quarta-feira, 4 de julho de 2007

Outras Vizinhanças

Por obra das forças do Universo que nos encaminham para as novas vias que a vida nos oferece, vim dar comigo nesta terra que foi, durante muitas épocas da História, apetecida e subjugada por potências estrangeiras.

Como em muitas outras regiões da Europa, a História começa a ser contada com a chegada dos Romanos, que com eles trouxeram a escrita (e por isso a memória Histórica), as instituições, o urbanismo, enfim, a Civilização. Ora o que nos contam os Romanos é que esta região era povoada por Celtas. Esta mistura entre Romanos e Celtas veio ainda a sofrer transformações com os ataques das tribos Germânicas, que limitavam, a oriente, o avanço do Império Romano e que acabaram por ser determinantes na sua queda.


Após a era das invasões das tribos Germânicas, a civilização lá se foi reerguendo, tendo aquela região passado pelo império Merovíngio que deu lugar ao Carolíngio, tendo ainda passado pelas mão de Espanhóis, Austríacos, Franceses e Holandeses tendo finalmente adquirido a sua independência em 1830. Mesmo após a obtenção dessa independência, a região Vlaanderen, que significa Flandres em Flamengo, continuou subjugada pela homóloga Francófona, minoritária, mas mais aristocrática e administrativa.


A afirmação dos habitantes da Vlaanderen passou entretanto pelas conquistas das preservações política/cultural da língua e defesa da religião – o Catolicismo – que os distingue dos seus vizinhos Protestantes Calvinistas Holandeses (que, dizem as más línguas, falam mais alto que os Flamengos) – e pelo desenvolvimento da Indústria e do Comércio, tendo enorme destaque e reconhecimento cidades como Antuérpia, Bruges ou Gent.

A sua história já do séc. XX foi marcada pela polémica expansão em África, no Congo (que havia sido iniciada no séc. XIX), e sofreu ainda, e uma vez mais, uma nova invasão, desta vez protagonizada pela Alemanha.

Associamos hoje à Bélgica a qualidade de muitos dos seus produtos para exportação como os chocolates, os gelados, a indústria alimentar em geral, ainda os diamantes e a famosa produção de Banda Desenhada, que traz a muitos de nós boas recordações, com heróis como o Tintin, o Spirou, o Gastão, o Lucky Luke, entre muitos outros.

É interessante verificar que, com muita frequência, pessoas com formação universitária normal dominam, o Flamengo materno (num dos muitos dialectos do Neerlandês – também conhecido por Holandês), o Francês e o Inglês (em geral) sendo ainda muito normal o domínio de uma quarta ou mesmo quinta língua, como o Alemão (língua “prima” da germânica Neerlandesa), o Espanhol ou o Italiano.
No dia-a-dia, a utilização da bicicleta é uma realidade (lembram-se dos outros posts?): crianças, adultos e menos jovens; cavalheiros e senhoras; casual ou com gravata, utilizam de forma generalizada este simpático e prático meio de transporte.

Não se pode propriamente dizer que “existem pistas para os ciclistas”. É mais correcto dizer que as “pistas e a sinalização para este meio de transporte fazem parte integrante de todas as vias públicas”, do mesmo modo que o passeio para o peão e a estrada para o automóvel.

Em geral, o urbanismo desenvolve-se também em harmonia com o território plano e baixo, isto é, os edifícios, normalmente, não são altos.



10 comentários:

Pedro Veiga disse...

Excelente exemplo de convivência pacífica de vários modos de transporte na cidade. Por cá ainda temos muito a aprender com estas formas mais saudáveis de viver a cidade no dia-a-dia.
A bicicleta é um modo de transporte simples, cómodo, económico e ecológico. Se um dia conseguirmos expulsar o excesso de automóveis das nossas cidades passaremos a usufruir de outra qualidade de vida!

Luísa Ferreira disse...

Óptimo exemplo! Ser urbano não deveria significar andar sempre de carro, com o mundo confinado a um cubo de lata, a dar cabo do planeta que (ainda) temos.
É tempo de começarmos a utilizar outras formas de nos deslocarmos e a sentir o que nos rodeia. Assim os urbanistas (re)pensem as nossas cidades.

Tiago disse...

O que é que isto tem a ver com a Alta de Lisboa? Mais um flagrante desvio ao tema inicial deste blog.

Luís Lucena disse...

Olha Tiago, segue as indicações do "quebra-cabeças" da última fotografia: agarra na bicicleta, segue a direcção da seta, vai à terra do Sint-Niklaas, mais conhecido entre nós por Pai Natal e pergunta-lhe!

Tiago disse...

Bicicleta? Fixe, meu!!! Sempre quis ganhar a bicicleta! Mas... Onde é que ela está?

Luísa Ferreira disse...

Pois é Tiago, vais ter de arranjar outra forma de chegar a Sint-Nikklas! Parece que alguém queria tanto a bicicleta, que fez tudo para a levar e ninguém mais a usar!

Citadina disse...

Já que ai está, aproveite para ir a Leuven. Estudei lá e asseguro-lhe que vale a pena a visita!

carlos ines disse...

Bicicleta?
Pode ser interessanto em cidades pequenas e planas. Em Lisboa e tendo em conta que as estradas estão longe de estar cheias é preferivel incentivar o automóvel. Bastava acabar com os autocarros, colocar tuneis em quase todos os cruzamentos e construir mega parques de estacionamento subterraneos no centro da cidade para ser possível a deslocação rápida e cómoda em viatura ligeira.
Para ganhar mais uma via (em avenidas com maior movimento) pode-se reduzir o espaço dos passeios, o que também será mais fácil se menos pessoas andarem a pé ou de bicicleta e se os parques forem pertinho dos empregos.
Bicicletas só recomendo para passeio ou como deslocação em cidades pequenas e planas.

Anónimo disse...

Só por descargo de consciência...
1. Quantos dos que aqui postaram um comentário possuem uma viatura?
2. Quantos possuem bicicleta?
3. Quantos pensam seriamente em usar, durante todo o ano, a referida bicicleta para se deslocarem para o trabalho?

Pois é...

Se calhar, numa cidade perfeita (será que existem?) os transportes públicos são bastantes, chegam a todo o lado, permitem deslocações com as bicicletas; a própria cultura e modo de ser permitem-se a um uso mais abundante daquele meio de transporte.

Sejamos realistas: quem no seu perfeito juízo irá deixar a sua viatura em casa (pela qual pagou os seus impostos e impostos sobre impostos), para usar os fantásticos meios públicos de transporte que temos, demorando bem mais tempo nessas deslocações diárias, percorrendo bem mais quilómetros, numa comodidade bem inferior?

Não tendo Lisboa uma boa rede de transporte, possuindo uma grande parcela da população trabalhadora que nela não reside, será justo pedir a essas pessoas que venham de bicicleta para o emprego?
Com honestidade, Não creio!

Joana disse...

Bom, caro anónimo, eu aprecio mais ir para o trabalho de transportes mesmo levando mais tempo e com uma criança de 2 anos. Cheguei a fazê-lo grávida de 9 meses, tendo carro em casa. Aliás se, quando entrei em trabalho de parto, me tivessem rebentado as águas 1 hora antes teria sido em pleno 108.

Estou no meu perfeito juizo? Não sei, muitos dirão que não.

Mas, agora a sério, pq prefiro? É consciência ecológica? Também, sim, mas não só. Na verdade não suporto as bichas no trânsito em frente ao volante. Descobri tb que criei uma relação mais estreita com o meu filho quando lhe vou explicando o que vê pela janela, a andar de escadas rolantes, etc. É melhor do que nem conseguir olhar para a cadeirinha atrás pq vou a conduzir. Quando vou sozinha aprecio a oportunidade de poder ler. Tb gosto, genuinamente, de estar exposta ao mundo, ir olhando a cidade, poder entrar numa ou outra loja que me chama a atenção sem ter q me preocupar em estacionar. Qd está bom tempo, por exemplo, ir a pé até à baixa e apanhar o transporte mais à frente. De carro teria q voltar para trás, onde o deixei estacionado. Enfim, eu encaro o passe (os BUCs já me constrangem...) como uma liberdade. O carro como uma prisão e, essencialmente, por causa do problema e preço do estacionamento. E esta é a minha honesta opinião e opção. Não é um exercício de cidadania ou de ecologia. Mas é bom saber que a opção é verde.