Este é um bairro onde é visível o interesse da CML em, através da toponímia utilizada, realçar a qualidade do empreendimento. Como se, por emprestarem os seus nomes às avenidas, os vultos culturais contemporâneos comprovassem a culturalidade do sítio. Ou dos seus habitantes.
Eu acho muito bem. E, por achar bem, proponho - agora que o vulto franqueou o panteão dos eleitos - que a CML leve até às últimas consequências este empréstimo promocional dos cultos desaparecidos, esta promoção cultural dos sítios emergentes, e renomeiE a nossa Alta.
Que tal a ALTA DE CESARINY?
Continuar a ler Que outro sítio de Lisboa melhor homenageia o artista mais destacado do surrealismo?
Onde mais do que aqui está CESARINY EM ALTA?
- Já se viu melhor aplicação urbanística do cadavre exquis que os variados traçados da Av. Santos e Castro(R) e vias adjacentes onde cada troço é começado por um artista diferente, acabando naturalmente aquelas por nunca se encontrar?
- Já se viu melhor aplicação de um sonho sem ligação à realidade que nas ligações viárias ao resto da cidade, onde rotundas maginificentes unem vias de 4 faixas a vielas onde dois autocarros se conseguem enganchar sem a menor das dificuldades?
- Já se viu maior surrealidade do que defender a ausência de iluminação nocturna num jardim público não-vedado com o argumento de que ele não é para ser utilizado à noite (oh noites invernais de Lisboa que ignorais que o Sol se põe às 17:30!)
- Já se viu melhor lugar onde o engate perfeito (do promotor)se transforma em enfarte provável(do habitante) em cada um dos cruzamentos mal sinalizados, provisórios, inesperados que o atraso dos trabalhos legou?
- Onde vias com 2+2 faixas e separador são transformadas em 1+1 para circulação / separador / estacionamento e acesso aos edifícios, sem outra lógica que não seja a falta dela?
- Onde rectas esplendorosas de 4 faixas terminam em faixas apertadas após abruptas curvas?
- Onde um centro de saúde em que prolifera a insalubridade, o desconforto, o convívio com insectos rastejantes e mamíferos roedores se mantém em funcionamento apesar do espaço que o irá substituir já estar pronto?
- Onde todas as empreitadas que dependem do município pararam porque o município se esqueceu de reservar dinheiro para as acções que programou e acordou com o promotor?
ALTA DE CESARINY: O SONHO QUE LISBOA GUARDOU ATÉ AO FIM!
Fernando Lopes-Graça é considerado por muitos o grande compositor português do séc. XX. Vítima de sucessivas perseguições políticas e profissionais durante o regime salazarista, Lopes-Graça compôs mesmo assim uma vasta obra que vai desde a música coral, harmonizando melodias populares, à música intrumental, de câmara, e sinfónica.
A Casa da Lenha é uma co-produção do Teatro da Comuna e do Teatro Nacional D.Maria II, com texto de António Torrado e encenação de João Mota. Conta com um vasto elenco de actores e músicos que dão corpo e voz ao percurso de vida de Lopes-Graça, repleto de episódios, histórias e acontecimentos históricos, fazendo interagir as cenas com algumas das mais significativas obras compostas pelo compositor nascido em Tomar em 1906.
Carlos Paulo está sublime na forma densa e trágica como encarna Lopes-Graça. Só por ele já valia a pena ir ao Rossio ver a peça, mas também por todos os outros actores, valiosos na construção das cenas, por Nuno Barroso, ao piano, extremamente doce na leitura da Canção sem Palavras, e ainda pelo Coro de Câmara do Lisboa Cantat, magnífico na abordagem do repertório coral.
(Lopes-Graça, Canção sem Palavras, por Olga Prats)
Serve esta introdução para anunciar com pompa e circunstância que aqui o blog está imparável no serviço pela comunidade e resolveu oferecer bilhetes para a récita desta noite, Quarta-feira, dia 29 de Novembro às 21h30m. Para tal basta enviar um email para viveraltadelisboa@gmail.com e escrever qualquer coisinha na caixa de comentários até às 16h. Podem pedir mais que um bilhete, caso levem companhia. Após isso receberão um email a confirmar a reserva. Caso a adesão dos leitores seja em número superior aos bilhetes disponíveis fica garantida a presença noutra récita em data a anunciar.
Os acessos da Alta mudam provisoriamente inúmeras vezes antes da sua configuração final. É o custo de se construir tudo ao mesmo tempo, mas também é o resultado de não estarem a tempo construídas as vias circulares. Nestas mudanças, quando mesmo não falta, a sinalização é parca em esclarecimentos, causando essa falha naturais transtornos aos que experimentam o acesso provisório pela primeira vez ou que não circulam na zona as vezes suficientes para configurar o mapa mental desta cidade que cresce a norte de Lisboa.
Foi o que aconteceu ao Pedro, que regressava aqui à redacção após longas férias. Há uma qualquer mania de que os portugueses são pessoas empíricas, pouco dadas a tratados teóricos, daí talvez se preferir que conheçam becos e vielas pelo próprio pé do que por mapas ou sinalização no terreno. Aqui o blog tentou compensar esse ajuste dos moradores mostrando o video do bypass a Santos e Castro, mas, por ser de noite, alguns pormenores ficaram por revelar. Em mais um serviço à comunidade, aqui fica então o novo percurso com ida e volta desde o nó de Calvanas, já de dia, rodando os 180º hipnotizado por um undecaneto de um tyranossauro rex.
Em Portugal, o Estado que tem sido tão imperial a exigir aos seus cidadãos o cumprimento de valores essenciais como a honestidade e a prestação atempada das contribuições devidas, acusa uma notável falta de memória (provavelmente por ser uma entidade, não uma pessoa: toda a gente sabe que as entidades têm uma certa queda para a abstracção) quando se inverte o sentido do dever. É incrível como a velocidade com que decidiu publicar na net os nomes dos maiores devedores de impostos rimou com a opacidade com que se fechou à proposta (demagógica, evidentemente) do PP para que publicasse a lista das suas maiores dívidas.
- Convenhamos que a sua publicação pariria um rato: os maiores devedores da órbita do Estado, mais do que o próprio Estado são as autarquias e algumas empresas públicas -
De qualquer das maneiras, grandes dívidas unitárias implicam grandes credores; e esses - na sua esmagadora maioria instituições bancárias, têm a força, os recursos e o poder para - não se podendo entender com Júpiter - retirarem dos pobres humanos o que os deuses se esqueceram de regularizar.
Mais importantes do que essas, são os pequenos valores que, aqui e ali - e apesar dos contratos assinados, das promessas feitas, das palavras de honra de presidentes e responsáveis - se vão deixando em atraso, à espera de uma conjectura favorável, da mudança dos humores dos serviços ou da resolução de um nó górdio formal através da aplicação de um dos inúmeros "truques" em que esses mesmos serviços são peritos (é tão fácil encontrar muros na lei como desvendar alçapões), e que tanta mossa fazem nas finanças de particulares ou das pequenas empresas.
Vem isto a propósito dos atrasos nas obras da Alta, claro. Aparentemente, os acordos de expropriações que as viabilizarão ficaram fechados na gaveta do vereador Fontão de Carvalho por falta de verba para os pagar. A ser verdade, que magnífica lição! É que mais vale uma população a perder mais meia-hora de carro do que mais uns quantos vigarizados pela volúpia política de meia-dúzia de parlapatões incumpridores.
E eu sei do que falo. Ainda ontem estive a contabilizar calotes... (ai, calotes não, que o Estado paga sempre não é? Nem que seja aos nossos orfãos...!)
Não, não bastava a não planeada e pouco estruturada alteração sistemática dos percursos rodoviários na Alta.
Não bastava a nula atenção dada ao melhoramento das vias nas zonas limítrofes do bairro para fazer face à mais que previsível enxurrada de trânsito criada pelo crescimento da sua população residente.
Não bastavam os atrasos na conclusão dos nós de ligação, do viaduto da Norte-Sul, das obras da Alameda das Linhas de Torres.
Era mesmo imperioso cortar o acesso à Santos e Castro pela rua periférica, paralela à Quinta das Conchas. E UM SINALZINHO A AVISAR, NO INÍCIO DA MESMA, OS INCAUTOS MOTORISTAS??? SERIA PEDIR MUITO?
O Pedro Veiga tinha toda a razão. Na altura pensei que fosse o início do tramo Sul do Eixo-Central, anunciado dias antes pela SGAL face ao caos instalado nos acessos à Alta de Lisboa em hora de ponta após a decisão da CML de fechar a ligação entre a Av. Eugénio de Andrade e a Av. Maria Helena Vieira da Silva para a construção do Colégio de S. Tomás. Mas para esse tramo Sul acontecer, um troço já definitvo, já desenhado no projecto, é necessária a deslocação dos moradores do bairro de Calvanas para as novas casas construídas junto ao bairro Sete Céus, e como isso tarda em ser feito, vamos vendo a futura-ex-Av. Santos e Castro ser operada com bypass atrás de bypass para melhorar a circulação. Aqui fica um video nocturno com uma boa banda sonora.
Depois da tempestade, a bonança. Se a manhã de Domingo estiver tão aprazível como a de hoje, querem dar um passeio de bicicleta? Aceita-se sugestões de percurso.
Proponho como ponto de encontro a zona mais baixa do Parque Oeste, junto à rotunda Cardeal D. António Ribeiro, às 10h55m, com saída às 11h da manhã.
Em jeito de prenda de Natal aqui mostro algumas fotografias que retratam alguns aspectos da Alta de Lisboa nos anos de 2002 e de 2003. Apesar de todos os contratempos e dificuldades a cidade nova tem crescido e ganho maturidade…
Empreendimento Condomínio da Torre em acabamentos e parte da Rua Helena Vaz da Silva a ser asfaltada (12 de Outubro de 2003)
Continuar a ler Estrada da Torre com o respectivo condomínio ainda em acabamentos (12 de Outubro de 2003)
Empreendimento Colina S. João de Brito e Rua Helena Vaz da Silva sem estabelecimentos comerciais abertos (12 de Outubro de 2003). Actualmente nos dias mais complicados, na hora de ponta da manhã, esta rua está frequentemente cheia de automóveis a caminho do centro de Lisboa.
Monte de S. Gonçalo visto da Av. Krus Abecassis (22 de Junho de 2006). Estes terrenos estão actualmente ocupados pelos empreendimentos Colina de S. Gonçalo e Condomínio do Parque. Em último plano vê-se a escola primária do Monte de S. Gonçalo em construção.
Terreno hoje ocupado pela escola da Misericórdia de Lisboa e pelo empreendimento Condomínio do Parque. Ao fundo vêm-se os edifícios do Plano Especial de Realojamento e o terreno delimitado destinado à construção do empreendimento Colina de S. Gonçalo (14 de Julho de 2002).
Empreendimentos Colina de S. Gonçalo (em primeiro plano) e Condomínio do Parque (em segundo plano à esquerda). O empreendimento Jardins de S. Bartolomeu ainda não estava a ser construído. Vista do Monte de S. Gonçalo (4 de Maio de 2003).
Imagem idêntica à anterior obtida a 13 de Julho de 2003
Esta fotografia mostra os empreendimentos Colina de S. Gonçalo (primeiro plano), Jardins de S. Bartolomeu (em segundo plano ainda nos andares mais baixos), Condomínio da Torre (em terceiro plano) e ao fundo é visível o edifico do Hotel Sheraton - Picoas (27 de Julho de 2003).
Empreendimento Colina de S. Gonçalo e a meio plano vê-se o estado de avanço dos Jardins de S. Bartolomeu (conjunto que é servido pelas ruas Melo Antunes e Tito de Morais). Fotografia de 16 de Novembro de 2003.
E recuando muito mais no tempo:
Ostras do Miocénico (vertente num troço da nova Avenida Santos e Castro)
Que aprazível deveria ser este local há uns bons 15 a 20 milhões de anos. Esta imagem mostra ostras fósseis do Miocénico. Nesta altura a região de Lisboa estava a uma latitude inferior à actual e o clima era tropical. Agora imaginemos uma enseada amena de águas quentes transparentes a transbordar de vida. Praias e recifes de corais a perder de vista numa zona de estuário com franca influência marinha. Tudo isto sem qualquer vestígio de poluição… algo semelhante ao que hoje se vê naqueles catálogos a anunciar férias em locais tropicais longínquos acessíveis a umas horas de avião.
Aos poucos, à velocidade dos que vão chegando e usando as ruas, surgem também empreendedores com espírito de negócio, que abrem lojas onde trocam serviços ou produtos. No Condomínio do Parque já existe um banco, com caixa multibanco, um café, e futuramente abrirá um atelier de tempos livres para crianças que promete ser uma excelente forma de as estimular com actividades extra-curriculares realmente enriquecedoras.
Continuar a ler Também nos Jardins de S. Bartolomeu irá abrir um minimercado, uma loja que já existe do outro lado do Parque Oeste, provando que a aposta na zona está a valer a pena.
Na Colina de S. Gonçalo existe já um café com bolos muito bons, um clube de video com últimas novidades, uma parafarmácia e futuramente uma farmácia.
Mas comércio já existia, nos blocos de realojamento, há muito tempo. Uma loja de peixe congelado, aqui.
Um talho e um café.
Um pequeno mercado, o chamado "lugar", onde se pode comprar frutas, hortaliças e derivados, segundo avisa o toldo.
E ainda um snack bar que também vende frangos para fora.
As fronteiras entre edifícios de habitação social e de venda livre são notórias, e a guetização também se reflecte nalgum comércio. A desconfiança mútua adia a homogeneização do espaço público, e o estigma dos "ricos" e dos "pobres" persiste. Um estigma que não se sente na cidade antiga, já mais cristalizada, como Alfama ou Bairro Alto, onde junkies, castiços de bairro, jovens casais arrendatários e dondocas "queques" partilham passeios, jardins, cafés e esplanadas e compram alfaces nos mesmos lugares. Falta isto ainda à Alta de Lisboa: humanizar o espaço público, homogeneizá-lo, torná-lo de todos, ensinando e aprendendo permanente e pacientemente a tolerância, civismo e cidadania. De todos, sem excepção, porque há bons e maus exemplos em todo o lado. Talvez seja por isto a minha desconfiança perante os condomínios fechados; pela demissão e desistência de lutar por um espaço público seguro e saudável. Abdicando do usufruto do espaço público, marginalizamo-lo, tornando-o dia após dia menos convidativo e menos seguro. E andamos depois histéricos com o número de rondas diárias do segurança da empresa privada que faz a vigilância do condomínio. Bah! Uma cidade só é segura se não a vivermos hermeticamente fechados num automóvel entre as garagens do escritório e do T2. É por isso também que me assustam os avanços de alguns moradores em tornar menos público algum do espaço que viram vandalizado. São compreensíveis as motivações, mas duvido que sejam os muros a solução para o problema.
O mercado está cheio de casas para venda e parece cada vez ser mais difícil vender um apartamento onde quer que ele esteja localizado, excluindo as casas a preços de luxo, segmento que continua a vender bem. Mudei-me para uma casa nova há pouco mais de um ano e das minhas janelas consigo contar para cima de uma dezena de apartamentos em venda “desesperada”. Ontem, ao abrir as páginas de um conhecido jornal encontrei este surpreendente anúncio:
Fiquei a saber que um apartamento igual ao meio está em saldo. O promotor (SGAL) baixou os preços em 6 %! Pois bem, isto de sinalizar um apartamento a 50 % dois anos antes de ser escriturado parece não compensar nos tempos que correm, sobretudo porque os juros estão a subir e há cada vez menos pessoas com capacidade de se endividar até às orelhas! O mercado está a ditar as regras!
É esta a pergunta do novo inquérito aqui do Viver, colocada no canto superior direito da página. Não se pretende saber se mudava o voto de um para outro candidato, porque isso implicava um número de hipóteses gigantesco. Assim decidimos colocar os mesmos principais candidatos das eleições de Setembro de 2005, acrescentar os dois presidentes anteriores e o Eng. Duarte Pacheco, por quem nutrimos saudade, admiração e carinho. A proposta é light, sem pretensões a ter validade científica, mas serve para purgar algum desagrado que possam sentir com a situação actual da CML.
Na configuração espacial da estrutura ecológica de Lisboa, o Parque Periférico apresenta um traçado circular em relação à cidade.
O Parque Periférico é constituído por uma estrutura contínua reticulada que vai desde o Parque de Monsanto até à Ameixoeira.
Abrange quintas notáveis, os conjuntos históricos de Carnide, Paço do Lumiar e Ameixoeira, a Estrada Militar, cemitérios e áreas industriais que se estendem ao longo da faixa limítrofe norte do concelho de Lisboa.
Na configuração espacial da estrutura ecológica de Lisboa, o Parque Periférico apresenta um traçado circular em relação à cidade. O Parque Periférico é constituído por uma estrutura contínua reticulada que vai desde o Parque de Monsanto até à Ameixoeira. Abrange quintas notáveis, os conjuntos históricos de Carnide, Paço do Lumiar e Ameixoeira, a Estrada Militar, cemitérios e áreas industriais que se estendem ao longo da faixa limítrofe norte do concelho de Lisboa. Apoiando-se em diversas quintas e lugares consolidados, estende-se ao longo de três sistemas lineares:
Continuar a ler - Estrada Militar, que corresponde à linha panorâmica de crista; - Talvegues das águas que correm para o Vale de Alcântara (antiga Ribeira de Alcântara) e para a Calçada de Carriche, que correspondem ao sistema húmido; - Estrada histórica que liga Carnide, Paço do Lumiar e Ameixoeira (antiga Estrada do Paço do Lumiar).
Sempre que possível, azinhagas ou espaços de uso colectivo ligam radialmente os sistemas atrás citados.
O sistema panorâmico e o sistema húmido, para além da Estrada Militar e das linhas de água que os definem, deverão ser percorridos por caminhos para peões e bicicletas.A estrada histórica (antiga Estrada do Paço do Lumiar), deverá ser percorrida por trânsito local condicionado a viaturas e bicicletas. As ligações radiais deverão ser também destinados exclusivamente a trânsito automóvel de emergência, bicicletas e peões. De uma forma global, o Parque Periférico deverá desempenhar as seguintes funções:
- Regularização do regime hídrico e cintura verde - Recreio, desporto e turismo - Cultura e educação - Produção - Humanização de espaços por vezes já muito degradados
1. Regularização do regime hídrico e cintura verde
A expansão das edificações em Lisboa deverá, para além de se sujeitar a índices de dimensionamento e volumetria, respeitar a pré existência de uma estrutura ecológica que permita: a existência de solo permeável como interface entre a crosta terrestre e a atmosfera, com todas as consequências daí resultantes; a presença de uma rede de vegetação que irá possibilitar uma melhoria do clima local e contribuir para a diminuição da poluição; a circulação da água pluvial a céu aberto em linhas de água que servirão de agentes activos de depuração, bacias de deposição de materiais sólidos e regularização dos caudais, funcionando em articulação com os esgotos convencionais
Fig.1 Sistema Panorâmico sobre a Campina de Loures. Estrada Militar. Caminhos de peões na crista de protecção da estrada militar e de bicicletas no lado oposto. Recuperação histórica de bastiões e dos paióis de pólvora. Manuela Raposo de Magalhães in- Morfologia da Paisagem
Fig.2 Sistema húmido: curso de água acompanhado de vegetação ripícola e de caminho de peões e bicicletas Sistema transversal: constituído por azinhagas ou novos percursos arborizados Sistema histórico: estrada que liga Carnide, Paço do Lumiar e Ameixoeira
2. Recreio, desporto e turismo
A estrutura ecológica e cultural do Parque Periférico permite desenvolver determinados aspectos de recreio, especialmente passeios a pé ou de bicicleta, quase sempre separados do trânsito local de viaturas. O exercício da marcha e da corrida encontrará, nos caminhos do parque, extensos percursos que possibilitam a sua prática nas desejáveis condições de um ambiente saudável.
Desportos tradicionais e a céu aberto, recintos equipados com aparelhos de ginástica e circuitos de manutenção encontrarão lugar na rede de corredores e espaços que constituem o parque.
Também miradouros poderão ser criados nos antigos bastiões da estrada militar, assim como a implementação de apoios com restaurantes e sanitários irão decerto facilitar o uso do parque.
A criação de espaços destinados á implantação de pombais também deverá ser um objectivo do Parque Periférico, dada a popularidade dos concursos de pombos correios.
3. Cultura e educação
A Estrada Militar, percorrendo a crista do desfiladeiro que separa Lisboa da Campina de Loures, é um dos elementos estruturantes do parque. Poderão alguns bastiões e paioes serem recuperados e utilizados como memória militar da defesa da cidade, assim como a instalação de um museu no Forte da Ameixoeira.
Também é importante a recuperação de algumas das ocorrências ainda existentes da paisagem rural dos arredores (olivais, sebes, culturas hortícolas), assim como a vegetação ripícola das linhas de água a recriar, acarretando um enriquecimento da fauna silvestre, especialmente das aves. Tanto a possibilidade de reencontrar a paisagem viva e de observar a vida silvestre num ambiente "urbano" são valores de grande importância a considerar numa política de educação]
Fig.3 O "Parque Periférico" constitui uma estrutura reticulada que tem por objectivo a construção de uma paisagem assente nos valores do lugar e projectada para o futuro. As áreas integradas de recreio e produção (hortas sociais) surgem intercaladas nos tecidos consolidados
A integração de quintas e dos sítios históricos de Carnide, Paço do Lumiar e Ameixoeira numa estrutura contínua é uma acção que por si só justificaria a criação do Parque Periférico.
4. Produção
Muitas camadas das actuais populações urbanas necessitam de ter, para além dos seus salários e algumas reformas exíguas, outras fontes de rendimento. A mais procurada é a de exploração de hortas que, não só permitem à família um abastecimento fácil de alimentos frescos (vitaminas) e de venda de produtos tradicionais (flores e plantas envasadas), como proporcionam o reencontro com raízes culturais que não convém ficarem ausentes, mesmo no meio urbano.
5. Humanização de espaços por vezes já muito degradados
Nas áreas atingidas pela rede estruturante do Parque Periférico existem bairros que irão ser beneficiados pelo tratamento da sua envolvente e dos espaços públicos interiores.
Por outro lado, as populações residentes poderão encontrar no parque um espaço de recreio que contribuirá para a melhoria da sua qualidade de vida.
A integração de espaços industriais numa estrutura verde irá não só valorizar esses espaços como também eliminar aspectos contrastantes com a paisagem do parque que, já hoje, desvalorizam alguns destes lugares.
Já é possível ver o programa Sociedade Civil que passou no Canal Dois no passado dia 16 de Novembro. Foi abordado o tema da tolerância e a Alta de Lisboa esteve em foco.
Para ver o programa - aqui , se não conseguir visualizar experimente por aqui.
Descobri esta estatística na Internet (http://www.worldwatch.org/node/4057 -“Matters of Scale - Bicycle Frame”) e não resisti em adaptá-la para a língua portuguesa.
Número de bicicletas por 1000 habitantes (em meados da década de 1990): EUA: 385 Alemanha: 588 Holanda: 1000
Percentagem de percurso urbano feito por bicicleta (ano de 1995): EUA: 1% Alemanha: 12% Holanda: 28%
Percentagem de adultos obesos (ano de 2003) EUA: 30.6% Alemanha: 12,9% Holanda: 10,0 %
Percentagem do produto interno bruto em gastos com a saúde (ano de 2002): EUA: 14.6% Alemanha: 10,9% Holanda: 8,8 %
Pessoas por hora que “one meter-width-equivalent right-of-way” pode albergar em diferentes modos de transporte (não consegui traduzir este termo): Automóvel no meio de trânsito misto (ligeiros e pesados): 170 Bicicleta: 1500 Autocarro em trânsito misto (ligeiros e pesados): 2700 Peão a andar a pé: 3600 Comboio suburbano: 4000 (Não há referência ao metro urbano mas presumo que deverá ter um valor idêntico ao comboio)
Energia utilizada por passageiro por milha (em calorias; 1 milha≈1,6 km): Automóvel: 1860 Autocarro: 920 Transporte por carris (comboio e metro): 885 Deslocação a pé: 100 Bicicleta: 35
Agora, caros políticos e decisores executivos, digam lá o que se deve fazer nas nossas cidades? Devem ser implementadas políticas de gestão do trânsito citadino que evitem este desperdiçar diário de energia que vem, sobretudo, de um recurso finito e não renovável – o petróleo (cada dia que passa o mundo queima 85 milhões de barris de petróleo). Deixo aqui um link que serve para abrir as nossas consciências face às inevitáveis leis da natureza. É um alerta para tornarmos a vida do nosso dia-a-dia mais racional do ponto de vista do consumo energético. O autor, Richard Heinberg, é um especialista na área da ecologia e do desenvolvimento sustentável. Autor do recente livro: “The Oil Depletion Protocol: How to Avert Oil Wars, Terrorism and Economic Collapse”. É interessante conhecer as opiniões deste especialista, independentemente das nossas convicções políticas. Eu penso que hoje muitos dos problemas que afectam a humanidade estão relacionados com o limite geológico do planeta no que se refere aos recursos energéticos e materiais. A nossa sobrevivência como espécie está dependente da forma como gerimos estes recursos.
O que nasce torto tarde se endireita: PSD rompe coligação com CDS-PP na Câmara de Lisboa. Quantos dos que deram a vitória ao executivo de Carmona Rodrigues votariam da mesma forma se fossem hoje as eleições? E alternativas, há? Apaguem a luz...
Na próxima 5ª Feira, 16 de Novembro, o programa Sociedade Civil abordará o tema "Tolerância- um valor universal". As filmagens decorreram na Alta de Lisboa e foram entrevistados moradores do PER e da recém criada A.R.A.L. (Associação de Residentes do Alto do Lumiar). O programa do canal Dois é apresentado por Fernanda Freitas e vai para o ar as 14:00.
Queria ter assistido ao embate entre o Águias e a UDAL, relatar aqui o jogo e pôr uma fotografias, mas obrigações profissionais impediram-me de o fazer. Agora nem o resultado de tão ansiado confronto sei. Alguém sabe? Alguém foi ao jogo?
Foi enviada a V. Exas, no dia 24 de Outubro de 2006, uma carta abaixo-assinada pedindo-vos celeridade na resolução de alguns pontos que estão a bloquear o desenvolvimento normal de um projecto urbanístico lançado pela CML. A carta está publicada online, com a lista de assinaturas aberta na caixa de comentários, no seguinte endereço: http://viveraltadelisboa.blogspot.com/2006/10/abaixo-assinado-para-cml.html
Não tendo recebido até agora de vossa parte qualquer resposta, solicito novamente informação relativa à situação descrita na carta, incluíndo as razões para os atrasos e prazos para a resolução definitiva dos pontos em questão.
Um grupo cada vez maior de moradores de Lisboa participa activamente na vida da Cidade, num exercício de cidadania saudável que V. Exas tanto incitam e louvam no mês imediatamente anterior às eleições autárquicas. Queiram agora V. Exas. estender à duração do vosso mandato esse mês idílico nas relações entre população e candidatos à sua representação autárquica.
Aguardando resposta, Os meus melhores cumprimentos,
Os moradores do Moinho do Guizo, na freguesia da Mina, Amadora, fartaram-se de esperar que a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal tratassem dos espaços verdes das suas ruas e juntaram-se no passado fim-de-semana para plantar algumas árvores e flores. A CMA desresponsabiliza-se da inacção alegando não ter ainda recepcionado a obra e por isso não poder intervir nos espaços públicos que ainda não o são.
Esta justificação não nos é estranha. A personalidade jurídica dos espaços urbanos sobrepõe-se à sua função e utilidade pública. E nestes atrasos, ingerências e trapalhadas, quem perde são os cidadãos.
A história tem um lado muito positivo: as pessoas sentirem que está nas suas mãos parte da qualidade de vida das suas cidades; mas tem outro muito negativo: colocar mais uma vez em causa a validade e necessidade de existência de uma administração pública pesada, onerosa e ineficaz.
Aos inúmeros emails enviados para a CML por moradores da CML indagando os atrasos burocráticos que impedem a evolução de um projecto pensado de raiz, junta-se agora uma voz com um peso maior que a de um mísero munícipe. Se o silêncio e indiferença foi o melhor que o executivo de Carmona Rodrigues conseguiu dar até agora como resposta a 20000 habitantes da cidade de Lisboa, pode ser que o requerimento feito pelo Deputado Pedro Quartin Graça directamente ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ao abrigo das disposições aplicáveis da Constituição da República Portuguesa e do Regimento da Assembleia da República, tenha melhor sorte. A bem da democracia e da cidadania.
O Musgueira lidera isolado o campeonato da 1ª divisão de AFL. Com a melhor defesa e um dos melhores ataques, o Águias deu este último Domingo um importante passo para as aspirações à subida de divisão, batendo o Algés, terceiro classificado, por 1-0. Não tão feliz tem sido a carreira da UDAL, ainda irregular nos resultados.
No próximo Domingo, dia 12, joga-se o sempre electrizante, sempre emocionante e imprevisível, um clássico do Alto do Lumiar, um derby imperdível: o Musgueira-Alta de Lisboa! Veremos se este embate marca a recuperação da UDAL ou se é a confirmação do bom momento de forma do Águias. É também uma boa oportunidade para se conhecer um pouco melhor o bairro onde vivemos e visitar um complexo desportivo que é recomendado pela FIFA.
O João Pinto, do Empreendimento das Galinheiras, salientou neste post a importância de estarmos todos recenseados na nossa área de residência.
Confesso que era uma tarefa que andava a adiar para "um destes dias" (apesar do transtorno que foi ir votar a Évora nas últimas presidenciais) mas os argumentos apresentados pelo João Pinto convenceram-me da real urgência desta regularização burocrática. Se andamos a fazer abaixo-assinados onde criticamos (e bem!) a CML pela sua inércia burocrática na resolução dos nossos problemas, nada mais lógico que vencermos nós, também, a nossa inércia burocrática. Afinal, em muitos casos, não é só uma questão de representatividade da respectiva Junta de Freguesia, mas da própria Câmara. Quantos de nós somos realmente eleitores daqueles a quem hoje exigimos acção?
Na passada terça-feira, dia 31 de Outubro, pelas 9h30m da manhã, uma manhã de nevoeiro, a Rua Eduardo Covas apresentava-se com este aspecto. Há momentos que parecem fotografia, de tão estáticos e imutáveis. Respostas da CML ao abaixo-assinado? Nenhuma, até agora.
Ecos do abaixo-assinado são dados no jornal diário PÚBLICO, de Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006. Da CML ainda apenas e só o silêncio.
Entretanto, alguns leitores alertaram-nos para os seguintes aspectos:
1 - A leitura da adesão do abaixo-assinado é feita em 1º lugar pelo número de comentários associados. Algumas famílias incluiram os nomes todos ou a dimensão do agregado familiar apenas num comentário. É mais eficaz que a assinatura de todos os elementos do agregado familiar seja feita em comentários separados para se ter uma ideia mais precisa da quantidade de pessoas afectadas.
2 - A grande maioria das pessoas afectadas com os problemas de trânsito originados pelos atrasos referidos no abaixo-assinado, desconhece a existência da blogosfera dedicada à Alta de Lisboa e consequentemente não participará no abaixo-assinado. Assim sendo, é importante a divulgação desta iniciativa para que a pressão exercida junto da CML seja o maior possível.
3 - O cartaz disponibilizado aqui para divulgação do abaixo-assinado não tem a referência directa ao problema que o originou: o caos no trânsito. A versão actualizada está disponível para download, aqui.
Muito obrigado a todos os que têm colaborado e ajudado a divulgar e a melhorar o abaixo-assinado. Esta iniciativa não é de um blog ou de um grupo de pessoas, é de todos os que quiserem nela colaborar e interessa a todos os que sofrem directa ou indirectamente com o desleixo, inércia e preguiça da CML.
Temos em comum viver no mesmo bairro e termos acreditado e apostado num projecto urbanístico bem pensado e desenhado pelos mais reputados arquitectos e urbanistas. Apesar de sermos apenas um dos lados do triânglo constituído também por SGAL e CML, somos os principais interessados em que a Alta de Lisboa seja um sucesso no modo de construir cidade, de pensar no desenho urbano, de reintegrar populações carenciadas. No entanto, a paciência necessária para conviver com as contingências negativas de uma cidade em construção está a esgotar-se quando nos apercebemos que muitos destes problemas derivam mais dos atrasos inexplicáveis do poder local do que das dores de crescimento naturais do projecto. Resolvemos por isso enviar uma carta aberta a todos os vereadores da CML, de todos os quadrantes políticos, para que tomem consciência do problema e actuem conforme exige o cargo para o qual foram investidos.
É um abaixo-assinado dinâmico: a lista de assinaturas, aberta na caixa de comentários, vai crescendo e com isso aumentando a pressão legítima dos cidadãos signatários. A participação de todos é importantíssima. Aqui fica então a carta abaixo-assinada:
Exmos. Senhores Presidente António Carmona Rodrigues, Vice-Presidente Carlos Miguel Fontão de Carvalho, Vereadora Marina Ferreira, Vereador Pedro José Del-Negro Feist, Vereadora Gabriela Seara, Vereador António Manuel Pimenta Prôa, Vereador José Manuel Amaral Lopes, Vereador Sérgio Lipari Pinto, Vereadora Maria José Nogueira Pinto, Vereador Manuel Maria Carrilho, Vereador Nuno Gaioso Ribeiro, Vereadora Natalina Moura, Vereador António Manuel Dias Baptista, Vereadora Isabel Seabra, Vereador Ruben Luís Tristão de Carvalho e Silva, Vereadora Rita Conceição Carraça Magrinho, Vereador José Sá Fernandes,
Mais uma vez a Alta de Lisboa, projecto urbanístico pensado de raiz, exemplo infelizmente escasso em Portugal, foi usado como trunfo e com orgulho pela CML para mostrar obra feita, um ano após a tomada de posse, em directo na TSF, na manhã de segunda-feira, dia 23 de Outubro de 2006.
Sabem concerteza V. Exas que a Alta de Lisboa é um projecto no qual a CML sempre teve um papel importante, por ter lançado a ideia nos anos 80, pelo então presidente Eng. Krus Abecassis, e por ser também não só um agente regulador da construção, como também um elemento preponderante para o evoluir do projecto por lhe caber a si a obrigação da compra ou expropriação dos terrenos necessários para a construção de prédios, vias rodoviárias, parques verdes, equipamentos e escolas, no âmbito do contrato inominado entre CML e SGAL.
O sucesso de um projecto com a dimensão da Alta de Lisboa, será sempre associado à CML, para o bem e para o mal. E vendo que a CML tem aproveitado promover-se, sempre que pode, mostrando "obra feita" na Alta de Lisboa (mesmo que tenha sido a entidade privada com quem se associou a fazer a mesma obra), parece-nos injusto esquecerem-se e adiarem imbróglios burocráticos que não se justificam face aos prejuízos que causam a todos os munícipes que V. Exas. representam.
Neste momento residem nesta zona de Lisboa cerca de 20000 moradores. Por diversos atrasos, as vias rodoviárias estruturais desta zona, Eixo Norte-Sul e Av. Santos e Castro e Eixo Central, estão inacabadas e ainda inutilizáveis, pelo que as vias de acesso a toda esta grande área urbana se reduzem a 4 ou 5 estradas de uma faixa de rodagem para cada lado. O trânsito é caótico nas horas de ponta, diminuindo a qualidade de vida de todos.
Sabemos que apostar num projecto em construção implica ser-se paciente com o tempo natural que demora uma cidade a construir-se e a cristalizar-se, mas não é isto sinónimo de ser-se tolerante com atrasos burocráticos que penalizam ainda mais quem ajudou e acreditou num projecto patrocinado e dinamizado pela CML.
Assim consideramos urgente a resolução dos seguintes pontos:
1. Concretização dos acordos já conseguidos entre CML e proprietários dos Armazéns Ruela para a compra dos terrenos necessários para a construção da Rotunda Este da Av. Santos e Castro.
2. Aprovação final do empreiteiro que irá construir a Porta Sul, a ligação entre a Av. Santos e Castro e a 2ª Circular, essencial para a ligação ao resto da cidade.
3. Transferência do actual Centro de Saúde, que ocupa um barracão sem as condições mínimas que qualquer um dos Srs. exigiria no tratamento de um vosso familiar, para o recentemente construído numa das lojas do Condomínio da Torre. Esta transferência está adiada há cinco meses também por pormenores burocráticos. A libertação do terreno ocupado pelo barracão é necessária para a se avançar com o tramo central do Eixo-Central, ex-libris da Alta de Lisboa, continuação das Avenidas de Lisboa.
4. Celeridade na deslocação dos moradores de Calvanas para as novas casas já concluídas, projecto do Arqº. Frederico Valsassina, o que irá possibilitar o avanço da Av. Santos e Castro, a construção do tramo sul do Eixo Central e a construção de mais um espaço verde para a cidade de Lisboa, o Parque Sul.
Cada um de nós tem um papel diferente nesta enorme peça de teatro, mas é saudável que queiramos todos desempenhá-lo o mais competentemente possível. Não imaginamos a ordem de grandeza de preocupações que o vosso papel implica, na quantidade de solicitações que vos esquarteja, mas parecem-nos ser estes alguns dos processos adiados por inércia que, a cada dia que passa, aumentam o prejuízo para todos. Não se justifica por isso adiar o inadiável.
Confiando na vossa boa fé, determinação, capacidade de reacção e competência, desejamo-vos a todos sucesso para a continuação dos vossos mandatos e que nunca nos esqueçamos, todos, do que é construir uma cidade, do que é buscar qualidade de vida, do que é servir a causa pública.
Os nossos melhores cumprimentos, os munícipes de Lisboa abaixo assinados
P.S. [25 Out] O acumular de assinaturas está a correr bem, obrigado a todos os que estão a colaborar. É bom relembrar da existência deste abaixo-assinado aos Vereadores visados. Para isso proponho também o reenvio da carta. Deixo aqui a lista de emails existentes dos Vereadores no site da CML. Basta copiar e colocar no destinatário do email.
É de lembrar que grande parte dos moradores afectados por estes problemas desconhece a existência dos blogs e sites dedicados à Alta de Lisboa e não poderão participar neste abaixo-assinado que também lhes diz respeito. É por isso importante a divulgação máxima deste movimento para que a força de reinvidicação seja o maior possível. Para isso proponho a colocação deste cartaz nos vossos prédios de habitação, num local de passagem (os elevadores, por exemplo). Um movimento coeso e com grande participação dos moradores terá certamente os efeitos desejados. A cidade pode ser contruída pelas pessoas que a habitam.
Apesar dos atrasos no projecto, das expectativas goradas, das inércias burocráticas, da indiferença do poder perante a vida nas cidades, vale a pena viver na Alta de Lisboa? As feições do rosto desta parte nova da cidade são visivelmente diferentes de ano para ano? Se voltassem atrás no tempo tomariam outra opção na compra de casa? Vale a pena apostar neste projecto pelo que ele representa no futuro? Mesmo havendo ainda aspectos desagradáveis neste bairro, há outros mais agradáveis que justificam viver aqui?
Acessos principais previstos na Alta de Lisboa, aqui.
Pontos negros que impedem a conclusão desses acessos,aqui.
Apesar das negociações entre CML e proprietários dos terrenos necessários para a conclusão Av. Santos e Castro terem chegado a bom porto já no final de 2005, os contratos não saiem da gaveta do Vereador responsável pelo Departamento de Património, o que impede as máquinas de avançar e concluir a obra.
Consequências desses atrasos no dia-a-dia dos 20000 moradores da Alta de Lisboa, aqui.
A Av. Santos e Castro é um eixo rodoviário essencial para a mobilidade dos 20000 moradores da Alta de Lisboa, bem como de dezenas de milhares de moradores do concelho de Loures.
Marques Mendes, líder do PSD, veio à Alta de Lisboa com o presidente da CML, Carmona Rodrigues, e caminharam juntos no Parque Oeste. Anunciaram o passeio, relacionando-o com o primeiro aniversário da vitória nas eleições autárquicas de 2005, chamaram jornalistas, e queixaram-se do Projecto-Lei das Finanças Locais.
Disse Marques Mendes, do alto de um palanque especialmente montado para o efeito: “Para o Governo, o poder local é o mal de todos os males. Eu acho isso injusto. (...) As Finanças Locais são o pretexto, um pretexto censurável, para esta tentativa centralista e controladora por parte do Governo." E ainda: "Não estamos de acordo, de forma nenhuma, com esta tentativa de cercear e retirar autonomia ao poder local”, acrescentando depois, para quem o não tivesse percebido à primeira, que “o verdadeiro objectivo do Governo é retirar poder e autonomia ao poder local”. Avisou que o PSD “vai votar contra” a proposta de lei do Governo que “acentua o centralismo”, “não beneficia ninguém e é prejudicial para as populações”. Eu não ouvi, li apenas o resumo no PÚBLICO.
Calculo é que não tenho sido à toa a escolha do Parque Oeste como fundo para a fotografia e reportagem da televisão. Interessava mostrar "obra feita" e associá-la ao poder local. Parafraseio o Marques Mendes: "Eu acho isso injusto." E acho injusto porque a CML sabe perfeitamente que a Alta de Lisboa tem atrasos que se devem exclusivamente à sua própria inércia burocrática.
Apetecia-me propor que estas conferências de imprensa se fizessem no mesmo local às oito e meia da manhã ou ao fim da tarde, quando o fluxo de automóveis é tão denso que demora quase tanto a percorrer um quilómetro e meio como à mesma hora se faz o percurso de Mem-Martins para o Campo Grande. Gostava que perguntassem porque têm uma só via em cada sentido os acessos rodoviários para entrar e sair de uma área urbana com cerca de 20000 (vinte mil) moradores. E que se analisasse o presente, comparando-o com o projecto, com o que devia já existir para que esses problemas de mobilidade não fossem tão graves. E depois perceber quem é que não usando o "poder e autonomia" que lhe foram investidos, continua a "cercear" e a prolongar uma situação que "não beneficia ninguém e é prejudicial para as populações".
Voltamos ao princípio: A Alta de Lisboa é uma zona nova da cidade, idealizada desde o início dos anos 80 para resolver o problema dos bairros de lata que aumentavam na periferia de Lisboa. Construía-se habitação social que substituísse as barracas, construía-se habitação para venda livre que financiasse o projecto, dotava-se a área com todo o tipo de infra-estruturas e serviços que garantissem que este modelo urbanístico fosse exemplar e não se tornasse numa cidade-dormitório.
Mas durante anos o projecto esteve estagnado, por falta de iniciativa. Até que a CML resolveu aliar-se a um investidor privado, procurando o dinamismo de uma empresa que tivesse a motivação do negócio. Esse investidor privado chamava-se SGAL, nome que todos bem conhecemos, e o contrato celebrado, prevê a cedência dos terrenos para a construção dos prédios de venda livre com a contrapartida de o investidor privado ficar responsável pelos loteamentos, os projectos de arquitectura e os planos de pormenor e construir grande parte das infra-estruturas e equipamentos. Coube assim à SGAL a escolha do reputado urbanista Arq.º Eduardo Leira para elaborar o PUAL e desenhar a nova cidade pensando em cada pormenor, antecipando os problemas que uma cidade povoada costuma ter. O projecto foi tão bem acolhido que ganhou diversos prémios internacionais.
Começou-se pelos prédios de realojamento, acabando depois com as barracas, construíu-se alguns dos equipamentos, e finalmente os prédios de venda livre.
A rede de acessos rodoviários principais deste mega-projecto incluía o troço do Eixo Norte-Sul desde a Av. Padre Cruz até à CREL, no túnel do Grilo, e uma nova Av. Santos e Castro, via rápida com três faixas para cada lado, que substituisse a antiga, incapaz de servir a população esperada pelo projecto. Nenhuma destas vias estava construída. A Av. Santos e Castro estaria a cargo da SGAL, o tal investidor privado, e o Eixo Norte-Sul, por ser uma via estrutural da cidade de Lisboa e estar fora do âmbito do PUAL, seria da responsabilidade das Estradas de Portugal.
Linha azul - Eixo Norte-Sul Linha vermelha - Av. Santos e Castro
Já em Janeiro de 2001, ainda longe de a Alta de Lisboa ter como residentes os números de hoje, a CML, através de Ferreira de Almeida, então Director Municipal, cargo do topo da hierarquia da administração autárquica, dizia ser "urgente" a Av. Santos e Castro: "É hoje pertinente a realização da nova Avenida Santos e Castro, que servirá para descomprimir o tráfego que circula pela Segunda Circular e que a satura. Embora o último troço do Eixo Norte-Sul, cuja entidade responsável é o Governo, estará sempre atrasado, o novo traçado da Avenida virá melhorar muito a situação viária de Lisboa, além de valorizar toda a região onde nasce a «Alta de Lisboa."
("A Alta de Lisboa em Jornal", Ano III, nº4, Janeiro de 2001, publicado pela SGAL)
Três números e trinta e dois meses depois, em Agosto de 2003, a mesma publicação anuncia o início da obra: "A construção da futura Avenida Eng.º Santos e Castro [...] teve início no dia 16 de Junho [de 2003], sendo de 77 semanas a duração prevista da obra. A aprovação verificou-se, em Março último [de 2003], pelo vereador Carmona Rodrigues. Todas as condições para a sua concretização foram reunidas no projecto apresentado pela empresa Forma Activa. A obra está adjudicada à construtora Teodoro Gomes Alho Filhos. Com um optimismo que se viria a revelar exagerado, a SGAL anuciava a conclusão da obra para Dezembro de 2004.
("A Alta de Lisboa em Jornal", Ano V, nº7, Agosto de 2003, publicado pela SGAL)
Optimismo exagerado porque havia um grande número de terrenos que não estava ainda nas mãos da CML e careciam de acordo com os proprietários. A negociação foi liderada pela UPAL, incumbida desta responsabilidade pelo então executivo camarário, que transferiu oficiosamente esta competência do Departamento de Património da CML. Mesmo não sendo obrigatório por lei, para tornar a avaliação das parcelas mais credível e transparente, foi requerido em todos os casos analisados o parecer de um perito do Tribunal da Relação de Lisboa. Concertadas as vontades entre CML e o proprietário, avançava-se com o contrato. Não havendo acordo, o interesse público falava mais alto, levava-se o assunto a tribunal e este decretava o valor da indemnização a pagar ao proprietário. Até 2002, muitas avaliações na Alta de Lisboa, como no resto da cidade, eram feitas pelo próprio Departamento de Património da CML e só quando não se chegava a acordo é que no processo litigioso se recorria ao parecer do perito.
Actuou-se destas duas formas, negociação ou expropriação, em diversos casos, mas teve-se em consideração o contexto de cada situação. Expropriar por via dos tribunais um terreno com uma casa e uma horta não é o mesmo que mandar fechar uma unidade fabril com 200 trabalhadores. Algumas das negociações foram portanto mais prolongadas e difíceis.
Mesmo assim todas as necessárias para a conclusão da Av. Santos e Castro foram conseguidas até ao final de 2005, faltando apenas a celebração oficial do contrato entre a CML e os proprietários dos terrenos. Assinados os contratos podiam as máquinas avançar com a construção da obra.
O problema é que entretanto houve novas eleições em Setembro de 2005, as vereações mudaram, e alguns destes contratos demoram agora a sair das gavetas. Os acordos estão conseguidos, as máquinas estão na rua, mas o Vereador e também vice-presidente da CML, Fontão de Carvalho, responsável pelo Departamento do Património, e consequentemente pela concretização dos acordos já conseguidos, não trata desta finalização, aumentando diariamente o custo da obra, adiando a conclusão da Avenida que o mesmo quadrante político considerava urgente há já quase seis anos, perpetuando as filas de trânsito de hora de ponta e desacreditando um projecto urbanístico cuja entidade que representa é co-autora e usa como pano de fundo em conferências de imprensa onde quer mostrar "obra feita". Por curiosidade, o Parque Oeste, o tal pano de fundo da dita conferência, é propriedade da CML, mas foi construído pela SGAL, ao abrigo das contrapartidas do contrato celebrado entre SGAL e CML.
Mais cedo ou mais tarde a Avenida Santos e Castro será concluída. Quantos meses mais tarde e quantos milhões mais tarde, ninguém sabe. Mas sabemos que no dia da inauguração as mesmas carantonhas de sempre passearão por lá, seguidas por jornalistas e fotógrafos que registam discursos ofendidos com quem quer "cercear e retirar autonomia ao poder local".
Como resposta ao caos criado na zona de confluência das Avenidas Maria Helena Vieira da Silva e Eugénio de Andrade com a substituta da Av. Santos e Castro, as entidades responsáveis preparam a seguinte solução de remendo:
A via em construção irá permitir separar o tráfego que atravessa a Alta de Lisboa do tráfego mais local, repondo, de certa forma, a situação que existia no Verão passado. De remendo em remendo a Alta de Lisboa vai evoluindo aos poucos. De engarrafamento em engarrafamento o utente vai queimando mais um pouco do finito petróleo que existe no nosso planeta. As fotografias mostram o estado de evolução da via substituta da outra via substituta da Avenida Santos e Castro: