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A culinária lisboeta é, na sua esmagadora maioria, uma culinária caseira, uma lembrança dos manjares de meninice e das guloseimas maduras dos jantares familiares. Ao contrário de capitais mais ricas, não buscou nem o brilho de palácios nem o fausto de restaurantes dispendiosos de industriais bem-sucedidos. Soube dosear a riqueza que as redes dos pescadores lhe deixava à beira-rio com a diversidade de legumes que a generosidade dos vales envolventes permitia. Descobriu a magia dos refogados; aproveitou os ensinamentos sobre ervas e especiarias que conterrâneos e exploradores lhe ensinaram. Finalmente, soube não esquecer o legado da miríade de conventos que a sua gula alimentou durante séculos.
De tudo isto se fez uma cozinha que, não sendo regional, é a de uma região onde se concentra cerca de 30% da população portuguesa. E onde, com toda a certeza, novos e velhos, migrantes ou alfacinhas de gema, se reconhecem. Em si contém um bocadinho da origem de cada um. E sendo assim, a cada um pertence também. A nós e ao outro que também é nós.
Continuando a perseguir a abrangência, inicia-se assim aqui a construção de mais uma repartição pública na Alta de Lisboa, dedicada – como decerto já perceberam pelo título – à culinária de Lisboa.
A esta hora da manhã não, mas mais logo escolheria Sardinha Assada (já é mês sem r e não é 2ª feira), acompanhada de salada de tomate maduro/pimentos e cebola (da doce), regada com azeite polvilhado com oregãos.
ResponderEliminarOregão acho que não tem plural, mas já está.
ResponderEliminarE acho que tem acento (orégão), peço desculpa. Deve ser de estar ainda meia a dormir.
ResponderEliminarJá sei o que é que me lembra o título do post (que rima com namorados de Lisboa) - uma canção do Carlos do Carmo com poema do Ary dos Santos - Namorados da Cidade:
ResponderEliminar«Namorados de Lisboa
à beira-Tejo assentados
a dormir na Madragoa.
Namorados de Lisboa
num mirante deslumbrados
à beira-verde acordados
namorados de Lisboa!
...
Sempre sempre apaixonados
mesmo que a tristeza doa
namorados de Lisboa!»
E por hoje chega de comments.
Algo que nos caracteriza e não nos envergonha. Obrigado, Pedro.
ResponderEliminarFicamos sedentos das iguarias.