terça-feira, 12 de junho de 2007

Lisboa ciclável?

A preocupação com os estilos de vida ambientalmente sustentáveis é, cada vez mais, uma constante. A eficiência energética dos edifícios é muito falada por aqui, assim como o uso do transporte público em detrimento do carro. Ou das bicicletas em detrimento do carro e do/a par do transporte público.

Aqui pela Alta o uso da bicicleta é fácil, não há desníveis. Volta e meia, aqui o blog, a ARAL, ou a Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha promovem uns passeios. Mas e no resto de Lisboa?

No Domingo passado o Prof. Marcelo (lá em casa sempre lhe chamámos o Sr. Prior por fazer o sermão ao Domingo), a propósito do passeio de bicicleta de António Costa, disse qualquer coisa como: "Descer do Príncipe Real para o Cais-Sodré, isso também eu, queria vê-lo era a subir do Cais-Sodré para o Príncipe Real. Se há cidade em que não faz sentido defender a utilização da bicicleta é em Lisboa". Quem quiser o texto ipsis verbis pode ouvir aqui, nos últimos minutos.

Tem uma certa razão. As 7 colinas exigem boa forma física e com os empregos sedentários de hoje em dia, é coisa difícil de conseguir. Mas uma ajudinha do Município, uma aposta a sério nas alternativas ao carro próprio, incentivava-nos mais a todos.

Não é preciso reconstruir a cidade para a tornar ciclável. Podemos adaptá-la. Os desníveis, as escadarias antigas (ou novas, como nas estações de Metro) podem ser vencidos com algum engenho. Em Setembro passado, a Câmara Municipal de Almada, por exemplo, criou estes modelos de calhas para bicicletas.

Parque Infantil de Bicicletas, Plano Almada Ciclável
Fonte: Câmara Municipal de Almada / AGENEAL


Mas Almada tem o Plano Almada Ciclável. E outros sítios no mundo têm outras ideias, como este elevador para bicicletas. Esta era uma boa ideia para ir do Cais-Sodré para o Príncipe Real, não era?

Com a "renovação" da Autarquia era boa altura para ver ideias para Lisboa. A melhor que vi até ao momento está na candidatura do BE: "Criar, nos próximos dois anos, um parque municipal de bicicletas para utilização pública, com postos espalhados pela cidade; Executar, nos próximos dois anos, uma rede ciclável, nos seguintes eixos: eixo ribeirinho Algés / Moscavide, eixo Alcântara / Jardim Zoológico / Carnide e eixo Benfica / Telheiras / Campo Grande / Parque Eduardo VII". As outras dizem coisas tão gerais como "privilegiar os transportes públicos", mas sem dizer como nem onde.

No entretanto, o Metro aumentou ligeiramente o horário em que é permitido o transporte de bicicletas, e a Carris diz que é para o final do ano (via Cenas a Pedal).

Para quem tem vontade, mesmo com a pouca ajuda da Câmara, Metro e Carris, fica aqui um blog de dicas para ciclar em Lisboa: Utilizar a bicicleta na cidade.

4 comentários:

Pedro Veiga disse...

Eu assisti a estes tristes comentários deste professor catedrático. Fala do que sabe, do que pensa saber e do que não sabe. Mostrou uma das faces mais tristes e sombrias da nossa classe política: o desprezo pelas questões ambientais e de cidadania. Infelizmente existem outros muita mais influentes do que ele que ainda pensam pior!
Isto vai levar muitos anos, a não ser que o grande choque petrolífero que aí vem abane muito as consciências!

Pedro disse...

Acho o elevador para ciclistas - a menos dos custos de manutenção que desconheço - para além dum ovo de Colombo uma ideia fantástica para aplicar nos bairros históricos! Assim até eu me dispunha a comprar uma bicla! Com algum engenho até poderia ser adaptado para a população residente (com mesmo muito engenho, mas nós somos um país de engenhocas) em vez das propostas malucas de um elevador como em tempos alguém teve a pretensão de construir.

Quantos às declarações de Marcelo, valem o que valem e são o espelho do que a maioria pensa: a maioria a que a Joana se referia, sedentária, barriguda e com pouca pachorra para grandes desafios físicos.Quando as nossas opiniões são minoritárias não é melhor demonstrar com factos que temos razão - como a Joana faz e muito bem neste post -, ao invés das jactâncias demagógicas e inconsequentes a que vamos assistindo?

Tiago disse...

Muito bem, Joana! Esperemos que estas ideias possam ser aproveitadas.

Anónimo disse...

Podem ver no site do departamento municipal de transporte de São Francisco, uma cidade tão ou mais acidentada que Lisboa, a atitude totalmente oposta: "The vision of the Bicycle Program is to make San Francisco the North American city with the highest per-capita bicycle use and to have a continually improving bicycle network that is safe and convenient for everyone who chooses to bicycle for transportation and recreation."

http://sfgov.org/site/frame.asp?u=http://www.sfmta.com/cms/bhome/homebikes.htm