
Um projecto lançado pela CML, vendido como sonho a milhares de lisboetas, mas com ameaças de pesadelo feitas pelo criador, agora com papel de padrasto.





Fui de casa até ao emprego de bicicleta. Ao contrário do que diz o Marcelo Rebelo de Sousa, em grande parte de Lisboa faz imenso sentido falar de ciclovias. O declive entre o Lumiar e o topo do Bairro Alto é mínimo e perfeitamente ciclável por qualquer pessoa com uma forma física média. O ligeiro cansaço que senti foi evidentemente resultante da falta de prática e não da dificuldade do percurso.
Alguns dos participantes deste blog participaram na 5ª feira passada (perdoe-se o atraso - there are more things...) numa visita à obra de requalificação / reabilitação dos lagos do Parque Oeste aqui e aqui referenciada e noticiada na companhia de elementos do Gabinete do Vereador dos Espaços Verdes e da Divisão de matas da CML.

Assim sendo, no presente, só o lago intermédio (ao qual se referem as fotografias) será objecto de colocação da rede de apoio a quedas incidentais, ficando em período experimental para avaliação dos resultados, decidindo-se no final do mesmo a validade da sua utilização (de acordo com os serviços camarários, proponentes da medida, resulta muito bem com os primatas dos lagos do Badoka Parque onde está instalado há uns tempos). Sublinhe-se que a rede não serve de protecção a quedas, antes de apoio a quem, dentro de água, tente subir pelas paredes - a rede ficará submersa e, pensa-se, não visível, devidamente ancorada ao lintel da margem que se vê na figura. Espera-se - esperamos nós, viveraltistas, que lama e limos não a cubram por completo tornando-a ineficiente.
Já a limpeza das paredes e fundo será extensível às três charcas superiores, sendo igualmente opinião dos serviços que a deposição de sólidos que hoje se verifica é ainda resultado da empreitada de construção e da consolidação das margens, não se prevendo a sua repetição, em tão grande volume, no futuro.
Finalmente, foram anunciados os contactos já iniciados entre técnicos camarários e a projectista(s) no sentido de resolver dois dos problemas mais prementes do Parque: os bancos e a iluminação. E se, no primeiro, a vontade camarária (que coincide com a nossa) de mais e melhores bancos (com os indispensáveis encostos) colide com o argumento de que esta rarefação de assentos e o desenho dos existentes é uma opção de autor e, como tal, está ao abrigo da defesa dos direitos do mesmo, já no caso do segundo, nos encontramos perante uma questão de segurança dos passantes sendo, de todo, admissível que a Câmara avance para a sua resolução apesar dos protestos que possam existir por parte de quem definiu a solução.

Não quero terminar sem deixar uma nota de relevo para o facto do conjunto dos lagos possuir um sistema completo de aeração da água que permitiria - caso funcionasse - evitar a situação de pré-coma que a água apresenta o que é de alguma forma demonstrativo dos cuidados que projectistas e SGAL puseram (ou impuseram) na sua concepção (e que a CML com o seu, cada vez mais habitual, desprezo olímpico pelas instalações que precisam de manutenção, deixou morrer).
Pena que esses cuidados se tenham limitado à forma do Parque e tenham limitado a sua função. Com o que se pode observar no presente, pouco mais serve que de contracampo campestre aos magníficos promitentes compradores dos blocos habitacionais que o rodeiam. E aos que, via Norte-Sul, sobrevoam a nóvel cidade ideal.
Um lugar de olhar (ao longe), um lugar de passar (sem parar), um lugar de desejar (sem nunca ter)...










