quinta-feira, 8 de junho de 2006

Mobilidade pedonal

Marina Ferreira, vereadora da mobilidade, conversando ontem com os jornalistas durante um périplo pela Avenida da República para se observar o funcionamento das novas temporizações dos semáforos para o atravessamento dos peões.




Ainda a vereadora: "a gestão do sistema de semáforos estava tradicionalmente organizada para que os automóveis se pudessem deslocar com rapidez esquecendo a vivência dos peões. As mudanças feitas agora pretendem inverter essa filosofia."

Na verdade, o aumento do tempo de travessia dos peões será compensado por um tempo de espera maior. Ou seja, a distribuição dos tempos de travessia para automóveis e peões ao longo do dia é exactamente a mesma, mas com ciclos mais longos. Pressupõe-se então que para a vereadora "vivência dos peões" seja a velocidade a que se estes deslocam e não uma relação saudável com a cidade automobilizada. Há que perceber se estas medidas são a aceitação que o tempo de travessia foi responsável pelas várias mortes nas ruas da cidade, nos vários atropelamentos, e se esta medida é a única necessária para evitar mais acidentes.

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Parece-me que esta discussão acelerou sobretudo depois do atropelamento fatal na Av. de Ceuta que vitimou uma criança de oito anos. A CML tardou em dar ouvidos às associações de cidadãos que há muito apelavam no sentido de respeitar mais a "vivência dos peões", não só com este medida mas com muitas outras mais. Largos meses depois de tomar posse como vereadora da mobilidade, declarar ser "intolerável" que um peão fique retido num passeio de um metro de largura separando oito faixas de rodagem, e só então tomar medidas que resolvam o problema, é um exercício terrível de incompetência ou de cinismo. Venha o Diabo e escolha.


Na mesma notícia do DN, já linkada nas citações, a vereadora acrescenta ainda que se irá estudar a possibilidade de melhorar os passeios do eixo central. Estudar a possibilidade? Para recalcetar? Alargar? Retirar os Mupis que dificultam a mobilidade?




Eu voto em devolver a cidade às pessoas. Em humanizar a cidade devolvendo as condições de mobilidade e vivência pedonal às ruas e avenidas, alargando passeios, reduzindo o número de faixas de rodagem automóvel, sendo absolutamente intolerante (forma politicamente incorrecta de dizer tolerância zero, mas com igual significado) com o estacionamento abusivo. Eu voto em plantar mais árvores nas ruas para nos proteger do Sol abrasador, purificar o ar e tornar a circulação a pé mais convidativa. Eu voto em aumentar-se a frequência das redes de transportes públicos nos eixos principais, criar corredores BUS e torná-los menos permeáveis à impaciência do automóvel particular. Voto em construir-se mega parques de estacionamento em silo, com capacidade para milhares de automóveis, nas entradas das cidades.

6 comentários:

nuno mac disse...

Eu voto em sair da alta de lisboa e vir para a expo de metro em menos de 50 minutos, em ter metro até mais tarde, em ter metro no aeroporto (incrível esta!! e ainda nos querem convencer que a OTA terá um sistema de transportes públicos eficaz...piadinha!!!)
Existe uma pequena cidade industrial no norte de espanha que se chama Bilbau. Os senhores desta cidade têm uma linha de metro com 25 estações...nada de extraordinário!!isto claro não fosse o facto de se ter feito um contrato com uma empresa americana e em menos de um ano e meio a coisa está feita...claro que estações são todas iguais e não ostentam o luxo das nossas mas estão feitas e os bascos agradecem...são estas pequenas diferenças senhores governantes... como diria alguém...é a eficácia estúpido!!!!

Tiago disse...

Com o prolongamento da linha vermelha desde o oriente até à Alta de Lisboa, esse percurso será bem mais rápido do que 50 minutos, Nuno. Mas estavas a contar com a deslocação até ao metro e depois de sair, imagino.

O luxo das estações é agradável, mas também gostava de saber se isso tem condenado o prolongamento da linha. Para além de gostar de ver apuradas até ao fim as responsabilidades das derrapagens financeiras e a escolha das localizações de estações como Bela Vista ou Amadora, inicialmente em descampados que viriam depois a ser urbanizados.

Nem em Itália... Há coisas neste país que me levam a temer o pior.

Pedro Veiga disse...

O metro em Lisboa é um negócio chorudo para muitas empresas. Já repararam o que implica fazer para instalar este meio de transporte debaixo do chão. Espreitem as obras a decorrer na Av. da República e vejam a complexidade das estruturas de aço das vigas e e paredes. Por isso é que ele cresce ao ritmo que todos sabemos.

joana disse...

Nao sei pq nao optam por troços de superfície, em algumas zonas. No troço Baixa-Sta. Apolonia, por exemplo. Ja houve varios abatimentos de terra, atrasos, etc. E a avenida que passa na superficie tem 6 faixas! Há espaço...

João Tito disse...

Parece que a apresentação à comunicação nã correu da melhor forma,li no Correio da Manhã a seguinte notícia:

"Depois de anunciar que tinha alargado o tempo de verde dos semáforos para peões em dois cruzamentos da Avenida da República , um junto à Avenida João Crisóstomo e o segundo perto da Miguel Bombarda, a Câmara de Lisboa convidou ontem os jornalistas para testarem a alteração. Mas o teste correu mal, pois o sinal verde ficou vermelho quando a vereadora da Mobilidade, Marina Ferreira, ainda se encontrava a atravessar o eixo central da avenida.
(...)"

in Correio da Manhã, 8 de Junho, 2006

Tiago disse...

Faz-me lembrar a apresentação do Windows 98 pelo Bill Gates, com um blue screen projectado na parede com uma assistência de mais de mil pessoas...