quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Viver na Alta de Lisboa



Apesar dos atrasos no projecto, das expectativas goradas, das inércias burocráticas, da indiferença do poder perante a vida nas cidades, vale a pena viver na Alta de Lisboa? As feições do rosto desta parte nova da cidade são visivelmente diferentes de ano para ano? Se voltassem atrás no tempo tomariam outra opção na compra de casa? Vale a pena apostar neste projecto pelo que ele representa no futuro? Mesmo havendo ainda aspectos desagradáveis neste bairro, há outros mais agradáveis que justificam viver aqui?

8 comentários:

joana disse...

Bom, eu estou a gostar de viver aqui. Tanto que vendi uma casa na Alta de Lisboa e comprei outra no prédio ao lado. Tive tempo de me arrepender, ainda vivi 1 ano na primeira e já vivo há 1 ano tb na segunda.

Tirando uma casa alugada, de traça antiga, mesmo no centro da cidade, onde tb vivi 1 ano, de todos os sítios que experimentei na grande Lisboa, este é o que prefiro. A principal razão, é a centralidade. Ainda que ache que poderia e deveria estar mais bem servida de transportes públicos, a sensação de poder ir a pé para o metro, como fui ontem em 10 min, mesmo com uma barrigona de mais de 8 meses, é de uma liberdade incrível! Para mim é mto libertador não ter que pensar em estacionamento.

Outra mais valia, para mim, tb é poder ir a pé a uma zona verde como o P. das Conchas. Acho um verdadeiro luxo na cidade de betão.

E, finalmente, a area e preço da casa, que não conseguiria noutro sítio, especialmente tão perto do centro (embora a qualidade dos acabementos deixe a desejar e a relação consumidor/SGAL seja difícil!).

A cada dia que passa tb abre uma loja nova e torna-se mais cómodo/fácil viver aqui.

São estas as razões que me fazem ficar.

Agora, é certo que há coisas que têm mto espaço para melhorar... E que não melhoram, como tu bem demonstraste, por inércia burocrática. Isso é uma tristeza e faz a realidade ficar mto aquém do projecto e muito aquém do que poderia, JÁ, ser. Como pontos negativos saliento o badalado trânsito (é certo que o é assim noutros sítios, mas por aqui há condições para poder não ser assim); a sujidade nas ruas (é uma pena ler no Público que não é uma prioridade (!!!), não compreendo; o atraso na construção de algumas infraestruturas anunciadas: o caso do centro de saúde provisório é uma anedota (há necessidade de ser assim???), a falta de creches tb é notória (eu sei que faltam em todo o lado, mas penso que o ratio criança/adulto na Alta de Lisboa deve ser dos mais elevados em Lisboa, neste momento).

E pronto, é o meu balanço de 2 anos de experiência!

Pedro disse...

Quando comprei casa em planta e vi o que era e projectei o que iria ser, não tive duvidas.
Agora, um pouco desiludido é certo, continuo optimista quanto ao futuro do projecto. É bom demais para falhar!
No entanto, se fosse hoje, sabendo do marasmo em que sobretudo as vias de comunicação estão, tendo em conta o preço das novas urbanizações e verificando no terreno o (ainda) elevado grau de realojamento existente, provavelmente não compraria casa na Alta de Lisboa.
Sou 100% a favor do realojamento e foi este um dos motivos que me levou a admirar o projecto há 6 anos atrás.
Mas a SGAL falhou. Também aqui falhou. Não soube perceber que só poderia vender ao publico em geral se conseguisse uma auto-integração de todas as classes sociais.
Não se pode recriminar ninguém por não comprar uma casa num bairro com acessos vergonhosos e ao lado de inumeros prédios habitados no âmbito do PER.
Só vejo um caso em que a integração foi bem feita -> Colina São João de Brito. Existe equilibrio e tenho todo o gosto em viver aqui e em que os meus filhos convivam com todos e percebam que nem todos nasceram num "berço de ouro".

Já me desviei do tópico... Em resumo: Não tenho duvidas que fiz uma mágnifica compra em 2000 mas na altura imaginava a Alta de Lisboa em 2006 já com a Santos e Castro e o Eixo Norte-Sul, já com o Eixo Central (embora não urbanizado), com a PSP e com o Centro de Saude e com o PER disseminado equilibradamente entre os demais.
Se fosse agora não comprava (os jardins são lindos mas não chega...)

Carlos disse...

Eu, apesar da burocracia, dos atrasos da Câmara, do trânsito, do Centro de Saúde que não abre devido à inércia, do outro Centro de Saúde que a ARSLVT diz que já não quer, da escola que se deixa de fazer porque a DREL diz que não é uma prioridade, e de outas coisas, continuo a acreditar.
Apesar de tudo, em meia dúzia de anos transformou-se uma zona da cidade dominada sobretudo por bairros degradados, algumas quintas, industrias e um parque urbano perigoso, num dos locais de Lisboa que tem mais zonas verdes, mais zonas desportivas e avenidas e passeios largos.
Apesar de tudo, a rede de transportes não é má e foi reforçada recentemente pela Carris. As estações de Metro estão a 10 minutos das nossas casas. Temos duas escolas primárias e jardins de infancia da rede publica, duas Escolas Públicas do 2.º e 3.º Ciclos, uma cresce da Santa Casa, um Jardim de Infancia de uma IPSS (Centro Social da Musgueira)alguns Colégios Privados do melhor de Lisboa, um Centro de Dia, uma pequena esquadra já em funcionamento e outra a caminho.
O comércio de proximidade começa a estabilizar: cabeleireiros, cafés, lojas de fotografia, mercearias, talhos, lavandarias, video clubes, farmácias, oculistas, perfumarias, bancos.
Enfim, começamos a ter cidade. Uma cidade em que já convivem perto de 20.000 pessoas de todas as classes sociais, de todas as idades. Que convivemos no Parque Oeste e na Quinta das Conchas, no Complexo Desportivo, nos cafés e nas escolas.
E que vamos conviver na Pista de Atletismo, nos campos de rugby, na piscina do complexo desp., no Centro Cultural do Arq. Siza, na galeria da Maumaus, no parque sul. Que nos vamos cruzar no eixo pedonal, nas ciclovias e no Eixo Central.
Apesar de alguns atrasos, eu encaro o futuro desta nossa Alta de Lisboa com entusiasmo e optimismo. Eu continuaria a comprar a minha casa na Alta de Lisboa.

sushi disse...

Pois eu ainda tenho algumas dúvidas!
É certo que me agradam bastante os parques verdes - só de pensar que posso ir correr ou andar de bicicleta para tão perto de casa...-, a coerência entre os quarteirões e a via pública, a futura existência do complexo desportivo e melhores assessibilidades, mas ao mesmo tempo ficou preocupada com o futuro da Alta com a permanência dos realojado, não pela sua condição económica, mas pela falta de educação cívica que é notória nos Jardins de S. Bartolomeu.
Não me parece que no futuro, os nossos filhos estejam seguros na rua à noite a conversar com os amigos!
Por outro lado, a relação qualidade/ preço dos apartamentos é perfeitamente inconcebível. Já vi na zona sul da expo apartamentos aos mesmos preços e com melhores acabamentos.
Revolta-me a "esperteza" literalmente saloia, dos empreiteiros de alguns deste edíficios...
Aguardo pela malha 6. Até lá tenho tempo para pensar.

100smog lda. disse...

!!!mas as coisas começam a mudar....claro de forma lenta como a lesma!

sushi disse...

Desculpem! Não eram os Jardins de S. Bartolomeu que eu queria referir, mas a colina de S. Gonçalo! Baralham-se os santos! Mas a Santos e Castro baralha mais gente!

João Tito disse...

É difícil responder a uma pergunta destas depois de ter perdido meia hora para fazer 500 mts da R. Helena Vaz da Silva até à Santos e Castro. Parece-me de qualquer modo errado avaliar uma escolha tão importante como o local onde morar, por 1 mês (ou 6 meses) de trânsito infernal. Claro que há muitos outros problemas mas eu conto viver na minha casa umas dezenas largas de anos, espero beneficiar de tudo o que este projecto tem de bom por muito tempo.
Apesar de viver rodeado de obras, de pó e de trânsito continuo convicto que escolhi bem o local onde morar e não estou arrependido da escolha que fiz.

Pedro Veiga disse...

No meu ponto de vista considero que viver na Alta de Lisboa continua a ser uma boa opção, apesar de todos os aspectos negativos relacionados com o facto de ser uma zona em construção.
Há muitas situações que poderiam ser melhoradas já nos próximos meses:
Relação da SGAL com os clientes e as administrações dos condomínios. Não é a melhor, pelos os exemplos que conheço. No caso da Colina de S. Gonçalo temos problemas gravíssimos relacionados com falhas no projecto que nunca mais são resolvidos. Quem mora neste empreendimento decerto que se lembra dos famosos andaimes que muitos nervos deram a todos os moradores! Pois bem, este problema não está ainda resolvido porque continuam a cair as lajes das fachadas. A SGAL promete (?) arranjar de novo as fachadas. Quando? Como? Não se sabe.
Foi de facto reforçado o transporte público. Um aspecto bem positivo para quem deseja viver num ambiente urbano menos poluído e mais em consonância com o futuro próximo que será pautado pelo elevado custo dos combustíveis fósseis. Pois bem, as ligações da Alta de Lisboa com as zonas circundantes permanecem um caos! Hoje de manhã, mais uma vez, foi extremamente difícil sair deste bairro. Entrei no autocarro 701 pelas 8:55 na esperança de chegar o menos molhado possível à estação de metro da Ameixoeira. Sugeri ao condutor para fazer um pequeno desvio ao que ele me respondeu dizendo que era boa ideia. Assim, o autocarro saiu da rua Tito de Morais, virou para a direita e tomou a rua Melo Antunes, virou à esquerda e entrou na Av. Sérgio Vieira de Mello e rapidamente chegou à Azinhaga de S. Bartolomeu, evitando o caos do cruzamento da Tito de Morais com a Av. Kruz Abecassis. O pior foi passar a azinhaga… Para quando melhores ligações que sejam prioritárias para os transportes públicos? As ligações com as estações de metro são muito, muito importantes!
De resto ficam as coisas realmente boas! Poder andar, andar de bicicleta, usufruir dos espaços verdes já existentes e pensar num futuro melhor, muito melhor, decerto com muito menos automóveis e mais espaço para os nossos pés! Se assim não for, as nossas cidades entrarão a breve trecho em franco declínio.