quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Há por aí mais alguém que também gostasse de ter ciclovias em Lisboa?

No A-Sul fala-se hoje de ciclovias, mostrando exemplos de outras capitais europeias. Sempre que se fala de coisas boas de outros países que podiam ser adoptadas e adaptadas a Portugal aparece alguém com urticária a dizer coisas como "porque é que não vais para lá morar?", ou "esse tema não tem interesse nenhum". Não percebo. Não é possível gostar de viver cá e querer ir melhorando as coisas?

A qualidade de vida que outras capitais europeias têm é consequência das decisões que os seus habitantes tomaram. E mesmo que ninguém pegue no balde do cimento, há uma mudança enorme de atitude se em vez de se dizer que "não vale a pena falar nisso, não há nada a fazer", se diga "era porreiro se aqui houvesse uma ciclovia, ou um parque infantil, ou uns bancos neste jardim para os reformados ouvirem a passarada a cantar ao entardecer."
Há decisões que não passam directamente por nós, mas a vontade da comunidade pode ajudar os governantes a decidir melhor. Se há coisa que está nas nossas mãos, é optar entre o discurso derrotista amargo e o do optimismo empreendedor.

18 comentários:

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Ricardo Soares disse...

Eu gostaria imenso de ter ciclovias no nosso bairro mas quando dou a volta ao meu futuro quarteirão e vejo automóveis estacionados na rotunda e em cima dos passeios quando a menos de 50 metros existem inúmeros lugares para estacionar pergunto-me porque é que alguém se há-de dar ao trabalho de pensar em ciclovias que irão servir de estacionamento a automóveis.

José Rodrigues disse...

Eu acho uma excelente ideia. Porque não insistir junto das diferentes entidades?

Ponto Verde disse...

Obrigado pela solidariedade, é bom saber que alguém nos entende...amanhã seremos mais :)) Abraço.

Tiago disse...

Caro José Rodrigues, é essa a ideia. É necessário que mais pessoas sintam e confirmem a vantagem das ciclovias em Lisboa, ir falando nisto sem esmorecer, não nos deixarmos desmoralizar quando disserem que as ciclovias não vão ser utilizadas massivamente porque em Lisboa pouca gente anda de bicicleta (sem infrastestruturas e segurança ninguém se sente convidado), e iniciar contactos outros movimentos que estejam empenhados nisto. Na verdade já existem bastantes. O problema é a inércia da população que vai vivendo passivamente perante todas as decisões erradas dos autarcas, silenciosa face à incompetência. Vamos tentando fazer por isso, falando de coisas que podíamos ter e que melhorariam imenso a nossa qualidade de vida.

Mas o Ponto Verde pode dar-nos uma ideia do que podemos fazer para contactar as entidades competentes?

Ana Louro disse...

Eu também gostaria de ver mais “vias dedicadas” para a circulação de bicicletas em Lisboa (das existentes nem todas podem ser consideradas ciclovias, mas por agora a nomenclatura adoptada não interessa). Sou utilizadora de bicicleta quase diariamente desde que vim morar para a Alta (em complemento com o Metropolitano). Utilizo-a regularmente desde há 10 anos quando tomei contacto com a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, de que sou sócia e colaboradora e que há cerca de 20 anos defende condições seguras para os utilizadores de bicicleta em todo o país a par das suas congéneres europeias (quaisquer que sejam as vertentes - lazer, turismo, desporto não competitivo, como forma de mobilidade ou meio de transporte). Comecei pelo cicloturismo em estrada, depois passei para o BTT e quase paralelamente tornei-me utilizadora urbana. Conheço e estudei um pouco as realidades e os bons exemplos de Amsterdão, Bruxelas, Barcelona (e de outras cidades espanholas) e de Nova Iorque, mas não tenciono mudar de país. Entre os próprios utilizadores urbanos há quem (com algum egoísmo até) seja “anti-ciclovia” por considerar que nós é que nos temos que adaptar à cidade e não o contrário. Eu tento adaptar-me diariamente ao fugir das ruas mais movimentadas, utilizando os passeios com respeito pelos outros utentes, as passadeiras para muitos atravessamentos, contornando obstáculos e "armadilhas". Também defendo soluções integradas e por isso mesmo não posso deixar de defender as ciclovias, porque estou convicta do potencial de utilizadores que não se arrisca a sair de casa para o trabalho ou para a escola, porque de facto ainda é perigoso andar nas ruas da nossa cidade, e que de outro modo o fariam. Temos direito a circular no espaço público, de bicicleta ou como peões (também as pessoas com mobilidade reduzida - em cadeira de rodas, por exemplo - e há muitas aqui no Lumiar), e em muitas situações podemos partilhá-lo. Temos que defender o nosso direito. Mas também é necessário que a massa crítica de utilizadores cresça pelo que aconselho aos interessados que se juntem a associações existentes ou criem outras ou mesmo grupos informais. Estou disponível para continuar a colaborar neste âmbito.
Cumprimentos. Ana Louro

José Rodrigues disse...

Tiago e Ana Louro concordo com as vossas observações. Penso que independentemente de outras iniciativas podiamos usar a net para sensibilizar e exigir a instação de ciclovias.

Tiago disse...

Amanhã vou ver quem é o pessoal que anda mais activo nestas coisas!

Rodrigo Bastos disse...

Boa Tiago...pessoalmente estou cada vez mais adepto das ciclovias e acho interessante que se analise a possibilidade de as implementar na Alta de Lisboa.

"Os Verdes" teem algo a dizer sobre o assunto. Vê este link de 01/02/2005: http://www.osverdes.pt/public_html/comunicados/comunicado_339.html

José Rodrigues disse...

Penso que o exemplo de telheiras demonstra bem que se não fizermos nada com alguma regularidade (manter a pressão) pouco será feito. O caso de Telheiras tem sido abordado pela associação de residentes e por diferentes forças políticas e não ficou resolvido. E depois precisamos de objectivos concretos, p. ex. ( e é só um exemplo existem seguramente melhores) uma ciclovia entre o Parque Oeste e o Parque das Conchas. E depois fazer lobby pelo mesmo de forma permanente e não uma acção isolada.
Não é boa ideia deixar para os políticos o exclusivo da definição do traçado das ciclovias caso contrário são colocadas e, locais de pouca ou nenhuma utilização.

Tiago disse...

Obrigado pelo contributo, caros José Rodrigues e Rodrigo. O texto dos Verdes é esclarecedor. Uma forma que talvez seja eficaz, é levar estas questões à Assembleia da Junta de Freguesia, mas não há dúvida que ter os planos já feitos tornará tudo mais fácil.


Tenho tentado junto do Ponto Verde, do A-Sul, saber quais as instituições que têm tratado desta causa para entrarmos em contacto com elas. Penso que eles terão maior experiência.

Rodrigo Bastos disse...

Não te esqueças das Associações que a Ana Louro referiu :)))

Ana Louro disse...

Olá. Concordo com o José Rodrigues - Os traçados devem ser propostos por nós - utilizadores e residentes. O caso de Telheiras envolveu a FPCUB (a ONGA com a qual colaboro e que tem um protocolo neste âmbito com a CML), a ART (ass. residentes), a EPUL e a própria CML. Julgo que aqui temos que congregar esforços aos mesmos níveis.
A "Carta de equipamentos desportivos" da CML contempla ciclovias por proposta da FPCUB (integradas numa perspectiva alargada e não apenas para a vertente desportiva). Nesta fase para o Alto do Lumiar temos um traçado no passeio de Lisboa (previsto no Plano de urbanização), uma ligação Campo Grande - topo sul da Alta do Lumiar e uma envolvente ao Parque Oeste. Julgo que devemos começar a discutir entre nós o que queremos exigir e tentar concertar posições. Uma hipótese que proponho - combinarmos uma "visita de estudo" em bicicleta e ver as possibilidades de traçados para posterior discussão. Bem hajam.

Tiago disse...

Excelente ideia!!! Quando querem combinar? Que tal Sábado depois de almoço?

Carla disse...

De notar que para a elaboração das pistas cicláveis têm-se de ter pontos objectivos de traçado para as linhas orientadoras de projecto, pois se se apresenta algo apenas para se ver paisagem, o projecto não passa de quem tem o 'poder da caneta'.
Além disso no gabinete da CMLisboa do arq. Ribeiro Telles existia um grupo - Arq. Duarte Mata (MPT) que elaboraram as pistas em Lisboa (e que hoje são uma realidade), desconheço se têm alguma coisa para esta zona.
Até breve.

Ana Louro disse...

Olá. Concordo com uma "volta" no sábado à tarde para o "1º contacto" com o terreno e as pessoas. Para divulgarmos a mais interessados fica a faltar uma hora e um ponto de encontro...

Carla, julgo que o objectivo para já é apenas ver as possibilidades e decidir o que pretendemos numa fase seguinte. Pois se o decisor estiver perante vozes discordantes (e não temos obviamente que concordar todos com os mesmos traçados e soluções, embora convenha algum consenso) o mais certo é optar por nada fazer com a desculpa "se não sabem o que querem ....".
Aproveito para informá-la que as vias para bicicletas que existem hoje em Lisboa não têm nada a ver com os nomes que referiu: Alcântara (APL e FPCUB); Parque das Nações (ParqueEXPO); Telheiras – Campo Grande – Entrecampos (EPUL/CML, ART e FPCUB); Monsanto e Radial de Benfica (DMAU-DAEV e FPCUB). A FPCUB aparece sempre pois existe um protocolo com a CML neste âmbito, como referi. O projecto do Arq. Ribeiro Telles, que segue a lógica da estrutura ecológica da cidade, pensou também, e bem, nas bicicletas para os chamados corredores verdes. Infelizmente ainda não foi executado pela autarquia. Podemos ver se se sobrepõe à Alta (Parque das Conchas e futuro Parque Oeste devem fazer parte) e assim ajudar também a defendê-lo.
O pouco que se tem conseguido em Lisboa tem sido à custa da sensibilização dos técnicos da CML (de vários departamentos e divisões) para a causa , de forma a proporem traçados com o aval dos utilizadores a que se destinam. A FPCUB acaba por estar nas duas fases apoiando depois as posições dos próprios técnicos junto dos decisores. Acho que esse tem que continuar a ser o caminho. Mas podemos discutir isto no sábado, se concordar.

Ana Louro disse...

Fica desde já feito um convite a todos os actuais e futuros residentes ou interessados para uma visita de Bicicleta à Alta de Lisboa que terá lugar no próximo dia 22 de Outubro, sábado (1 mês após o "Dia Europeu sem Carros"), com o objectivo de se fazer o levantamento das potencialidades da zona para a localização de infra-estruturas para a circulação de bicicletas bem como analisar o que está previsto no plano de urbanização. O ponto de encontro será na zona central do empreendimento Colina S. João de Brito às 15:00 horas. Na ocasião começaremos por organizar um grupo que queira trabalhar e colaborar neste âmbito. São igualmente bem vindos moradores que se queiram deslocar a pé (organizando um percurso menor) visando o levantamento da situação dos passeios e zonas pedonais existentes bem como dos locais onde ainda não foi colocada sinalização horizontal para atravessamento de peões. Oportunamente enviarei para os blogues e sites um cartaz para divulgação. Quem pretender participar e não tenha bicicleta disponível contacte previamente comigo.