domingo, 22 de fevereiro de 2009

Música de Sábado

Sergei Prokofiev compôs a sua primeira sinfonia aos vinte e cinco anos, numas férias, como exercício académico ou divertimento pessoal, um desafio de escrever uma obra longe do piano, inspirando-se no rigor formal de Haydn, o mais clássico dos compositores. Chamou-lhe, por isso, "Sinfonia Clássica".

Respeitando a orquestração da época (violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes e tímpanos), a escrita não resiste a incorporar o idioma musical do início do séc. XX, causando em muitos ouvintes uma sensação divertida de música travestida. Leonard Bernstein conta que quando ouviu pela primeira vez esta obra agarrou-se à barriga de tanto rir com o bom humor de Prokofiev.

A mim não dá vontade de rir, mas provoca-me um sorriso e uma sensação de felicidade inabalável. A "Sinfonia Clássica" de Prokofiev tem uma frescura e uma energia revigorante que me continua a contagiar da mesma forma como da primeira vez que a reconheci e quis saber o que era. Lembro-me que foi num Sábado, numa manhã sossegada de Fevereiro, com uma luz linda e calorosa a entrar pela casa onde vivia com os meus pais, há muitos, muitos anos.

Esta versão, com Filarmónica de Viena, é dirigida por Valery Gergiev, um maestro que ensaia pouco por acreditar que demasiados ensaios tiram espontaneidade a esse organismo vivo que é a orquestra. Por oposição a esta filosofia de trabalho, podem ver Sergio Celibidache a ensaiar a mesma obra com Filarmónica de Munique. Para além das diferenças artísticas entre os dois maestros, nota-se que Gergiev pretende fazer com o gesto, em concerto, o que Celibidache transmite por ideias e palavras em dezenas de ensaios. Duas formas opostas de trabalhar, mas ambas com resultados brilhantes.

Bom Fim de Semana para todos!

2 comentários:

Sónia disse...

Olá Tiago!

Não tenho conhecimentos de música clássica mas acredita que gostei muito de ouvir este video. Obrigada por este momento diferente.

Anónimo disse...

Não gosto e não percebo porque é que este blog tem estes posts.