quinta-feira, 2 de março de 2006

Desperdício

A maré de azar dos colaboradores deste blog chegou aqui à praia. Anteontem o meu portátil perdeu a vida abruptamente.

Procurei ajuda especializada, nas várias lojas que já existem dedicadas ao assunto, mas o diagnóstico a olho foi sempre o mesmo, bastante edipiano: "Hmmm... Isto cheira-me a motherboard. Não há grande coisa a fazer, o arranjo é tão caro que mais vale comprar um computador novo."
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"E não podemos confirmar se é mesmo esse o problema?", perguntei. "Podemos, abrindo o computador, mas só pelo diagnóstico são 75€, mesmo que confirme as piores expectativas. Aceita?", respondeu a maioria.

Não. Desconfiei do estatuto de especialista de um que, não fosse o meu aviso, se preparava para tirar as memórias com o computador ligado à corrente.

Por fim lá encontrei um sítio com bastante bom aspecto onde me disseram que quase todos os problemas nos portáteis têm solução e que muitas vezes o custo não é justificativo para o deitar fora. Como gostei da loja e do tratamento dado deixei lá o portátil para análises. Tenho vários casos à frente, com carácter de urgência. "Hoje em dia toda a gente tem urgência", disseram ainda. Eu não. Faz-me falta o portátil, mas felizmente a minha vida não depende dele.


É mais um sinal dos tempos. As casas da especialidade proliferam, mesmo que os técnicos especializados cometam erros de palmatória como mexer em partes sensíveis do computador com ele ligado à corrente, os diagnósticos a olho são dramáticos, o desperdício é fomentado e, por mais que se desenvolva a tecnologia para servir o Homem, cada vez temos menos tempo para esperar.

Quantos dos modelos de organização que temos hoje em dia se regem por estes princípios? Já falámos de alguns, o tempo perdido entre a casa e emprego que é roubado à família e ao lazer, a poluição e stress de enfrentar várias horas por dia filas intermináveis de automóveis irritados, a corrupção impune a ditar a história das nossas cidades, empresas de condomínio incompetentes que prestam um mau serviço e levam à falência rápida as contas conjuntas dos seus clientes, a demissão dos pais na educação dos seus filhos, a busca da resolução dos problemas dos filhos num especialista, o psicólogo. Etc, etc, etc...

Que vida inteligente é esta, afinal?

3 comentários:

joana disse...

Já reparaste que já não se arranja nada? Agora subestituem-se as peças. Nos carros, por exemplo, já não há mecânicos bons, com engenho, que afinam o carro ou resolvem um problema. Há pessoas que trocam peças, máquinas que calibram, e mais nada!

Perdem-se as artes todas :-(

Pedro Veiga disse...

Ainda se encontram alguns reparadores de máquinas, embora seja difícil. Também muitas das máquinas modernas estão feitas para não serem reparadas. Há uns meses atrás ainda consegui mandar reparar o meu frigorífico em vez de comprar um novo. Poupei mais de 500 euros!

homoclinica disse...

Ouvi falar num PCdoc que vai a casa e arranja PCs:

PC Doc Informática Lda
LISBOA - LUMIAR
Rua Professor Eduardo A Coelho 14-lj G Lisboa
1600-614 LISBOA