domingo, 12 de março de 2006

Parque das Conchas


O Parque das Conchas, antes da reabilitação, era frequentado por uma previlegiada minoria que gostava de espaços verdes. Agora está a tornar-se um sucesso de massas. Fico bastante feliz por ver tanta gente a passear ao ar livre ao Domingo, mas pergunto-me onde andariam antes desta descoberta. E que fenómeno faz uns jardins serem tão frequentados e outros tão pouco? Será só pela reabilitação?

10 comentários:

ana disse...

Os espacos criados. A proximidade de zonas habitacionais. A seguranca. A diversidade etaria dos bairros

De que outros parques falas?
A maioria dos que conheco sao bastante frequentados. Ha e muito poucos.

Tiago disse...

A diferença no Parque das Conchas actual para o antigo é no bar, no jardim infantil e nas outras infraestruturas. A Proximidade das zonas habitacionais e a diversidade etária é a mesma que há um ano atrás.

Alguns dos outros espaços menos procurados estão espalhados pela cidade, mas lembro-me por exemplo do Parque Monteiro-Mor e do Jardim Botânico. Estes têm como elemento dissuasor o bilhete de entrada.

Rodrigo Bastos disse...

O parque das conchas está uma delicia :))

Tiago disse...

Pois está, Rodrigo, é verdade. Mas já era uma delícia antes da intervenção. Era bastante mais selvagem, sem infraestruturas, sem caminhos de madeira. Não estou a defender uma versão da outra, mas gostava de entender o que faz a diferença de adesão do público. Tu chegaste a ir lá antes?

joana disse...

Eu acho que é só ir tomando conhecimento que existe. Há 1 ano atrás eu nao sabia bem onde era e que era assim tao grande, por exemplo.

Depois comecei a ver as fotos aqui, um amigo falou-me e acabei por lá ir. E continuar a ir.

Curiosamente um amigo meu q anda a fazer uns cursos de jardinagem como hobby disse-me que a requalificação do P. das Conchas foi o seu principio do fim. Que os caminhos construidos cortaram raizes, cursos de agua subterraneos (?) e que não é bom para as arvores. Acho que foi o que o professor/instrutor dele lhe disse.

Tiago disse...

Não sei se tem a ver já como o que dizes, Joana, mas vários dos enormes eucaliptos que estavam junto ao lago, na parte Oeste do Parque, foram recentemente abatido por razões fitosanitárias.

ana disse...

Tiago, o jardim botanico nao tem propriamente sitios para se brincar com as criancas. Lembro-me de ir namorar quando andava na universidade. Tenho boas recordacoes da pastelaria sister logo ali e do passeio de electrico ate ao cais do sodre.
Do Monteiro-mor fui la uma vez com um grupo de pais e criancas. Nao tivemos de pagar, mas tive de fazer reserva para o fim de semana!!!
Quanto a quinta das conchas lembro-me de a atravessar para fazer visitas a familias na Musgueira e devo dizer que nao inspirava nenhuma seguranca.
Tudo junto faz de espacos como a nova quinta das conchas um sitio bem apetecedor.
Quanto a requalificacao, percebo muito pouco de botanica por isso nao vou opinar.

Tiago disse...

Morei desde sempre na zona do Jardim do Botânico, do jardim do Príncipe Real, e guardo recordações incríveis de lá brincar. Na altura não havia muitos parques infantis, só aqueles em ferro onde os miúdos se fartavam de aleijar, mas tudo servia de motivo para brincadeira.

No Jardim Botânico, onde nessa altura não se pagava, brinquei imenso. Na altura lembro-me de ficar impressionado com a ausência de ruído automóvel da cidade. Parecia que entrávamos num mundo à parte. Com o crescimento económico aumentou imenso o parque automóvel e esse isolamento desapareceu.

Ana Louro disse...

Eu costumava frequentar o parque antes das obras (desde 99 quando fiz o contrato com a SGAL) e já nessa altura era bastante procurado. Vim para cá morar em 2004 e passei a visitá-lo com mais frequência e a atravessá-lo para acesso ao Lumiar. Claro que depois da reabilitação a procura ainda é maior e talvez porque se congregaram aqui uma série de coisas - espaço amplo e cuidado, segurança, talvez o café para alguns (para quando o restaurante?), facilidade de acesso para todos, mesmo para os mais idosos, creio que a maioria das pessoas chega a pé e é das redondezas. Perguntas onde estariam as pessoas antes da descoberta do Parque? Talvez algumas estivessem fechadas em casa. Recordo-me que quando a Av. da Liberdade foi encerrada ao trânsito em muitos domingos na sequência da Semana da Mobilidade (no tempo da presidência do Dr. João Soares) ter falado com muitas pessoas que viviam/vivem naquela avenida ou nas traseiras e que há muito não saiam à rua. Provavelmente estarão novamente fechadas em casa porque a inicitiva não se repetiu, mas essas certamente que não visitarão o nosso Parque das Conchas. Mas acho que também aqui podemos melhorar ainda mais as condições - promovendo actividades - ginástica para todos, ioga (?), colocando estruturas em U para parqueamento de bicicletas, as tais passadeiras que continuam em falta e que garantam a segurança nos acessos, pilaretes na rua empedrada de acesso ao condomínio do Parque das Conchas, de forma a garantir um caminho pedonal livre de automóveis estacionados (creio que isto será possível quando o estacionamento do topo norte estiver concluído e for aberta essa entrada), mais iluminação ou apenas mudar a posição dos candeeiros que apontam para o céu, porque o parque é atravessado também para acesso de e para o Metro.
Outros parques de Lisboa - o Parque Florestal de Monsanto que devido à revitalização que a fantástica equipa que tem estado à sua frente e do Espaço Monsanto (nestas coisas acho que os nomes devem ser referidos - Eng. Souto Cruz (que já não está) e Eng. Tremoceiro) tem levado a cabo, com iniciativas para toda a família. Estou-me a lembrar também do Parque das Nações. Isto tudo só prova que quando são criados e oferecidos às pessoas espaços condignos elas aderem em massa. Porque é que não são criados mais, acho que é preciso dizê-lo, uma das razões - porque isso não interessa aos lobbies dos centros comerciais e dos hipermercados, que contribuiram para a destruição do comércio tradicional e de proximidade e ajudaram a criar ainda maior dependência do automóvel (de cujos interesses já se falou aqui). Em Benfica, por exemplo, há pessoas reformadas que passam o dia nos centros comerciais (o que arrasou o comécio local foi o grande e não o pequeno) porque há bancos onde estarem, há "movimento" e assim não se sentem tão sozinhas. Mas não me queiram convencer que isso é o papel social dos centros, porque não vejo nenhum. Que alternativas têm? A mata de Benfica, que parece que finalmente vai ser também revitalizada e o Monsanto, mas que para eles está muito longe para irem a pé. Porque não fazer mais zonas verdes em tantos espaços expectantes da nossa cidade, ou pequenas zonas ajardinadas em Praças e Largos, que o automóvel abusivamente ocupou?

Pierre disse...

Aquilo sempre foi muito frequentado...só que menos mediatizado. Antes eram os agarrados, os ladrões os violadores e etc. Ainda me lembro do tempo que se entrava lá dentro vestido e sai-se quase sem nada. Enfim...como diria darwin a evolução abafa sempre as minorias.