quinta-feira, 10 de abril de 2008

Lisboa Cantat ainda sem condições para ensaiar


Continua a ser notícia a sala em más condições que a CML aluga ao Coro Sinfónico Lisboa Cantat, o maior coro sinfónico independente de Lisboa. Paredes húmidas, repletas de fungos, ar impróprio para a actividade do coro. Um problema com solução à vista, há anos falada e do conhecimento público: a transferência do coro para um pavilhão de madeira desocupado, existente na Quinta dos Lilazes. Todos concordam com esta solução, mas os meses de inércia e desinteresse vão passando. A CML já estabeleceu o compromisso, no anterior executivo, o actual executivo já reiterou ser sua vontade "honrar os compromissos da CML", o pavilhão serve as pretensões do Coro, permite-lhe expandir o leque de actividades, criando um coro infantil, um coro juvenil e uma escola de música. A população do Lumiar, através das suas associações de moradores e instituições que trabalham no terreno também reconhece vantagens nesta solução.

Apesar das condições impróprias, o coro continua a apresentar-se nos melhores palcos do país. Em Março no CCB com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, na 3ª Sinfonia de Mahler, sob a direcção de Michael Zilm. Na terça-feira passada, também no CCB, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, integrado na programação do Teatro Nacional de São Carlos, com a 1ª sinfonia de Ralph Vaughan Williams, A Sea Symphony, com textos de Walt Whitman.

Salas faustosas, programações ricas, noites de gala. Mas no fim, o destino do coro é o mesmo, a sala infecta que não envergonha Marcos Perestrelo, Rosália Vargas nem Manuel Salgado, que vão trocando entre si o assunto do coro, adiando-o, deixando às suas secretárias o papel desagradável de cão de guarda, opaco e tantas vezes desnecessariamente mal-educado de mandar telefonar noutro dia por não haver ainda quaisquer novidades, gracejando que com tantos telefonema já dava para construir uma sede nova.

Não é esta a CML que devemos querer. Uma CML que vive cada vez mais para descobrir receitas e extorqui-las aos seus munícipes, que tem 10.000 funcionários, muitos deles mal informados, incompetentes, mal-educados, desmotivados; uma CML que não se orgulha da vida que existe em Lisboa, apesar das condições deficientes que nada fez para melhorar; uma CML cujos Vereadores parecem investir mais na promoção da sua imagem em programas de televisão do que em garantir que os seus funcionários realizem um trabalho sério e visível para os munícipes, não é a CML que Lisboa precisa.

No dia 7 de Janeiro deste ano, várias associações e instituições do Lumiar subscreveram uma carta ao Vereador Manuel Salgado, intercedendo pela atribuição do Pavilhão de Madeira ao Lisboa Cantat. Todos os contactos posteriores feitos com a CML esbarraram nas secretárias dos Vereadores. O assunto passou rapidamente para o Vereador Marcos Perestrelo. Três meses depois, tudo na mesma. Não sei se Marcos Perestrelo tem conhecimento dos assuntos que a sua vereação devia ter tratado. Não sei se tem noção do tipo de respostas pouco dignas que quem lhe está abaixo dá ao telefone, não sei se está sequer preocupado com isso. Mas sei que Marcos Perestrelo é a face visível do seu gabinete, e em última análise é o responsável por todos os defeitos apontados. Na 2ª feira, precisamente 3 meses depois do envio da carta e na véspera do concerto do Lisboa Cantat no CCB, em mais um telefonema feito para a CML fomos informados que o assunto tinha voltado às mãos do Vereador Manuel Salgado. E para que serviram afinal estes três meses de árduo, incansável e incessante trabalho dos serviços da CML?

17 comentários:

João disse...

É de facto frustrante, quando trabalhamos arduamente para conseguir algo e não existe cooperação, boa vontade e o mais importante a honra de compromissos. Cantar nas condições acima descritas é MUITISSIMO desagradável, já para não falar no quão prejudicial é para a saúde a curto/médio prazo. Eu canto nessas condições, pela paixão que tenho pela musica, pela amizade que tenho com o grupo, pela musicalidade que este coro detém, pelo carimbo de qualidade deixado em cada concerto em que actua. Todo este arrastar do processo, demonstra a atitude para com a cultura deste país que se afunda a largos passos para o abismo. Já existe um local que está desocupado, na Quinta dos Lilazes, que foi à muito prometido pela CML. Será assim tão difícil decidir? Continua com o FANTÁSTICO trabalho Tiago. ESTAMOS TODOS CONTIGO. Abraço.

João Andrade
Chefe Naipe Tenores do Coro Lisboa Cantat

Anónimo disse...

Este Marcos Perestrelo é que aquele rapaz giro que aparece num programa da RTP1? Ele não arranja tempo para resolver o problema do Lisboa Cantat? Vá lá, sr. Vereador, faça isso por Lisboa!

Anónimo disse...

Bravo! Corajoso. Esta não é a CML q precisamos, não. E precisamos todos de dizer isso em voz alta, sem medos.

Sérgio disse...

Boas!

É uma palhaçada completa.

O mesmo de sempre.

"Passa a outro e não ao mesmo!"

Ass.: Sérgio.

Ana B. disse...

Conheci o antro alérgico onde decorrem os ensaios do Lisboa Cantat e nunca mais me vou esquecer da sensação de sufoco que senti quando lá entrei. Já vi fotografias das instalações, artigos de jornais, reportagens televisivas até... e posso garantir que por mais descritivas que sejam, não conseguem ilustrar aquele cheiro tão intenso a humidade. Irrespirável para qualquer um, asfixiante para quem passa horas a fio a cantar.

Fui ao CCB no dia 8 ver o mesmo Lisboa Cantat. É de facto um coro de excelência. Será um coro amador, mas o profissionalismo e a qualidade com que se apresenta faz dele um coro de excelência. Vim de lá com a alma cheia!

Quanto aos três meses de silêncio da CML, tenho medo. Tenho medo que todos nos habituemos a este silêncio, a esta inércia, a este atendimento, a esta (des)consideração, a este "modus vivendi".

O Lisboa Cantat merece outra atenção e outro carinho. Não merece ser ignorado. Eu diria que estaremos todos a dar um "tiro no pé", se assim for.

Anónimo disse...

Este processo do silêncio é um truque antigo e tem como finalidade o apodrecimento da causa e consequente morte do problema. Neste caso isto não vai ser assim, porque 31 anos de actividade não são silenciados por qualquer política vulgar e efémera.
Se forem dignos de mandar tomem decisões e ACTUEM, quem está nos cargos foi porque se candidatou e foi eleito, agora mostrem que estão à altura das situações, ou vão-se embora e não nos enganam mais. Não chega dizer que vêm arrumar a casa, é preciso MESMO arruma-la, o resto são cantigas.

Anónimo disse...

Deixo aqui uma desafio aos responsáveis da CML, porque não visitam um ensaio na sala da AMLC em Marvila? Marvila é em Marvila, há gente da CML que pensa que é noutro lado, há mapas para descobrir esses locais da cidade de Lisboa. Já agora num dia em que lá vá um maestro de craveira internacional. Isso seria um acto de coragem, será que há alguem destemido na CML que ouse aparecer num tal dia. Os ensaios são às Terças e Domingos entre as 21h e as 23h. Apareçam dia 11 ou 13 de Maio se tiverem coragem.
Ficamos todos à vossa espera e creiam, são muito bem vindos.

Anónimo disse...

O CLC não é um coro amador. Amador é o trabalho dos vereadores Marcos Perestrelo, Manuel Salgado e Rosália Vargas. O CLC faz um trabalho profissional, de qualidade RARA no panorama português da Música erudita, um trabalho reconhecido por muitos nomes da Música nacional e estrangeira. Toda a gente sabe isso. De amador o CLC tem, isso sim, a paixão, o brio, e a responsabilidade.
Acho uma excelente ideia - queridos vereadores, apareçam num ensaio em Marvila, nos dias 11 ou 13 de Maio. Se 100 vozes de pessoas que vivem e trabalham em Lisboa e POR Lisboa HÁ 31 ANOS não chegam para vos envergonhar, talvez o maestro Michael Zilm sirva o efeito.
Pela parte do CLC, não há nada que nos envergonhe. Temos o nosso trabalho reconhecido e vai ser assim, cada vez mais.

Pedro disse...

Durante quanto tempo mais? É incrível a falta de dedicação da câmara a quem tanto oferece (e com tanta qualidade) ao nível cultural.

Pedro Ferreira

Anónimo disse...

diz a valentim de carvalho : " a MUSICA é um bem de primeira necessidade". Tem toda a razao. No entanto, a musica, ainda por cima quando é estudada, preparada, amada como é por aquelas mais de 100 almas do Lisboa Cantat (ao qual tambem pertenço e com muito gosto) merece melhores condiçoes. Johann Sebastian Bach, Mozart e outros genios como eles viveram em tempos dificeis, mas mesmo assim tiveram condiçoes para compor as deliciosas obras com que alimentamos os nossos ouvidos e almas.

Será que o Lisboa Cantat nao deve ter direito a um espaço mais condigno? Um grupo de pessoas de todas as idades, cujo unico objectivo é o de partilhar com o publico o que de mais belo e puro (alem do amor verdadeiro) existe no mundo, merece ou nao um espaço com melhores condiçoes para preparar as obras?

Se há dinheiro para financiar 10 estadios de futebol, fazer uma Expo 98 ou Masters do Tennis, será que nao existe um "nada que é tudo"(Fernando Pessoa) - para alguns? Será que este pequeno esforço da CML um tal fardo para os mesmos?


Honrai a musica, senhores que dirigis Lisboa, pois nas palavras sábias de Santo Agostinho " cantar é orar duas vezes"

João Domingos disse...

Eu não pertenço ao CLC mas sou um lisboeta preocupado..com a minha cidade e com a Câmara que a (des)governa e isto novamente e apenas porque me preocupa a minha cidade. Há muito que a política em Portugal perdeu a credibilidade que por definição meramente teórica (ou em tempos já muito muito idos) terá tido. Infelizmente a CML dá provas de que essa definação é mesmo meramente teórica, ou na melhor das hipóteses acrescenta tempos aos tempos há muito muito idos..mas não tempos metronómicos pois provavelmente não farão a menor ideia do que isso seja.
Idealmente todos os cidadãos deveriam poder participar activamente nas decisões da área geo/política por que são abrangidos, mas uma vez que isso não é possível elege-se algumas pessoas que as representem - e não que SE representem ou apenas que representem - trabalho bem pago de actor em Portugal - - Assim sendo é de minha opinião que que os Srs vereadores façam aquilo para que foram eleitos e pelo qual são pagos; representem os cidadãos; pratiquem vereança e não veraneio!

Um abraço ao Sr. Tiago pela coragem e lucidez do texto aqui publicado.

Anónimo disse...

Estes atrasos e silêncios são indignos da CML. Os Vereadores em questão não honram a cidade de Lisboa.

Anónimo disse...

Senhor Presidente da Câmara de Lisboa, venha ouvir o Lisboa Cantat e deixe a música fluir numa nova sede!

ib

Mr. Steed disse...

pelo q li aqui os membros do coro até num armazém de fruta ensaiavam com melhores condições...

pq é q n se juntam todos e vão fazer uma serenata à porta da CML? assim tipo cantar as janeiras mas para melhor? press-release, imprensa toda à porta e mais uns minutos exposição na tv?

Sérgio disse...

Era capaz REALMENTE de apressar muita coisa...

Se levassem então uma TVI atrás, era resolvido no dia a seguir...

Pensem nisso, os media existem, que sejam úteis, que não seja só para noticiar que o Cristiano Ronaldo comprou um carro novo, ou que o Castel-Branco fez uma plástica nova...

cmendes disse...

Canto há 3 anos neste coro fantástico. Os meus conhecimentos musicais são limitados, mas a vontade de continuar a fazer música com aquele nível de qualidade e regularidade fazem-me ultrapassar essa e outras contrariedades, como o facto de, duas vezes por semana, prescindir de preciosas horas de sono para ir aos ensaios, sabendo que no dia seguinte tenho de ir trabalhar.
Mas em que outro grupo AMADOR poderia ter a oportunidade de estrear obras de Eurico Carrapatoso, um compositor português de referência nacional e internacional, apresentar a 1ª audição em Portugal da Cantata de Outubro de Prokofiev, fazer parte das temporadas oficiais do Teatro Nacional de São Carlos e da Casa da Música, ser dirigida por maestros de nível internacional como Olivier Cuendet, Martin André, Michael Zilm?
Por isso vale a pena ir ensonada para o trabalho e fazer ensaios naquele armazém húmido e abafado, sem condições de salubridade mínimas.
Acreditem que o Lisboa Cantat merece um local mais digno para continuar a desenvolver o seu trabalho e a proporcionar a pessoas comuns como eu esta experiência de participar no mundo do espectáculo e a levar esse espectáculo aos públicos mais diversos. Dêem-nos uma oportunidade e verão o que conseguimos fazer com um espaço digno.

João disse...

A CML não deve ter receio em apostar num espaço para a música do Lisboa Cantat. É um polo aglutinador de centenas de pessoas em todas as suas actividades directa e indirectamente ... Pela qualidade demonstrada já pôde cantar inclusivamente na Casa da Música, CCB, Teatro Nacional São Carlos. Um grupo destes dignifica qualquer cidade e país onde está inserido, neste caso valoriza o nome da cidade que traz antes da palavra "Cantat". Os ganhos culturais são enormes a curtíssimo prazo inclusivamente, se houver condições condignas! Apostem!