sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Centro de Artes de Sines

O edifício surge assim de repente, no fim da malha antiga de Sines, ali ao fundo, como um portal para a parte nova. Ou como um portal para a parte velha, conforme cheguem de um lado ou de outro.

O Centro de Artes de Sines foi desenhado no Atelier Aires Mateus, que viu recentemente um projecto, já aprovado por despacho, ser chumbado pelos vereadores eleitos da CML.



Estão abertas ao público duas exposições que valem a visita. Uma de fotografia de Luís Campos, chamada "Transurbana", com retratos nos subúrbios de Lisboa.

Imagens desoladas, num trabalho de 1994.

E outra, "A Multiplicidade do Vértice", uma mostra de gravuras e ilustrações de Pablo Picasso.




Esta chama-se "Degas sonhando".

Isto podia estar a acontecer na Alta de Lisboa. Existe um projecto de um Centro Cultural (com dois auditórios, desconheço se tem sala de exposições), com selo do Atelier do Siza Vieira, mas que ficou na gaveta porque o PUAL não prevê uma área de equipamentos culturais tão grande. No espaço proposto por Siza Vieira está prevista no PUAL uma central telefónica. Acontece que o PUAL já tem alguma idade e a tecnologia evoluiu desde aí. As centrais telefónicas da altura eram edifícios com área considerável que agora ocupam um chip que cabe na palma de uma mão. Mas na realidade não vamos ter nem uma coisa nem outra. A Central Telefónica porque é obsoleta e já ninguém as constroi assim, e o Centro Cultural porque o PUAL prevê uma Central Telefónica.

Era bom saber que opinião sobre este assunto têm os Vereadores da CML, tal como as forças políticas aqui do Lumiar, não era?

Ler o resto

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Passagem Pedonal de Alcantara Desmantelada

Eu ainda me lembro de como esta passagem pedonal foi apresentada como uma maravilha da técnica e a melhor coisa que apareceu em Lisboa desde os pastéis de Belém. Agora é feia e já não gostamos dela.

Quem é que aprovou e mandou construir isto? Recordam-se?

Ler o resto

domingo, 24 de agosto de 2008

Calvanas

A parte oriental deste bairro já está praticamente demolida:

24Agosto2008-57

24Agosto2008-56

24Agosto2008-53

Restam apenas algumas casas na parte ocidental:

24Agosto2008-62



Estes "spotters" mereciam um lugar adequado para a observação dos aviões. O plano de urbanização da Alta de Lisboa deveria incluir um local adequado a esta actividade...

24Agosto2008-64

Ler o resto

Inquérito ao atropelamento


O inquérito arrasa tudo e todos. Mas estarão prevenidos riscos futuros idênticos? A pintura de uma passadeira e a colocação de um semáforo tornará mais seguro o atravessamento pedonal na Azinhaga da Musgueira, em frente à D. José I, mas será suficiente para corrigir uma diagnosticada incapacidade de coordenar, fiscalizar, gerir e até de escrever relatórios de forma inteligível?



Inquérito aponta para descoordenação na CML no caso de atropelamento mortal
24.08.2008, Sofia Rodrigues

Investigação interna não poupa críticas ao desempenho dos serviços municipais e da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa na sequência de um acidente em frente a uma escola


Houve falta de coordenação e de comunicação entre serviços da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a sociedade privada gestora da Alta de Lisboa na intervenção ao nível da segurança rodoviária junto a uma escola onde se verificou o atropelamento mortal de uma aluna, no passado mês de Junho. Esta é a principal conclusão de um inquérito interno da CML, ao qual o PÚBLICO teve acesso, e que foi aberto para apurar eventuais falhas do município no acidente junto à Escola EB 2-3 D. José I, no Alto do Lumiar.

O relatório conclui que "não existem indícios de infracção disciplinar na actuação dos serviços e funcionários", mas não poupa críticas ao desempenho dos serviços da CML e da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa (SGAL), promotora imobiliária privada que é a entidade responsável pelo empreendimento e infra-estruturas daquela zona da capital, à luz de um contrato celebrado com a autarquia.

Num extenso dossier de mais de 100 páginas, o instrutor conclui que houve "faltas de coordenação e de comunicação entre os serviços municipais e entre os serviços e a SGAL".
Segundo o mesmo relatório, os departamentos em causa funcionaram como se fossem ilhas: "Cada serviço agia, apenas, de acordo com a sua óptica do problema, considerando que os aspectos que diziam respeito ao serviço do lado lhes era alheio", lê-se no documento que indica também algum desconhecimento da realidade.

O Departamento de Segurança Rodoviária e Tráfego da CML, por exemplo, "não conhecia o projecto pormenorizado das vias para a área envolvente da Escola D. José I". E a Unidade de Projecto do Alto do Lumiar (UPAL) - serviço da CML com objectivo de assegurar a gestão e a reconversão urbanística da zona - "não conhecia a calendarização da abertura do lado sul da avenida" onde se situa a escola (em obras antes do acidente) e que alterou as condições de circulação no local.

Foi também apurado que "a generalidade das infra-estruturas do Alto do Lumiar não estão a ser recebidas pela câmara municipal, apesar de estarem em funcionamento", o que leva a uma "indefinição jurídica" sobre quem é responsável pela sua manutenção.

Os resultados do inquérito denotam também "falta de funcionários em quantidade ou qualificação suficientes para assegurarem algumas funções importantes." No Departamento de Segurança Rodoviária e Tráfego, por exemplo, o técnico responsável pelo Lumiar e outras zonas próximas declarou ser um aprendiz e "nunca ter exercido" as funções.

A comunicação por parte dos serviços também é criticada: "Na generalidade, é pouco clara e, frequentemente, não indicativa do que se pretende".

Por último, o relatório conclui que a intervenção da UPAL é "essencialmente gestionária". O director desta unidade reconhece no inquérito que o acompanhamento à urbanização do Alto do Lumiar é feito numa "perspectiva de gestão e não de fiscalização, que seria impossível".

Perante este relatório, o presidente da CML, António Costa, determinou que fossem executadas as obras propostas pelo autor do inquérito para melhorar a segurança rodoviária na zona envolvente da escola. Em despacho, de 22 de Julho, Costa determina que as intervenções devem estar concluídas até ao início deste ano lectivo, e avisa que "não devem ser adiadas por dúvidas quanto ao âmbito da responsabilidade entre município, SGAL e Estado". As obras recomendadas estão em andamento, segundo a assessoria de imprensa da CML. A SGAL, contactada pelo PÚBLICO, não se quis pronunciar sobre o relatório.


Escola pediu "encarecidamente" uma passadeira
24.08.2008

Em meados de Abril, cerca de dois meses antes do acidente mortal de uma aluna de 15 anos, o director da escola EB 2-3 D. José I enviou uma carta aos serviços da Câmara Municipal de Lisboa a "pedir encarecidamente" a colocação de uma passadeira em frente ao estabelecimento.

O alerta consta do relatório do inquérito interno da CML que apurou ter havido outras chamadas de atenção para os riscos que os peões corriam no troço junto à escola, nos seis meses que antecederam o atropelamento. Aliás, segundo o relatório, o troço da avenida Carlos Paredes, onde se situa a escola, "é perigosíssima".

Na carta dirigida ao director municipal de Segurança Rodoviária e Tráfego, o responsável da escola indigna-se com a falta de acessos para os alunos e queixa-se do problema se arrastar "há quatro anos sem resolução".

Foram trocados dezenas de ofícios entre os vários serviços da CML sobre a melhoria da sinalização e das condições de acesso dos alunos à escola, mas nenhuma das diligências resultou em acções concretas no terreno. Até chegou a ser marcada uma reunião entre a UPAL e o Departamento de Segurança Rodoviária da CML para tentar resolver este problema, mas o encontro já se veio a realizar após o acidente.

Existe uma passadeira a 25-30 metros da escola, mas é pouco utilizada pelos alunos, que preferem atravessar em linha recta. Uma das hipóteses mais discutidas entre os serviços foi a colocação de outra passadeira mesmo em frente à escola, mas concluiu-se que era inviável, por ser impossível instalar um gradeamento, já que o portão do estabelecimento de ensino é utilizado por peões e por automóveis. Agora, é parte da solução que vai ser adoptada por ordem do presidente da CML, António Costa.

O presidente determinou ainda que seja estudada a colocação de uma passadeira onde haja melhor visibilidade e protegida por semáforos, tal como recomendava o relatório.

Ler o resto

domingo, 17 de agosto de 2008

Pedro Ornelas (1960 - 2008)


Que merda de notícia, amigo. Tantas saudades nos deixas, tanta tristeza por todas as coisas que ficaram por dizer e por fazer. Desculpa não saber escolher agora as melhores palavras, mas estas coisas custam. Um grande, grande abraço. Até sempre.

Ler o resto

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A thin yellow line

Isto com férias e outras coisas, uma pessoa vai-se esquecendo de dar algumas boas novas. Lembram-se da Av. Helena Vieira da Silva, ali já perto da Quinta do Lambert, que mesmo em frente ao Pingo Doce passava de três faixas para uma por estacionamento abusivo? Parece que já não, com a linha amarela pintada junto ao separador central e alguma vigilância persuaviva dos agentes de trânsito alocados na Superesquadra.

Ler o resto

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Oferta e procura?

(Periferia de Burgos - Julho de 2007)

(Periferia de Burgos - Agosto de 2008)

Apesar dos 13 meses de distância, as fotografias parecem ter sido tiradas no mesmo dia.

De um ano para o outro o cenário pouco mudou: algumas janelas mostram vida no apartamento, mas a maior parte continua por estrear. Apesar desta evidente estagnação do mercado imobiliário, Espanha - como Portugal - continua esquecer-se dos mais elementares princípios de sustentabilidade económica e da relação entre oferta e procura, continuando a construir com alegria edifícios de habitação na periferia das cidades.

Para quem? Quanto vale um produto que não tem procura? Quanto valem agora as casas que outrora obrigaram os compradores a um endividamento de décadas?

Ler o resto

terça-feira, 12 de agosto de 2008

A propósito da ocupação do espaço público

Há uns tempos levantaram-se vozes contra a ocupação de espaços públicos por empresas.

Agora, esta notícia do Expresso, dá conta das normas de segurança impostas pela presença da embaixada de Israel que transformaram uma rua do centro de Lisboa num check-point.

Pergunta óbvia: e mudarem a embaixada para um bunk...er...vivenda, longe de zonas residenciais?

Ler o resto

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Silly Season

O DN escreve isto aqui:

"A 17ª esquadra da PSP, situada na Avenida João Crisóstomo, na zona do Campo Pequeno, em Lisboa, terminou ontem as suas funções naquele local. (...) O efectivo de 42 elementos que ali exerce funções vai ser dividido e passa a trabalhar na 21ª esquadra de Campolide e na 31ª esquadra do Rego, soube o DN junto de fonte policial.
Posteriormente, quando estiverem concluídas as novas instalações na Alta de Lisboa - junto à Divisão de Trânsito, que foi inaugurada pelo ministro da Administração Interna, no dia 22 de Julho -, a maioria do efectivo passará para lá, referiu a mesma fonte, afirmando desconhecer a data em que isso irá suceder."


Quando estiverem prontas? Então elas não estiveram prontas uma série de meses à espera que a PSP decidisse o que fazer com elas?

Ou será que eram apenas as instalações arquitectónicas (espaços, áreas, infraestruturas) que estavam prontas e o que falta é o mobiliário, as cadeiras, os armários, os cadeados da armaria? Mas, segundo o jornal, já há uns meses que a PSP tinha sido avisada da cessação do contrato de aluguer... já sabia que ia "sobrar" uma esquadra... não houve tempo para tratar do assunto, tanto que foi já há uns anos que foram igualmente informados - e consultados - que novas instalações iriam ser construídas na Alta? Não se trocaram cartas em Janeiro entre o Director-Geral e o Presidente da Câmara?

Entretanto lá continua a velhinha esquadra da Musgueira a tentar apagar todos os fogos com o seu carrito diariamente levado à oficina e as motitas defuntas por falta de peças paradas à porta.

É mesmo aquela altura do ano.

Ler o resto

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Qualidade de vida

Estão aí os dias longos e os finais de tarde quentes convidativos a sair de casa.

Se durante o fim-de-semana a praia é o destino mais evidente, durante a semana em que a hora de saída do escritório não o permite, porque não sair de casa e ir usufruir dos espaços verdes aqui tão perto.

Fica o desafio para pegar na bicicleta e ir dar aquele passeio faz muito adiado, seja pelo Jardim das Conchas, pelo Jardim dos Lilazes, ou pelo Parque Oeste aproveitando para percorrer o passeio pedonal (na foto).

Seja de bicicleta ou a pé, com as crianças, amigos ou vizinhos seguramente será um fim de tarde muito bem passado.

Ler o resto

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Fazer o caminho ... caminhando


Escrevo apenas para partilhar estas duas fotos que ilustram bem a dinâmica da Alta de Lisboa.


A dinâmica de uma cidade a crescer a ganhar forma.

As fotos foram tiradas perto acesso ao Eixo Norte Sul.
Num futuro próximo espera-se que venha a existir uma passagem superior a ligar os dois lados do jardim.




Ler o resto

Onde as rosas, senhora?

dois meses, num acidente que tanto teve de estúpido como de evitável preventivamente, perdeu a vida uma criança frente à escola D. José I.
Então? Já há conclusões, está-se à espera da abertura do novo ano lectivo ou chegam as passadeiras pintadas e as micro-lombas longe da escola?

Ler o resto

domingo, 3 de agosto de 2008

Favela Hi-Tech

Faz parte de um dossier do Estadão sobre as Megacidades, na altura em que imagens de satélite comprovam que as áreas urbanas de São Paulo e Campinas se uniram formando a maior mancha urbana do hemisfério sul.

Um dos artigos, sobre o Rio de Janeiro, aborda a influência das novas tecnologias de informação na cultura e modo de vida das favelas.

Ler o resto

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Salas mortuárias abrem guerra entre Sá Fernandes e padre da Charneca do Lumiar

A pedido do Tiago, ausente de férias numa ilha do pacífico, aqui fica a chamada de atenção para a diferença de opiniões entre o pároco da Charneca do Lumiar e o vereador Sá Fernandes da CML.

O conflito tem a ver com a construção de duas salas mortuárias em terrenos municipais. A Igreja Católica pretende que existam símbolos católicos nas salas e o vereador diz que os espaços terão de estar abertos a qualquer culto e por isso despidos de simbologia, seja ela qual for.


Ler o resto

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A Oeste nada de n0v0

Há duas semanas, o Pedro Veiga deu aqui novas das obras que decorriam na Azinhaga de S. Gonçalo, mais conhecida pelo FUNIL desde que passou a escoar o trânsito com destino e proveniência da saída da Norte-Sul. Malhas que a falta de planeamento (ou vontade de planear) da CML tece...


Como é bem visível, o cartaz anunciava o dia 28 de Julho como terminal da interrupção.

O que não referia era o motivo das mesmas. "Para a execução do alargamento e implantação de um novo piso", pensava eu e deverão ter pensado todos aqueles obrigados a uma volta ao bairro para substituir o trajecto de 40 metros entretanto obstruído.

Engano, puro engano.

Aqui publicamos as fotos do antes e depois para possibilitar aos nossos leitores uns minutos de entretém num exercício do tipo "descubra as diferenças":

ANTES (Pedro Veiga)

DEPOIS (Hoje)


Resta-nos esperar, resignados, pela próxima interrupção (que seja antes do começo das aulas!) e pela resposta a este enorme PORQUÊ (porque é que não se fez a obra de uma só vez, porque é que a colocação de um ramal de esgoto leva duas semanas), a qual, como de costume, nunca chegará.

Ler o resto

terça-feira, 29 de julho de 2008

Imobiliário em crise?

Crise no imobiliário? Depende de quem faz - ou comenta - a notícia.

E a notícia da SIC há bocado era a de que os bancos estão a apertar as malhas do crédito, reduzindo o valor dos apartamentos avaliados. Resposta pronta do presidente da APEMI (associação de mediadores imobiliários): "Os bancos não podem lutar contra o mercado e vão perder a guerra. O mercado é mais forte do que eles e, se não querem perder o negócio, vão ter e aceitar os preços do mercado". Famous last words?


A questão da veracidade dos valores imobiliários dos apartamentos novos é antiga em Portugal e eu nunca conheci quem a soubesse resolver em definitivo. Existem dois pratos nesta balança: a do efectivo valor (que será o somatório do preço de construção e da qualidade da mesma face a critérios objectivos, por exemplo em comparação com o cumprimento dos regulamentos técnicos e o desvio em relação às áreas mínimas regulamentares arquitectónicas, com critérios de gosto como a localização, o tipo de acabamentos, a imagem arquitectónica) e a do afectivo valor (que ultrapassa esses valores e que tem a ver com o valor máximo que as pessoas estão dispostas a dar pelo bem, independentemente do seu custo).



Ora até à crise do mercado americano, a todos interessava apenas o valor afectivo dos apartamentos: aos vendedores dos terrenos porque lhes garantia um maior valor pelos mesmos; às autarquias porque lhes possibilitava aumentar os valores das taxas municipais; aos promotores porque lhes aumentava a margem de comercialização; ao Estado porque lhe permitia aumentar igualmente as receitas; aos bancos porque lhes aumentava consideravelmente o valor de negócios e os consequentes lucros... e até aos compradores porque a evolução especulativa dos preços lhes permitia obter, ao fim de poucos anos, mais-valias que lhes pagariam a troca por um apartamento maior.


É claro que, estando o crédito mal-parado a aumentar e o mercado de venda a estagnar (porque a população não aumenta e se continuou a construir como se tivéssemos um aumento da população citadina igual ao da China e porque, principalmente, se estancou há uns anos o crédito jovem, origem de todo o ciclo evolutivo de troca de casa que sustentava o mercado), os bancos resolveram moderar-se no seu ímpeto porque, ao contrário do que o senhor apemi quis fazer crer, sabem muito bem como se faz negócio.


Temos assim um mercado a começar a retornar a preços mais consentâneos com a realidade do construído - o que poderá proporcionar uma oportunidade aos investidores que queiram constituir um portfolio de fogos para arrendamento (faltará depois resolver o problema da expulsão dos inquilinos incumpridores mas isso é outra história).


Corre-se apenas um risco - a que eu pessoalmente gostaria de assistir - o da maioria dos endividados se aperceber que devem mais ao banco do que o que o seu apartamento alguma vez poderá valer e que será financeiramente mais atractivo devolvê-lo à entidade emprestadora e passar à condição de inquilinos num outro fogo.


Ora aí está o que seria um verdadeiro imposto Robin Hood - finalmente os ricos, exploradores da classe média, a terem o castigo que merecem.

Ler o resto

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O gueto - mais visões sobre reabilitação e integração social

E um texto algo longo mas bem escrito e estruturado. Mais um modo de ver estes temas da integração e dos bairros sociais. Está no Deictico, um blogue normalmente mais virado para o marketing e a publicidade mas que não foge a outros assuntos.

Ler o resto

LISBOA

Qual é a nossa relação com a cidade? Comemos e calamos, indiferentes na nossa ignorância arquitectónica, distraídos nos nossos prazos diários, acomodados nas nossas quatro paredes egoístas?

Legamos ao futuro uma cidade monótona, burocrática, suja, feia.

Importamo-nos com o juízo que os nossos filhos farão de nós ou temos a certeza que eles serão ainda mais indiferentes, mais distraídos, mais acomodados?

Ler o resto

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tudo o que muda hoje na compra e venda de casa

Custos caem 50%, os prazos vão ser mais curtos e há registos que são
eliminados, segundo o artigo publicado Diário Económico de hoje (2008-07-21).

"A partir de hoje os custos envolvidos na compra e venda de casa vão ter uma redução média de 50%. Com a entrada em vigor das novas regras para o registo predial é estabelecida uma descida dos custos e são criados preços fixos e únicos para todas as transacções imobiliárias.
Este sistema permite que os utentes saibam desde o início quanto vão pagar para registar uma casa, as quantias envolvidas nestas operações deixam de ser apresentadas numa lista com várias parcelas que tinham de ser pagas a entidades diferentes.

Ao Diário Económico, o secretário de Estado da Justiça, João Tiago Silveira, sublinhou a importância destas medidas lembrando que “são medidas de simplificação para facilitar a vida às pessoas, para reduzir custos”.

Hoje, entram em vigor vários pontos desta reforma, mas as alterações só ficam completas em Janeiro do próximo ano. Nessa altura, além do fim da escritura pública obrigatória, é eliminada a competência territorial do registo predial, o que significa que os cidadãos e as empresas deixam de ter de se dirigir à conservatória de registo predial onde o imóvel está registado para qualquer operação relacionada com esse bem. A partir de 1 de Janeiro de 2009, todos os actos podem ser praticados em qualquer uma das 337 conservatórias do país.

Das medidas mais emblemáticas destacam-se ainda a criação de balcões únicos. As medidas para o sector imobiliário abrangem as cerca de 250 mil operações que se realizam por ano.

De acordo com dados do Ministério da Justiça, todos os anos são abertos 230 mil processos de compra e venda de casa e cerca de 20 mil transferências de crédito bancário entre entidades."

Ler o resto

Comunitertuliar

"As conversas de café passam-se agora nos blogues", oiço a Teotónio Pereira na TSF. (Teotónio, um dos decanos da arquitectura lisboeta - há uma arquitectura lisboeta por oposição à escola portuense? - autor da minha Igreja - lisboeta - favorita (Sagrado Coração de Jesus) e de obras tão marcantes na cidade como o edifício "Franjinhas" na rua Braancamp.

Pode ser que sim, mas são tão unívocas (mesmo com as caixas de comentários abertas, mesmo com o ocasional mail com a troca - mais a frio - de argumentos ou a concordância dos mesmos).

Comunicar é olhar nos olhos e só assim perceber se a ironia foi entendida como tal e não como afirmação séria, se a firmeza das palavras é fruto apenas da convicção e não da dureza da ofensa, se a contradição da resposta é apenas resultado de conceitos divergentes e não da gratuidade do anonimato.

Por isso pergunto: passaram-se as tertúlias dos cafés citadinos, onde nasceu grande parte da cultura lisboeta (e também da não-cultura lisboeta) para os blogues?

E é esta frágil troca de piropos e piscadelas de olho, de ofensas e desvarios que ocorrem na caixa de comentários o bastante para o considerarmos conversa em vez de prelecção?

Ler o resto

domingo, 20 de julho de 2008

Lisboa Condomínio

Obras paradas...

Lisboa condomínio

Lisboa condomínio

Lisboa condomínio

Ler o resto

Estrada de S. Bartolomeu

São 2 semanas de obras. Está prometido!

Estrada de S. Bartolomeu

Estrada de S. Bartolomeu

Ler o resto

Ao Amor e aos Afectos!


Com chave de ouro temporil e casa compostíssima, encerrou ontem a série 2008 do Cine Conchas.
Objectivos plenamente conseguidos (eu diria ultrapassados), esperamos que desfeito de vez o mito de que há barreiras que não se podem ultrapassar. Se queremos ser ouvidos, basta-nos escutar.
Para terminar, aqui fica este tributo imagético ao tema que norteou o ciclo, ao Amor e aos Afectos.
PS - A partir de Outubro, mais filmes (desta vez com conversas interessantes) no CineCidade. Não percam a embalagem e continuem a disfrutar!

Ler o resto

Estilo de vida

Estilo de vida
Lumiar, 13 de Julho de 2008

Somos um povo "apertadinho". Gostamos de viver com tudo próximo de casa, nem que seja uma auto-estrada. É tão "Zen"!

Ler o resto

Em três anos, um grupo de escolas problemáticas transformou-se num modelo a seguir

Se os males da Quinta da Fonte entravam na escola, a escola tinha de descer ao bairro
20.07.2008, José Manuel Fernandes e Raquel Abecasis (Renascença)

Em três anos, um grupo de escolas problemáticas transformou-se num modelo a seguir


Félix Bolaño conhece a Quinta de Fonte por dentro e por fora. E os seus habitantes também. Como presidente do Agrupamento de Escolas da Apelação, mudou as escolas e empenhou-se em mudar o bairro. O seu trabalho levou mesmo o Presidente da República a visitar a escola para aí falar sobre como, mesmo numa zona difícil, é possível mobilizar os jovens para a cidadania. O que mostra que poucos conhecerão tão bem aquele bairro, os seus males e as suas virtudes como Félix Bolaño.

Ficou surpreendido com o tiroteio da semana passada?
Sim e não. O trabalho de intervenção social só tem resultados a longo prazo e é um caminho com altos e baixos. O que interessa é que se progrida, que não se desista.

As autoridades querem que a população que fugiu regresse, esta recusa-se. O que aconselha?
Para cada problema é preciso encontrar sempre uma solução, e cada problema tem de ser visto como uma oportunidade. Neste caso, a oportunidade é tentar que aumente o diálogo com os que têm mais dificuldade de integração. O que verifico no terreno é que se geraram ondas de solidariedade dentro do bairro e que este está mais disposto a aceitar as pessoas de etnia cigana. Por isso, o problema é eles aceitarem voltar e trabalharmos para fazer daquele bairro um bairro cada vez melhor.

Como é que se trabalha numa zona daquelas?
Há problemas de polícia, há carências sociais (90 por cento das famílias beneficiam de apoios sociais), mas também parece haver quem tenha um nível de vida que não se esperaria encontrar num bairro social...
O meu papel é o de criar, em conjunto com todas as entidades que estão no terreno, oportunidades de inclusão, mesmo para os criminosos. Cada marginal que opta por cumprir com as regras da sociedade representa uma vitória para nós. E, quando isso sucede, normalmente os que se tornam cidadãos cumpridores tornam-se também nos nossos melhores aliados no terreno.

Como é que, em quatro anos, transformou a escola num agente de intervenção social?
Quando aqui cheguei, e formei a minha equipa, deparei com uma escola fechada, que tinha virado as costas aos problemas do bairro. Por isso, o clima do bairro e da escola piorava de ano para ano.

O que se passava na escola?
Indisciplina, agressividade, a percepção pelos alunos de que a escola lhes queria mal...

O que é hoje a Quinta da Fonte? De fora parece um bairro com uma qualidade de construção e do espaço urbano bem superior à de muitos outros bairros sociais...
Sim, porque esteve para ser uma cooperativa de habitação. Mas depois o Estado despejou lá as pessoas desalojadas pela Expo, sem um mínimo de preparação.

Isso potenciou os problemas dos bairros de barracas?
A passagem da horizontalidade de um bairro de barracas para a verticalidade de um bairro social cria sempre problemas se não for bem acompanhada. Num bairro de barracas eu tenho a minha, ao meu lado está um amigo, criam-se comunidades onde os membros se entreajudam. Lá dentro, com os de dentro, nem costuma haver criminalidade. Mas, quando se passa para a verticalidade, as relações de vizinhança desfazem-se e as famílias são colocadas junto de vizinhos que não conhecem, muitas vezes com formas de vida diferentes.

Passaram, entretanto, dez anos...
É difícil recriar esses laços sem uma intervenção adequada. Quando voltei à escola apercebi-me de que a conflitualidade do bairro vinha para dentro da escola.

E como reagiram?
Abrindo a escola à comunidade. Não para pedir, antes para oferecer. Por exemplo: sabendo que a Segurança Social não tem meios, oferecemo-nos para ser interlocutores, para fazer tudo o que fosse necessário como mediadores porque conhecíamos melhor o bairro. O mesmo com a Câmara de Loures e por aí adiante, criando uma rede social com os nossos parceiros...

Que parceiros?

Para além da câmara e da Segurança Social, os clubes, a Pastoral dos Ciganos, a Ajuda de Mãe, os Médicos do Mundo, a PSP. Estas instituições estavam soltas, cada uma actuava pontualmente e de forma dirigista. O que fizemos foi sentar todos à mesa e passarmos a actuar de forma coordenada.

Mas não há choque entre as comunidades de origem africana e as de etnia cigana? O que falhou no vosso esforço de integração?
Integrar comunidades é muito difícil, sobretudo quando trabalhamos com pessoas de etnia cigana, que é mais fechada e a quem não podemos exigir que mude a sua forma de ser e de estar.

Quando o Presidente veio à vossa escola, nas imagens só se viam africanos, não ciganos...
Perto de 90 por cento dos alunos são de origem africana, até porque nos 2.º e 3.º ciclos a etnia cigana tem tendência a desistir da escola e temos feito tudo para a convencer de que vale a pena continuar. Para isso temos de combinar a educação formal, a que o Ministério nos obriga, e a educação não formal, que tem tanta ou mais importância que seguir os currículos.

O que é a educação não formal?
É transmitir competências sociais tão importantes como saber estar em grupo, conseguir ser diferente do grupo, ser capaz de ser minoritário e respeitar os outros, sabendo que os outros o respeitam, conseguir formular um projecto de vida, dizer o que se quer ser quando se for adulto. É também saber resolver problemas de relacionamento, saber pedir ajuda, não ter vergonha, no fundo, responder aos problemas de um bairro onde há muitos ilegais que têm medo e não sabem o que fazer. A nossa preocupação é dar-lhes ferramentas para viverem melhor na nossa sociedade.

E há famílias desestruturadas?

Muitas, sobretudo devido à instabilidade e às exigências do mercado de trabalho. Muitos pais trabalham longe e não podem regressar para as famílias, muitas mães fazem horários nas limpezas que as impedem de estar com os filhos. E há também os que nem estão preparados para ter filhos...

Mães adolescentes?
Sim, muitas, mas isso passa-se em quase todos os bairros sociais. Aqui, como em Espanha ou na Alemanha. Não podemos é ficar agarrados aos problemas. Se conseguirmos dar outras perspectivas de vida às pessoas, elas aderem. Hoje temos ex-alunos que, em vez de ficarem num bar a beber cerveja, colaboram, trazem-nos pessoas, trabalham para a comunidade. Um bairro social tem líderes como não há em muitas outras zonas, e são lideranças fortes. Se conseguirmos que venham para o lado da comunidade, e não para o da criminalidade, são lideranças com um potencial fantástico.

"Não houve nem um conflito étnico nem uma troca de tiros entre gangues"


Ainda há ciganos a viver no bairro, já há jovens africanos disponíveis para acolher os que fugiram. Félix Bolaños acredita na "gente boa" da Quinta da Fonte.

Como explica o que aconteceu?

Primeiro que tudo é preciso saber o que realmente aconteceu. A minha leitura pessoal é que nem houve um conflito étnico nem uma troca de tiros entre gangues. Tudo começou, ao que pude apurar falando com as pessoas do bairro, com uma discussão, quinta--feira à noite, entre um marido e uma mulher que gerou uma confusão; no meio da confusão, um dos que se envolveram estava mais alcoolizado, tinha uma arma e começou a disparar indiscriminadamente. Ora, como outros que lá estavam também têm armas em casa, foram buscá-las para se defenderem.

Mas isso envolveu ciganos e africanos?

O indivíduo que estava alcoolizado era de etnia cigana e, depois do tiroteio, a comunidade cigana ficou à espera de uma retaliação da comunidade de origem africana. Que não houve, só que tiveram medo e saíram do bairro. O que depois aconteceu foi uma pilhagem, pois muitos aproveitaram-se das casas dos que saíram terem ficado vazias. Houve um grupo de delinquentes que o fez ali, como podia ter feito nos melhores bairros. Na sexta-feira os ciganos regressaram, armados, à espera da tal retaliação. Quando chegaram não foram recebidos com tiros, mas quando viram o espectáculo degradante das suas casas pilhadas, foram para a rua e dispararam, mas dispararam contra ninguém. Ninguém do outro lado foi buscar uma arma, e podemos perceber que não houve troca de tiros se virmos as imagens com atenção. Ninguém dispara e se esconde, viram as costas e vão-se embora tranquilamente. Por isso é que digo que não houve troca de tiros: houve um descarregar de raiva da etnia cigana quando viu as suas casas destruídas e roubadas.

Como se conserta o mal feito?

Uma das qualidades que procurámos desenvolver foi a resiliência, a capacidade de enfrentar dificuldades e não desistir, e essa resiliência está a permitir que a comunidade esteja a reagir bem, a dizer que quer um bairro melhor e a fazer uma série de actividades para mostrar que o bairro continua a progredir. Há aqui muita gente boa, honesta, trabalhadora, com capacidade de liderança, e que se está a organizar. O que se pretende transmitir aos que saíram da Quinta da Fonte é que o bairro não é o que apareceu naquelas imagens, antes quer arrancar para uma vida melhor. A população está a ir ter com a etnia cigana, os jovens estão a dizer-lhes para voltarem. Mas claro que ainda há tensão e a etnia cigana tem de querer voltar para o bairro.

Por que é que, mesmo antes destes incidentes, o número de membros da etnia cigana já era muito menor do que há dez anos?
Porque gostam de estar numa posição dominante no seu espaço e, por isso, conforme ia aumento a desproporção relativamente aos africanos, iam-se sentindo menos à-vontade. Mesmo assim, nem todos saíram do bairro: há famílias ciganas que continuaram lá depois dos incidentes, calmas e tranquilas.

A intervenção da escola parece ter-se traduzido mais no apoio a organizações que já existiam, em ter ajudado a coordenar o seu trabalho com outras organizações da sociedade civil e em aproveitar programas que também já existiam. Já se tem escrito que é necessário investir muito dinheiro em bairros como a Quinta da Fonte. É um problema de dinheiro ou de forma de trabalhar com as pessoas?
De forma de trabalhar com as pessoas. É evidente que é preciso dinheiro, mas não tem sequer de vir todo do mesmo lado. Fazemos um desafio à sociedade civil, pedimos o seu envolvimento, e até temos conseguido o apoio de empresas privadas. A participação é o mais importante.

A sua atitude é uma raridade?
Não, mas também não encontro outra forma de actuar numa escola que se encontrava perto daquele bairro social e tinha todo o tipo de problemas. Até por protecção, pois a melhor forma de proteger a escola era conhecer o bairro, interagir com o bairro. Sentimo-nos protegidos pelo conhecimento que temos das próprias pessoas. Para além de acreditarmos que a escola tem de ter um papel líder na sociedade e, especificamente, na sua comunidade.

Ler o resto

sábado, 19 de julho de 2008

Alameda da Música - espaços verdes?

Bom dia,

Sou leitora habitual do vosso blog e aprecio o carácter interventivo e simultaneamente de coesão social que tem. Por isso mesmo, venho pedir-vos o vosso apoio no sentido de denunciar uma situação que se passa no nosso bairro e que se prende com os espaços verdes.

Infelizmente não tenho como documentar a situação em causa com fotos porque não tenho os meios para o fazer, mas conhecendo a vossa determinação, certamente tratarão de o fazer. Trata-se de um pequeno espaço verde junto ao café “Bacano” que já foi objecto de alguns posts vossos. Se tiverem oportunidade, convidava-vos a visitá-lo e constatarem como se encontra absolutamente abandonado com a relva morta, as árvores sem qualquer tipo de tratamento ou manutenção. A rega só hoje começou a funcionar após cerca de 2 meses sem que uma pinga de água saísse dos aspersores. Aspersores. Sistema de rega que permite que a mesma se faça por aspersão, certo? Errado, estes jorram água inundando o jardim e o pavimento em vez de, pelo menos, chegarem às árvores que estão no alto dos montículos e são os únicos seres vivos que teimam em sobreviver.


Naturalmente disto foi dado conhecimento à Junta de Freguesia (anexo os e-mails mais recentes que enviei), mas aparentemente a única medida tomada depois de muita insistência por parte de outro vizinho, foi a rega que funciona tal como descrevi. A mim própria não foi dado qualquer tipo de resposta.

Apelava à vossa intervenção na esperança de que se consiga fazer algo por este espaço que é de todos. Obrigada.

Com os melhores cumprimentos,
Ana Ferreira





Exmos. Senhores,

Como poderão ver pelo e-mail infra, comuniquei-vos uma situação que se passa na nossa freguesia no dia 26 de Junho. Passado quase um mês sem qualquer tipo de resposta ou de acção para resolver o problema abaixo descrito, vejo que o sistema de rega do jardim começou a funcionar esta manhã. Uma vez que a relva por falta de rega secou por completo, não tendo qualquer possibilidade de recuperação, tinha esperança que pelo menos se salvassem as poucas árvores que teimam em sobreviver. Contudo, os aspersores não estão em condições jorrando água e derramando-a sobre o pavimento de cimento que é o que menos necessita de ser regado. Com os aspersores a funcionar desta forma, a água certamente não chegará às árvores.

É lamentável que ninguém venha verificar o estado e funcionamento do material, nem sequer fazer uma limpeza periódica ao jardim que frequentemente acumula lixo sem que as entidades competentes façam alguma coisa por isso. É lamentável que exista uma empresa municipal que se dedique exclusivamente aos espaços verdes dos PER e que os restantes fiquem ao mais completo abandono pela Junta de Freguesia que deveria olhar por eles. Será necessário criar-se outra empresa municipal que trate dos espaços verdes que não pertencem aos PER, confirmando-se assim a incapacidade da Junta de Freguesia de dar conta do recado? Por último, é lamentável que o munícipe se dirija à sua Junta de Freguesia através de um e-mail publicado no respectivo site e não receba qualquer retorno às suas preocupações.

Pergunto: quando serão consertados os aspersores para que a rega do jardim se processe correctamente?

Quando plantarão relva para substituir aquela que deixaram morrer?

Quando cuidarão das árvores existentes que, sem estacas, correm o risco de não sobreviver?

Quando plantarão árvores para substituir aquelas que, também por falta de tratamento, sucumbiram?

Agradeço que me seja dado efectivo retorno a este e-mail e naturalmente algumas respostas às perguntas que aqui coloco.


Com os melhores cumprimentos,
Ana Ferreira

--------------------------------------------------------------------------------

De: Ana Ferreira
Enviada: quinta-feira, 26 de Junho de 2008 23:47
Para: 'info@jf-lumiar.pt'
Assunto: Espaços verdes
Importância: Alta


Exmos Senhores,


Sou moradora no Condomínio da Torre (malha 15.2) e é com profundo pesar que tenho visto o pequeno jardim existente no início da Alameda da Música, onde se situa a Farmácia Alto do Lumiar, degradar-se a cada dia que passa. Já não bastava terem sido destruídas algumas das árvores que aí foram plantadas e serem praticamente deixadas ao abandono as restantes que teimam em vingar, como agora a relva secou por completo por falta de rega.

Como é possível que se trate tão mal os nossos poucos espaços verdes e que têm a difícil tarefa de tornar mais agradável o espaço que os cidadãos habitam? Deixar em total desmazelo, sem qualquer tipo de manutenção estes espaços contraria tudo quanto é política de cidade e sobretudo de bairro.

Por favor façam alguma coisa pelos espaços verdes da nossa freguesia, em especial do Alto do Lumiar que tantas vezes parece estar votado ao abandono e ao esquecimento por parte da maioria dos nossos autarcas.

Na expectativa de ter um retorno a este meu pedido que considero legítimo, apresento os melhores cumprimentos,

Ana Ferreira

Ler o resto

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Moon over Bourbon Street

(Lisboa, ontem)

Com este calorzinho nocturno a - finalmente! - persistir, tudo se conjuga para que as próximas noites de 6ª e Sábado na Quinta das Conchas sejam mais concorridas que Bourbon Street em tempo de Mardi Gras.

Será uma apoteose em cheio para o CineConchas 1.0, justo prémio para os operários da construção que o ajudaram a pôr de pé (e foram muitos! e entusiasmados!) e para suas almas mater, a Ana e o Tiago.

Por isso, vão cedo, deitem-se na relva a ver esta Lua enorme, fumem umas coisas em frente ao altar (ehr... esqueçam a última frase, foi o meu lado Reininho a assomar à janela do blog por breves instantes...) e disfrutem.

Disfrutem a vida, a companhia, o espaço, os filmes e a fortuna de viver num país e num tempo onde, apesar de tudo, se ainda podem fazer e viver coisas assim.

Ler o resto

Respondo porém duvido

Vivemos num país de Pinóquios Oficiais, não por lhes crescer o nariz de cada vez que lhes sai uma mentira pela boca fora (lá se ia o resto das florestas tropicais para acrescentos em madeira exótica) mas por terem a cara de pau de dizer as mais extraordinárias coisas sem que ninguém lhes caia em cima a exigir explicações.

Ainda estou a remoer os notáveis argumentos de ministra e secretário de estado a propósito da melhoria de conhecimentos dos alunos do secundário expressa na subida das médias de exame. Ontem, dei uma vista de olhos a várias provas do 12º ano e pude comprovar à custa de quê essa subida de conhecimentos surgiu. Mais preocupante é o nível que é esperado de quem se apresta ou a entrar no mundo do trabalho ou a entrar no escasso clube (de acordo com as estatísticas europeias) dos licenciados portugueses.

Só alguns exemplos:

1. Prova de Francês - "Iniciação" (o que, presumo, significará para alunos com 3 anos de Francês)
a) Fotografia da montra de uma livraria, com a seguinte legenda (traduzindo) "A sopa dos livros" ; Livros antigos compra-venda

Pergunta por escolha múltipla: "A sopa dos livros é
a)uma biblioteca;
b) um restaurante;
c) uma livraria;
d) uma papelaria"

Se o exame fosse feito para crianças do 4º ano... Não será de esperar que um marmanjo com 18 anos saiba reconhecer a diferença entre uma montra e uma biblioteca ou que, quase só pela fonética, perceba que "livre" é "livro"? Que grau de dificuldade ou exigência de compreensão de um texto numa língua estrangeira é este?

É a pergunta inserida para cuidar que ninguém tenha um zero na pauta ou a expectativa de inteligência é tão baixa que - repito, são alunos com 18 anos - se tem de mastigar a pergunta até ficar nesta papa?

2. Prova de Português
a) "Com a afirmação «esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre» (linha 14), o autor quer dizer que
A. se sentia marcado para toda a vida por aquela frase e por aquela cena.
B. transportava consigo, sempre que viajava, um livro sobre David Crockett.
C. se lembrava daquela frase e daquela cena sempre que viajava.
D. tinha aquela frase gravada na pasta que usava em viagem."

b) "A perífrase verbal em «e ao longo dos últimos anos fui publicando» (linhas 1 e 2) traduz uma acção
A. momentânea, no passado.
B. repetida, do passado ao presente.
C. apenas começada, no passado.
D. posta em prática, no momento."

Pelas alternativas em jogo e pelas frases das quais se procura perceber se o leitor as compreendeu, podemo-nos aperceber da imagem de iliteracia em jovens de 18 anos que os interrogadores têm dos alunos submetidos a exame.

No entanto, o mais extraordinário é este exemplo:

"O uso repetido do nome «David Crockett» (linhas 6, 7, 12-13, 16, 20, 24)
A. constitui um mecanismo de coesão lexical.
B. assegura a progressão temática.
C. constitui um processo retórico.
D. assegura a coesão interfrásica do texto."

Repare-se como se duvida se um aluno percebe o que "ao longo dos anos fui publicando" quer dizer mas se espera que o mesmo saiba exactamente o que um "mecanismo de coesão lexical" ou uma "coesão interfrásica" querem dizer. Notável.

Mais dois exemplos, tirados do mesmo grupo de questões (assinalar como verdadeiro ou falso; "V" para verdadeiro e "F" para falso):

"O segmento textual «Este livro reúne alguns dos textos que mensalmente e ao longo dos últimos anos fui publicando» (linhas 1 e 2) constitui um acto ilocutório directivo."

"Em «molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma» (linhas10 e 11), as formas verbais «molhando», «tratando» e «vigiando» traduzem o modo continuado como a índia cuidava de David Crockett."

No mesmo plano de dificuldade, saber indentificar essa personagem misteriosa que dá pelo nome de acto ilocutório e se o gerúndio traduz ou não uma acção continuada. (Estou a imaginar um examinando a pensar "lá que é uma cena ilocutória, claro, tá-se a ver agora se vigiando é só uma vez ou mais...").

Ainda mais um: "O conector «Porém» (linha 22) introduz uma relação de oposição entre o que anteriormente foi dito e a ideia exposta posteriormente." É aceitável que ainda se pergunte o significado de "porém" a alguém que fala e escreve e lê português há pelo menos 12 anos?

Com este grau de exigência/facilitismo que leitores de textos poderemos esperar encontrar nos serviços públicos e privados de aqui a alguns anos? Se a nossa relação com os serviços públicos são o que são hoje em dia, como será no futuro conseguir o licenciamento de uma obra, ver atendida uma reclamação de impostos ou esperar que um governante/autarca resolva os problemas sob seu pelouro?

Ler o resto

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Corrida, lançamentos e saltos.

A Pista de Atletismo Moniz Pereira já dispõe de instalações de apoio que poderão permitir uma maior dinamização de todo o complexo.
No complexo ficará ainda a sede da Associação de Atletismo de Lisboa (AAL), responsável pela gestão das actividades do espaço.

Situada em frente ao Parque Oeste, a obra representou um investimento da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, de aproximadamente 4,3 milhões de euros, tendo já sido homologada pela Federação Portuguesa de Atletismo (FPA).

A pista de atletismo pretende homenagear o mais carismático treinador de atletismo Mário Moniz Pereira, já agraciado com a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa.

Mais um contributo para reforçar a imagem da Alta de Lisboa e a qualidade de vida de todos os que cá vivem. Que isto nos recorde que o Projecto Alta de Lisboa é acima de tudo uma maratona onde a persistência é essencial.

Até breve

Para quem tiver curiosidade em saber mais, clique aqui e aqui.

Ler o resto

Habemus Submarinum

Hoje foi lançado ao mar o primeiro dos dois novos submarinos que irão integrar a armada portuguesa.

O NRP Paulo Portas foi baptizado nos estaleiros navais de Kiel na presença de baixas, médias e altas individualidades, civis e militares.

Podem ler a notícia completa no Diário de Notícias.

O que é que isto tem a ver com a Alta? Meus amigos, tudo está relacionado...tudo...

Ler o resto