domingo, 2 de abril de 2006

Da Alta até à 7.ª Colina, pedalando

Andar pelas ruas de Lisboa é um exercício terrível para os nervos, sobretudo em horas de ponta. Ora bem, depois de alguns meses de reflexão decidi arriscar a minha vida e lá fui para o trabalho de bicicleta! Sim, a bicicleta! É um transporte tão usado em qualquer cidade europeia civilizada. Pois, em Lisboa não é! Porque Lisboa é, em horas de ponta, um “mar de automóveis”!

Saio de casa por volta da 9 horas da manhã (terça-feira, 28 de Março) a fim de evitar a hora de ponta mais frenética.
Estou na Alta de Lisboa, mais propriamente numa rua que se cruza com a Avenida Sérgio Vieira de Mello, avenida que ainda não tem direito a placa identificadora.

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Aqui vou, pedalando pela Avenida Eng. Nuno Kruz Abecassis acima paralelamente ao famoso Parque Oeste da Alta de Lisboa, que tarda em abrir ao público.
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Atravesso um caminho pedonal improvisado que serve de ligação entre a zona norte e sul da Alta de Lisboa. Caminho que só é utilizado pelas crianças e pais que necessitam de se deslocar até à escola (se calhar é por isso que a CML, UPAL e SGAL ainda não se preocuparam com isto).

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Rua José Cardodo Pires. Em frente, ao fundo, já se nota um esboço do Parque das Conchas
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Avenida que ladeia a famosa malha 5 para a qual o Arquitecto Tomás Taveira projectou uns grandes blocos de habitação, comércio e serviços. Do lado que me encontro estão erguidos alguns empreendimentos recentes da zona sul da Alta de Lisboa.

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Este cruzamento é terrível, embora na fotografia seja difícil de ver. Fala-se na transformação em rotunda (lá se vão mais umas árvores…).
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Descida até ao Parque das Conchas passando ao lado do empreendimento de luxo com o mesmo nome.
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Parque das Conchas, verde e mais verde!
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Subida para a zona da Quinta do Lambert (Lumiar), para evitar a congestionada e poluída Alameda das Linhas de Torres, para tomar a Avenida Maria Helena Vieira da Silva.
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Passagem pelo Parque Europa (o primeiro empreendimento da SGAL, lançado nos finais da década de 1980), mais propriamente pela Rua Manuel Marques (rua bem conhecida de todos os clientes da SGAL).
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Já estou perto da interface do Campo Grande ao descer a Rua Agostinho Neto.
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Finalmente alcanço uma pista para velocípedes: Telheiras - Campo Grande – Entrecampos.
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Agora é sempre a andar bem (apenas parando nos semáforos da Alameda da Universidade)
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Pedalando em boa velocidade até Entrecampos
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A pista acabou e é com perícia que tomo a Avenida 5 de Outubro, utilizando o passeio como solução de recurso para evitar acidentes com automóveis!
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Viro para zona dos hotéis da Avenida 5 de Outubro com o objectivo de chegar à Avenida de Berna.
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Eis a Avenida de Berna com a sua igreja!
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Ao lado da Fundação Calouste Gulbenkian
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Continuo a contornar a Fundação em direcção à catedral de consumo do El corte inglês, passando pela Avenida António Augusto de Aguiar e depois pela Rua Dr. Nicolau Bettencourt.
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Aqui houve um problema: devido às obras o local está intransitável! Foi má opção ter vindo por aqui!
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Ultrapassadas as dificuldades cá vou eu subindo para o topo do Parque Eduardo VII via Rua Marquês de Fronteira. Subida difícil. Muito trânsito no sentido descendente.
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Chegado ao topo inicio a descida pela Rua Castilho na zona de influência do Parque Eduardo VII. É preciso ir travando para controlar a velocidade.
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Cruzamento com a Rua Joaquim António de Aguiar. Esperar pela abertura dos sinais. Como esta cidade ficou completamente desfigurada com a construção deste maldito túnel! Muitas árvores desapareceram e a zona está mais parecida com uma auto-estrada permanentemente engarrafada! O império do automóvel esmagou o peão!
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Chego finalmente ao Largo do Rato!
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Agora tomo a Rua da Escola Politécnica. A rua é estreita o que requer muita perícia e controlo.
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Finalmente cheguei ao Museu de História Natural da Universidade de Lisboa, depois de uma viagem de aproximadamente 70 minutos!
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Algumas reflexões finais:

Tudo seria mais simples se em Lisboa existissem pistas para velocípedes ligadas entre si, respeitando o relevo natural da cidade.

Apesar de ser uma cidade com colinas é possível andar de bicicleta e vencer os declives ao escolher os melhores trajectos. Por essa razão já existem estudos de implementação de uma rede para bicicletas (http://www.isa.utl.pt/ceap/ciclovias/new_page_15411111.htm).

As condições de circulação nesta cidade são muito más. O automóvel domina em todas as ruas e cruzamentos, está atravessado em todo lado, estaciona nos passeios e ameaça qualquer espaço pedonal livre daqueles incómodos pilares “evita estacionamento”. Nas horas de ponta as ruas desta cidade mais parecem artérias entupidas de colesterol!

Por que razão temos que viver o nosso dia a dia encafuados em caixas metálicas com rodas, queimando restos orgânicos de seres vivos que foram nossos antepassados há muitos milhões de anos?

Não será possível inverter esta tendência de aumento da supremacia do automóvel na cidade? Não será possível parar com a transformação das praças e largos em auto-estradas (exemplos do Largo do Rato e da Praça Duque de Saldanha)? Será possível acabar de vez com o abate de árvores para o alargamento das faixas de asfalto (exemplo do Marquês de Pombal)? Que alternativas existem para devolver a cidade à população que nela habita, trabalha ou simplesmente passeia? Por quanto tempo mais vamos ter que esperar para que as pessoas com mobilidade reduzida possam usufruir de passeios e passagens de peões seguras e eficientes? Por quanto tempo mais vamos ter que viver sem a existência de uma rede de eléctricos de superfície que complemente a ineficaz e cara “rede” de metropolitano?

Se calhar só a força da natureza através dos efeitos nefastos do “pico do petróleo”(http://www.lifeaftertheoilcrash.net/ http://www.peakoil.ie/downloads/newsletters/newsletter63_200603.pdf ) e das alterações climáticas ( http://www.exploratorium.edu/climate/index.html ) poderá pôr travão a este desenvolvimento totalmente insustentável.

17 comentários:

Tiago disse...

Pedro, parabéns, por este grande post, parabéns pela forma como conseguiste documentar o trajecto, e parabéns pela audácia de enfrentar a cidade desta forma!

É curiosa a diferença de sensações que me causam as fotografias com carros e as fotografias com espaços verdes. Temos mesmo que impedir que a cidade continue a ser esfaqueada e morta se não queremos nós morrer também.

Pedro Veiga disse...

De facto é isso! Não sei bem o que será o futuro próximo, mas a ver pelo que vem aí em matéria de esacassez de recursos, nada está a favor deste nosso esquema de desenvolvimento.
O pico do petróleo é mesmo uma realidade verificado pela matemática e estatística.
Por outro lado, estamos ameaçados pelas alterações climáticas. Já se sabe hoje com relativa confiança o porquê de vivermos há cerca de 8.000 anos num período de estabilidade climática, nunca registado na história geológica.
Se a ciência nos ajuda a compreender o mundo em que vivemos e de certo modo a antever o futuro próximo, porque não agir seguindo as suas recomendações?
Não devemos ter medo das mudanças, devemos é saber adaptar-nos a elas!

Ana Louro disse...

Sim, a questão é que temos o direito de optar pela bicicleta como forma de mobilidade e de nos serem facultadas condições seguras para isso. Parabéns, Pedro, pela escolha que fizeste nesse dia. Seria bom que cada vez mais pessoas adoptassem a bicicleta diariamente, apesar das dificuldades. Acredito que o actual executivo da CML (vereadoras da Mobilidade e Urbanismo) tem vontade política para fazer trabalho nesse sentido (aliás já o estão a fazer), até porque não há que temer as medidas favorecedoras da procura de modos suaves em paralelo com os transportes colectivos. Esperemos que o resultado desse trabalho não demore muito a aparecer.

joana disse...

Grande reportagem! E quanto tempo demoraste de volta ao final do dia? São mais subidas, não são?

Teria sido giro se tivesses colocado os teus tempos intermédios no local das fotografias. Embora seja bastante óbvio ficávamos com a noção de quais são os troços complicados e da relação tempo/distância em cada zona.

Coragem para continuar?

sushi disse...

Só para rematar!

Nas cidades em que o uso de bicicleta está instituido, este é o meio de transporte ao qual os automóveis dão prioridade!

Parabéns pela coragem!
Até andar de mota não se tem mostrado muito seguro!

João Tito disse...

É mesmo difícil andar de bicicleta em Lisboa, felizmente cada vez se vê mais gente a faze-lo, esperemos que a Ana tenha razão e que este executivo camarário tenha vontade política de incentivar o uso da bicicleta.

Pedro Veiga disse...

No regresso levei mais cerca de 10 minutos porque é mais a subir! Também fiz uma pequena pausa na Gulbenkian para descansar do trânsito. Irei repetir mais vezes a experiência escolhendo ruas mais adequadas a partir da zona da praça de Espanha.
Tirando os aspectos negativos do trânsito é boa a sensação do exercício feito no início de um dia de trabalho.

Rodrigues disse...

Seguindo o exemplo do meu marido, ando a pensar em deslocar-me diariamente para a Gulbenkian de bicicleta... Ando a tentar ganhar coragem.;)

(O pior é que regresso à noite.)

Ana Louro disse...

Por isso, e não só, é que o Metropolitano deveria permitir o transporte de bicicletas também durante a semana (mesmo que o limitasse nas horas de ponta). Também o percurso que o Pedro fez podia ser repartido entre Metro e bicicleta (a OMS recomenda 30 min. por dia), mas para isso seria conveniente ou transportar a bicicleta no metro ou haver mais estruturas para parqueamento junto às estações (só há no Campo Grande, em Entrecampos e no Parque das Nações, se não me falhou nenhuma). Mais uma vez trata-se do direito a optarmos pelo que nos for mais conveniente (mesmo que existissem mais vias cicláveis). Estou certa que um dia isso será possível. Há uns anos atrás a administração do Metro não queria nem ouvir falar em bicicletas, após diversas tentativas e argumentos lá passaram a permitir o transporte gratuito aos fins de semana e feriados (se bem que há dias uma rapariga tentou entrar com a bicicleta numa sexta-feira depois da meia noite e não a deixaram passar porque ainda não era o dia de exploração correspondente ao sábado que só começa às 6:00h, claro que se tratou de excesso de zelo do funcionário em questão). Temos que continuar a trabalhar para que isto vá mudando...

Ana Louro disse...

Esqueci-me de dizer que quando uso o Metro com a bicicleta durante a semana dou à volta à questão com a minha bicicleta de dobrar (folding bicycle).

Tiago disse...

A propósito desse assunto, vale a pena ler a história deliciosa que o Pedro Ornelas conta no Céu. Mais um exemplo de como a burocracia cega só tem como mérito as anedotas que promove.

Ana Louro disse...

Então aqui fica outra:
A Transtejo tem um passe especial para passageiro/bicicleta. No dia em que um assinante tinha o braço partido não levou a bicicleta com ele e não o deixaram passar, porque aquele passe era especial, sem bicicleta teria que ter outro passe ou comprar bilhete.

joana disse...

Isto é ridículo... Não acho que haja outro comentário possível.

Ricardo disse...

Pedro,
parabéns pelo bog e em especial por este post. Tenho acompanhado o teu 'trabalho' e tem muita qualidade e por isso é muito meritório.
Dei conta que moras na CSG o q faz de nós vizinhos desde o dia 20.(lt 21)
Voltando ao post, confesso que me sinto mais determinado em optar pela bicicleta para me deslocar em Lisboa. Conheço bem a nossa zona, também já trabalhei no centro da cidade, mas confesso que só depois de ler a tua aventura é que acreditei que é realmente possível!
Vamos ver como vamos estar de ciclovias, parque oeste e acesso à ameixoeira daqui a uns meses... já só peço 'estacionamento' para a bicla no metro....

Online disse...

Bom post.
Para mim o preço de petroleo e a crise climática e energética são bemvindas, pois como devemos aprender com a história a necessidade é que faz o engenho e só realmente apertados as entidades e a população começarão a mudar de atitude. Nessa altura vai ser perfeitamente "in" tomar todas essas acções que são agora meio "out" como andar de bike, e poupar. Mas poupar a sério e não realizar campanhas de desresponsabilização civil, superficiais e feitas para atirar os olhos à cara das pessoas.

Abraços e boa continuação

www.onlinu.blogspot.com

O engenheiro disse...

Muitos parabéns pelo óptimo post. Eu também sou um acérrimo defensor da utilização da bicicleta nas cidades portuguesas que infelizmente tem vindo a cair em desuso nas últimas décadas. Aliás hoje em dia utilizar a bicicleta não é só perigoso como até é socialmente mal visto. Infelizmente o automóvel ainda funciona como um símbolo de status social pelo que quem opta por se deslocar de bicicleta ou até mesmo de motociclo para o seu local de trabalho é olhado com uma certa estranheza pelos colegas.
Infelizmente as mentalidades são difíceis de mudar mas penso que o investimento em pistas de bicicletas (que é ridiculamente baixo se comparado com o de uma nova estação de metro!) e especialmente a obrigação de estas serem feitas e devidamente planeadas em todos os novos empreendimentos, aliada à subida dos preços do petróleo poderá contribuir para mudar o estado actual e em muito contribuir para uma melhoria da qualidade de vida não só em lisboa mas especialmente em todas as outras urbes do país de menor dimensão!

Rufles disse...

Parabens pela reportagem. Demonstra bem que é possivel, apesar de tudo deslocarmo-nos de bicicleta em Lisboa. Se noutras cidades mais avançadas se utiliza tanto a bicicleta devemos também fazê-lo na nossa cidade. As colinas são apenas desculpas, a quantidade de carros e a falta de respeito dos condutores torna a deslocação de bicicleta num grande risco mas vale a pena investir, dar o exemplo. Não se pode deixar que os automóveis invadam completamente a cidade. Normalmente não comento mas neste caso achei que devia contribuir. Parabens mais uma vez.