quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Quatro barómetros da sabedoria popular



Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Isaltino Morais e Avelino Ferreira Torres. Veremos no dia 9 de Outubro se este país tem crédito.

8 comentários:

Ricardo Soares disse...

Não só veremos se este país tem crédito como veremos se o povo tem ou não o que merece.

Tiago disse...

Exactamente!

Sérgio disse...

Ou talvez o povo tenha sempre o que merece. Aliás, não é de Portugal que se diz que tem uma população a crédito?

Rodrigo Bastos disse...

Caros... atenção de que não estamos a falar do nosso país mas sim de quatro localidades aos quais pelo menos a mim nenhuma delas me representa.

Agora... em relação às presidênciais e às legislativas, aí sim vamos estar mesmo a falar do nosso país e do nosso povo.

Falando aqui do nosso burgo, o que teem a dizer do aperto de mão politico dos Candidatos Carmona e Carrilho na reunião dos 20 anos da Quercus, dias depois do Candidato carrilho ter vindo a público exigir um pedido de desculpas que não teve?

Tiago disse...

Rodrigo, parece-me ingenuidade acreditar que as fronteiras culturais são tão estaques e nítidas como as fronteiras dos mapas. O que passa nestas quatro localidades é um reflexo do país que temos. Não acredito que a maioria das pessoas haja por dolo. As pessoas que ficaram à espera da Fátima Felgueiras desde as 8h30m às 20h, quase doze horas, para lhe dar um beijo, acredito que se dediquem a isso realmente por crendice. Mas a falta de instrução da população portuguesa permite o atropelo constante da lei, a corrupção impune aos olhos de todos, os erros catastróficos na gestão das autarquias, do governo, em prejuízo das populações.

E isto só passa porque a média do cidadão português têm níveis de instrução baixos, ou não fosse POrtugal o país europeu com maior taxa de iliteracia funcional. Bom indicador disto é o trabalho que a campanha da Fátima Felgueiras tem feito para informar os seus eleitores do quadradinho do boletim de voto em que têm de votar. Muito próximo da Rua Sésamo, mas sem as puras intenções pedagógicas da série genial.

Tiago disse...

Melhor exemplo do gosto por "pão e circo" quem tem a população em geral foi o Euro2004. Dez estádios megalómanos, muitos deles completamente inúteis e dispendiosos, e milhares de bandeiras portuguesas espalhadas de Norte a Sul.

Rodrigo Bastos disse...

Tiago,

As últimas eleições presidencias dos Estados Unidos são um belo exemplo de como a democracia pode tornar-se muitas vezes "obscena". Este exemplo dos EUA, pode servir para muitos países e entre os quais podemos incluir Portugal. Não são os EUA um dos paises com mais alta taxa de aproveitamento escolar?

A falta de instrução torna-nos mais vulneraveis perante "os avanços" de pessoas menos bem intencionadas. Aí estamos de acordo.

O que eu quis frizar no meu último comentário é que neste caso das autárticas nós não estamos a falar de Portugal e do seu povo, mas sim de quatro fenómenos que deverão ser profundamente analisados por toda a sociedade portuguesa e principalmente pela nossa classe política pois "gere" este país e pela classe juridica que "elabora" as nossas leis.

Neste caso (autárticas), temos de olhar para o nosso burgo e eu ainda não vi ninguém comentar o aperto de mão que referi anteriormente. Acham este aperto de mão banal?

Felgueiras, Oeiras, Amarante e Gondomar são todos quatro casos bastante diferentes, sendo o de Felgueiras ver o mais grave (éticamente escandaloso) e aquele que oferece maior razão para reflexão mas todos merecem acção para que não voltem a acontecer.

Quanto aos estádios, aí estamos mais uma vez perfeitamente de acordo. Eu pessoalmente aprendi que: "antes ir brincar tenho de trabalhar para isso".

Tiago disse...

Rodrigo,

Eu também não quis dizer que todos os portugueses são iletrados, pouco instruídos e facilemnete manipuláveis. Nem quis dizer que o sucesso escolar só por si confere às pessoas capacidade intelectual e humana para escolher os seus governantes e destinguir os bem intencionados dos mal intencionados.

Estou de acordo contigo que a ignorância da maioria da população é largamente aproveitada pelos partidos, basta ver a continuada simplificação do discurso político, a crescente boçalidade da televisão, liberalizada pelo governo, as inúmeras tentativas de amordaçamento da comunicação social.

Não acho que Felgueiras represente o caso mais grave. Apesar de tudo, Fátimas Felgueiras não foi ainda julgada, no caso do Avelino Ferreira Torres é bem diferente. Este já foi considerado culpado, deixou a Camara Municipal de Marco de Canaveses falida, enriqueceu vergonhosamente desde que se tornou autarca e prepara-se para ganhar a CM de Amarante e destruir mais um dos últimos centros históricos bem conservados do país.

O que me incomoda é isto ser possível neste país e legitimado por uma democracia que elege por sufrágio universal. Eu quero uma democracia em Portugal, mas quero também que o Estado asseguro o mais possível a formação cívica e intelectual da população para votar em consciência. Vê o que a campanha da Fátima Felgueiras está a fazer para ensinar o povo a votar.


Quanto à questão do Carrilho e Carmona, devo dizer que me choca muito mais a reconciliação aconselhada pela equipa de marketing do Carrilho, preocupada com a imagem dada no fim do debate, do que a recusa do aperto de mão. Há que acabar com a incosequência das acusações que se fazem nas campanhas. Se me caluniassem também me recusaria a cumprimentar o caluniador. (E com isto não estou a dizer que o Carmona caluniou o Carrilho)