segunda-feira, 26 de setembro de 2005

in PÚBLICO, dia 26 de Setembro de 2005



Nogueira Pinto elogia realojamento na Musgueira
A candidata do CDS visitou ontem bairros de realojamento social na Musgueira, paredes meias com apartamentos caros da Alta de Lisboa, mas não deu ouvidos aos discursos "do coitadinho"

Helena Pereira

“Isto é melhor do que ir ao cinema”, exclamou uma das moradoras da Musgueira Norte, sentada a tomar café com mais três amigas ou Recreativo Águias da Musgueira, quando viu ontem entrar pela porta a candidata do CDS à Câmara de Lisboa. Maria José Nogueira Pinto, acompanhada de vários militantes do CDS e jornalistas.

A candidata conversou com algumas pessoas, deu uma volta pelas instalações do clube, subiu ao primeiro andar para admirar as taças ganhas em campeonatos desportivos, deu umas tacadas de snooker e quando voltou a descer as escadas encontrou naquela mesa das quatro amigas uma fonte de queixas.

“O apartamento foi todo mal acabado”, “o armário da cozinha está quase a cair, qualquer dia cai em cima do meu neto, que tem dois anos”, “mal por mal, preferia a minha casa lá em baixo”, “aqui há duas creches, há, mas não têm vagas”, “o parque infantil tem miúdos de 15 e 16 anos, em vez de crianças e o meu filho de oito já lá partiu o osso do crescimento a tentar imitar os outros” foi o que Nogueira Pinto obteve como resposta s cada uma das perguntas que ia fazendo sobre as condições daquele bairro de realojamento, onde os prédios do PER foram construídos ao lado de outros para venda com preços controlados e com vista para os condomínios da Alta de Lisboa.

Antes de sair, a candidata do CDS não resistiu a dar mais uma tacada na mesa de snooker para “pôr o jogo todo diferente”. “É a nossa ideia desde o início”, disse, sorrindo para o candidato à assembleia municipal, Anacoreta Correia, e o deputado Telmo Correia. Um dos jogadores é que não gostou nada da brincadeira e resmungou entre-dentes: “Vão é trabalhar!”.

Um pouco mais à frente num dos jardins, o cenário de queixas repetiu-se. “Pensei que vinham cá pôr uma paragem de autocarro”, “olhe, antes queria a minha casa, que tinha lareira, tinha tudo”, explicava Helena Maria, 47 anos e mulher-a-dias. “Fazem prédios de ricos aqui ao lado para a gente ficar a ver os relógios deles, vai é haver roubos de meia-noite”, acrescentava Samuel, um jovem de 28 anos, que se dizia presidente da “sociedade dos pobres”.

Nogueira Pinto não se deixou impressionar pelas criticas. Considerou que o modelo aplicado pelos executivos de João Soares e Santana Lopes na Musgueira “é bastante satisfatório”. “Não tenho nenhuma relutância em dize-lo”, afirmou. “O que faltou foi um trabalho de apoio social para preparar as pessoas para uma outra vivência. Vêem a deslocalização. não como uma promoção, mas como uma prisão, e são pessoas que têm muita revolta dentro delas porque não têm trabalho”, afirmou, elogiando os equipamentos sociais, embora sugerindo uma esquadra de polícia,

A candidata, contudo, não aceita os discursos “do coitadinho”, afirmando estar “preocupada” por não ter ouvido falar “do que sentem ser os seus deveres”.


P.S. Também o DN trouxe esta notícia, com algumas matizes mais intensificadas.

2 comentários:

Ambientalistas da Amadora disse...

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http://ambientalistasdaamadora.blogspot.com/

Rodrigo Bastos disse...

Ó raposaruiva, mas o que tem isso a ver com este post? :)