sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Uma Questão de Moral


Vamos todos jogar à hipocrisia e dizer, como a Presidência dos Estados Unidos, que estamos muito felizes pelo prémio Nobel atribuído a Al Gore e à agência da ONU para as Alterações Climáticas (The Intergovernmental Panel on Climate Change), enquanto atacamos quem defende um maior uso dos transportes públicos e da bicicleta?

Vamos bater palmas aos minutos que poupamos pela nova auto-estrada no nosso carrinho de 5 lugares ocupado por só um viajante?

Vamos ignorar os procedimentos para diminuir as emissões de carbono e olhar sarcásticos para os que sacrificam "qualidade" de vida em nome de um futuro mais seguro para as próximas gerações, porque "mais ninguém se preocupa com isso"?

Ou vamos finalmente aceitar que é um FACTO CIENTÍFICO que o equilíbrio ecológico da Terra está em perigo e que é uma QUESTÃO MORAL o nosso empenho, esforço, sacrifício para eliminar as presentes ameaças que sobre ela pairam?

6 comentários:

Joana disse...

Pedro,

Antes demais deixa-me dizer-te que eu, cada vez mais por questões morais (embora entre outras) adiro ao ao transporte público que temos e/ou ao "car pooling". Somos uma família de 4, desde o princípio do mês com 2 carros pois o João agora tem carro no pacote dos beneficios e, por essa mesma razao, pensamos vender o carro de família ainda este ano. Um só chega. Faço cerca de metade do trajecto para o trabalho de carro (que vai lotado com 3) e o restante de transportes. Na volta faço o trajecto inteiro de transportes. Demoro cerca de 1 hora e 15. De carro demoraria 20 min. Vou de transportes pq é mais barato; pq 1 carro por família já me parece pegada ecologica suficiente; pq gosto de ver a cidade; e pq disfruto desse periodo com o meu filho, ao inves de nem dar por ele sentado na cadeirinha num banco detrás do carro.

Mas deixa-me dizer-te que é cansativo! Apanho 1 autocarro, 2 metros, outro autocarro. É cansativo pq carrego um bebe, apesar de por isso ir sempre sentada. Seria cansativo sem bebe, e sempre de pé. Por vezes o carro é comodismo das pessoas, concordo. Mas por vezes é uma alternativa verdadeiramente mais rápida. E chegar a casa mais cedo é importante, para todos, mas principalmente para quem tem família. O que é triste, mesmo triste, é que a oferta de transportes públicos seja assim, lenta, escassa, arrancada a ferros. Cada autocarro que permite fazer trajectos com menos transbordos é reduzido na sua frequencia, no percurso q faz, obrigando quem opta pelos transportes públicos a inúmeras mudanças. Mudanças que são difíceis pq não é no transito q se passa o tempo, é na espera da ligação. Pq a mobilidade pode ser reduzida (bebes, idosos, etc) e os transportes estao à pinha e nem se consegue chegar as portas de saida. Pq so um transporte à pinha é que esta a ser verdadeiramente rentabilizado, pensam a carris e o metro. Os outros são para cortar. Não há uma filosofia de promoição do conforto dos utentes como promoçao da utilização de transportes. Essa é que é a tristeza.

Isto é uma pescada de rabo na boca. Sem melhoria de transportes, não há adesão. Sem adesão nao há investimento em transportes. Há uns tempos atrás qd o Humberto Rosa sugeriu as portagens para se circular em Lisboa achei radical demais, q nao podia ser assim sem uma alternativa decente de oferta. Hoje acho q só com essa via, ou outra q incomode verdadeiramente, q torne as coisas insuportáveis, se conseguirá o lobby de utentes necessário para que os transportes públicos tenham qualidade (i.e. frequência adequada para nao se esperar mto pelas ligações e para não se fazer todo o trajecto em pé).

Pedro disse...

É o paradigma oficial que tem que ser mudado. Aparentemente, pelas afirmações do A. Costa há essa intenção (por enquanto só intenção). Mas dar prioridade aos transportes públicos não poderá ser entendido como retirada de apoios aos transportes privados - antes aumento de qualidade da oferta daqueles.

Por outro lado, porque não ser criativo, pensar com o lado direito? Porque não ir ao fundo da questão em vez de inventar paliativos? Se existe um elevado fluxo de pessoas para e do centro da cidade para a periferia, porque não começar a mudar o conceito de cidade? Porque não começar a deixar de considerar como inevitável o conceito de megacidade e de subúrbios habitacionais para - aproveitando conceitos tão viáveis como o do info-trabalho, a ligação online, a descentralização de serviços - implementar um conceito de núcleos urbanos ligados em rede, com utilização mista - habitação e serviços - e com equipamento básico próprio (pequeno comércio, ensino básico e secundário, biblioteca, centro de cultura, centros de saúde) e equipamento "pesado" - hospital central, centro de congressos e espectáculos, aeorposto, gare ferroviária central - comum?

Não temos inteligência? Claro que temos. Não temos criatividade? Arranjamos. Não temos vontade? Pois, parece que ainda não...

Joana disse...

Eu concordo com essa visão. E, vada vez mais, os serviços se deslocam para a periferia. Porexemplo, durante este ano, tanto os serviços onde trabalham os meus pais como onde trabalhava o João sairam da zona Saldanha-Entrecampos para diversos locais na cidade. Locais de habitação. E ficaram as pessoas mais contentes com isso? Não. E percebo pq. Toda a oferta de transportes passa pelo centro. Se o teu serviço estiver na periferia habitacional oposta ao local onde vives tens q viajar o dobro. Se imaginares um circulo, hoje em dia o emprego na periferia significa viajares 2x o raio (casa-centro, centro-trabalho) a nao ser que calhe na tua zona. Não há transporte "pelo perimetro", por assim dizer. Lá está, é o paradigma q tem q ser mudado. Sao mtas coisas dependentes das outras, e sempre à espera das outras.

Mas enquanto moradora numa zona residencial gostaria de ver mais oferta de serviços aqui, mais escritorios, mais vida de dia. Mesmo q não fossem os meus escritorios.

Anónimo disse...

An Inconvenient Pool
WSJ March 1, 2007; Page A12
There is an irresistible quality to the story about Al Gore's energy-hungry Tennessee home, replete with a heated poolhouse that burns more natural gas -- $500 a month worth -- than most of us can afford to use while heating houses that shelter people, as opposed to swimming lanes. Did you know that Mr. Gore's house uses more electricity in a month than the average household does in a year?

The climate-change activist and former vice president insists, through a spokesperson, that this is not as simple as it sounds. The Oscar winner has a clear conscience because he makes sure he pays a premium for electricity from "renewable" sources and claims that he purchases "carbon offsets" to make up for his rampant energy use.

To "do the carbon offset," as his spokesperson put it, is to fund projects elsewhere that may reduce the total carbon dioxide emitted into the atmosphere. So, one might burn up hundreds of dollars worth of natural gas to keep one's poolhouse toasty, but then do penance for this carbon sin by paying someone else to put up solar panels. Drew Johnson of the Tennessee Center for Policy Research, the think tank that broke the story, called these offsets a way of "buying his way out of his guilt."

We don't begrudge Mr. Gore his Tennessee spread or his pool, but his energetic energy use does underscore the complicated nature of modern economic life and the real costs of "doing something" about global warming. The pleasures of affluence take energy, whether they be relaxing in a hot tub after a long day of predicting the end of the Greenland ice sheet, or flying in a private jet to talk political strategy with Leo DiCaprio. You never know where you're going to leave your next carbon footprint.

Mr. Gore is rich and fortunate enough to be able to afford the "carbon offset" for his energy indulgences. The middle-class parents who need a gas-guzzling SUV to haul the kids to soccer practice might not be so lucky. They might even settle for an unheated pool.

Anónimo disse...

Caros blogers, não é por nada, mas este site está a precisar da intervenção de um documentalista. As fotos, muito importantes, tornam a página inicial muito extensa. as estiquetas, mais do que os links, deviam estar mais acessíveis, ao cimo do blog. Senão perde-se o acesso mais ácil para os visitantes. just a thought

Anónimo disse...

Escutem esta como solução inventiva, inventada por mim: Morando em Benfica, uso a linha de Sintra da CP como linha de metro, a tal que cruza todas as outras. Rapidamente me ponho em qualquer ponto da cidade nas próximidades de uma estação de metro. Realmente os autocarros têm uma frequencia muito baixa, e tenho por conceito qe não faz sentido a existência de carreiras dentro da cidade com frequencias inferiores a 4 carreiras por hora. Quanto ao sacrossanto automóvel, uma coisa que gostava de ver feita era o cálculo em superfície (m2) do espaço de Lisboa destinado ao transporte individual, estradas acessos e estacionamento, legal e ilegal, para se ter uma verdadeira noção da enormidade destas opções rodoviárias. É incomportável.