sexta-feira, 30 de junho de 2006

Lisboa caótica (29 de Junho de 2006)

Observem bem as diferenças entre estas duas imagens:

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Lisboa, Av. Eng. Krus Abecassis, 25 de Junho de 2006

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Lisboa, Av. da República, 29 de Junho de 2006

Private cars are responsible for 12% of fine particulate matter in the air. These tiny particles penetrate deep into our lungs and on average shorten the life expectancy of each EU citizen by nine months.
Private cars are responsible for 10% of the EU's CO2 emissions, which drive climate change.
Private cars kill and maim. In 2002, more than 20,000 people were killed in the EU-15 in traffic accidents involving cars or taxis. Hundreds of thousands were injured.
Stavros Dimas
Member of the European Commission, responsible for Environment
(http://www.mobilityweek-europe.org/IMG/pdf/stavros_dimas.pdf)

O excerto deste discurso aplica-se bem a Lisboa, sobretudo numa manhã sem metropolitano devido a uma greve.
Andando pelas ruas ouvem-se milhares de queixas de quem se desloca de casa para o emprego. Pelo caminho ouço este desabafo enquanto espero pelo sinal verde dos peões no Campo Grande, na zona do viaduto da 2.ª circular: “Eles querem tudo! Têm emprego e ainda por cima têm a lata de fazer greve. Não há direito! Eu que ganho mal nunca fiz greve, só trabalho!”. Mais adiante, após um extenuante caminhar entre o Lumiar e o Campo Pequeno com passagem pela Cidade Universitária, resolvo apanhar um autocarro da carris para dar um pouco de descanso aos meus pés. Atravesso a lateral poente da Avenida da República ziguezagueando entre os milhares de automóveis engarrafados e, num ápice, entro dentro do autocarro 83. Pensei que a célebre faixa bus criada no tempo da presidência do Eng. Kruz Abecassis poderia ser favorável ao escoamento dos transportes públicos! Tudo errado! Nestes dias nada funciona! Demorei quase 20 minutos entre o Campo Pequeno e o Saldanha! Dentro do autocarro o ambiente era pesado e estava tenso com a discussão entre uma grávida e uma velhinha que disputavam um lugar sentado. Outras conversas versavam em torno dos aumentos das tarifas, das dificuldades da vida e por aí fora. Tudo isto ao ritmo do penoso pára e arranca. Perdi a paciência e com muita luta consigo sair do apinhado 83 em pleno Saldanha. A pé é mais rápido, pensei. E assim foi. Em cerca de 15 minutos de caminhada cheguei ao Marquês de Pombal. Entretanto o metro tinha aberto as suas portas e desci na esperança de apanhar um comboio no sentido do Largo do Rato. O comboio acabou por aparecer depois de quase 20 minutos de espera. É Lisboa uma cidade sustentável e saudável?

4 comentários:

:) disse...

Penso que o seu post foca um ponto muito muito interessante: será que está tudo feito para funcionar bem, apenas se nada falhar? se formos a ver foi apenas uma transportadora que falhou durante 4 horas.. onde estão os planos B desta cidade..? é bom criar toda esta dependencia?
Quanto aos trabalhadores, lá terão a sua razão.. não faziam greve há mais de 10 anos.. então é porque algo de muito sério se passa com a vida daquelas 1600 pessoas.. A eles, muito boa sorte! A nós.. esperar uns bons planos B's para a nossa Alta :)

Abraço!

João Baptista disse...

Gostei das imagens...

guarde-as para daqui a 5 ou 10 anos vermos as diferenças. Posso quase apostar que ambas serão iguais à de baixo...

...a não ser que façamos algo para contrariar essa conclusão...

Cumprimentos,
JB

Ana Louro disse...

Elas já são hoje iguais se se tirarem fotos na R. Cruz Abecassis em dias de semana à mesma hora da 2ª foto. De facto concordo com o luís botelho não há plano B para Lisboa e não o temos porque todo o sistema está pensado para servir quem opta por automóvel e não os utentes dos transportes colectivos (TC). Não se pensa sequer nas modalidades suaves (peões e utilizadores de bicicleta, entre outros) que em conjunto com um sistema integrado de TC, que fluisse independentemtne da circulação automóvel, dê resposta às necessidades dos que não podem ou não querem usar automóvel particular bem como a todos os problemas inerentes à sua utilização em Lisboa - poluição, trânsito, saúde, ambiente e energia (já nem falo das alterações climáticas em que muitos parecem não acreditar). Os problemas estão mais que identificados em décadas de estudos, as soluções possíveis são conhecidas com exemplos adoptados ou em adopção em outras cidades, mas aqui é tudo devagar, devagarinho, quase parado...

Pedro Veiga disse...

Apenas quis mostrar um contraste, embora as situações não sejam comparáveis, como é evidente pelas datas (domingo e quinta feira). Havendo falta de espaço por que razão se continua a permitir que se encha uma cidade com automóveis particulares que quase sempre só transportam o condutor? Mesmo em dias sem greves...