quinta-feira, 13 de dezembro de 2007



Se há qualidade que salta à vista na sociedade americana, é a sua capacidade de realização. Sempre tendo em conta a lei (a qual, se não é cumprida a bem é sancionada a mal), é impressionante a rapidez com que projectos são pensados, lançados e concluídos. As cidades mudam centralidades; novos bairros são acrescidos; zonas degradadas são recuperadas e ganham nova vida, novas funções ou novos habitantes. Com esta rapidez, vem igualmente o outro lado da moeda: aos fracos, desprotegidos, abandonados da vida ou da sorte, pouca protecção resta para além das garantias básicas. Por detrás das luzes brilhantes do sucesso continuam a existir bolsas de pobreza, mais ou menos envergonhadas, mais ou menos violentas, mais ou menos terminais.

Mas a cidade avança, muda, agita-se, vive.

Vem isto a propósito da inauguração do novo espaço do New Museum of Contemporary Art em Nova Iorque. Numa zona degradada, no meio de uma arquitectura descaracterizada, o museu - e os autores do projecto - apostam num modelo simultaneamente despojado e polémico. Onde teria sido mais fácil uma solução "mainstream" ou, no máximo, polemicamente correcta, recorrem a um agrupamento aparentemente aleatório de sólidos, numa alusão directa ao carácter "desconstruído" da vizinhança, numa provocação assumida, numa desafiadora vontade de motivar perguntas.


A comparação com Portugal resulta, porque por demais repetida, desnecessária.

E, no entanto, não posso deixar de pensar na Alta. Aqui também se previu no plano um centro de artes. Um pouco mais ortodoxamente, o projecto foi encomendado à estrela nacional de arquitectura. Mas... onde está o Centro? Onde vai estar o Centro? São as ortodoxias...

16 comentários:

Anónimo disse...

http://www.newmuseum.org/about/new_building

http://en.wikipedia.org/wiki/Bowery

Pedro
depois de ler estes dois sites, vai ver que a instituicao existia ha cerca de 30 anos. a construcao do museu demorou 5 anos depois de 25 anos de actividade. Em relacao ao bairro, a Alta de Lisboa e Bowery so tem uma coisa em comum foram em tempos zonas de quintas.
Estou ansiosa pela construcao do centro cultural pelo arquitecto siza vieira, mas que instituicao (museu ou coleccao) temos nos sem casa que o nosso centro cultural podera abrigar?
Em tempos sonhei que a colecao Berardo fosse para a Alta. Sou demasiado naive, e nunca imaginei que fosse parar ao CCB. Talvez a Paula Rego ou outro monstro da arte portuguesa precise de abrigo.
Outra coisa que gostaria de ver na alta e que existe em Nova York e uma quinta "activa". Uma das quintas que ainda sobrevive na alta poderia ser reactivada. Poderia ser um espaco verde, organico e dinamico na Alta. Chega de predios e estradas!
http://www.queensfarm.org/

Anónimo disse...

Existe algum museu em Portugal ligado a arquitectura?
Existe ainda um museu que vive numa casa emprestada. O museu das criancas. Esse poderia vir viver para a Alta. Creio que ainda esta no museu da marinha em Belem!!!!

Anónimo disse...

ok o centro cultural parece ser um centro com duas salas de espectaculos. uma para 1200 pessoas e outra para 450. Tera camarins e afins.
Ainda temos em Portugal uma companhia de bailado?
Da ultima vez que ouvi falar do assunto a companhia de bailado da gulbenkian ia fechar. e agora quem faz o quebra-nozes no natal e o lago dos cisnes na primavera?

Anónimo disse...

o cnb existe e a cbgulbenkian morreu. O cnb esta no teatro camoes no parque das nacoes. e magnifico!
so fazem o lago dos cisnes e no natal
hmmm

Anónimo disse...

o museu das criancas esta no jardim zoologico

Anónimo disse...

...e o museu da raça branca está aqui!!! VIVA PNR - FN

JAP disse...

Subitamente este blog passou a ser um sítio muito mal frequentado...

Anónimo disse...

Já propus aqui que o conservatório de teatro, despejado pela CML para a Amadora por falta de apoios, tal como uma extensão do Conservatório de Música (com instalações velhas, no Bairro Alto) - ou mesmo da escola de Jazz do Hot Club (privada, mas estruturante) seriam belas apostas.
Gostei da ideia da Paula Rego ou de um museu de arquitectura (se não for elitista mas 'constructo').
Em telheiras, o centro cultural abriga uma companhia de teatro de residentes. «Não perguntes o que podem fazer pela Alta, mas o que nós, da Alta, podemos fazer por nós»...

Anónimo disse...

que tal um museu do holcausto, como em berlim? há aqui quem precise de recordar coisas muito más desta nossa civilização.

centrado disse...

E esse centro terá videovigilância?

Anónimo disse...

Para o anónimo do PNR - Enquanto não percebes que hoje em dia faz tanto sentido falar em "raça branca" como em dizer que a terra é plana toma antes um comprimidinho de cianeto no teu bunkerzinho em Berlim que isso passa-te!

Anónimo disse...

Assim vai a cultura. Ninguém comenta o verdadeiramente importante neste post, que é lutarmos por dar qualidade à Alta pugnando pela construção do Centro???

Pedro disse...

Aparentemente não. Talvez se eu tivesse escrito "O CENTRO CULTURAL JÁ NÃO VAI SER CONSTRUÍDO!!! NINGUÉM SE MANIFESTA???" as respostas fossem em maior número e mais indignadas. Só funcionamos a toque de clarim e na iminência das derrotas.

Anónimo disse...

É verdade, caro Pedro. Podem informar no blog que estão a fazer na malha do topo do Parque Oeste, que tem uma placa com licença/refª de obra indicando um tal de Frazão. Não é essa a malha destinada ao Centro?

Joana disse...

Mas já não vai ser construido de certeza? Não percebi isso no teu post, Pedro.

Pedro disse...

Eu estava à espera que a SGAL viesse aqui desmentir as minhas reticências - melhor, ainda tinha esperança que a SGAL viesse desmentir as minhas reticências.

Na ausência desta, mantém-se a informação veiculada por "fontes bem-informadas": face às áreas máximas aprovadas no PUAL, não será possível fazer cumprir o programa pelo que o CC fica sem efeito (mais uma vez: se não forem estas as razões que venha quem sabe explicá-las melhor)