quinta-feira, 14 de julho de 2005

Estendais



Apesar da imagem fazer parecer o contrário, a maior parte dos edifícios da Alta de Lisboa não está preparada com estendais para secar roupa. Alegadamente existe uma lei que proíbe a existência de estendais. Os arquitectos, por opção estética e encorajados pela lei, acabam por não encontrar qualquer solução no exterior do prédio para uma necessidade que se espera básica. Também dentro de casa, sobretudo em apartamentos com áreas mais reduzidas, torna-se difícil, pouco prático e eficaz estender roupa.

A solução proposta por construtores e arquitectos das casas é a compra de uma máquina de secar roupa. Mas isto levanta outras questões:

- Num país como Portugal, onde a energia é cara e o nível de vida baixo, faz sentido não aproveitar um recurso natural como o Sol?

- Concordando com a preocupação estética, não seria possível encontrar uma solução de compromisso?

- A fotografia mostra o bloco de habitação social do Condomínio da Torre. Será razoável pedir a algumas pessoas que têm como rendimento mensal cerca de 400€ a compra de uma máquina que custa quase tanto? E o aumento da factura de electricidade seria comportável?

28 comentários:

Anónimo disse...

Se forem ver os prédios dos "ricos" tb vão lá ver roupa estendida nas varandas.

PedroT disse...

Bom, o Tiago deu apenas o exemplo do bloco de habitação social, não disse que era um problema exclusivo desses blocos...
De qualquer modo, é uma verdade: é um problema da moderna arquitectura esse de ignorar um problema realmente inultrapassável em qualquer casa - o estender da roupa.
Confesso que por motivos estéticos não estendo a minha roupa no exterior, mas também considero que no Condomínio da Torre, por exemplo, não teria assim um impacto tão negativo se o projecto tivesse incluído a possibilidade de a estender nas fachadas do páteo interior.
Assim nao aconteceu, e deparamo-nos com espectáculos visualmente menos coerentes e bonitos nestes casos.
De qualquer modo (e não estou a ser discriminatório) não me parece tão intenso o estender da roupa no exterior dos outros blocos do COndomínio da Torre que não sejam de habitação social, mas aí vamos ao encontro do que o Tiago afirmou: uma das razões para essa discrepância de comportamento prende-se, quiçá mormente, com o facto de outras famílias menos aflitas financeiramente poderem comprar uma máquina de secar, ou uma de lavar e secar... e não se verem forçadas a expôr a sua roupa no exterior.
Resultado: menor número de roupas nas fachadas dos outros blocos. Mas volto a repetir que se trata de um problema que não é exclusivo dos blocos PER. Nem aliás quis isto dizer o Tiago... creio.

Abraço,
Pedro T.

Tiago disse...

De facto não era nada disso que eu queria dizer. Apenas usei esta imagem por ser a que melhor exprimia visualmente a questão. Fiz também a referência à habitação social por a solução proposta pelos arquitecto, construtores e, já agora, câmaras municipais, ser uma brincadeira de mau gosto para quem tem parcos rendimentos.

Gostaria de centrar a discussão apenas na questão da adaptação da arquitectura às necessidades das pessoas.

Ricardo Soares disse...

A meu ver trata-se de um problema de simples arquitectura, uma vez que são inúmeros os condominios/edificios da alta com estendais. É óbvio que não estou a falar das tradicionais cordas nas varandas/janelas mas sim dos locais feitos para o efeito e que geralmente são depois cobertos com estruturas que permitem a circulação de ar ao mesmo tempo que escondem a roupa da vista dos transeuntes e a protegem da chuva. Por outro lado é caso para dizer: que saudades dos tempos em que os prédios tinham traseiras...

Tina disse...

Just say hallo from Ulm, Germany

LL disse...

Este é um daqueles assustos que definitivamente me faz saltar a tampa. Já morei em 5 casas diferentes e a maior parte delas não tinha um local "escondido" (como têm os apartamentos do Pq. S. João de Brito) onde secar a roupa e não foi por isso que armei o belo do estendal na parte de fora da varanda. Como nunca tive maquina de secar roupa a solução era usar um estendal de chão que colocava numa divisão da casa ou na parte interior da varanda. Nuca consegui perceber esta mania da aldeia da roupa branca, dá mau aspecto na minha humilde opinião.

Editor disse...

Olá Tiago. O estendal é ecológico sim. Tem é que fazer um movimento anti marquise e anti ar condicionada. O Bairro Azul entra nessa.
Abraço

Tiago disse...

Eu não estou a fazer um movimento anti-estendal. Não sou contra os estendais. Apenas quis trazer à discussão a desadequação da arquitectura em relalção ao nosso clima e capacidade económica dos portugueses.

Quanto às marquises e caixas de ar condicionado, estamos completamente de acordo. Num bairro como a Alta de Lisboa, que está a nascer e crescer, devíamos evitar a todo o custo os crimes estéticos.

PFerreira disse...

Este é mais o bom exemplo da falta de visão do arquitecto. Tenho máquina de secar roupa mas, mesmo assim, durante os meses de Inverno, é extremamente complicado secar a roupa (e somos só duas pessoas).
Ainda nunca optei por um estendal exterior portátil mas tenho vizinhos que já o fizeram e costumam fazer. O consumo de electricidade dispara abruptamente e o perigo de humidade na casa também.

Quando se fala dos PER, então o caso é impossivel de controlar, ainda que, se tenham feito campanhas de sensibilização nesse sentido.
É que em pessoas que sempre estiveram habituadas a secar a roupa ao ar livre é normal que acabem por fazer como sempre fizeram. Mas aqui também é uma questão de formação.

Não sei se, neste caso concreto, não estejamos a falar de uma batalha perdida...

Anónimo disse...

Pode crer que é mesmo uma batalha perdida.Mas como me obrigam a aceitar o PER, fico-me por aqui!
nada mau para um País sub-desenvolvido ! com tanta gente que se diz, ou 'pensa' ser inteligente, isto nunca mais anda.....continuamos a ser os 'desgraçados' da Comunidade !(menos no pagamento de IRS, porque ainda não há computadores em rede nos Ministérios ) !!!!!!!!!
há que ser 'social'...........pois não me apetece falar em ética....lembro-me sempre do Nicómaco !!!!!

Anónimo disse...

Obrigam a aceitar o PER? Não me diga que foi obrigado a comprar a casa na Alta de Lisboa, ou não sabia que havia blocos de habitação social?

Rodrigo Bastos disse...

Acho que é bem claro que se está a desviar do essencial da questão lançada pelo Tiago. O que é tema aqui, é discutir-se a estética dos estendais exteriores. Como todos sabemos, todas as classes sociais sociais teem representantes que usam este procedimento para secar a sua roupa, mesmo quem "tenha a sorte" de habitar numa vivenda...

Temos de fugir à fácil tentação de que em qualquer assunto menos agradável, irmos buscar sempre o exemplo negativo do PER e acho inclusivé que também não é justo, pois existem pessoas muito válidas nos PER's como em qualquer outro condominio da Alta de Lisboa.

Eu até vou mais longe...gostava que algum de nós se por acaso viva num PER da Alta de Lisboa, escreve-se um Comment ou mesmo um Post (estou disponivel para analisar esta questão no meu blog) sobre a sua visão da Alta de Lisboa. Fica aqui lançado mais um desafio... Acho que temos de ouvir também "a voz do PER", pois dessa forma teremos ainda mais dados para conseguir fundamentar a nossa opinião pessoal. Pessoas "sem valor" existem em todas as classes sociais...

Indo agora ao tema... também concordo que estéticamente os estendais exteriores não são agradaveis, mas como disseram o Tiago e o Pteixeira, nem toda a gente tem "carcanhol" (e espaço) para adquirir uma Máquina de Secar Roupa e acrescento só... também espaço para inclusão de um estendal interior. Muitos de nós, não teem realmente alternativa senão mostrar as suas roupas interiores aos utentes das vias públicas adjacentes mesmo que "sejam timidos".

Também sou da opinião, que a comunidade dos arquitectos deveria analisar com alguma profundidade esta questão pois os prédios que controem também perdem brilho com este tipo de situações. Não existe por aqui nenhum Arquitecto que queira dar uma opinião mais técnica sobre este assunto?

Álvaro disse...

E cá eu digo-vos que me incomoda muito menos ver a roupa a secar ao Sol, pendurada nos prédios, do que ver uma população inteira a gerir mal os recursos do país, a ter visões egoístas da sociedade, a tentar fugir aos impostos na primeira oportunidade ou a tentar hierarquizar o valor humano das pessoas pelo seu estrato social.

Os portugueses, todos, os de classes baixas e os de classes médias/altas como nós, são vistos pelo resto da Europa como pelintras, pobres, mal instruídos, incapazes e incompetentes. E a verdade é que alguns de nós têm vistas tão curtas que só se conseguem comparar com o vizinho do fim da rua.

Havemos de ir longe, assim!

Pedro Veiga disse...

A meu ver, não se entende como é que os arquitectos não projectam as casas de modo a contemplar espaço próprio para a secagem da roupa (há roupa que não pode ir à máquina de secar!). Por outro lado, estes modelos de arquitectura sem espaço adequado para estendais são importados do Norte da Europa, onde há pouco sol e, como tal, se recorre ao uso intenso das máquinas de secar. Ora em Portugal não há razão para gastar tanta energia!

Tiago disse...

Não há razão para gastar tanta energia, por termos o clima que temos, nem temos o poder de compra dos países nórdicos. São duas razões fortíssimas para aproveitarmos secar a roupa ao sol. A questão estética da arquitectura, a meu ver, valoriza o país, dá qualidade de vida urbana, bem estar visual. Mas a harmonia de um edifício não se pode ficar por linhas e enquadramentos, mas também numa adaptação ao país, clima e população.

Anónimo disse...

Só para responder a uma msg supra!
1º comprei porque quis, 2º posso vender de livre vontade porque a casa é Só MINHA!
estendais: o que os arquitectos fizeram no Páteo deve ser para brincar...
os tais 400€ que custa a máquina de secar roupa deve haver mais no PER do que no Páteo !!!basta ver a roupa nas varandas e os telemóveis que têm alguns do PER !!!!

Anónimo disse...

falar de estética compreende não só a secagem de roupa.Ou alguns arquitectos não lavam a roupa ou então levam-na á lavandaria, pois, quem projecta um espaço de 2mQ para lavar e secar roupa , só pode estar a reinar.Mas, esse facto, não justifica a anarquia da roupinha na varanda !!!!
estou vem mais preocupado com a MALHA5 !!!acho que nem o sol vai secar a roupa das varandas do Páteo !!!!e assim sendo, tenho de voltar á carga com os PER que têm mais sol que os pagantes das casas.Tenham calma ! se na periferia de Lisboa (junto à Pontinha) era considerado o MAIOR bairro clandestino da Europa, a ALTA DE LISBOA, vai ter o MAIOR bairro social da EUROPA.Há que misturar o ppl !

Anónimo disse...

para quem vir estas msg,gostava que comentassem o logradouro e sistema de iluminação do Páteo !! está lindo aquele jardim !!!!!e mais bonito fica com a empresa ELESA a mandar areia para os olhos das pessoas !!!
de facto, salve-se quem poder!
Parabéns pelo Blog e análise crítica ao que se vai fazendo p'la ALTA.
Daqui em diante vou mandar uns emails para o gabinete do Sr. Arq. Tomás Taveira !!! não vá ele 'espetar' (rsrsr) a urbanização da MALHA5 em cima do Páteo !!!

Anónimo disse...

ass.das 3 ultimas msg ; Sérgio

V.M. disse...

O meu prédio não tem estendais e tem o problema bem resolvido. Acho. Tem uma marquise (não tem varandas abertas) perfeitamente integrada na arquitectura do prédio, onde tem a máquina de lavar e estendais. Essa marquise tem uma porta para a cozinha e, claro, janalas para a rua. A roupa seca rapidamenre mesmo no inverno. Parece-me ser uma solução. Sofro imenso com o guinchar dos 2 estendais clandestinos do prédio ao lado. Nos tempos que correm não vejo necessidade de ter que haver estendais exteriores ou máquina de secar. Há até a vantagem de com a chuva a roupa estar estendida e secar. E depois, para além do guinchar dos arames, não tenho nada q ver as ceroulas do meu vizinho. Os estendais, ou a sua falta exterior, são um problema menor comparado com o problema de falta de estacionamento, passeios curtos sem árvores e cobertos de carros e, problema mais grave, o não cumprimento dos acessos a deficientes.

Joana disse...

Sou moradora do Condomínio da Torre (não PER) e fiquei mesmo contente que se levantasse este assunto! Tenho máquina de secar, que uso às custas duma conta mensal que ainda me custa a acreditar e que, sinceramente, acho imoral quando a roupa seca melhor ao sol. E falo só da conta de electricidade, não da roupa que se vai estragando prematuramente e do trabalho (ou tempo i.e. pagamento à hora) que dá a engomar depois de ter secado completamente "amarfanhada"! É pouco económico, pouco ecológico e nem sequer é uma uma solução completa pois há muita roupa que não pode secar na máquina. Para a que não dá, optei pelo estendal portátil e penso que é a única solução. As cozinhas são minúsculas, o estendal desdobrável dentro da cozinha ocupa imenso espaço e a roupa não seca no Inverno. O chão está sempre alagado e a roupa absorve os cheiro de quando se está a cozinhar. Ora, sinceramente, pondo na balança a questão estética e todas estas razões, é querer ser cego se não virem para onde pende o prato... Além de que a estética também não pode ser tomada como um valor universal: o que seria dos nossos bairros históricos sem uns lençois pendurados?

Gostaria realmente de ouvir os que os srs. arquitectos têm a dizer sobre o assunto.

Anónimo disse...

Gostaria só de acrescentar que nuns prédios de uns amigos (não Alta de Lisboa) a solução encontrada foi interessante e fizeram-se estendais comunitários no telhado. A questão estética ficou salvaguardada, assim como a questão económica e ecológica. Não sei exactamente como se organizou o espaço mas parece-me que é uma ideia interessante e a explorar. Assim como há garagens comuns, em que cada um tem o seu quadrado, não vejo pq não se poderá fazer o mesmo com um estendal no telhado.

Além de que, penso, esta solução envolveria apenas o condomínio e não os projectistas dos prédios.

Maria disse...

Meus caros...

Tanto blabla desnecessário por causa de secar roupa...

Já repararam, os que vivem no Cond. da Torre, que temos ventilação???

Já repararam que se deixarmos a roupa a secar de um dia para o outro, num estendal desdobrável, nas nossas cozinhas ela fica completamente seca????

Eu nunca usei a máquina de secar, apesar de a possuir...

Tenham paciÊncia... Esperem um dia pela roupa lavada...!! lol

Joana disse...

Cara Maria,

O estendal desdobravel na cozinha seca a roupa de um dia para o outro no Verão, mas no Inverno bem pode esperar 1 semana!... E, no caso de quem tem filhos, em que a roupa se acumula a uma velocidade incrivel, seria preciso uns 2 ou 3 estendais desdobraveis em permanencia... Acrescentando que os desdobráveis tb não dão jeito nenhum para secar lençois, por exemplo. E quando há bebes, há muitos lençois, infelizmente :-( (para isto o melhor é a máquina de secar).

Seja como for, cada um faz o melhor que pode de uma má situação. Não deixa é de ser importante passar a mensagem de que é de facto uma MÁ situação. Não é prática, não é cómoda, não é económica, não é ecológica. Pode ser que algum arquitecto nos leia:
"Sr. Arquitecto, para a próxima projecte estendais interiores e/ou cozinhas maiores. A maioria das famílias faz mais de uma máquina de roupa por semana por isso é mesmo, MESMO, preciso espaço para a roupa (mesmo q seja interior)"

Maria disse...

Joana... Continuo a insistir que mesmo no Inverno a ventilação funciona perfeitamente para secar a roupa, mas cada um sabe de si.

JV-condominio-da-torre disse...

Para mim o problema são as "janelas" da cozinha...se é que aqiolo se pode chamar de janela...pois nunca pensei que não desse para abrir e para colocar um estendal da parte de fora como muita gente faz na sala e nos quartos

Anónimo disse...

Tem razão a Sra.Joana
De facto havendo Filhos é enorme o volume de roupas a necessitar de secagem rápida, forçando quase sem alternativas a compra da máquina de secar.
Conheço bem a situação e lembrei-me dos tempos que o meu Filhote era pequenino e na minha anterior casa havia um estendal exterior que quando chovia era o mesmo que nada.
Tinha de secar roupa muitas vezes pendurada num corredor, demorando dias para secar.
Para além do falhanço do projectista,que pelos vistos desenha casas de catálogo, não as procurando adaptar às necessidades evidentes, parece haver um total desrespeito pelo trabalho da Mulher que é certamente quem mais trabalha nesta nossa sociedade, não procurando facilitar-lhe a tarefa,antes pelo contrário parecendo procurar piorar-lhe a condição de vida.
Respeitávelmente "anonymous"

Anónimo disse...

Este parece-me mais um problema de falta de planemaento por parte dos técnicos.
Eu como arquitecto faz-me muita confusão não se pensar nesses locais próprios e funcionais para a secagem da roupa. Ainda mais quando falamos de moradias em que há mais espaço para se arranjar uma solução.
Por mais difícil que seja a solução, também é para isso que existem os arquitectos. É pena é na maior parte das vezes os projectos não sejam feitos por arquitectos e os clientes também não tenham formação para perceber as soluções dos arquitectos.
Já tenho visto moradias com jardins enormes, portanto não há falta de espaço, com um estendal portátil no terraço á frente da sala, da cozinha ou do quarto. Não é admissivel isso acontecer. Já nem falo pela parte estética, que essa é discutivel, mas pela parte funcional parece-me uma falta de respeito pelas pessoas que vão habitar esse espaço.
Quanto aos prédios há muitas soluções, umas mais caras, outras mais baratas, umas mais mediterrânicas, outras mais nórdicas. Está tudo inventado
Pedro Caldeira