quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Eixo Norte-Sul obriga a realojamento de centenária



Foi já no passado dia 20 que uma enorme tamareira (Phoenix dactylifera), exaforcada em seis caules, com mais de 100 anos, cerca de 20 metros de altura e 63 toneladas de peso, foi transplantada outros 20 metros ao lado para dar lugar à passagem do viaduto do Eixo Norte-Sul sobre a Av. Padre Cruz. Numa prática ainda pouco comum em Portugal, a operação decorreu durante a uma tarde, exigiu uma preparação prévia das raízes para o transplante, um enorme aparato de retroescavadoras, gruas e cintura de segurança mantida por agentes de segurança pública. Dezenas de jornalista estavam presentes e o Vereador António Proa, responsável pelo pelouro dos Espaços Verdes, veio prestar declarações e explicar a operação.

Custou cerca de 13000 euros, o que se justifica dada a relevância ímpar da árvore em questão, avaliada em cerca de 100.000 euros. Apesar da grande taxa de sucesso nestas operações, só daqui a cinco anos se poderá saber se a árvore resistiu à mudança. Irá conviver no futuro com a passagem de milhares de automóveis, mas a uma distância considerada segura pelas entidades europeias. O Vereador António Proa prometeu ainda propor a sua classificação à Direcção-Geral das Florestas pelo seu “enorme valor patrimonial, e por ser um exemplar único na cidade”.

9 comentários:

joana disse...

O nome da espécie em itálico, se faz favor...

Não fazia ideia q isto era tão caro!

Tiago disse...

done...

Pedro disse...

Longe de mim criticar esta operação, mas só gostava de ver a CML demonstrar tanto respeito pela qualidade de vida dos seus munícipes - e no caso presente dos munícipes lumiarenses que vão passar a viver paredes-meias com a novel auto-estrada - como o que demonstrou perante esta Phoenix dactylifera . Alguem tem dúvidas de que baixará o conforto visual e acústico do centro do Lumiar?

Meow disse...

Agora é esperar (duplo sentido) que resista!

Pedro Veiga disse...

De certeza que foram cortadas algumas raízes importantes e portanto irá ficar debilitada o que poderá causar a morte de um ou outro caule. A transplantação de árvores de grande porte como estas nem sempre corre bem. Basta ver os exemplos das palmeiras do Parque Oeste.
Em prol da qualidade de vida dos habitantes do Lumiar esta via devia ser em túnel e não em viaduto. Agora já se começa a ter uma noção do monstro que é este viaduto que divide o Lumiar ao meio! Mais uma vez é a cidade que perde a favor do automóvel.

Anónimo disse...

É verdade que estas tranplantações são mesmo delicadas!
Veja-se que algumas das árvores que foram transplantadas para a Expo'98, apesar de terem ficado de quarentena nos terrenos do recinto durante as obras, depois de terem sido colocadas no local certo, nem todas sobreviveram...

Se é ali que vai passar o viaduto, deviam prever mais árvores, preferencialmente de folha perene, para que se limite ao máximo a perturbadora visão do eixo Norte-Sul.

Anónimo disse...

Quanto aos custos: acho que vou mudar de profissão!
13.000€ numa tarde!?! "jesus"!
Eu até sou tão apaixonada por árvores...

Nuno disse...

"A classificação “de interesse público” atribui ao arvoredo um estatuto similar ao do património construído classificado" - pode ler-se no site da direcção geral dos recurso florestais.

http://www.dgrf.min-agricultura.pt/v4/dgf/pub.php?ndx=333

O que me espanta, positivamente, neste caso é não ter sido necessária a respectiva classificação (só agora o vereador considera propor o espécime para classificação) para tomar medidas de protecção.

Não consegui encontrar no site da DGRF a lista integral das árvores de interesse público e não sei se existe um roteiro das árvores de interesse público de Lisboa. Alguém sabe?

Rodrigo Bastos disse...

Câmara de Lisboa retira dois eucaliptos em risco de queda na Quinta das Conchas


http://www.cm-lisboa.pt/?id_item=13451&id_categoria=11