Viver na Alta de Lisboa: Continuando perto do Eixo Central, temos o Centro Social da Musgueira que é um edifício ainda do antigo bairro e que está por realojar desde 2001. Em que situação é que estamos, tendo em conta a importância social que o Centro tem?
Nuno Caleia: O Centro Social da Musgueira (CSM) tem um projecto desenvolvido na Malha 2 de implantação de um Jardim de Infância, de um ATL e de um espaço lúdico, de lazer, desportivo, que teve as resistências que foram públicas por parte da população da Malha à recepção daquela estrutura e tem algumas questões de sobredimensionamento da estrutura dentro daquele espaço. Não sendo necessariamente uma solução óptima, nós não a quisemos deitar borda fora e continuamos com aquela decisão. Estamos à espreita, no entanto, se existirem outras oportunidades que sejam mais vantajosas para as poder decidir já em vez de as decidir depois. Essa questão foi abordada de acordo com a Vereação no sentido de saber se houver outra localização que seja mais satisfatória para a população e para o CSM do que aquela, é este o momento, porque nós vamos dar ordem para a execução da estrutura. Encontrei um projecto estabilizado. Para mim, havia dois óbices fundamentais: o primeiro era a definição matricial da parcela; o segundo, era que o projecto não previa nenhum lugar de estacionamento nele próprio, o que me parecia excessivo para a Malha que é. Para o desenvolvimento do Eixo Central, o CSM não inviabiliza essa obra. O que não faz sentido é manter uma estrutura que é para relocalizar e eternizá-la naquele sítio.
Viver na Alta de Lisboa: Mas ainda estão à procura de alternativas?
Nuno Caleia: Foram equacionadas alternativas. Mas independentemente das alternativas virem ou não a andar, o que é fundamental é que isso não implique atrasos do ponto de vista da realização. Ou seja que sejam coisas realizáveis no mesmo tempo previsto para o outro. Senão não é uma alternativa.
Viver na Alta de Lisboa: Quanto tempo até ter um Centro Social novo?
Nuno Caleia: Eram 22 ou 24 meses de execução. Temos uma obra de cerca de 2 anos pela frente.
Viver na Alta de Lisboa: Há consciência por parte da CML da necessidade de pensar em colocar o CSM próximo das suas outras valências, por exemplo, o Centro de Dia?
Nuno Caleia: É importante garantir essas proximidades, até por uma questão de gestão do próprio Centro. Ainda que a população que o Centro serve não se resuma à Malha 2.
Viver na Alta de Lisboa: Um dos locais em que pensaram não terá sido o local previsto para o projectado Palácio de Cristal, no Parque Oeste, rejeitado por todos os serviços da CML, e aproveitar essa âncora? Isso tinha várias vantagens: uma delas era a de dar alguma vida ao Parque Oeste, que é um Parque que tem sido criticado precisamente por isso. Tem sido criticado pela pouca vivência, por um vandalismo associado a essa pouca vivência e pelo perigo para os utentes, sobretudo crianças, que podem mergulhar nos lagos e ficar lá presas, como infelizmente já aconteceu. Colocar o CSM aqui poderia dar uma vida muito maior ao Parque e o próprio CSM poderia desenvolver até uma esplanada ou um bar, por exemplo.
Nuno Caleia: Não equacionei essa hipótese. Até porque a Direcção Municipal do Ambiente têm em mãos a perspectiva de lançar as acções no Parque Oeste para que não fique no ponto em que está. Cenicamente é muito bonito, tem alguns atravessamentos, mas não tem um ponto-âncora de vivência, por exemplo. E isto porque a estrutura dessa âncora é periférica em relação ao Parque.
Viver na Alta de Lisboa: Mas a UPAL tem o poder de desenvolver esta ideia e de a levar à CML?
Nuno Caleia: Posso fazê-lo, sim. Eu acho que é uma ideia interessante. Acho que a UPAL tem esse papel, de ser interlocutor e de levar as ideias aos próprios serviços que estão a gerir porque temos a sorte de só nos termos que preocupar com um território muito mais pequeno da cidade. Nesse aspecto podemos criar sinergias para capitalizar ideias. Mas é uma hipótese, sim. Seja para o CSM ou seja para uma função desta natureza. Ou seja, a ideia de aproveitar o Palácio de Cristal para um equipamento desta natureza. Para alem da relocalização deste equipamento e a relocalização da sua função, porque o CSM é uma estrutura que tem utentes e desempenha o seu papel dentro desse tecido e fá-lo com mais dificuldade enquanto está numa situação provisória porque está numa situação precária e poderá faze-lo com mais eficiência numa situação definitiva. Melhor servido de infra-estruturas. Neste momento está assente numa pseudo-via que lhe faz ligação e que é o remanescente da via existente e portanto tem dificuldades, quando se aproxima o Inverno é difícil de lá chegar e compreende-se que não se possa fazer um investimento do outro mundo para garantir aquela ligação mas algum investimento tem que ser feito para que possa viver com alguma qualidade.
Viver na Alta de Lisboa: E o próprio Centro não investe já no edifício porque sabe que é um edifício que está provisório.
Nuno Caleia: Nós temos tido reuniões com o CSM de acompanhamento. Houve agora um interregno. Nenhuma dessas alternativas foram de facto consubstanciadas ao ponto de nós a discutirmos com o Centro Social da Musgueira para ver se seria ou não uma opção. Nós estamos na Malha 2 com um projecto para aquela localização. Esse ponto não foi ainda abandonado mas é importante perceber, mesmo desenvolvendo este projecto e implantando aqui o CSM, perceber se é a melhor hipótese ou se é a única.