito mais do que a propriedade hipotecada que detêm.

Vítor disse...

Julgo que a maior parte dos leitores deste blogue já estão cientes das causas para os problemas da Alta. Está tudo muito bem analisados. Se calhar o que falta agora é trazer as câmaras (da TV) para esta zona da cidade. Há algum tempo o Tiago deixou várias mensagens a volta da necessidade de acção, dando a entender que medidas concretas seriam iniciadas. Quando?
Vamos esperar mais 6 ou + x anos?
O medo que as nossas vozes dissonantes possam desvalorizar os nossos queridos investimentos ainda fará sentido? Haverá muito mais a perder? Que eu saiba foram feitas promessas e criaram-nos expectativas que nos levaram a sermos os primeiros a investir nesta zona da cidade. Se a Musgueira virou Alta foi graças a todos nós. Mas, o policiamento é feito pelos seguranças dos prédios. As necessidades de creches são preenchidas com a iniciativa privada. E para tudo o resto somos obrigados a procurar a solução fora de qualquer oferta camarária ou da SGAL. Ser-se jovem e pertencer à classe média apenas acarreta obrigações nesta cidade? Não há quaisquer direitos? Com tudo parado (empreendimentos, infra-estruturas, etc.), vale a pena ainda esperar? Haverá autarca lisboeta que, sem maioria à vista, queira desperdiçar 20000 votos??? Se calhar com eleições à vista é agora ou…. então daqui a +10 anos! Já sei!!!! Quando o aeroporto sair!!! Mas daqui até lá a minha filha já terá 18 anos. Queria melhor para ela...

Carlos disse...

Obrigado Pedro.
Um abraço

Anónimo disse...

conversa da treta... a fazer lembrar a peça de teatro que estreou há já alguns anos...