quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ultima hora: A passadeira mudou de sítio outra vez!

Desculpem interromper este momento tão lindo do post outonal do Pedro mas...she's alive!

A passadeira? Qual passadeira? A passadeira! Não é uma passadeira qualquer ah não senhoras e senhores, meninos e meninas, laides and gentes, madamas e mussius! É a passadeira mágica!

A verdadeira!

A real!

A que nunca se sabe onde estará!

Hoje está aqui, amanhã está ali. Aqui, ali, aqui, ali.

Verdade, caríssimos leitores, a passadeira da Helena Vaz da Silva - a tal que já mudou de sítio 3 vezes - acaba de mudar novamente de local.

E o passeio? Pois o passeio também mudou! Já esteve para cima? Então agora está para baixo. Estava para baixo? Então agora está para cima.

Ah admirável Alta de Lisboa que tais passadeiras tendes!

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Outono no Parque



De trivialidades conscientemente usava e abusava aquela canção dos Fúria do Açúcar. Que no Outono há folhas sempre a cair / E a chuva faz os prédios ruir, e tal. Pois é. E há a porcaria da hora que é mudada e, num repente, passamos a achar que é hora de jantar aquela hora que, no Verão, ainda dava para ir para a praia. E o aproximar do fim do ano.

Pois, mas isso é - como dirá a minha amiga futura presidente - para os que passam a vida a encontrar desculpas para não apreciar o bom que os dias têm para nos oferecer.

No Outono há o cheiro assado das castanhas, ainda que devidamente normalizadas pela UE e policiadas pela asae (só falta proibirem os assadores por emitirem carbono para a atmosfera):



E há, ah pois há, o parque, o bosque, o encanto das Conchas que muda diariamente ...











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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A ver os meninos passar

A conselho do nosso leitor jrui, um destes dias levantei-me cedo e fui ver a mais recente atracção turística da Alta de Lisboa: a entrada dos meninos no Colégio S.Tomás.

Desde o clássico do cinema "A entrada dos empregados na fábrica Lumiére" dos irmãos Lumiére, que não via algo tão interessante.

Uma avenida empestada de carros em segunda fila e criancinhas a sair de todo o lado, dos jipes e SUV's da classe média alta de Lisboa. Mãezinha ou paizinho páram, saiem do carro, toca a abrir portas e é um fartar de petizes a sair por qualquer lado (normalmente do lado esquerdo para dar mais emoção).

A polícia manda o trânsito parar e junta-se ali uma fila jeitosa (e é mesmo só uma porque a faixa da direita está ocupada pelos que vêm deixar as crianças).

É um espectáculo interessante e prometo que um dia destes volto lá mas de banquinho e merenda para poder ficar mais tempo.

Enquanto tentava evitar mais uma porta e adivinhar se iam aparecer crianças à frente do carro estacionado mesmo antes da passadeira, veio-me á cabeça uma ideia disparatada.

Que tal se a direcção do Colégio S. Tomás pensasse em arranjar um sistema mais seguro e ordeiro de largada e recolha de alunos? Assim de repente, sei lá, antes da curva existe uma outra entrada, que tal construir aí um ponto de encontro para papás, mamãs, filhotes e SUV's? Que tal a PSP abdicar do espaço de estacionamento exterior que ocupou e cedê-lo ao colégio? Que tal não permitir o estacionamento de veículos imediatamente antes da passadeira?

São disparates, eu sei. Ou, como diria uma simpática vereadora, medidas pouco dignas. Peço desculpa.

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Workshop Prova de Vinhos

Venho dar conhecimento de um evento a decorrer hoje que poderá ser do vosso interesse. Trata-se de um Workshop Prova de Vinhos. Fica a sugestão para algo diferente.

De notar que as receitas angariadas revertem a favor de actividades nas escolas.


Horário: 19h as 21h Local: K CIDADE – R. Luís Piçarra – 12ª Restaurantes Envolvidos: Baci e Abbracci, Marcao, Horta, Kafofo, Meia Lua e outros Entrada: €2

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O petróleo, como recurso geológico finito

peak oil curve

Entre muitas adaptações que vamos ter que fazer na nossa vida futura destaca-se a urgente adaptação a um novo “modelo energético”. Quase não restam dúvidas de que a nossa civilização estará prestes a atingir o pico de extracção de petróleo à escala mundial. O ano em que isso acontecerá ninguém ainda sabe ao certo embora os dados mais fidedignos apontem para a próxima década, entre 2010 e 2020.




Este é um tema de difícil abordagem porque logo à partida lida com um recurso fundamental ao desenvolvimento da sociedade moderna. Há na nossa sociedade uma grande relutância em encarar a noção de limite geológico de um recurso tão fundamental como é o caso do petróleo. O “pico do petróleo” ou o “oil peak” é uma teoria alicerçada em modelos matemáticos e estatísticos, desenvolvida na longínqua década de 1950 pelo geofísico King Hubbert.
Existem muitos factores que condicionam o acesso a um recurso natural que é extraído do subsolo, quer seja em terra ou no mar. À cabeça existe logo o grau de conhecimento científico, a tecnologia empregue, as condições naturais da jazida (condições geológicas), a perícia dos operadores humanos no terreno e por aí fora. Depois existem as condições económicas e políticas que condicionam o ritmo do desenvolvimento e exploração de jazidas antigas bem como o ritmo de procura de novas reservas. Ainda há que referir a velocidade de consumo do recurso que está obviamente dependente dos ciclos de crescimento e de recessão das economias. Por cima disto tudo temos ainda a actividade especulativa de muitos grupos económicos influenciando o preço final da matéria-prima extraída.

Muitos analistas económicos suspeitam de que uma nova crise energética não tardará a aparecer – será quase de certeza uma crise muito mais forte do que a do Verão passado, tal como ilustra uma notícia publicada recentemente no jornal Público:

“Consomem-se 85 milhões de barris por dia e em 2030 serão 106 milhões
Mais uma crise de petróleo em perspectiva nos próximos anos
13.11.2008 - 09h12
Por Ana Fernandes
A Agência Internacional de Energia já não tem dúvidas de que os poços petrolíferos em actividade pelo mundo estão a baixar a sua capacidade de produção e, com isso, está aberta a porta a mais uma crise do petróleo.

No seu último relatório, ontem divulgado, o organismo admite que já se regista uma queda de 6,7 por cento na produção, que chegará aos 8,6 por cento em 2030. Com o aumento que se prevê na procura, é urgente que se façam investimentos, ou haverá uma nova crise, eventualmente pior do que a deste Verão, alerta.

A novidade do relatório deste ano é o estudo exaustivo feito pela agência a 800 dos maiores campos petrolíferos do mundo. Para constatar que a taxa de declínio "vai aumentar significativamente no longo prazo." A situação já nem sequer é famosa hoje. Se a procura não se alterar até 2030, será necessário produzir mais 45 milhões de barris por dia para compensar a queda na oferta, diz a AIE.

Só que a previsão é de um aumento da procura. Hoje consomem-se 85 milhões de barris diariamente, mas em 2030 o consumo deverá estar nos 106 milhões de barris. O que coloca um grave problema, já que o petróleo, apesar de tudo, continuará a ser principal fonte energética do planeta.

A solução, defende a agência, é investir. Mas receia que a actual crise económica refreie a aposta no sector, o que conduziria a uma crise energética. Que já não demoraria muito. "É necessário aumentar a capacidade produtiva em 30 milhões de barris por dia até 2015", defende o relatório. Mas "há um risco real que a falta de investimento leve a uma crise na oferta neste lapso de tempo."

E já há sinais disso. Faith Birol, economista da AIE que ontem deu uma conferência de imprensa em Londres, disse que quase todos os dias se sabe de mais um projecto que foi adiado.

A agência considera necessário injectar mais de 800 mil milhões de euros por ano até 2030 para aumentar a oferta. E apostar em novas tecnologias de pesquisa e prospecção.

Há, porém, um grande senão nos tempos que correm. Parte do petróleo que se está a descobrir é muito caro porque, ou está a grandes profundidades, ou é dispendioso extraí-lo, como é o caso das areias betuminosas do Canadá. Com o barril a menos de 60 dólares, alguns destes investimentos podem tornar-se desinteressantes.

Um cenário que alguns dos representantes das principais petrolíferas mundiais, que se reuniram recentemente em Lisboa, afastaram. O seu argumento reside no facto de que a programação dos investimentos das suas empresas não se fazem numa base anual, pelo que as actuais oscilações de preço podem não ser determinantes nas decisões.

Dependência da OPEP

Outro dos dados relevantes do relatório é a geografia do petróleo. A expectativa é que a produção caia mais abruptamente nos países desenvolvidos, com destaque para o mar do Norte e o Alasca. A agência considera que será nos países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) que a produção mais crescerá, passando a representar 51 por cento da oferta mundial, contra os 44 por cento actuais.

Muito do investimento que se fará passará, assim, por companhias estatais, que passarão a representar 80 por cento do aumento da produção de petróleo e gás esperado em 2030, avança a agência.

Os cenários avançados são de grande incerteza. A todos os níveis. Da oferta aos preços, o que se tem como certo é a volatilidade. Por estas razões, a que acresce a segurança no abastecimento energético e o combate às alterações climáticas, a agência continua a dar ênfase à aposta em novas fontes.

Os sinais já são positivos. Segundo as previsões apontadas, as renováveis irão ultrapassar o gás, passando a ser a segunda maior fonte de geração de electricidade, já em 2010.

Mas há o outro lado da moeda, sobre o qual é preciso agir. O carvão, dada a sua disponibilidade mais equitativa em termos geográficos, é a fonte de energia cuja procura mais aumenta. Com todas as implicações que isso tem em termos de emissões de gases com efeito de estufa.

Sabendo-se que é na China e na Índia, assim como no Médio Oriente, que se esperam os maiores picos de crescimento da procura, há que encontrar alternativas para fazer face ao aumento das emissões.

Se a tendência actual se mantiver inalterada, os gases libertados pelo sector energético aumentarão 45 por cento entre 2006 e 2030. A agência avança que para se conseguir estabilizar as emissões de forma a que não se ultrapasse um aumento da temperatura global em três graus, tem de se caminhar para um modelo energético de baixo carbono, assente nas fontes alternativas (onde inclui o nuclear) e no sequestro e enterro de carbono.

Isso implicaria um investimento de 3,2 mil milhões de euros, ou seja, 0,2 por cento do Produto Interno Bruto mundial. Para se baixar a fasquia para os dois graus, seriam necessários investimentos na ordem dos 7,3 mil milhões, isto é, 0,6 por cento do PIB global.

Mas só a eficiência energética poderia poupar 5,5 mil milhões em energia. Um dos campos onde se deve agir é nas cidades. É nelas que mais energia se gasta e a tendência é para continuar. Já hoje, dois terços da energia consumida no mundo ocorre nos meios urbanos. Em 2030, esta responsabilidade passará para três quartos.

Mas mesmo no cenário mais restritivo em termos de emissões, o petróleo continua a ter um lugar central. A agência faz questão de sossegar os grandes produtores de petróleo, afirmando que, mesmo que o mundo invista a sério numa economia de baixo carbono, ainda vão ser necessários mais 12 milhões de barris por dia em 2030 a acrescer aos que já hoje se consomem."


As previsões de crescimento têm que ser revistas, os grandes projectos que envolvam uma expansão no consumo de hidrocarbonetos poderão não fazer sentido dentro de uma década.
Há quem não acredite nisto ou que opte, simplesmente, por “colocar a cabeça na areia” e esperar que a tempestade passe. Mas o que aí vem não é uma tempestade, é uma imposição da natureza para mudarmos o nosso estilo de vida porque face a uma escassez de recursos não há malabarismo económico que resista. Acima de tudo é necessário realismo. Realismo para perceber que o declínio da taxa de extracção dos hidrocarbonetos é uma verdade que está a afectar as maiores reservas descobertas há mais de 40 anos – aquelas que têm sustentado mais de 60 % do actual consumo de cerca de 85 milhões de barris por dia; realismo para perceber que a crise que aí vem abre novas perspectivas que podem encaminhar o nosso planeta para um estilo de vida mais amigo do ambiente.
Mas uma coisa é certa: o fim do petróleo barato vai afectar todos os ramos da nossa civilização porque este é um recurso muito versátil e indispensável ao nosso estilo de vida diário. A sociedade humana é que tem que se adaptar à natureza geológica do nosso planeta e não o contrário.

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Partida... largada... fugida!!!

É já no próximo Domingo 23 que se realiza a 2ª edição da prova "Luzia Dias" aqui no Alto.




Organizada pela Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha no Lumiar, tem o apoio técnico da Xistarca e terá início às 10 horas. Os atletas, divididos por vários escalões - séniores e veteranos, masculinos e femininos - percorrerão várias artérias, num percurso com cerca da 10 km. Adicionalmente, haverá uma prova para os escalões mais jovens.

Os participantes deverão inscrever-se previamente (até dia 23 )junto de um dos organizadores, dos quais aqui deixamos os contactos: Xistarca : 213616160;xistarca1986@sapo.pt / AMBCV:
217588913; ambcvlumiar@sapo.pt.

Recordamos que Luzia Dias é moradora do Bairro da Cruz Vermelha e uma destacada atleta do clube com maior palmarés nacional do atletismo português, o Sporting Clube de Portugal.

Aos organizadores, o Viver deseja um sucesso tão grande quanto as medalhas olímpicas e recordes mundiais obtidos pelos atletas do clube verde e branco e aos participantes, uma saúde tão longa quanto o praticar desporto parece causar. Aos restantes, vá lá, alegrias de sofá e a vitória domingueira do clube favorito.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Cascata do Parque Oeste de novo em funcionamento

Diz que faltava um parafuso algures. Vamos lá ver até quando ficará a cascata a funcionar, tal como as bombas de água necessárias para a circulação que reduzirá a sedimentação e o crescimento de algas e limos.

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Mooviz.org - novo site de cinema estreia hoje!

Abre hoje ao público o novo site de cinema, o Mooviz.org, com a interessante proposta de “citizen journalism”, ou, dito de outra forma, “made by the people and for the people”.

Promete. Pela equipa, pelo conceito, pelo congregar de motivações e gosto pelo cinema.

P.S. Vão tentando. Os senhores da organização dizem que é só lá para a tarde, que ainda estão a afixar uns posters e a limpar umas coisas para os convidados. Mas que lá a meio da tarde já podem entrar.

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domingo, 9 de novembro de 2008

Comida

Jamie Oliver cresceu no Essex, no pub dos pais e foi aí que descobriu a paixão pela comida.

Em 1998 tornou-se uma estrela de televisão e criou o que se pode designar como um pequeno império. Livros, lojas e os programas que têm amplificado as suas mensagens e um estilo próprio, não só no Reino Unido mas também noutros países.

Desde o início da sua carreira mediática que Jamie demonstrou ser um homem de causas:
Acolheu quinze jovens desempregados com poucas qualificações e tentou que se transformassem em chefs. Em alguns casos conseguiu.

Fez campanha a favor da melhoria da alimentação nas cantinas escolares.

Mais recentemente, a propósito das notícias recorrentes acerca do aumento da obesidade, decidiu ensinar os britânicos a cozinhar.

É disto que fala o artigo do Público sobre Jamie Oliver.

O estilo, como tudo na vida, não agrada a todos, tal como as campanhas que tem realizado.

Podemos sempre afirmar que beneficia destas acções, que corre atrás do que lhe dá popularidade para vender mais livros, videos e tudo o mais.

Pois podemos.

Eu prefiro ver o lado positivo destas acções. Acho piada ao Jamie.

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Largo do Rato

O Largo do Rato já foi uma praça bonita e calma e eu tenho a sorte de ainda me lembrar dela assim, antes das obras que o Eng. Krus Abecassis mandou fazer na década de 1980.

Agora um estudo com certificação científica comprova o que o senso comum já dizia. Não se pode viver em cidades assim. Isto não é solução para as pessoas, e é nas pessoas, sem armadura de lata à volta, que se tem de pensar quando se decide o que fazer na cidade.

A notícia vem no PÚBLICO e pode ser lida mais abaixo.

Peão esquecido é o elo mais fraco da vida do Largo do Rato
09.11.2008, Inês Boaventura

Estudo sobre fluxos pedonais concluiu que o largo só se torna "realmente humano" em ocasiões específicas como manifestações

O Largo do Rato, em Lisboa, é "um lugar hostil e perigoso para o peão", onde todos aqueles que não circulam em veículos motorizados foram afastados da parte central do largo e confinados às "zonas marginais" da praça e ao espaço privado dos pequenos comércios, que "tem vindo a tornar-se o único espaço de convivência possível".

Estas são algumas das conclusões da pesquisa desenvolvida entre Setembro de 2006 e Setembro de 2007 pelo investigador francês Aymeric Böle-Richard, no âmbito de um doutoramento em antropologia social. O trabalho, que procura dar conta daquilo que significa ser peão numa praça de Lisboa definida como "um exemplo paradigmático da recente motorização da sociedade portuguesa", deu origem ao livro Pedonalidade no Largo do Rato: Micropoderes, que será lançado na quarta-feira, numa edição da ACA-M (Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados), paralelamente à realização do colóquio O Peão e a Cidade, no Goethe-Institut de Portugal, em Lisboa.

Para Böle-Richard, o objecto da sua pesquisa pode ser encarado "como um símbolo da situação rodoviária geral de Lisboa e, portanto, de um processo de alienação e delapidação da cidadania pedonal e do espaço dito 'público', em benefício de uma sociedade motorizada desigual e cada vez mais constrangedora".
Itinerários impostos

O investigador defende que a "intensidade maciça do trânsito rodoviário" e o "agenciamento impositivo da mobilidade pedonal", em que as guardas metálicas, os pilaretes e as passadeiras "impõem determinados itinerários ao peão", foram os responsáveis pelo "processo centrípeto de afastamento do cidadão peão da parte central do largo". O resultado, diz, é "a agonia lenta e dolorosa de um espaço que devia ficar um lugar público, isto é, de encontros, de diálogo e de vivência".

Böle-Richard fala mesmo numa "inversão dos papéis entre espaço privado e espaço dito público", já que o Largo do Rato passou de espaço de "convivência" a espaço de "atravessamento", fazendo com que os estabelecimentos comerciais nas suas margens se tenham tornado "o único espaço de convivência possível, concentrando as sociabilidades mais 'tradicionais' de rua". Actualmente, afirma, "para conviver, torna-se necessário entrar num café, numa loja, ou seja, em lugares privados que implicam o dispêndio de dinheiro, esquecendo a premência de utilizar o espaço público do Rato, dando-o desta forma, à partida, como perdido para o automóvel".
Manifestação/metamorfose

Apesar desta realidade e de o largo se transformar num "local desertificado" aos fins-de-semana, "altura em que os tais espaços comerciais estão encerrados", Böle-Richard sublinha que "de vez em quando ainda pode observar-se formas espontâneas de encontro e de ocupação cidadã do espaço público". Como exemplo, o antropólogo aponta "a manifestação dos sindicatos do 2 de Março de 2007", em que "durante cerca de uma hora e meia o largo metamorfoseou-se num espaço realmente humano".

Mas Böle-Richard aponta ainda outros factores que contribuem para a hostilidade do Largo do Rato: "Poluição hedionda devido a emissões de CO2 e monóxido de carbono por parte do trânsito rodoviário; ausência de fonte pública de água; escassez de vegetação - o largo contabiliza apenas 18 pequenas árvores situadas em locais pouco frequentados pelos peões". Em suma, diz o investigador, "o peão parece ter sido esquecido, enquanto elemento participante da vida do largo".

Na sua pesquisa, o antropólogo procurou ainda observar as "relações de força" que se estabelecem entre os condutores e peões, tendo notado que os últimos "geram estratégias temporárias espontâneas de resistência relativamente ao poder impositivo do trânsito e da própria organização infra-estrutural do referido largo". Isto acontece, por exemplo, quando o peão abandona o passeio e caminha pela estrada ou, como coloca Böle-Richard, quando este, "para retomar posse do espaço cívico que jamais devia ter deixado de ser seu, a rua, se atreve a abandonar as estruturas autoritárias que lhe estão destinadas".

Para esta atitude dos peões contribuem, segundo o antropólogo, a ocupação dos passeios com estacionamentos abusivos, com lixo, obras e outros obstáculos, bem como o facto de alguns passeios serem demasiados estreitos para permitirem, por exemplo, a passagem de um carrinho de bebé ou de uma cadeira de rodas.


Gosto pelo risco
Outro problema apontado por Böle-Richard é o dos "semáforos pedonais com tempos de verde curtíssimos", que "incentivam" o peão a atravessar com o vermelho.
Apesar disto, o investigador reconhece que algumas das "afrontas" dos peões ao Código da Estrada e à "sua própria segurança" se devem à "falta de civismo". "Seja para atalhar uma trajectória ou para ganhar tempo, os peões revelam um gosto bastante pronunciado pelos comportamentos e percursos arriscados", diz Böle-Richard, notando que estes comportamentos "caracterizam todas as faixas etárias e camadas da população".

O medo de atravessar a estrada
O Largo do Rato é ou não um ponto negro na sinistralidade rodoviária da cidade?

O Largo do Rato só não é considerado um ponto negro na sinistralidade rodoviária em Lisboa - conceito que o antropólogo Aymeric Böle-Richard diz ser "contestável, segundo o ponto de vista do cidadão peão" - porque "o seu índice anual de mortalidade e de feridos graves registados no local não ultrapassa o limite daquilo que é politicamente aceitável".

Mas a realidade é outra, sublinha Böle-Richard no seu estudo, quando constatou que nesta praça de Lisboa o peão "tem medo de atravessar a estrada, que também pensa duas vezes antes de sair de casa, que reduz propositadamente as suas deslocações no local e, pior ainda, porque abandona progressivamente o espaço cívico para se refugiar dentro de zonas comerciais, nos jardins dos arredores ou até em condomínios".

Nesse sentido, uma das conclusões do trabalho do antropólogo é que "entre a situação real do Largo do Rato e o discurso oficial existe um abismo". Böle-Richard acredita que isto acontece porque o último se baseia numa análise "apenas em termos de fluxos motorizados", que não tem em conta "a realidade vivida pelos seus utentes".

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sábado, 8 de novembro de 2008

Peter Hall no ciclo de conferências a Cidade no Séc. XXI

Um dia, a Alta de Lisboa terá vida, estatuto, solidez e massa crítica para organizar também um ciclo de conferências desta dimensão. Dirão os leitores o que falta, no bairro, nos seus habitantes, em todos nós. Mas por enquanto estas coisas acontecem noutros bairros, como o Parque das Nações.

Começou anteontem, com Sir Peter Hall, reconhecido urbanista, autor do bestseller Cities in Civilization, o ciclo de conferências A Cidade no Século XXI, organizadas pelo Parque Expo, mas infelizmente não pudemos estar presentes porque o tempo tem sido curto para todos. O PÚBLICO traz hoje a notícia. As próximas conferências, que esperamos ter oportunidade de assitir, podem ser conhecidas clicando no cartaz. A notícia pode ser lida clicando no "Ler mais".


Metrópoles europeias do futuro terão que apostar num formato ecológico, artístico e criativo que lhes dê vida
08.11.2008, Catarina Pinto

Urbanista inglês Peter Hall desafiou os jovens a responder ao aquecimento global e a inventar uma profissão na área do urbanismo

As cidades ecológicas, ditas ecocidades, e a criatividade são dois elementos que, para o urbanista britânico Peter Hall, desenharão o futuro das metrópoles da Europa. Numa conferência, anteontem à noite, no Pavilhão de Portugal do Parque das Nações, em Lisboa, inserida no ciclo A Cidade no Século XXI, o especialista em Urbanismo revelou a sua previsão: criação de ecocidades como extensão das metrópoles já existentes e a aposta na imaginação, na arte e na criatividade para "dar vida à cidade".

Na primeira de seis conferências, pretendia-se um olhar sobre o futuro das cidades europeias. Peter Hall acabou por conduzir o olhar dos que assistiam não pela Europa, mas pelo mundo. E, em vez das previsões, apostou nas receitas: "Redesenhar estruturas em resposta ao aquecimento global", apostar numa rede de transportes públicos de alta qualidade, colocar a imaginação e a criatividade ao serviço da metrópole e tratar questões de coesão social.

A intervenção de Peter Hall viajou por aeroportos, mas demorou-se nas estações de comboio, destacando a importância que a rede ferroviária de alta velocidade vai ter na dinâmica das cidades. Encurtar-se-á, assim, a distância entre os diferentes países da Europa. "Em certas cidades, as estações de comboios estão a ser construídas como um agente de regeneração", adiantou, uma vez que os centros tendem a desenvolver-se à volta delas.

As viagens foram, de resto, tema corrente na conferência. Apesar de sermos constantemente aturdidos com anúncios sobre a informação tecnológica, que nos fazem pensar que é possível trabalhar sem sair de casa, a verdade é que, segundo um estudo francês citado pelo conferencista, o aumento das telecomunicações é paralelo ao aumento das viagens. Isto leva Peter Hall a acreditar que "há algo de especial na comunicação cara a cara", porque, apesar de vivermos na era da tecnologia, a presença frente a frente não parece querer dissipar-se.

Para incentivar a economia e o turismo, o urbanista destacou a opinião de Richard Florida, que pensa na criatividade e na imaginação como motores para dinamizar as cidades.

Antes de se falar no futuro, deteve-se no passado e no presente, enfatizando diversos problemas que afectam as cidades e que podem acentuar-se: a elevada taxa de dependência dos não-trabalhadores face aos que trabalham, a imigração, o crime organizado e o envelhecimento da população são alguns deles.

Mas o urbanista não tem as respostas todas. Sabe que as ecocidades do futuro têm que ser servidas por uma rede de transportes públicos de alta qualidade. Sabe que pôr de lado o carro e aprender a viver sem ele pode ainda não ser o presente, mas terá de ser o futuro. O que não sabe é como se podem unir e articular todas estas receitas na prática. Por isso, lança um desafio aos mais jovens: "Precisamos de uma nova profissão na área do Urbanismo que ainda não foi inventada".

O ciclo de conferências prossegue dia 11 com a apresentação do arquitecto Luís Vassalo Rosa e termina dia 26 com a intervenção de António Mega Ferreira, subordinada ao tema A Condição Urbana.

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Update

[ABCnews.com]
04:00

Obama wins, bring on Jack Bauer?

If they could, YES WE CAN,

Vamos fazer da Alta e desta cidade um sítio melhor.

(O reverendo Jesse Jackson em lágrimas no meio da multidão. Oprah em "ebulição". Um passo para sermos todos mais iguais.)

04:20

O discurso de McCain é o de um senhor. Chegou 8 anos atrasado à nomeação do Partido Republicano.

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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Loiky afogou-se há um ano. O que foi feito desde então?

(Fotografia enviada pelo leitor Francisco Oliveira)

Um ano depois do afogamento de Loiky, com nove anos de idade, quais destas medidas foram implementadas?

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Can they?


Dela já se disse que todos os cidadãos do planeta deveriam participar, tal a influência que os seus resultados têm em todo o mundo.

Nela torcemos como se o nosso clube ou o nosso partido estivessem envolvidos. 

Uns seguem o coração (como a maioria da esquerda europeia, apoiante de Obama), outros a razão (como Pacheco Pereira o social-democrata que apoia McCain com o pensamento na política externa americana mais favorável para a Europa). Poucos ficam indiferentes.

Daqui a umas horas abrem as urnas (as físicas, já que a votação por correio começou há mais de uma semana) para a eleição do novo Presidente dos Estados Unidos da América.

Desde há alguns meses tenho tido o privilégio de receber as crónicas de um grande amigo, radicado por agora na Flórida, interessado seguidor do processo eleitoral americano e, declaradamente e desde o início das Primárias do Partido Democrata, convicto apoiante de Barack Obama. Ex-deputado às nossas Assembleias Constituinte e da República, durante muitos anos (no pré e no pós 25 de Abril) interveniente político e cívico, ex-militante partidário, possui a experiência para melhor percepcionar o intricado mundo político norte-americano. 

Para os que sentirem a tentação de não esperar pelas notícias matinais e resolverem seguir noite fora o desenrolar da noite americana, aqui ficam algumas dicas enviadas pelo Fernando Sousa Marques:



1. Na costa leste (New York, etc), quando as urnas fecharem às 19h00 (24h00 em Portugal), serão mais 3 na costa oeste (California, etc). Isto significa que os resultados finais (ou as previsões fundamentadas) se saberão mais cedo na costa leste.

2 Os resultados eleitorais saber-se-ão à medida que as urnas forem fechando, os votos forem sendo contados, até poder haver extrapolações fiáveis que permitam às diferentes televisões e meios de comunicação social anunciar o previsível vencedor (neste caso, o candidato que conseguir mais de 269 votos no Colégio Eleitoral).

3 Se ambos tiverem 269 votos e se, no Colégio Eleitoral, votarem de acordo com a sua anunciada posição, haverá um empate. Neste caso, o desempate será feito na House of Representatives (câmara baixa do Congresso, formado pelo Senado e pela House). Isso significará a vitória de Obama, tendo em conta que há uma clara maioria de democratas na House.

4 Há cinquenta actos eleitorais (um em cada Estado). Para efeito deste Guia vou considerar, apenas, 31 Estados: os 23 em que Obama tem praticamente assegurada a vitória (ver Anexo 1) e os 8 principais em que o resultado eleitoral ainda não é certo (3 em que parece haver uma vantagem confortável para Obama, 2 em que o mesmo se passa com McCain e 3 em que há um "empate técnico", isto é, em que as diferenças nas sondagens são inferiores ao erro).

5 O que mais interessa ter em conta, à medida que se forem sabendo resultados, é o que se passa nestes 8 Estados. Claro que poderá haver sempre uma ou outra surpresa em qualquer destes 31 Estados, ou nos 19 restantes (por exemplo, não é certo que McCain ganhe North Dakota, Montana, Arkansas, Alabama e, até, imagine-se, o "seu" Estado de Arizona, onde a família Goldwater - Barry Goldwater foi candidato presidencial em 1964 e um dos mais conhecidos senadores do Arizona - anunciou o seu apoio a Obama!).

6 Nos 23 Estados referidos no ponto 4 e enunciados no Anexo 1, Obama somará 257 Votos Eleitorais(precisa de 269 para empatar e 270 para ganhar).

7 Ficam a faltar-lhe 13 Votos Eleitorais para conseguir garantir a sua eleição.

8 Vejamos, então, quais os 8 Estados cujos resultados mais interessam para se saber, o mais cedo possível, quem vai ganhar estas eleições presidenciais.

9 Com urnas a fechar às 19h00: Pennsylvania (21 Votos Eleitorais), Virginia (13), North Carolina (15), Georgia (15) e Florida (27). Uma hora mais tarde fecharão as urnas em: Ohio (20), Indiana (11) e Missouri (11). Se Obama ganhar qualquer dos 5 primeiros Estados referidos no ponto anterior, terá assegurado a maioria no Colégio Eleitoral, às 19h00 (isto é, à hora em que for possível ter extrapolações fundamentadas). Isto é, basta ganhar a Pennsylvania, ou a Virginia, ou North Carolina, ou a Georgia, ou a Florida.

11 Se McCain ganhar todos estes 5 Estados, Obama poderá ganhar as eleições se ganhar em Ohio, ou, perdendo Ohio, ganhar, simultaneamente, em Indiana e no Missouri. Estes resultados saber-se-ão uma hora mais tarde.

12 Se Obama perder todos estes 8 Estados, McCain será, muito provavelmente, o vencedor.

13 Se Obama ganhar um destes 8 Estados, será, muito provavelmente, o vencedor.

14 Face a tudo isto, a noite eleitoral poderá ser curta: antes das 21h00 (costa leste), 1 da manhã em Portugal, poderá vir a ser anunciado o futuro Presidente dos EUA. Ou uma ou duas horas mais tarde

15 Mas também poderá acontecer que tudo se prolongue pela noite dentro e, até, quem sabe, pelos dias e semanas seguintes. Recorde-se 2000 (Al Gore, versus Bush) e a embrulhada que foi a contagem de votos na Florida.

16 Uma das coisas que está a ser testada é o próprio processo eleitoral nos EUA (...) O sistema foi feito para homens brancos com poder. Foi assim durante mais de um século. Foram necessárias muitas lutas e vontades para que pudessem votar, primeiro os pretos, depois as mulheres, ultimamente os mais desfavorecidos.

ANEXO 1

23 Estados com previsível vitória de Obama (257 Votos Eleitorais).Indico-os por ordem de encerramento das urnas.

Costa Leste (96 Votos Eleitorais): Maine, New Hampshire, Vermont, New York, Massachusets, Rhode Island, Connecticut, New Jersey, Delaware, Maryland e Washington DC.

Uma hora mais tarde (65 Votos Eleitorais): Minnesota, Iowa, Wisconsin, Illinois e Michigan.

Duas horas mais tarde (14 Votos Eleitorais): Colorado e New Mexico

Três horas mais tarde (82 Votos Eleitorais): Washington, Oregon, California, Nevada e Hawaii.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Estado nacionaliza mercearia do Sr. Francisco

A mercearia do Sr. Francisco desde cedo mostrou sinais preocupantes de sustentabilidade. Gestão de stock irracional, encomendas de mercadorias excessivas face à procura, marketing pouco adequado à clientela do bairro, administradores contratados na família sem CV adequado às funções. Na semana passada duas mil unidades de tomate enlatado passaram de prazo e rebentaram em pleno armazém. O golpe foi demasiado duro para a mercearia do Sr. Francisco que se viu obrigada a declarar falência. Não há azar, o Estado nacionalizou a mercearia do Sr. Francisco e vai continuar a haver couves e batatas para todos os vizinhos.

Também o Banco Português de Negócios (BPN) não resistiu à crise financeira e apresenta agora um buraco líquido estimado em 300 milhões de euros. O Banco de Portugal tentou que outro banco privado tomasse conta do prejuízo, mas fontes próximas da administração de um dos principais candidatos confessou ao Viver: "A malta não anda aqui a brincar, não é?", e assim o BPN vai ser nacionalizado pelo Estado Português.

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domingo, 2 de novembro de 2008

Evolução dos Projectos

Por se tratarem de dois projectos em curso muito aguardados, aproveito para partilhar umas fotos da evolução das obras do Parque Oeste e no Eixo Central.






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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Trabalhar bem em 3 lições

Do blogue Death To Rosallis, uma teoria sobre as causas da crise económica.

Ou três fantásticas lições sobre como trabalhar correctamente.

Rir ou chorar. A opção é vossa.

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O Halloween na Alta




Hoje é a Noite das Bruxas. De origem Celta, o termo "Halloween" deriva do gaélico "Oíche Shamhna", "A Noite do Samhain".

Era um festival de Outono, a celebração do final do Verão. Numa cultura que vivia ao ritmo das estações e das colheitas esta era a altura em que os mortos regressavam para visitar os vivos e fogueiras acesas um pouco por toda a parte destinavam-se a manter os seres maléficos à distância.

A comercialização do Halloween começou nos Estados Unidos no princípio do século passado e espalhou-se um pouco por todo o mundo.

Em Portugal, a forte tradição católica impôs o Dia de todos os Santos ou dia de finados. Mas nos últimos dez anos a versão americanizada da Noite das Bruxas ganhou força e já é possível ver, em algumas partes de Lisboa, grupos de crianças a pedir "doçuras ou travessuras". Isto claro, para lá do divertimento dos mais velhos em festas temáticas um pouco por toda a parte.

É claro que as opiniões se dividem:

- Mais uma importação feita por motivos comerciais.
- Excesso de protagonismo da cultura anglo-saxónica.
- Um disparate sem qualquer mensagem positiva para as crianças.

ou um bom pretexto para nos divertirmos?

Deixo-vos um desafio. Contem-nos o que acham do Halloween e, sobretudo, contem-nos como passaram a Noite das Bruxas na Alta de Lisboa.

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A propósito de um editorial do jornal Público

Parque das Conchas, 26 de Outubro de 2008

No dia 29 de Outubro, o editorial do jornal Público escrito pelo seu director, José Manuel Fernandes, tocou no tão falado assunto da crise financeira mundial. Este texto muito bem escrito aborda um ponto essencial que tem passado ao lado da grande maioria dos analistas políticos e económicos. Este editorial com o título “Se os economistas não são oráculos, podemos recorrer aos historiadores?” começa por avançar com a ideia de que o conhecimento do passado nos pode ajudar a evitar cometer os mesmos erros no futuro. Ora, isto encaixa como uma luva na “mão” da crise financeira que hoje estamos a atravessar. Mais do que remediar a situação é preciso tirar a lição do que se passou. No antepenúltimo parágrafo José Manuel Fernandes afirma que “… o ponto agora deixa de ser saber se esta é ou não uma crise financeira devastadora para a economia real, mas o de saber se esta é apenas uma pequena crise se pensarmos no que teremos de enfrentar se não debelarmos alguns problemas planetários de sobrepopulação, crise ambiental e, por que não referi-lo também, falta de lideranças fortes.”. No parágrafo seguinte o director do jornal Público toca, a meu ver, na essência da crise que estamos a atravessar: “…a ideia de que é impossível viver demasiado tempo acima das nossas possibilidades. Ideia que é verdadeira tanto para o sobre-endividamento dos Estados Unidos (ou de Portugal) como para o ritmo a que consumimos recursos naturais vitais. Se a crise não nos chegasse pelo lado da “bolha do crédito imobiliário”, chegar-nos-ia – como já estava a chegar – pelo lado da escassez dos recursos e da nossa recusa em mudar de hábitos ou renunciar a certos consumos (o que sucedeu com o preço do petróleo este Verão pode ter sido apenas uma pequena amostra do que nos espera quando regressarmos, se regressarmos, a uma nova era de crescimento)”.

Na minha perspectiva a sociedade consumista em que vivemos está num beco sem saída. Este modelo do “quanto mais se consumir melhor” está a dar os seus últimos gritos, simplesmente, porque o nosso planeta não vai aguentar o agigantar da “pegada ecológica”. Aliás, segundo o relatório bianual “Planeta Vivo 2008”, divulgado no dia 28 de Outubro, os recursos do nosso planeta estão a desaparecer a um ritmo muito acelerado. Consequentemente, o nosso “cartão de crédito ecológico” está a ficar sem saldo. Segundo as previsões que constam neste relatório em 2030, ou seja daqui a pouco mais de 20 anos, a humanidade vai depender dos recursos naturais de dois planetas. Das duas uma: ou mudamos de estilo de vida ou, em alternativa, de planeta.

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A Cidade no Século XXI - ciclo de conferências

Cliquem no cartaz para melhor ver o programa. Parece aliciante.

[graciosamente enviado por email pela amiga Raquel]

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Os leitores do Viver andam a pé nas ruas da Alta de Lisboa?

Segundo a sondagem recentemente realizada, das 194 pessoas inquiridas,

92 dizem que sim, sem problemas (47%)

35 dizem que sim, mas com algum receio (18%)

24 dizem que sim, mas só de dia (12%)

10 dizem que saem só para ir ao pequeno comércio (5%)

33 dizem que não, que andam sempre de carro (17%)

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Troncos


Por onde anda a razão? Mais prosaicamente, quem é que tem razão?

No presente, a razão, a certeza, fica sempre com o lado vencedor, só o tempo permite esse distanciamento que abranda paixões e permite um discernimento outro, uma desempatia que liberta a investigação desprovida de emoção.

E hoje? Na espuma dos dias o que permite dizer, com alguma certeza, qual o campo a eleger, qual dos lados a apontar, não como vencedor, antes como o que a posteridade ditará como a mais justa, a mais certa?

Hoje à tarde e há bocado em todos os serviços noticiosos televisivos, uma turba hululante e contidamente violenta ameaçou todos os que, publicamente ou na sua imaginação, ao estarem contra a expansão do parque de contentores do Porto de Lisboa, estavam contra o seu trabalho.


Parecia ter voltado aos delírios de 1975 e ao cerco da Assembleia Constituinte, com uma mesma manipulada e ignorante turba a ofender e ameaçar fisicamente (quase) todos os deputados. Faltou ver o Presidente da Câmara a entrar em greve como o Primeiro-Ministro da altura, mas ainda deu para ver um Miguel Sousa Tavares visivelmente perturbado pelo apertão acabado de levar, com a sua tonitruante voz tremelicando adaptada à situação acabada de viver.

E a verdade? E a razão? É a extensão do porto revestida da leveza e inoquidade com que a APL a pinta ou o retorno do divórcio com a cidade que caracterizou a margem durante muitas décadas?

Lisboa pode viver sem porto? Bom, Lisboa pode sobreviver sem porto... Mas não se poderá reformular tudo aquilo de um outro modo, que conjugue rentabilidade com urbanismo? E não nos poderemos entender todos para além deste diálogo de surdos?

Quanto aos troncos... por onde andarão e o que dirão hoje em dia todos aqueles que, de capacete de obra e atrás dos bulldozers acamparam por uns dias em S. Bento?

Mais subtilmente, onde andarão os que incentivaram o cerco de há 33 anos e o que comentarão os óbvios beneficiários da manifestação de hoje? O lumpen é o mesmo, os puppeteers é que são completamente diferentes... Ou não?

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Movimento lança petição contra ampliação de terminal de contentores

Ligação para a notícia no site da RTP.

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Com dedicatória especial para o Pedro Veiga

O vice-presidente da CML anunciou a intenção de voltar a trazer a Volta a Portugal em Bicicleta à cidade de Lisboa.


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FIL – Salão Imobiliário

Terminou ontem (Domingo) mais uma edição da FIL – Salão Imobiliário.

A SGAL esteve presente, com o que na minha modesta opinião e das pessoas com quem troquei impressões, seria dos stands mais bem conseguidos e arrojados.








Considerações estéticas à parte o stand destacava-se do meu ponto de vista dos demais pela qualidade da oferta, pelos recursos disponibilizados (conseguindo sinergias com outras entidades) e coerência da mensagem (contribuindo para reforçar a imagem Alta de Lisboa e não apenas uma soma de partes).

Vanguarda tecnológica: foi apresentado o projecto em curso para dotar a Alta de Lisboa de fibra óptica. Para tal foi criada uma área apoiada por técnicos para explicação e distribuída informação especifica. Para reforçar a imagem de vanguarda tecnológica o Stand tinha incorporado um pavimento interactivo.

Sustentabilidade e qualidade ambiental: foi apresentado o projecto nos Jardins de S. Bartolomeu que se prefigura como o maior condomínio microprodutor de energia do país. Além da informação distribuída foi colocado um painel solar ilustrativo dos 288 que estão a ser instalados sendo novamente apoiado por técnicos para poder dar uma explicação objectiva.

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sábado, 25 de outubro de 2008

Politiquices - O Renault Roadshow

Há alturas em que o silêncio é de ouro.

De acordo com notícia do site do Expresso, as vereadoras Helena Roseta e Manuela Júdice, dos Cidadão Por Lisboa, protestaram em comunicado contra a realização do Renault Roadshow na zona da Avenida da Liberdade.

O movimento Cidadãos por Lisboa lamentou hoje a realização do evento de fórmula 1 no fim-de-semana na Avenida da Liberdade, argumentando que é uma utilização abusiva do espaço público, sem deliberação camarária ou informação aos moradores.
"A Avenida da Liberdade é um espaço que deve estar aberto a eventos cívicos ou desportivos, que não agravem as condições de poluição sonora e atmosférica do local", afirmaram, em comunicado, as vereadoras Helena Roseta e Manuela Júdice.

As vereadoras argumentam que a realização do evento, autorizado pelo vereador do Espaço Público, Marcos Perestrello (PS), dá um "sinal errado" numa altura em que, defendem, deveriam ser propostas "soluções para melhorar o ambiente urbano da cidade".

Helena Roseta e Manuela Júdice recordam que têm pendente desde Junho para apreciação da Câmara uma proposta de "Regulamento municipal sobre Direito ao ambiente urbano e à reserva de publicidade no espaço público", que visa impedir este tipo de utilizações do espaço público que consideram "abusivas".
(ver proposta AQUI)

"Lamentamos ainda que, mais uma vez, esta decisão fosse tomada sem informação aos moradores e sem deliberação do executivo", defendem.

A iniciativa "Renault Roadshow" vai pagar mais de 16 mil euros em taxas de publicidade, 533 euros de taxas de ruído e cerca de seis mil euros pelo trabalho de funcionários municipais de apoio ao evento.

O evento obriga ao condicionamento de trânsito e estacionamento na Avenida da Liberdade, Marquês de Pombal e Restauradores.
Como a Câmara é parceiro no evento, a iniciativa não pagará taxas de ocupação do espaço público.

O vereador José Sá Fernandes também disse não ter "qualquer simpatia por este evento".

Esta súbita perseguição relativamente ao uso do espaço público por privados é um daqueles disparates que só se compreende pela vontade de criar maior volume de clipping de imprensa.

Não é um evento de dois dias, ao fim-de-semana, numa zona que costuma estar morta, que irá transformar ou agravar a qualidade do ar na Avenida da Liberdade. Não incomoda especialmente ninguém, nem causa transtornos de maior ao trânsito porque existem alternativas e tudo se passa fora dos dias úteis.

Quanto a mandar sinais negativos de alguma espécie, bom, é o tipo de especulação e aproveitamento político que se espera de um partido tradicional.

Já no que diz respeito às declarações do vereador Sá Fernandes, bem retiram-lhe mais uns valentes pontos à credibilidade que começa a esmorecer.

O "Renault Roadshow" é um evento que traz movimento ao centro da cidade e é divertido. É publicidade para uma marca? Sim é. Tal como os aviões da Red Bull no Porto ou, se pensarmos bem, o Lisboa-Dakar (promovido pela ASO) ou o Rally de Portugal, ou Euro 2004 e, se forem avante com essa ideia parva, um Mundial de futebol.

Sinceramente vereadoras, só me lembram o Diácono Remédios com estas tiradas inúteis e com pretensões a políticamente correcto.

Ou como diria o outro, o dos Contemporâneos: "Vão mas é trabalhar, fazer rotundas e jardins. Querem é aparecer: ó para nós, somos vereadoras e não gostamos de Fórmula 1 porque faz barulho. "

:) Texto publicado também aqui

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Concurso Teoria da Conspiração "Quem bifou a rotunda?"

Depois de horas de reunião, o júri do Concurso da Teoria da Conspiração "Quem bifou a rotunda?", chegou finalmente a um veredicto.

Houve polémica, membros do júri que faltaram, outros que se levantaram e retiraram da reunião considerando "indignas" as propostas a concurso, outros que aproveitaram a onda para fazer uma aproveitamentozinho bacoco da infantilidade do colega. De nada serviu. O Presidente do Júri é uma pessoa adulta e não vai em fitas. A ordem foi resposta na sala e as votações deram não um, não três, mas dois vencedores. Empatados, no mesmo lugar. Diz-se ex aequo, mas foi preciso ir ao google ver como se escrevia porque ninguém se entendia com a ortografia.

E assim, os vencedores da Teoria-da-Conspiração-mais-marada-sobre-o-desaparecimento-da-rotunda-no-cruzamento-das-dezoito-faixas são:

[rufos..... trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr]

Laura, a deitar as culpas ao Sr. Justino do 2º dto (quem mais poderia ser?)

e

Carlos Moura Carvalho, com uma típica teoria palíndromo que funciona sempre muito bem nestes concursos.

Estão os dois de parabéns! Os prémios, o direito a publicar um post aqui no Viver (sabemos que é fraquinho, mas tivemos de pagar o IMI e a Taxa de Esgotos e foi-se de repente a verba para as medalhas), serão entregues em breve.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Recomendação sobre o cruzamento das 18 faixas aprovada por unanimidade

A recomendação sobre o cruzamento das 18 faixas apresentado pelo CDS-PP na Sessão da Assembleia Municipal de Lisboa de ontem foi aprovada por unanimidade.

Quanto tempo levará agora a vermos alguma diferença naquele cruzamento perigoso?

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O Sol é a Nossa Energia


Para quem possa ainda não ter reparado, desde o início do mês que tem surgido de forma mais recorrente diversas noticias, referências e publicidade à Alta de Lisboa em vários jornais.



Registo com um enorme agrado, que a imagem pretendida para a Alta de Lisboa tenha como fio condutor a sustentabilidade ambiental nomeadamente através da microprodução de energia.

Ainda pela positiva, por permitir aumentar a visibilidade da Alta de Lisboa, a SGAL está presente na FIL – Salão Imobiliário (aberta ao público a partir de hoje até Domingo). Fica a sugestão para visitarem.

Para mais informações:
http://www.imobiliario.fil.pt/

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

A pensar na vida

Comecei a escrever este texto como resposta a um comentário sobre o artigo do Miguel Sousa Tavares. Começou a exceder as dimensões aceitáveis e decidi transformá-lo num post.

Dizia o leitor do Viver na Alta:


"É nestes momentos que me questiono onde andam os demagogos que, em situações idênticas anteriores mas com cores politicas diversas, andavam tão abespinhados a colocar tudo e todos em tribunal!

Será que o poleiro onde estão actualmente ou as casas da Câmara dadas a torto e a direito foram pagamentos suficientes para se calarem e olharem para o lado?

Felizmente vivo fora do país, mas é com tristeza que ouço e vejo todos os dias estas noticias.
Digo que, daqui, os portugueses que optaram por outras realidades e os povos que nos aceitaram, começam a ver o nosso país como a "Republica das Bananas", na qual o compadrio e o favorecimento são as únicas formas de se ver obra feita.

Não que esteja contra a obra feita por privados, aliás, julgo ser essa iniciativa a única que pode trazer alguma actividade e desenvolvimento (pois a do estado é a que vê). Mas ver que esta só consegue algo com favores..."

O problema se calhar está mesmo aí. No capitalismo viciado pelas ligações ao estado. Ou, como se costuma dizer: lucros privados, prejuízos públicos.

Desculpem o tom panfletário e repetitivo mas, o grande problema deste país está na falta de qualidade das elites. E isto já vem de trás.

Os monárquicos do bigodinho retorcido e do fadinho, que empurram para a república a origem de todas as maleitas e tristezas que nos afligem, esquecem que a 4 de Outubro de 1910 o país também estava malzinho muito obrigado, deixado ao abandono por governantes fracos e/ou incompetentes. Os de sangue azul e os outros.

A Primeira República devorou-se a si própria mas, genericamente, foi apenas mais do mesmo.

Depois veio o 28 de Maio e iniciou-se um período que foi sobretudo de isolacionismo. Um finca-pé que nos fez perder todo o século XX. A casinha portuguesa concerteza, o caciquismo, o elogio da ignorância e da subserviência, as colónias. Debaixo da capa inovadora do corporativismo, criou-se um sistema político que não era fascista, nem nacional-socialista, nem nada. Era apenas o que mais se adequava à manutenção do país num casulo. Imutável. Orgulhosamente bimbo.

O 25 de Abril, apesar do revisionismo ridículo de alguns, permitiu a ruptura e trouxe melhorias significativas ao país. E quem vier dizer que não mente ou tem uma falta de memória que aconselha cuidado médico urgente.

A revolução foi positiva mas, como é hábito nas revoluções, não conseguiu mudar tudo. Continua a faltar massa crítica. Capacidade de pensar e agir. De formar alternativas.

Por todo o mundo existem políticos cinzentões, populistas, manipuladores. Faz parte do pacote que vem com a democracia.

Por todo o mundo os gestores estão preocupados sobretudo em obter lucro. Faz parte do pacote que vem com o capitalismo.

Não conheço melhores formas de gerir uma sociedade ou uma economia. As alternativas colocadas em prática falharam de modo dramático nos séculos anteriores.

O pequeno drama nacional é que, por um lado, os políticos são mais incompetentes e centrados nos seus partidos do que é admissível. Por outro, os capitalistas são mais gosmas e menos competentes do que é admissível num mundo em que, como estamos a ver, o capitalista médio já é muito gosma.

O resultado é este:

Falta qualidade na liderança. Qualquer tentativa de mudar de modo profundo e permanente é cortada pelas estruturas partidárias, viveiros de oportunistas e medíocres. Gente chata, com uma verborreia que merece investigação séria de especialistas em linguística e semiótica.

Falta de força na justiça. No modo como são avaliados e punidos os excessos.

Falta de uma opinião pública forte e eficaz. Que obrigue a ter vergonha na cara. Que aponte o dedo às trocas de favores, às casinhas da câmara, aos lugares na administração, aos regressos à política após fracassos provados.

Costumo dizer que não temos de ser perfeitos. Só nos falta um bocadinho mais de eficiência, disciplina e melhor liderança para sermos muito melhores.

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