sexta-feira, 30 de março de 2007

Boas ideias para 2007 - Malha 6


Será aqui, nesta faixa de terreno entre o Condomínio da Torre e o Parque Oeste, que irá ser contruída a Malha 6, projecto que deve ser lançado em breve. Só daqui a uns anos teremos enfim concluída esta parte do projecto da Alta de Lisboa, o que irá certamente corrigir o aspecto periférico, marginal e baldio que se vive ainda. Aos poucos esta zona irá sendo mais habitada, o comércio instalar-se-á, mais pessoas circularão nas ruas. Mas ainda faltam uns anos, sim. É assim em todas as cidades que crescem.

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Requiem de Verdi, hoje à noite, no CCB


Se não tiverem nada já planeado para hoje à noite, o Viver propõe uma ida ao CCB, onde pelas 21h00 será apresentado no Grande Auditório o Requiem de Verdi. Sob a batuta de Donato Renzetti, toca a Orquestra Sinfónica Portuguesa, e cantam o Coro do Teatro Nacional S. Carlos e o Coro Sinfónico Lisboa Cantat.

Mais informações aqui.

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quinta-feira, 29 de março de 2007

Finalmente a Extensão do Centro de Saúde?

Já há diferenças no espaço que há quase um ano foi preparado para a transferência da Extensão do Centro de Saúde que existiu durante anos num barracão pré-fabricado. Parece que a ARS finalmente se dignou a pegar na papelada burocrática, já veio colocar uma placa indicativa no local e está a mobilar o centro com o equipamento necessário ao seu funcionamento. Não deve faltar muito para abrir.

Outra nota, que não tem nada a ver com o assunto: Na obras do Centro de Saúde foram colocadas no exterior do edifício placas de betão cartonado em substituição das anteriores que tinham sido vandalizadas. Aguentaram-se uns meses intactas, mais do que o esperado, mas já estão partidas novamente. Parabéns aos projectos de Schwarzenegger pelo auto-domínio; melhorou um pouco. É também mais uma indicação para o Arq. Valssassina e para a SGAL que se calhar é melhor pensar num material alternativo. Mais resistente, talvez...

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quarta-feira, 28 de março de 2007

As cidades e os automóveis

Ontem, na "Ordem do dia", na TSF.

Tenho normalmente o rádio ligado quando estou na cozinha. Muitas vezes não o ouço realmente porque me embrenho nos meus pensamentos ou no que estou a fazer. Mas ontem, na "Ordem do dia" as palavras do Arq. José António Bandeirinha resgataram a minha atenção. Um discurso lúcido que, penso, se vai fazendo cada vez mais. Espero que se vá ouvindo cada vez mais, também. Faço questão de o recomendar a todos. A ouvir aqui.


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Viver no Jornal Metro









O Post "Eixo Norte-Sul" publicado aqui no "Viver" pelo Pedro Veiga no dia 20 de Março foi reproduzido parcialmente na rubrica "O Que Se Diz de LIsboa" no Jornal Metro de ontem.
É sempre bom saber que os jornalistas (tal como os politicos) vão passando por aqui.







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UDAL e Águias da Musgueira empatam a zero

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terça-feira, 27 de março de 2007

Vai uma Ajudinha para preencher o IRS?
























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sábado, 24 de março de 2007

U.D. Alta de Lisboa vs R. Águias da Musgueira

Emoções ao alto. Rivalidades antigas, assumidas pelo Águias, camufladas numa nova roupagem pela UDAL, resultado da fusão do Sporting da Torre e do Desportivo da Charneca, serão vividas intensamente este Domingo, 25 de Março, no Estádio Municipal da Alta de Lisboa, pelas 16h.

O Águias tentará manter-se na liderança do campeonato, mas um jogo destes é de tripla, com desfecho imprevisível.

Até lá, para dar ambiente, fica um fadinho de Artur Gonçalves, sacado aqui.

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Mais árvores nas ruas


Aproveitando o início oficial da Primavera, dia 21 de Março, também Dia Mundial da Árvore, têm vindo a ser plantadas as árvores que faltavam nas ruas mais recentes da Alta de Lisboa. Av. Nuno Krus Abecassis, Av. Sérgio Vieira de Melo, Rua Tito de Morais, são algumas das vias abrangidas.

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sexta-feira, 23 de março de 2007

Eixo Norte-Sul - A maior ciclovia do Mundo!

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terça-feira, 20 de março de 2007

Eixo Norte-Sul

Afinal o eixo norte-sul não irá abrir ao tráfego automóvel na sua totalidade em Abril próximo, porque o troço que falta construir ainda está neste estado de desenvolvimento:

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Cruzamento do eixo norte-sul com a Av. Padre Cruz


Apenas o troço mais setentrional está praticamente concluído:

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A acreditar nas palavras do Presidente da CML é possível crer que iremos ter mais uma inauguração parcial, muito típica do seu estilo.
Se assim for, será mais uma inauguração de “estilo parcial”, a somar a outras como a do parque oeste:

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Parque Oeste, caminho pedonal

Ou da pista de atletismo Moniz Pereira:
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Área das instalações de apoio à pista de atletismo

Esta pressa de cortar a fita sem se acabarem de vez as obras está a tornar-se muito comum por estes lados e ainda não estamos em tempo de eleições!

Só peço aos urbanistas inteligentes da CML que estejam conscientes do que é uma auto-estrada:

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Eixo norte-sul, nó da Ameixoeira

A terminar numa azinhaga:

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Azinhaga de S. Bartolomeu

O aviso fica feito.

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segunda-feira, 19 de março de 2007

A alegria de trabalhar em companhia



O Centro Social da Musgueira sempre foi um projecto de muitos... Desde a sua génese em 1963, quando um grupo de muitos voluntários impulsionados pelo Pe. José Manuel da Rocha e Melo s.j. decide “deitar mãos à obra” e apoiar a população do que viria a ser o Bairro da Musgueira Norte, não mais parou de conquistar simpatizantes e amigos, pessoas conhecidas e anónimas, que têm mantido de pé um ideal e sobretudo, o têm tornado realidade.

A zona da Musgueira integrava, na altura, uma grande área periférica da cidade de Lisboa, deixada livre de construções por constituir zona de protecção ao aeroporto da Portela.

Esta circunstância possibilitou a fixação desde 1961 de um elevado número de famílias provenientes de locais diferenciados. Todas elas vinham de um desalojamento imposto que se prendia com catástrofes naturais (aluimento de terras, incêndios) ou por necessidades urbanísticas (população oriunda da Av. de Ceuta e do Alvito devido à construção dos acessos à Ponte sobre o Tejo). A migração sobretudo do interior centro e norte do país foi também elevada. A ocupação teve sempre um carácter provisório.

As precárias condições de habitabilidade, as carências sociais dos novos residentes e a dificuldade da CML em assegurar a essas famílias condições minimamente aceitáveis, determinou a intervenção de outras entidades, nomeadamente, a do Centro Social da Musgueira.


O Pe. José Manuel Rocha e Melo conseguiu seduzir um grupo de jovens voluntários e juntamente com eles, dedicou-se a ajudar os mais necessitados nas formas mais variadas, desde a reparação de barracas, o fornecimento de refeições, a implementação de Salas de Estudo, a organização de uma Cooperativa de Consumo, até aos mais diversos trabalhos de apoio.

Em 1981, segundo o XII Recenseamento Geral da População, a população residente na Musgueira Norte (bairro com aproximadamente 20 ha) era de 5219 indivíduos, correspondendo a 1364 famílias, das quais 47,5% viviam em barracas. O bairro mostrava elevados valores de densidade populacional e apresentava problemáticas referentes aos actuais flagelos sociais marcados pela pobreza e exclusão social: toxicodependência, baixo nível de escolaridade e qualificação profissional, trabalho precário, agregados sem qualquer ocupação, entre outros.


O Centro Social centrou-se não só na construção e viabilização de alguns equipamentos mas também na mobilização de esforços para sensibilizar as entidades competentes para a necessidade de criar infra-estruturas no bairro. A sua acção nos campos da habitação, saúde, educação, nas actividades sócio-culturais, económicas e religiosas, moldaram profundamente o bairro.

A promoção do trabalho entre as instituições do Bairro, o encontro de parcerias, foi sempre uma tónica presente no dia a dia.

Nunca foi um trabalho isolado. Os primeiros pavilhões de lusalite deram lugar aos actuais edifícios, construídos com a ajuda da população. Os serviços prestados pelo Centro Social foram progressivamente adaptados às necessidades dos moradores, acompanhando a sua evolução. Assim surgiram o A.T.L., as Colónias de Férias, o Convívio para a 3ª idade, a Associação de Cultura e Recreio (com actividades muito variadas), as Actividades de “Porta Aberta”, os Campos de Férias, os Campos de Férias Familiares, o Atendimento Social e a Catequese (década de 60). Depois surgiu o Jardim de Infância, e mais tarde o Centro de Dia para os idosos (1985) e o Serviço de Apoio Domiciliário aos acamados ou dependentes (1989). Em 1987, funcionaram cursos de formação profissional subsidiados pelo Fundo Social Europeu. O Centro Social proporcionava ainda, reuniões de moradores, com representantes de cada uma das ruas e dos lotes, onde eram discutidas as necessidades mais prementes de cada um e os moradores se envolviam activamente na sua resolução.


Foi também com muitos moradores que começou a ser criado o corpo de funcionários de uma grande equipa que diariamente e até hoje, continua a trabalhar para servir. Para servir bem, com qualidade e com regras, com muito respeito por quem solicita os seus serviços. Sem nunca deixar de contar com o apoio de voluntários e do generoso auxílio financeiro de muitos particulares, o Centro foi-se progressivamente dotando de uma estrutura técnica profissionalizada. Mais uma vez, são muitos braços. Esforçados, dedicados, com a devoção daquele que sente que é uma peça valiosa numa grande engrenagem. Mas como quem corre por gosto não cansa, são conhecidos e reconhecidos pela sua alegria no trabalho.

A missão continua a ser a mesma: a promoção social e humana, a capacitação, o desenvolvimento, a aprendizagem em conjunto, a integração.

A realidade é que felizmente mudou. A Musgueira, sinónimo muitas vezes de degradação e marginalidade, já não existe. Deu lugar a condições dignas de habitabilidade, a uma cidade nova que obedece a um plano urbanístico, e que quando finalizada, será ela própria uma referência. Os seus antigos moradores têm hoje outras oportunidades e enfrentam desafios novos. Certamente as mudanças são muitas e requerem algum tempo de treino, mas têm a oportunidade de tentar... O Centro Social da Musgueira continua apostado nessa tentativa de desenvolvimento, de integração. Assim, continuará a adaptar as suas respostas sociais às necessidades de cada momento, dirigidas agora a uma população, não da Musgueira, mas da Alta de Lisboa.

Actualmente, e desde 1987, é presidido pelo Pe. Afonso Herédia, s.j.. Conta com 100 crianças no Jardim de Infância e 20 no ATL. O Centro de Dia acolhe diariamente 60 idosos e o Serviço de Apoio Domiciliário apoia 50 dependentes. No trabalho com os jovens, dinamiza uma Mediateca com múltiplas actividades de educação não formal dirigidas a cerca de 200 jovens e proporciona Salas de Estudo a 50 jovens que encontram um apoio escolar do 5º ao 12º ano. O Centro mantém também, um serviço de atendimento social à Comunidade e promove campos de férias, acções de formação e inúmeros projectos.

Todas as actividades em curso são comparticipadas pelos utentes, à medida das suas possibilidades. Este factor, além de uma questão de sobrevivência, corresponde desde a primeira hora a uma filosofia e pedagogia da Instituição.

O Centro Social da Musgueira enquanto Instituição que se quer ao serviço de uma comunidade, vive no momento um desafio e uma esperança: a de vir a ter as condições que lhe possibilitem dar continuidade ao seu projecto de promoção e apoio social a uma Comunidade, seja ela mais a norte ou mais a sul.

Prolongam-se desde 1995 as negociações do realojamento da Instituição. Apenas as valências de Centro de Dia e de Serviço de Apoio Domiciliário se encontram a funcionar em novas instalações no Bº da Cruz Vermelha desde 2001.


Esta semana foram finalmente colocadas as primeiras estacas que delimitam o terreno onde serão construídas as novas instalações do Centro Social da Musgueira que acomodarão as crianças e jovens. É um momento histórico. E dá a todos, funcionários e utentes, alento para suportar mais um ano o abandono a que foi votado, e as dificuldades no acesso ao Centro que, com verdadeira heroicidade, diariamente têm que ultrapassar.

O futuro será moderno, desafiante, adaptado à nova realidade humana, de integração e desenvolvimento. Um espaço onde todos são convidados a pensar, propor, dinamizar e participar.

E mais uma vez... hoje, tal como ontem, somos muitos. E com muita vontade de fazer bem.

Hoje, 19 de Março de 2007, o Centro Social da Musgueira faz 44 anos.
Muitos Parabéns!

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segunda-feira, 5 de março de 2007

Crise?

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No blog "malha 20.1" há uma referência a esta notícia publicada no Diário Económico:

"Projecto urbanístico da Alta de Lisboa em crise
Stanley Ho despede gestor do empreendimento por não cumprir metas de vendas, por Nuno Miguel Silva

Stanley Ho, accionista maioritário da promotora imobiliária SGAL, demitiu Carvalho Fernandes, presidente da Comissão Executiva (CE) desta promotora imobiliária responsável pela construção e comercialização da Alta de Lisboa, e substituiu-o por Amílcar Martins, apurou o Diário Económico junto de fonte ligada ao processo. Stanley Ho foi buscar o responsável pelo projecto imobiliário de Macau (Nam Van) para ”voltar a dinamizar a SGAL e o projecto da Alta de Lisboa, que nos últimos anos têm perdido embalagem e projecção no mercado imobiliário nacional”, de acordo com fonte do sector.

Além de Carvalho Fernandes, Stanley Ho impôs também a saída de mais um membro da CE, René Souto. Mantiveram-se neste órgão executivo da SGAL João Silveira Botelho, Ambrose So e Miguel Queiroz. Como saíram dois elementos e só foi nomeado um substituto, espera-se nova nomeação para ficar completa a CE da SGAL.

“A actividade e o conceito da Alta de Lisboa do ponto de vista comercial do imobiliário poderá não ser brilhante e isso deve provocar algum desequilíbrio financeiro face aos avultados investimentos que a SGAL fez e deverá fazer. Mas, mais importante do que isso é que os projectos da Alta de Lisboa não estão a sair como esperado, o que afecta o bom desempenho da empresa, a par dos ‘stocks’ elevados que devem ter para vender e do mau nível de qualidade de que os seus clientes se queixam”, sustém outra fonte do sector imobiliário contactada.

A SGAL foi fundada em 1984, para lançar o maior mega-projecto imobiliário da Europa, com uma área de intervenção de 300 hectares, dos quais 70 para áreas verdes. Previa um investimento de 1.100 milhões de euros – mais de um terço do que custo da Ota – para construir uma “cidade” de 65 mil habitantes.

Mas, já há vários anos que a SGAL não lança projectos. Dos 10 produtos referidos no seu ‘site’, cinco já estão vendidos a 100% e outros dois parcialmente. Face à rarefacção da oferta, a empresa optou por promoções, em detrimento do produto, para escoar o ‘stock’ junto de camadas sócio-económicas de menor exigência. “É necessário lançar mais um ou dois Parque das Conchas [empreendimento da SGAL de topo de gama com grande êxito] para a empresa alimentar a imagem de qualidade que tem estado a perder”, conclui outra fonte do sector."

Algo não vai bem há muito tempo com esta empresa...

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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

O Viver vai ao CCAL - Olhar o Requiem de Verdi


Onde começa e acaba uma obra de arte? Na ideia do criador, na obra em si? Numa arte performativa, uma peça de música ou de teatro, a obra de arte está na ideia, na realização do performer, ou nos dois? Ou a obra de arte só existe na plenitude em cada espectador? Que som faz uma árvore a cair numa floresta, se ninguém lá estiver?



Mors stupebit, et natura,
Cum ressurget creatura,
Judicanti responsura.

A morte e a natureza ficarão estupefactas quando a criatura comparecer para ser julgada pelo Juiz.


Nicolai Ghiaurov em Requiem de Verdi, dirigido por Herbert von Karajan.

“Os olhos são a janela da alma”, diz Beatriz Batarda, na entrevista Pessoal e... Transmissível da TSF de 16 de Janeiro de 2007, a propósito de uma metodologia de trabalho recente na sua ainda curta mas preenchida carreira de actriz. Pressupondo o olhar como elemento mais forte de toda a linguagem não-verbal, que exterioriza o que as palavras têm por vezes dificuldade em explicar, interessa a um actor, que não queira ser traído pelo que sente, por vezes em contradição com a personagem aprendida mas talvez ainda não encarnada, aprender a controlar toda a sua capacidade expressiva. O curioso deste processo de aprendizagem é que os olhos não servem apenas para a exteriorização da personagem, mas também, através de todo o trabalho consciente de como olhar, como mexer os olhos, as pálpebras, da dissecação das questões mecânicas, músculo a músculo, um processo de interiorização do papel a representar, tornando-o mais real, mais sentido e verdadeiro, mais verosímil para o espectador, complementando-se ao trabalho de leitura e memorização do texto e da criação intelectual da personagem.



Outro elemento que podemos cruzar é inventariação dos movimentos oculares associados às imagens visuais, auditivas, linguísticas ou cinestésicas, divididas entre evocações e projecções, que são parte de uma corrente da psicologia cognitiva do final do séc. XX, chamada Programação Neuro-Linguística. Trocando em miúdos, defendem os investigadores que as pessoas fazem movimentos oculares involuntários quando acedem às memórias visuais, auditivas ou tácteis. Por exemplo, se perguntar a alguém de que cor é a sua camisola preferida, ela irá provavelmente olhar para o canto superior direito [de quem vê de frente], mas se pedir para imaginar essa mesmo camisola com outras cores completamente diferentes, os seus olhos manter-se-ão em cima, mas agora no lado esquerdo. A diferença de lado esteve na recordação [lado direito] de uma imagem já conhecida e na construção [lado esquerdo] de outra, não existente. O olhar oblíquo para cima está associado às imagens visuais, o olhar paralelo ao chão às imagens auditivas, e o oblíquo inferior às imagens tácteis (cinestésicas) e verbais.



Encaixar tudo isto numa mesma história é talvez um pouco forçado, mas foi o que me apeteceu quando vi Julian Konstantinov, o baixo da versão do Requiem de Verdi dirigida por Claudio Abbado, a cantar o texto mors stupebit. Ao contrário de Ghiaurov, o olhar não é focado num ponto no infinito, mas sujeito a pequenos movimentos oculares.



Cenicamente funciona muito melhor o tipo de olhar do Ghiaurov, em comunicação directa com Deus, talvez sereno, talvez estarrecido, mas incapaz de desviar a atenção do Juiz. Um Requiem é uma missa de defuntos, tema que inspirou diversos compositores ao longo dos tempos, desde Palestrina, Mozart, Brahms ou Ligeti, a compor música para enobrecer a cerimónia. Perde portanto a sua função liturgica quando é executado propositadamente para uma gravação em DVD, ao vivo numa sala de concertos, ou até numa igreja, se o for apenas para a fruição musical. Mas isso não implica que se faça ou ouça a música sem consciência dos seus originais propósitos, mesmo que apenas embrionários. E para compensar essa perda de espiritualidade pelo despropósito do lugar ou alteração da função, serve a encenação para a dramatizar.

Parece-me sem qualquer dúvida ser esta a postura de Nicolai Ghiaurov, consciente do ângulo das câmaras, alertado para as secções de grande angular ou grande plano. Em oposição, a gravação do Requiem pelo Abbado, feita em concerto, está muito mais próxima de uma performance meramente musical do que teatral. Foca muito mais o lado atlético de uma performance musical (que existe em elevadíssimo grau) do que o fingimento da dor que deveras sente.

E o que os nossos olhos vêem reflecte-se não no que os ouvidos ouvem, mas na junção destas duas, imagem e som, com todas as nossas referências, as memórias que temos, conhecimentos ou vivências, umas conscientes e intelectualizáveis, outras escondidas num baú esquecido num sótão escuro, quando esse duplo input é tratado pela complexa rede de neurónios. Quando tudo joga favoravelmente, o resultado pode emocionar-nos ou, senão, ir por aí abaixo no interesse suscitado até à completa indiferença.

Cenicamente Konstantinov perde para Ghiaurov. Vocalmente também, mas isso é outra história. Ou talvez não! Poderá Ghiaurov, com uma voz fácil e de grande potencial inato que, apesar de a desenvolver e melhorar, nenhuma escola lhe poderia dar, concentrar-se apenas na sua relação com a morte e com Deus? Relacionar-se, no fundo, não com a música em si, como um fim, mas com o tema que a inspirou, o confronto do homem com a eternidade e com o Criador, sendo a música então um meio? Estará Konstantinov ainda preso a questões que se queriam como meio e não fim, mas das quais depende o sucesso da missão musical, como a segurança nas notas, a dicção do texto, ou, mais provavelmente ainda, a descontracção da laringe e a adaptação do corpo para o tornar num instrumento ressoador? Não deixa de ser curioso que a maior parte dos movimentos oculares feitos por Konstantinov é para o seu lado direito inferior, precisamente o que está ligado à cinestesia, às sensações tácteis e motoras.

Ou está Ghiaurov naturalmente acima dessas preocupações, por uma rara combinação de características físicas e psicológicas, ou conseguiu, através de uma boa prática de estudo, tornar reflexos todos esses mecanismos, deixando de ter de pensar conscientemente neles, libertando a mente para outros pormenores mais interessantes. Como no plano que se segue, que parece tirado de um filme de Eisenstein. Não sei se foi propositado, ou se a aculturação de Ghiaurov é tão forte que qualquer coisa que faça tem um indissociável sabor soviético.



Oro supplex et acclinis,
Cor contritum quasi cinis.
Gere curam mei finis.

Prostrado ante Vós, suplicante, com o coração esmagado, como reduzido a cinzas, Vos imploro, ó Senhor, que tenhais piedade de mim no momento da morte.

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Carmona "petiscou, prometeu e não cumpriu"



Carmona "petiscou, prometeu e não cumpriu"
Marina Almeida
DN, 25 de Fevereiro de 2007


Os moradores da Rua Pedro Queirós Pereira, na Alta de Lisboa, estão zangados com o presidente da câmara e saíram ontem das suas casas em burburinho. É que a revitalização desta zona de casas camarárias que Carmona Rodrigues elencou nas 309 medidas do seu programa eleitoral está por fazer. Os 21 lotes, onde vive cerca de um milhar de pessoas, expõem a degradação de quatro décadas sem qualquer obra de manutenção.

"A recuperação dos prédios foi uma das promessas da campanha. [Carmona Rodrigues] veio cá, ofereceu bolas de futebol, petiscou na nossa associação, prometeu e não cumpriu", recorda José Machado, um dos organizadores do protesto. "Já é uma luta muito antiga", diz José Bandeira, da comissão de moradores da Rua Pedro Queirós Pereira. Residente no lote 3, diz que "a câmara não gastou aqui dez tostões" em conservação e aponta os perigos da degradação: da fachada do seu prédio já caíram "duas ou três vezes" pedras que danificaram carros estacionados.

Mas todos os manifestantes têm reclamações. Muitos queixam-se das infiltrações e do mau estado dos prédios, que "nunca viram tinta", outros do esgoto a céu aberto que se forma no exterior de alguns lotes quando as fossas atingem o limite.

Foi nos 225 apartamentos da Pedro Queirós Pereira que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) fez, há 36 anos, o realojamento do Bairro da Musgueira. Hoje, de acordo com os moradores (uma população maioritariamente idosa), 92 fogos são da Gebalis, 129 foram "alienados". Contactado pelo DN, o gabinete do vereador responsável pela Acção Social da autarquia, Sérgio Lipari Pinto, apenas disse que a grande maioria dos fogos já não é nem da CML nem da Gebalis, remetendo outras informações para a próxima segunda-feira.

Talude amplia protestos

O descontentamento dos munícipes agravou-se nos últimos três anos, quando o acesso à Rua Helena Vaz da Silva foi cortado, deixando inacessíveis ao trânsito automóvel os lotes 20 e 21. Idalina Santos mora no prédio pendurado sobre o morro que então se criou, com vista para os prédios novos que dão fama à Alta de Lisboa que as imobiliárias promovem. "Já viu o que é a velhice toda aqui? É o fim do mundo", diz a septuagenária.

Nos últimos meses foi feito um talude em tons ocre que alindou o bairro social, visto dos prédios novos. Quem sobe as escadas encontra a degradação. "Até podemos ter vaidade dentro de casa mas na rua é uma porcaria", desabafa Odete Costa, uma das arrendatárias da CML.

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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

1º Passeio de Bicicleta da ARAL

























Uma boa maneira de falar sobre o nosso bairro e de conhecer a ARAL, estão todos convidados!

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Centro Social da Musgueira

Este post está em dívida há semanas, senão meses. Tomei contacto com o Centro Social da Musgueira desde que foi feita a exposição das memórias no Parque da Conchas, já lá vai quase um ano. Um evento organizado por várias entidades que trabalham no campo social nesta zona, que revelou muito carinho, muita saudade, que suscitou nos visitantes, nos que aqui viveram e têm ainda memórias desse passado muito recente, muitas reacções emotivas, muitos sorrisos tristes, muitas lágrimas, muitas explosões de gargalhadas naquele revisitar colectivo às ruas improvisadas, às barracas de familiares e amigos, às histórias passadas naqueles locais.


Fiquei a saber que o Centro Social da Musgueira operava no bairro há décadas, fazendo um trabalho meritório que abrange toda uma população desde os 3 anos de idade, com o Jardim de Infância, continuando a dar apoio às faixas jovens com um ATL, salas de estudo e explicações dadas por voluntários, uma Mediateca, acabado por assegurar também o funcionamento do Centro de Dia para a 3ª idade, além da assistência a acamados em casa. É uma luta diária para fazer esticar ao máximo os parcos recursos que tem.

Prometi na altura uma visita às instalações do CSM, que fui muito portuguesmente adiando, até que meses depois apareci. Visitei então o Jardim de Infância, guiado pela Ana Barata, a directora do CSM, que me deixou boquiaberto com a qualidade do trabalho feito com as crianças dos 3 aos 6 anos. Fiquei de escrever sobre o Centro Social, e sobre o JI. Mas mais uma vez, sempre querendo encontrar, em vão, uma qualquer forma perfeita para o fazer, o constante adiar.


Tive de desistir. Mais vale dizer qualquer coisa, mesmo correndo o risco da banalidade, que pelo menos informe, do que andar meses à procura de algo que me transcenda. Há quem diga que todos nascemos com um potencial infinito, mas que o vamos perdendo com o passar do tempo, por erros na educação, oportunidades perdidas, experiências de aprendizagem pobres, etc. Foi o que me aconteceu. Mas, enfim, limitadinho mas esforçado, cá vai então o que vi.


Uma das coisas que mais me fascinou foi o método pedagógico aplicado no Jardim Infantil, uma mais-valia recente que está a ser supervisionada por dois pedagogos conhecidos, mas cujos nomes não me recordo, algures de Braga. Vi crianças sossegadas, atentas, numa rotina diária de planear actividades, executá-las, e, depois de arrumar brinquedos, livros, papéis, pincéis e tintas, relembradas, recapituladas e ainda explicadas aos colegas. Gostei de ver essa consciência pedagógica nos educadores, de dar tempo e espaço a cada criança para se desenvolver, deixando-a aparentemente livre à sua vontade, mas conduzindo-a na descoberta de coisas tão triviais como o que são os vulcões, o que é o gelo, o vapor, a chuva, as várias espécies de elefantes que habitam o planeta, porque hibernam as tartarugas ou quem foi o Picasso.



É inesgotável a dedicação e entrega que têm cada uma das professoras, que planeiam dia após dia as actividades de grupo, fazendo ainda, no final de cada dia, um resumo do que cada criança fez, que juntam aos dossiers individuais de cada aluno, com fotografias, histórias, momentos especiais nos seus processos de aprendizagem. Autênticos livros, garanto-vos, ferramentas pedagógicas no presente e futuro próximo, e, daqui a uns anos, uma memória inestimável para cada uma daquelas crianças, que muito provavelmente nenhum de nós tem.

Muito boa é também a preocupação de levar as actividades praticadas na escola a casa a casa e à família, envolvendo-a, prolongando assim o processo de aprendizagem, reforçando-o ainda por o transformar também num processo de ensino, aliás como na fase diária em que um aluno expõe aos colegas o que o ocupou nos minutos anteriores. Vi fotografias de momentos lindos, como o de uma mãe de uma aluna que veio um dia contar uma história popular de Cabo-Verde e que desenhou e pintou uns fantoches para melhor ilustrar a história.

E lá está, fiquei com a sensação, nas semanas que se passaram desde que vi tudo isto e me propus divulgar o trabalho no blog, que se tivesse tido uma educação assim teria conseguido escrever melhor e mais depressa, sem este constante adiar. Esta planificação de curto, médio e longo prazo, bem feitinha, é coisa que se fala nos corredores da pedagogia há muito tempo, mas raramente a vi aplicada. Os objectivos de curto prazo, por trazerem resultados rapidamente, são etapas essenciais na aprendizagem, pelo que fazem na motivação e auto-estima. Por serem uma experiência bem sucedida, suscitam vontade de a repetir. Por serem processos curtos, rapidamente executáveis, a vontade de os repetir é facilmente satisfeita. Planear, executar, atingir o objectivo planeado, e recapitular o processo. Tive experiências de aprendizagem destas, mas não de uma forma tão intencional, tão frequente que pudesse criar rotinas. Infelizmente.

Acabei por convidar a Ana Barata para colaborar no blog. Respondeu que não tinha tempo para o alimentar como gostaria. Insisti, aliviando-a por não haver qualquer obrigação editorial. Ficou de pensar. No dia seguinte voltei à carga e ouvi dizer que o convite era lisonjeador, mas senti ainda algum receio. Modéstia injusta e injustificável. Trazer para o blog alguém que realmente faz alguma coisa prática em campo é uma honra maior para nós. Lisonjeador é que o convite seja aceite, Ana, e possas trazer, sempre que quiseres e quando puderes, as histórias que conheces, a experiência acumulada, que acrescentes aqui algo que nos é impossível dar. Porque o trabalho que o Centro Social faz diariamente merece e devia ser conhecido por todos.

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Boas ideias para 2007 - Limpeza assídua das ruas e espaços públicos

Esta é uma daquelas "simples", que não depende de expropriações de terrenos, nem da sincronização de várias entidades, nem de verbas massivas que, afinal, já (ou ainda) não existem. Depende da vontade da CML. E não acontece porque a limpeza das ruas da Alta de Lisboa não é uma prioridade para o director da UPAL, segundo refere uma reportagem do Público em Agosto passado.

Pessoalmente, acho isto uma vergonha. É das coisas que mais me custa ver quando passo nas ruas. Das coisas que mais me custa, também, que os outros vejam, quando recebo amigos em casa: cacos de vidro no chão, ecopontos a transbordar, sacos plásticos a esvoaçar em dias ventosos, qual cidade fantasma, abandonada.

Não sou concerteza a única pessoa desgostosa com a situação. Já foram feitas várias acções de limpeza levadas a cabo pelos moradores. Como esta, e esta. E, ainda assim, a situação parece perpetuar-se, sacodindo-se a água de sucessivos capotes, ou porque os espaços não estão entregues, ou não estão recepcionados, ou não vale simplesmente a pena porque está tudo em obras e vai sujar-se de novo. Gostava que, em 2007, se alterasse esta mentalidade. E, ainda que não seja responsabilidade da SGAL, eu trocava a empresa de segurança privada, por uma empresa de limpeza privada. Fica a ideia.

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Moradores da Rua Queirós Pereira Protestam
























O Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL) engloba também a Quinta do Lambert e o Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar. Neste último bairro, na Rua Pedro Queirós Pereira, os moradores preparam-se para mostrar a sua indignação, é que uma das 309 medidas de Carmona Rodrigues para os 6 primeiros meses de mandato era precisamente a requalificação da zona, até agora passados 16 meses está tudo na mesma.
























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O Viver vai ao CCAL - Requiem de Verdi

A versão do Requiem de Verdi dirigida pelo Karajan, gravada em 1967, tem como solistas quatro Rolls Royce do canto lírico: Leontyne Price, Fiorenza Cossotto, Luciano Pavaroti (muito novo, muito diferente da imagem de velhote barbudo bonacheirão que se mediatizou) e Nicolai Ghiaurov. O coro do Teatro alla Scala é o ponto menos favorável da gravação, mas a direcção de Karajan e a prestação dos solistas tornam esta gravação insuperável nesses capítulos. Ouvi há dias uma outra versão, dirigida pelo Claudio Abbado, que gostava de mostrar para comparar alguns pormenores. Fica para breve. Não querendo falar da música propriamente dita, porque nada do que tenho a dizer acrescentaria grande coisa à audição, aqui fica um excerto do Dies Irae.


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sábado, 17 de fevereiro de 2007

one-way ticket

Fontão de Carvalho acabou por suspender o seu mandato. À semelhança de Gabriela Seara, levou algum tempo depois de conhecida a constituição como arguido, deu a ideia que por vontade própria não saia do lugar, mas depois de reunidos os seus superiores políticos eis-nos de novo perante mais um edificante exemplo de "grande dignidade", como todos os colegas se apressaram a referir.

Ao que parece, quando Gabriela Seara apresentou publicamente a demissão, em conferência de imprensa onde se apresentou acompanhada de Carmona Rodrigues e de Fontão de Carvalho, já este tinha também o estatuto de arguido no caso EPUL, mas apenas o havia confessado ao Presidente da CML. Agora as perguntas são duas: quem se segue na lista de arguidos, e até quando aguenta este executivo?

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

E agora?


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Voto positivo

Nota positiva para a SGAL, que compareceu à assembleia de condóminos da malha 20.1, não inviabilizando as decisões tomadas, abstendo-se para respeitar a maioria dos moradores nas votações, e também pela disponibilidade mostrada em colaborar com os vários grupos de moradores que entretanto tomaram a iniciativa de procurar soluções para diversos problemas. Todos esperamos que essa abertura e bom relacionamento perdurem no futuro.

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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Casas amigas do ambiente - Energia Solar


Mais uma a ler, clicando na fotografia para a ver mais de perto.

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Mário Sua Kay - Edifícios ecológicos


Eles "andem aí". Para ler é clicar na foto.

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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Edifícios amigos do ambiente - turbina eólica

Uma solução para complementar as necessidades energéticas dos edifícios aproveitado a energia do vento.



Via a barriga de um arquitecto

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terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Edifícios amigos do ambiente na Alta de Lisboa


Edifício dos Jardins de S. Bartolomeu. Uma arquitectura catita, casas com um feng shui simpático, muito agradáveis de habitar. Têm a particularidade de ter as fachadas todas em vidro. No Inverno, em dias de Sol, o resultado é magnífico, podendo-se estar e casa de calções e manga curta, quando na rua estão temperaturas inferiores a 10ºC. Pensar uma casa assim é inteligente. Bem isolada, aproveitando a força dos elementos naturais para melhorar a qualidade de vida sem esforço artificial.

Mas o problema é que toda essas fachadas vidradas não têm qualquer protecção exterior, seja toldos ou estores, e o que foi uma bênção no Inverno torna-se uma calamidade no Verão. Registou-se, por quem já habitou as casas em Agosto e Setembro, temperaturas superiores aos 40ºC. Pensar numa casa assim não é inteligente.

Solução conjunta apresentada pelo construtor (SGAL) e atelier de arquitectos (Tomás Rebelo de Andrade) aos moradores do edifício: Ar Condicionado. Ou seja, não se resolve a origem do problema, a exposição directa do Sol da enorme área de vidro, atenua-se antes com uma solução de remendo, com custos económicos altos, danos ambientais graves, e inviável para quem tem problemas de saúde associados a AC. Arrefece-se continuamente uma casa que continuamente está a ser aquecida pelo Sol. É como se quiséssemos arrefecer com cubos de gelo uma panela com água que esteja ao lume, citando uma analogia referente a este problema usada num comentário de um leitor algures.

Em 2007, com tanta informação sobre arquitectura sustentável, sobre crises económica e energéticas, sobre problemas ambientais associados ao consumo de energia, já não devia ser possível usar apenas a incompetência, desleixo e desinteresse para encontrar soluções para problemas destes. Daqui a uns anos, poucos, será insustentável e impensável manter uma solução destas. Será imbecil, se não o é já, e será certamente proibido por lei.

A Alta de Lisboa podia marcar a diferença em mais coisas do que ter um plano urbanístico com virtudes académicas referenciáveis. A SGAL, como empreendedor de todos os edifícios de habitação e escritórios da área, podia desde já pensar nos projectos futuros (e presentes também) buscando soluções energéticas sustentáveis e sofisticadas como painéis solares ou turbinas eólicas, e outras mais arcaicas, mas estupidamente abandonadas, como estendais para secar roupa ou estores para proteger as casas nos meses de maior calor. Como dinamizadora urbana de todo o projecto, e querendo ser tomada e lembrada como empreendedora moderna, com inteligência e raio de visão alargado, em vez de um bando de patos-bravos que apenas se preocupa com o cimento para fazer crescer mais uns prédios, deve exigir aos arquitectos que unam esforços com outros saberes e aliem a beleza das linhas à habitabilidade das casas e do planeta.

Esta é mais uma boa ideia para 2007 e seguintes. É também parte do meu pequeno contributo para a Assembleia de Condóminos dos Jardins de S. Bartolomeu, a realizar na próxima 5ª feira. Já agora, a SGAL aparecer nessa reunião, já que é detentora ainda de grande parte das fracções não vendidas e o quórum mínimo para a deliberação depende dessa presença, seria simpático, também. Seria fantástico se o fizessem também com propostas já concertadas com o Arqº Tomás Rebelo de Andrade que se enquadrem nos já existentes movimentos de arquitectura ecológica.

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Casas amigas do ambiente


Apesar das inúmeras vantagens, a esmagadora maioria dos edifícios construídos em Portugal não tira partido da arquitectura bioclimática.
Texto de Marisa Antunes

São edifícios energeticamente mais inteligentes e, acima de tudo, onde impera a comodidade térmica. Quentinhas no Inverno, frescas no Verão, sem problemas de acústica e ruídos, as casas construídas a partir dos princípios da arquitectura bioclimática só oferecem vantagens — mas, mesmo assim, ainda não conquistaram o espaço que deveriam ter no universo habitacional português.


“Não existe qualquer justificação para que um edifício elaborado de raiz com estratégias bioclimáticas se torne mais dispendioso ou esteticamente menos atraente que outro que não as incorpore. A eficiência energética começa logo na planificação, mais propriamente na fase de projecto, pois recorrendo-se aos princípios básicos da arquitectura bioclimática é possível, sem acréscimos de custos, conceber soluções que proporcionem de forma natura1 o conforto ambiental do edifício, tanto térmico como acústico ou de luminosidade, que de outra forma só seria possível actuando activamente sobre o edifício”, explica o arquitecto Jorge Graça Costa, que foi premiado no concurso de ideias de eficiência energética, ‘International Design Competition Osaka, Energy, Sustainable and Enjoyable Life’, organizado pela Japan Design.

Lívia Tirone, uma das maiores especialistas em arquitectura bioclimática em Portugal, reforça: “Quanto mais a montante e mais cedo se decide que é relevante a optimização do desempenho energético-ambiental do edifício, menos impacto tem esta decisão sobre o custo global da obra”.

Lembrando que “apenas a falta de conhecimento limita ainda adesão dos portugueses a este tipo de a arquitectura”, a responsável do atelier Tirone Nunes salienta que a opção pela construção sustentável tem vantagens inquantificáveis “no conforto e na saúde das pessoas, que por sua vez resultam num menor absentismo”.

Além da “maximização do conforto ambiental (térmico, visual e acústico), interior e exterior” , Livia Tirone destaca ainda a importância da “selecção dos a materiais tendo em consideração a sua durabilidade, (possibilidade de reutilização, reciclagem e impacte sobre a qualidade doar interior”.

Jorge Graça Costa exemplifica com o projecto Jardim de infância e escola básica do Alto da Faia, em Telheiras, da autoria dos arquitectos Jorge Conceição e Rui Orfão, no qual também ele colaborou e que acabaria vencedor do ‘Prémio DGE 2003 Eficiência Energética em Edifícios’.

Este edifício, com 3500m2 de área de construção e localizado numa colina, apresenta uma implantação triangular. “Na sua concepção manteve-se a morfologia do terreno, desenvolvendo-se o edifício sobre pequenas plataformas desniveladas, a fim de manter as cotas existentes e permitir usufruir da insolação e da amp1a vista que o local oferece”, aponta Jorge Graça Costa.

“O projecto da escola foi fortemente marcado pela de optimizar as condições de iluminação natural. Todas as salas de aula estão viradas a Sul, dispondo de amplos envidraçados com adequadas protecções solares interiores e exteriores, o que permite obter níveis de iluminação adequados e evitar situações de encadeamento, promovendo assim o conforto térmico e visual dos utilizadores”, pormenoriza. E lembra que o custo de construção por metro quadrado do edifício enquadra-se na média do custo de construção para aquele tipo de equipamentos.

Nos espaços de duplo pé-direito, além dos vãos a nível inferior foram instalados vãos envidraçados nas áreas superiores das fachadas, permitindo aumentar a profundidade da incidência solar no edifício. Nas fachadas Sul, as protecções solares horizontais permitem reflectir para o interior dos espaços alguma da iluminação natural. No edifício existem também pontualmente soluções de iluminação zenital.

Cuidados de construção que já estão a render. Mais precisamente oito mil euros por ano é o valor da poupança em sistemas de aquecimento e arrefecimento. “Este exemplo comprova que a introdução de estratégias passivas, de modo sensato, na elaboração do projecto de um edifício permite alcançar consideráveis poupanças energéticas”, conclui o especialista.

in Expresso de 9 de Fevereiro de 2007

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Gonçalo Byrne relaciona burocracia com corrupção


Os licenciamentos são um grande problema. A arquitectura sai prejudicada com isso?
A extensão temporal destes processos burocráticos é terrível, porque resulta de uma burocracia e de um sistema formal administrativo que eu creio completamente ultrapassado e que é urgente remodelar. Hoje em dia já quase ninguém contesta isso, o problema é encontrar formas de o fazer. E é um dos problemas centrais que tem a ver com esta questão da regeneração das cidades e da própria reconstrução nas periferias, ou seja, da instituição de um planeamento e de uma acção muito mais dinâmicos. Uma das consequências imediata desta lentidão são os custos económicos dela. Essa lentidão acaba por desencadear fenómenos profundamente perversos quase sem se dar conta disso. A lentidão é um campo privilegiado para a corrupção. Todos nós sabemos que infelizmente é assim. Se as coisas não andam, geram-se condições para que se encontrem alternativas que levam a esse tipo de situações. Falando como cidadão, é uma das áreas mais carentes do país e que passa pela Justiça.


Gonçalo Byrne, em entrevista ao semanário Expresso
de 9 de Fevereiro de 2007, no suplemento espaços&casas.

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Primeira consequência da vitória do SIM - dramática proliferação do aborto político


O social-democrata, Luís Filipe Menezes, considerou hoje que os resultados do referendo sobre o aborto foram "uma enorme derrota" para José Sócrates e "um cartão amarelo" à sua governação. Somando o "enorme absentismo" aos votos no "não", o autarca de Gaia e ex-opositor de Marques Mendes na disputa pela liderança do PSD considerou que "uma iniciativa política do primeiro-ministro é reprovada por cerca de 80 por cento dos portugueses".

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