"Decisões políticas serão eficazes se partilhadas pela comunidade."
"Motivar os cidadãos a envolverem-se na vida democrática e encorajá-los a participarem nas decisões políticas."
"Devolver aos cidadãos a intervenção nas escolhas e no planeamento das suas comunidades."
"Mais do que esperar que as populações se dirijam à câmara, serão os autarcas a ir ao encontro das pessoas, escutando-lhes aspirações e anotando as suas preocupações."
"Orçamentos participativos, atendimentos públicos, reuniões de câmara e assembleias municipais descentralizadas, visitas temáticas e o melhoramento das acessibilidades de comunicação com os decisores (presidentes e vereação)."
"A democracia não se constrói só de quatro em quatro anos, com o voto."
(fotografia de Alfredo Cunha)
"Motivar os cidadãos a envolverem-se na vida democrática e encorajá-los a participarem nas decisões políticas."
"Devolver aos cidadãos a intervenção nas escolhas e no planeamento das suas comunidades."
"Mais do que esperar que as populações se dirijam à câmara, serão os autarcas a ir ao encontro das pessoas, escutando-lhes aspirações e anotando as suas preocupações."
"Orçamentos participativos, atendimentos públicos, reuniões de câmara e assembleias municipais descentralizadas, visitas temáticas e o melhoramento das acessibilidades de comunicação com os decisores (presidentes e vereação)."
"A democracia não se constrói só de quatro em quatro anos, com o voto."

Não foi um revolucionário de esquerda quem disse isto. Foi Fernando Ruas, na campanha Cidadania Activa lançada na 3ªfeira passada pela Associação Nacional de Municípios Portugueses, da qual é presidente. O mesmo Fernando Ruas, também presidente da Câmara Municipal de Viseu, que há menos de dois anos incitou a população a "correr à pedrada" os fiscais do Ministério do Ambiente que estivessem a fazer o seu trabalho.
As frases, as outras, as sérias, são bonitas. Mas não são novas, o auto-diagnóstico de falha democrática não é recente. E sim, de 4 em 4 anos, os cidadãos são incitados a participar, os grupos formais e informais de cidadãos são tratados com deferência e aquele olhar de atenção com brilhozinho, com apertos de mão e palmadinha no ombro com a frase a rematar: "já sabe, tem aí o meu número, qualquer coisa, ligue". A poia do cão, o buraco na estrada, leia-se. Porque normalmente a visão de cidade não vai mais longe. E a disponibilidade também não, acaba depois das eleições.
Nos nossos contactos vários na CML encontrámos de tudo, gente disponível para ouvir, para pensar em conjunto e procurar soluções, mas também Vereadores inacessíveis, com assessores incontactáveis, com secretárias muito mais eficazes a selar o bunker burocrático onde trabalham do que a servir e informar o munícipe. Os governantes eleitos têm portanto não só a obrigação, difícil tarefa, de fomentar a consciência e participação da população nos problemas do país, como mudar também as mentalidades dos funcionários que trabalham consigo.
No nosso caso, da Alta, isto é tão visível que até irrita. Uma população maioritariamente deprimida e incapaz de reagir à morte anunciada da cidade que lhes venderam, Juntas de Freguesia silenciosas - por ignorância ou desinteresse? - quanto aos preocupantes atrasos do PUAL, uma SGAL entorpecida e medrosa, incapaz de agir, de reagir, de pensar em voz alta (pensará ao menos em voz baixa?), e a CML com um Vereador do Urbanismo com um discurso que desilude os que acreditaram que o seu passado de arquitecto e urbanismo fizesse diferença nas já normais evasivas respostas políticas.
A notícia do DN cita João Lobo Antunes, convidado de honra da cerimónia de abertura da tal Campanha Cidadania Activa:
A ideia da campanha, sublinhou, nasceu do "divórcio entre a vida política e as pessoas" cada vez com menos tempo no quotidiano para dedicarem à comunidade. "Há qualquer coisa que nos está a fechar em casulos impermeáveis de ansiedade e de preocupação", disse Lobo Antunes, lançando o repto aos autarcas para se afastarem de um certo "pensamento paroquial". O neurocirurgião lembrou um episódio de ineficiência quando, há anos, em conversa com um governante a quem fizera sugestões de serviço, este o ouviu e à laia de despedida lhe disse ponha lá isso por escrito. "É evidente que não pus, pois a frase era sinónimo de que não iria fazer nada", esclareceu o médico, advertindo para a necessidade de os cidadãos sentirem que estão mesmo a participar nas decisões. "A cidadania exerce-se com talento de cada um", rematou.
As frases, as outras, as sérias, são bonitas. Mas não são novas, o auto-diagnóstico de falha democrática não é recente. E sim, de 4 em 4 anos, os cidadãos são incitados a participar, os grupos formais e informais de cidadãos são tratados com deferência e aquele olhar de atenção com brilhozinho, com apertos de mão e palmadinha no ombro com a frase a rematar: "já sabe, tem aí o meu número, qualquer coisa, ligue". A poia do cão, o buraco na estrada, leia-se. Porque normalmente a visão de cidade não vai mais longe. E a disponibilidade também não, acaba depois das eleições.
Nos nossos contactos vários na CML encontrámos de tudo, gente disponível para ouvir, para pensar em conjunto e procurar soluções, mas também Vereadores inacessíveis, com assessores incontactáveis, com secretárias muito mais eficazes a selar o bunker burocrático onde trabalham do que a servir e informar o munícipe. Os governantes eleitos têm portanto não só a obrigação, difícil tarefa, de fomentar a consciência e participação da população nos problemas do país, como mudar também as mentalidades dos funcionários que trabalham consigo.
No nosso caso, da Alta, isto é tão visível que até irrita. Uma população maioritariamente deprimida e incapaz de reagir à morte anunciada da cidade que lhes venderam, Juntas de Freguesia silenciosas - por ignorância ou desinteresse? - quanto aos preocupantes atrasos do PUAL, uma SGAL entorpecida e medrosa, incapaz de agir, de reagir, de pensar em voz alta (pensará ao menos em voz baixa?), e a CML com um Vereador do Urbanismo com um discurso que desilude os que acreditaram que o seu passado de arquitecto e urbanismo fizesse diferença nas já normais evasivas respostas políticas.
A notícia do DN cita João Lobo Antunes, convidado de honra da cerimónia de abertura da tal Campanha Cidadania Activa:
A ideia da campanha, sublinhou, nasceu do "divórcio entre a vida política e as pessoas" cada vez com menos tempo no quotidiano para dedicarem à comunidade. "Há qualquer coisa que nos está a fechar em casulos impermeáveis de ansiedade e de preocupação", disse Lobo Antunes, lançando o repto aos autarcas para se afastarem de um certo "pensamento paroquial". O neurocirurgião lembrou um episódio de ineficiência quando, há anos, em conversa com um governante a quem fizera sugestões de serviço, este o ouviu e à laia de despedida lhe disse ponha lá isso por escrito. "É evidente que não pus, pois a frase era sinónimo de que não iria fazer nada", esclareceu o médico, advertindo para a necessidade de os cidadãos sentirem que estão mesmo a participar nas decisões. "A cidadania exerce-se com talento de cada um", rematou.
Sem comentários:
Enviar um comentário