terça-feira, 15 de abril de 2008

Choque tecnológico

Mais uma funcionalidade que chegou ao blog do Viver na Alta de Lisboa - BI cívico (um dia ainda havemos de explicar o que quer isto do BI cívico dizer).

Quem quiser receber as novidades do blog por email, sem ter de vir aqui de hora em hora para ver se foi desta que puseram bancos com encosto no Parque Oeste, se a CML finalmente deu luz verde à conclusão da Santos e Castro, se a SGAL percebeu que tem de avançar o mais depressa possível com o Eixo Central e com os escritórios, se a obra do novo edifício do Centro Social da Musgueira pode finalmente avançar ou se o Lisboa Cantat vai embalar os Altolumiarenses mais sensíveis, pode clicar aqui e deixar o endereço electrónico. As notícias chegarão a casa quentinhas, mal saiam da tipografia, pela manhã, a tempo da primeira refeição. Sim, porque sabemos que há muitos ilustres leitores que não dispensam a leitura diária do Viver com o chá e torradas do pequeno-almoço. Vale a pena o serviço, e, imaginem, é grátis!

Também existe a possibilidade de RSS, que é uma coisa mais complicada, que eu não percebo, mas que me disseram que havia muita gente a usar. Se alguém tiver a amabilidade de me explicar, agradeço.

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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Mutilação da Quinta das Conchas ainda por explicar

Há meses que o Viver na Alta de Lisboa - BI cívico tenta obter respostas coerentes, precisas e sérias sobre o que aconteceu no topo da Mata da Quinta das Conchas. Até hoje, em vão.

A história é simples:

Em 2005 foi feita a requalificação da Quinta das Conchas. Na zona da Mata foram construídos caminhos que se cruzavam no limite do terreno.

Entretanto a CML celebrou um protocolo com a APECEF para a construção do edifício do Colégio de São Tomás na Av. Maria Helena Vieira da Silva.

Esta obra do colégio, junto à Quinta das Conchas, entrou pela Mata dentro, destruindo os tais caminhos recentemente construídos. O Viver tem provas do antes e depois, aqui.



Perguntámos pelo sucedido a várias entidades responsáveis:

A UPAL respondeu-nos que a área ocupada pela escola estava prevista desde sempre, que eram as plantas da obra de requalificação da mata que estavam erradas, sobrepondo-se ao terreno dedicado para a escola, e, consequentemente, os caminhos tinham sido construídos largos demais.

O Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Nuno Roque, num encontro com o Vereador dos Espaços Verdes no Parque Oeste, no dia 28 de Novembro de 2007, garantiu a todos os presentes que neste assunto estava tudo dentro da legalidade, que as plantas estavam correctas, mas que tinham sido erradamente lidas durante a obra de requalificação da Mata das Conchas, ficando os caminhos construídos largos demais.

A Divisão de Matas, inquirida pelo Gabinete do Vereador dos Espaços Verdes José Sá Fernandes, respondeu que ficássemos todos descansados que o murinho que o Colégio de São Tomás ia construir onde outrora passavam os caminhos da mata havia de ficar muito bonito, garantindo a "substituição dos prumos metálicos por chapa de zinco pintada de côr antracite para uniformizar visualmente toda a estrutura metálica da Quinta, mantendo-se também a linguagem modular de todo o muro da quinta das Conchas".



Acrescentou ainda a Divisão de Matas que "a reposição dos caminhos é da responsabilidade da CML, sendo uma das acções prioritárias contempladas no processo de conclusão do Parque Urbano da Quinta das Conchas, aguardando a disponibilidade de verba para ser executada."

Ora, esta resposta não adiantava absolutamente nada quanto à dúvida principal: o protocolo, acordo ou seja lá o que tenha acontecido para a cedência do terreno entre a CML e o Colégio de São Tomás. Mas infelizmente a Vereação dos Espaços Verdes deu-se por feliz com a resposta e não quis aprofundar mais.


Ficámos assim sem saber:

  • Quando, como, por quem e em que condições foi acordada a troca de terrenos verificada?
  • Quais as contrapartidas que a CML garantiu para se ressarcir dos prejuízos decorrentes da demolição e reposição dos caminhos e infra-estruturas que, de acordo com a informação agora prestada, é da responsabilidade da CML?

É importante ressalvar que o Viver na Alta de Lisboa - BI cívico não acredita, nem nunca acreditou, haver neste caso qualquer tipo de ilegalidade. Apenas quis saber, fazendo o percurso normal que qualquer cidadão pode fazer, o que realmente se passou. As respostas das entidades estatais (UPAL, JFL, DM, CML-Espaços Verdes) foram tão incoerentes entre si e tão desligadas da realidade, que a dúvida que nos movia perdeu a singeleza inicial.

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sábado, 12 de abril de 2008

Tabuada

Comprar um Subaru Impreza, daqueles que roncam, com muitos cavalos, custa cerca de 45.000€. É caro, mas está ao alcance da inconsciência de quem quiser condenar-se ainda mais a financiar o seu banco. Há maneiras simples de o fazer, até. Aumenta-se a hipoteca da casa, aumenta-se muito ligeiramente a prestação mensal, e pronto, Subaru à porta.

O problema é depois: 25 litros aos 100km em condução desportiva não é despesa diluível a 40 anos.

Talvez tenha sido isso que aconteceu na requalificação da Quinta das Conchas. Pensou-se num sistema de riachos que dessem frescura a todo o parque, várias linhas de água, com pequenas cascatas, com água corrente. Peixinhos a nadar contra a corrente, todo um ecossistema vivo, a enriquecer ainda mais um dos mais aprazíveis espaços verdes de Lisboa. Aceitou-se de bom grado o custo de obra, mas esqueceu-se os custos de manutenção.

Três anos depois da sua reinauguração, quem se lembra de ver na Quintas das Conchas estes frescos caminhos de água a funcionar em vez do leito putrefacto e fossilizado?

E o que correu mal? Os custos de manutenção são superiores à capacidade financeira da CML? O equipamento mecânico que mantém a circulação de água é pouco resistente e demasiado vulnerável a avarias? E quando foi feito o projecto de requalificação da Quinta das Conchas ninguém pensou nisto? Ninguém pensou que 25 litros aos 100 saem muito caro? O que tem a JFL a dizer? O que tem a Vereação dos Espaços Verdes a dizer?

E o que tem a população a dizer?

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sexta-feira, 11 de abril de 2008

is there anybody out there?

Foi enviado o post anterior para os três Vereadores em questão, Marcos Perestrelo, Manuel Salgado e Rosália Vargas, também para o Sr. Presidente da CML, António Costa, com conhecimento de todos os restantes Vereadores da CML, para todos os grupos municipais da Assembleia Municipal de Lisboa, e muitos orgãos de comunicação social.

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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Lisboa Cantat ainda sem condições para ensaiar


Continua a ser notícia a sala em más condições que a CML aluga ao Coro Sinfónico Lisboa Cantat, o maior coro sinfónico independente de Lisboa. Paredes húmidas, repletas de fungos, ar impróprio para a actividade do coro. Um problema com solução à vista, há anos falada e do conhecimento público: a transferência do coro para um pavilhão de madeira desocupado, existente na Quinta dos Lilazes. Todos concordam com esta solução, mas os meses de inércia e desinteresse vão passando. A CML já estabeleceu o compromisso, no anterior executivo, o actual executivo já reiterou ser sua vontade "honrar os compromissos da CML", o pavilhão serve as pretensões do Coro, permite-lhe expandir o leque de actividades, criando um coro infantil, um coro juvenil e uma escola de música. A população do Lumiar, através das suas associações de moradores e instituições que trabalham no terreno também reconhece vantagens nesta solução.

Apesar das condições impróprias, o coro continua a apresentar-se nos melhores palcos do país. Em Março no CCB com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, na 3ª Sinfonia de Mahler, sob a direcção de Michael Zilm. Na terça-feira passada, também no CCB, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, integrado na programação do Teatro Nacional de São Carlos, com a 1ª sinfonia de Ralph Vaughan Williams, A Sea Symphony, com textos de Walt Whitman.

Salas faustosas, programações ricas, noites de gala. Mas no fim, o destino do coro é o mesmo, a sala infecta que não envergonha Marcos Perestrelo, Rosália Vargas nem Manuel Salgado, que vão trocando entre si o assunto do coro, adiando-o, deixando às suas secretárias o papel desagradável de cão de guarda, opaco e tantas vezes desnecessariamente mal-educado de mandar telefonar noutro dia por não haver ainda quaisquer novidades, gracejando que com tantos telefonema já dava para construir uma sede nova.

Não é esta a CML que devemos querer. Uma CML que vive cada vez mais para descobrir receitas e extorqui-las aos seus munícipes, que tem 10.000 funcionários, muitos deles mal informados, incompetentes, mal-educados, desmotivados; uma CML que não se orgulha da vida que existe em Lisboa, apesar das condições deficientes que nada fez para melhorar; uma CML cujos Vereadores parecem investir mais na promoção da sua imagem em programas de televisão do que em garantir que os seus funcionários realizem um trabalho sério e visível para os munícipes, não é a CML que Lisboa precisa.

No dia 7 de Janeiro deste ano, várias associações e instituições do Lumiar subscreveram uma carta ao Vereador Manuel Salgado, intercedendo pela atribuição do Pavilhão de Madeira ao Lisboa Cantat. Todos os contactos posteriores feitos com a CML esbarraram nas secretárias dos Vereadores. O assunto passou rapidamente para o Vereador Marcos Perestrelo. Três meses depois, tudo na mesma. Não sei se Marcos Perestrelo tem conhecimento dos assuntos que a sua vereação devia ter tratado. Não sei se tem noção do tipo de respostas pouco dignas que quem lhe está abaixo dá ao telefone, não sei se está sequer preocupado com isso. Mas sei que Marcos Perestrelo é a face visível do seu gabinete, e em última análise é o responsável por todos os defeitos apontados. Na 2ª feira, precisamente 3 meses depois do envio da carta e na véspera do concerto do Lisboa Cantat no CCB, em mais um telefonema feito para a CML fomos informados que o assunto tinha voltado às mãos do Vereador Manuel Salgado. E para que serviram afinal estes três meses de árduo, incansável e incessante trabalho dos serviços da CML?

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terça-feira, 8 de abril de 2008

CineCidade - próximas sessões

Depois de termos contado com a presença do Arqº João Luís Carrilho da Graça na primeira sessão do CineCidade, no passado dia 28 de Março, temos já agendados mais alguns debates com arquitectos com obra feita ou projectada para a Alta de Lisboa.

As sessões irão servir para discutir arquitectura e urbanismo sob o mote do cinema, mas também para uma abordagem aos projectos dos arquitectos na Alta de Lisboa. Textos mais completos sobre cada um dos ilustres convidados irão saíndo mais perto do acontecimento.

Contamos com a presença de todos e muito agradecemos a divulgação junto de amigos e vizinhos.

  • 2ª sessão - 22 de Abril, 3ª feira
    Isabel Aguirre

  • 3ª sessão - 9 de Maio
    Jorge Simões

  • 4ª sessão - Data a confirmar
    Tomás Taveira

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sábado, 5 de abril de 2008

Concurso de ideias

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A discussão dos cinco projectos que passaram à segunda fase do concurso de ideias está em marcha! Nos últimos dias a vida dos Museus de História Natural e de Ciência tem sido perturbada por reuniões em catadupa. A discussão interna sobre os efeitos das intervenções vindas do exterior tem ocupado e preocupado muito as mentes de todas as pessoas que ali trabalham, que ali dão o seu melhor para manter vivo um património riquíssimo, através das nobres actividades de museologia, de divulgação e de investigação.

Dos cinco projectos da autoria de Aires Mateus e associados, ARX Portugal, Vão Arquitectos, Souto Moura e Gonçalo Byrne, um será escolhido por um júri formado pelas seguintes individualidades: Arq.º Nuno Portas, presidente, Prof.ª Maria Amélia Martins-Loução, Arq. Luís Carrilho da Graça, Arqª. Paisagista Elisabete Barreiros Ferreira, Dr. Jorge Manuel Cabrita Trigo e o Arqº. Manuel Fernandes de Sá.

Esta área da cidade que liga a 7.ª colina ao vale da Avenida da Liberdade vai sofrer grandes transformações nos próximos anos. Sente-se no ar o cheiro do dinheiro que os negócios imobiliários vão gerar. Existem muitos “abutres” que querem despedaçar a “presa” em mil pedaços porque o local é nobre e por isso vale milhões. Estas “aves” sabem disso mais do que ninguém! Mas existe ali, naquele quarteirão, no Museu de História Natural e no Museu de Ciência, um enorme tesouro. Um tesouro cujo valor não é mensurável pela tacanhez dos milhões de euros dos negócios imobiliários.

Faço minhas as palavras de António Barreto numa das suas crónicas recentes no jornal Público: “O conteúdo é impressionante. São colecções notáveis de instrumentos científicos e técnicos de química, física, astronomia e matemática dos séculos XIX e XX (mais de 10.000 peças). Arquivos históricos (mais de 100.000 documentos). Bibliotecas científicas dos séculos XV a XX (25.000 livros). Mobiliário muito curioso e interessante. Colecções de antropologia (2000 esqueletos), de mamíferos (5000 espécies), de aves (2600), de peixes (7000 lotes), de anfíbios e répteis (1000), de invertebrados (30.000 lotes) e de sementes (4000 lotes). A que se acrescentam os herbários (250.000 espécies) dos séculos XVIII e XIX, incluindo os de Vandelli, Brotero e Welwitsch. Ou as colecções de mineralogia, petrologia, estratigrafia e paleontologia (80.000 peças). E finalmente o fantástico Jardim Botânico (1500 espécies), com mais de 150 anos de existência, …”.

Oxalá, oxalá, o apetite aguçado dos promotores imobiliários não deite tudo a perder 30 anos depois do grande incêndio da antiga Faculdade de Ciências.

Photobucket

A discussão, em forma de debate público, segue nos próximos dias 7, 14 e 21 de Abril, às 18 horas, no anfiteatro Manuel Valadares, no Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.

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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Arqº Carrilho da Graça explica o seu projecto na Alta de Lisboa

Colado ao Parque Oeste, no enfiamento da malha 6 que está agora a ser fundada, atravessando o eixo pedonal, ficará o edifício projectado pelo Arquitecto João Luís Carrilho da Graça, que concilia habitação, comércio e escritórios, em redor de um páteo com acesso público.

O conceito arquitectónico das casas, em duplex, foi buscá-lo a Corbusier - que tinha também encontrado inspiração num convento em Pavia. O video que se segue mostra o powerpoint que Carrilho da Graça apresentou na 1ª sessão do CineCidade. Um privilégio que agora está ao alcance de todos os que não puderam lá estar.

Um projecto muito cativante, sedutor. Raro. Que vale a pena conhecer. Que esperemos ver nascer o mais brevemente possível.

Uma humilde homenagem do Viver e de todos os seus colaboradores ao Arquitecto, pela forma simpática e calorosa com que aceitou o nosso desafio e pela generosidade que demonstrou na sua entrega.

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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Despedimentos precisam-se

Afinal há dinheiro, há sempre dinheiro para as coisas da alma que não é pequena e hoje a CML aprovou uma acção de realização de mais escolas e jardins-escola para a periferia (vamo-nos deixar de peripatetices: a Alta de Lisboa, pelo caminho bastardo que leva no presente, é e será cada vez mais periferia, uma santoantoniodoscavaleiros lisboeta, edifícios envelhecidos a meio caminho entre a guerra civil e o abandono burguês) adoptando o mesmo caminho schizo do governo maior que enquanto se discursa defensor do interior fecha tudo o que ainda mexe nesse mesmo interior.

Enquanto se promove a idealizar a Baixa renovada, enquanto comovida olha enternecida sardinheiras e ruelas, fecha liceus no centro - edifícios ainda sólidos, dignos, capazes - e aprova construçõezinhas educativas nos bairros da coroa exterior. Deve ser essa a resposta às pressões dos concelhos limítrofes, a resposta casuística e desatenta do costume.

Promete escola e jardim de infância e esquece - porque ignora, ou faz por ignorar - que a melhor experiência educativa pré-escolar da Alta ainda se faz na última construção-relíquia dos maus tempos das habitações degradadas ainda existente no lugar da Alta, sede da instituição que há 45 anos faz o que o Estado e a autarquia se eximiram longamente de fazer. Esquece -porque não interessa num tempo de glórias de 6 milhões de euros para apoio a alguns dos habitantes - que o projecto existente e pronto a fazer, se encontra encalhado, vítima de uma batalha de moradores que não é a sua, mal aconselhados e mal guiados, enfiados sem saber numa guerra mais subtil que terá a sua eclosão nas próximas eleições para a freguesia.

Assim como a Alta já passou à história municipal - agora que os PERS estão prontos - também a esperança de uma nova maneira de articular a cidade se esgotou de vez com as vistas curtas deste executivo, adoptadas prazenteiramente do que o antecedeu.

Não temos responsáveis, responsáveis. Só fagotes emproados em busca do modo certo de ganhar as próximas eleições.

E perante este município de trampa e já que o Eça foi casquinar há muito para outros mortos só me resta cabotinamente fazer propaganda ao melhor blog português que ocupou qualquer um dos vossos ecrans e descaradamente, citar o seu último recado:


Oh oh oh, a que vaivéns me entrego, pátria do coração, caminhos de Portugal no bordado de vivendas Graça Dias mais o que resta das casinhas Raul Lino. Entro por Vilar Formoso, feia que dói a estuporada vila inicia-me nas auto-estradas da minha terra rumo a Lisboa e passam montanhas, gardunhas, cafés delta mas é preciso dizê-lo, ultrapassam-me audis pela esquerda, direita em frente, marche caramba: Cheguei! Cheguei ao paraíso da crise, temperatura amena, o povo hospitaleiro, há vida para além do cabillaud, praias com mares normais, azuis ultramarinos comme il faut. O que pretendo deixar aqui a flutuar na web desde 1989 como o autobiógrafo Querido insiste e Sir Timothy, o Berners-Lee não confirma Dear me? e agora com esta deixei de ver para onde ia. Ah, Portugal. Ora no meu país padrasto para rimar com pasto de farsantes, começo pelos professores danados para a brincadeira. Professores revoltados, em condições psicológicas instáveis como se desde miúdos não o soubéssemos todos nós, não é? Se é, pelo que se algum deles me fosse ao telemóvel, fora eu a aluna Golias e teria pedido, educada, phonix, para mo carregar com 150 euros, Phonix! Parágrafo único: há um operador Phonix em Portugal. O problema cabeludo é, no entanto, mais outro no feminino para variar e chama-se cultura. Basta observar o ministro para perceber tudo que neste caso por acaso é nada. Eu vi com estes dois castanhos de encantos tamanhos, li jornais, ouvi telefonias sem fios, televisões, cartazes, folhas, postais, pagelas, livros e até fui em romaria à Byblos onde todos os livros constam da base de dados, verdade confirmada pelo funcionário com voz de Hal 9000: constam da nossa base de dados mas não se encontram disponíveis e eu com esta mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma que já tinha deitado para dentro de um vaso o rol amachucado de três singelas edições, ora tem aqui uma bela base de dados, observação equívoca, percebi-o depois, quando senti o Hal 9000 ligeiramente perturbado a afastar-se como quem não quer a coisa, uma ova, o que estava a pensar saia-lhe pelos olhos: a mulher tem idade para ser minha mãe e está aqui, está a pedir-me o telemóvel aos gritos, dê-me o telemóvel, já ou como repeti para mim em francês sem ainda pescar rien: mas que mosca lhe mordeu? Adiante. Mais um parágrafo único: a cultura em Portugal morreu, não existe mais. Lamento. Aquilo, isso aí tem menos vida cultural portuguesa que o deserto do Gobi. O Bruno de Almeida é americano, o Joaquim de Ameida é o que é, coitado, deixá-lo repousar em paz, a Maria de Medeiros emagrece a olhos vistos, canta com a Mísia o que bate certo e no ceguinho também para além de já constar da minha base de dados. A dança, o teatro, a pintura, escultura, zero, os homens estátua trabalham em restaurantes ou na Cinemateca, onde não fui mas já lá vou. Um dia, lembrei-me disto agora, escrevi a pedir trabalho e responderam-me que eu não era o Gonçalo M. Tavares e que este detalhe fazia toda a diferença. Passe a metáfora ou seria alegoria eu sou o Gonçalo M. e o Tavares é o meu bom amigo Carlos, desculpa Carlos, que me pagina os livros do senhor este e machin em corpo 100. Assunto arrumado mas esta é a menor das consequências do anonimato e onde vim eu parar, Deus me perdoe, mas, mas, mas grave seria eu chamar-me realmente Pedro Mexia, ter nascido em 1972 e levar com uma carta íntima, como o são todas as cartas públicas do Silva Melo, que sabe mais a dormir que todos nós acordados, a perguntar se eu, eu Mexia, bem entendido, não me lembrava do Harold Pinter, gnè gnè gnè em 1979 e uma vez aqui chegados, mau, mesmo mau, muito mau seria eu insistir em ser Mexia e responder gnè gnè gnè ao Silva Melo no tom mais sério desta vida como se com sete anos tivesse mamado Pinter em vez de Dartacão, Dartacão és tu e os teus amigos. Já se percebe como vim de Portugal, mal, mal, arrastei-me pesadamente até aqui, até ter chegado ao blog da Isabel Coutinho e levar com o revigorante YouTube redbull e arrebitar com o José Rodrigues dos Santos, que não sou eu, a pastorear jornalistas americanos. Só visto porque não sei contar. Ó Carlos, desculpa Carlos, confirma-me aí se não era eu quando era o Borges quem dizia que estar morto era o oposto de ser vivaço?

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PRÉMIO E EU DIRIA MESMO MAIS

"A capacidade de resposta da cidade de Lisboa tem de ser muito bem organizada para poder fazer face à pressão dos concelhos limítrofes", sustentou Rosália Vargas.

Reformulando e fazendo quase nossas as palavras de senhora vereadora:

"A capacidade de resposta dos vereadores da cidade de Lisboa tem de ser muito bem desorganizada para poder ignorar a pressão dos moradores do concelho"

(Afinal parece que há dinheiro)

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RECREATIVO MUNICIPAL DE LISBOA

"Pela parte que me toca, os recreios vão ser mantidos e alguns recuperados", disse Sá Fernandes, que tem o pelouro dos Espaços Verdes.

Bloco de Esquerda. Uma cidade sempre em festa.

(Afinal parece que há dinheiro)

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AFINAL SEMPRE HÁ DINHEIRO

Lisboa, 02 Abr (Lusa) - A Câmara de Lisboa aprovou hoje a carta educativa do município que prevê a reabilitação de 26 escolas e a construção de sete novos equipamentos até 2011, envolvendo um investimento de cerca de 49 milhões de euros.

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terça-feira, 1 de abril de 2008

Fax da Lusa - Boas notícias para a Alta de Lisboa

Reproduzimos fax da agência Lusa acabado de chegar a esta redacção:

A CML e SGAL, em reunião extraordinária hoje de manhã, debateram o ponto de situação da Alta de Lisboa, tomando decisões face às suas responsabilidades repartidas e definindo uma lista de acções a serem iniciadas no imediato:

  • As sugestões dos moradores para o Parque Oeste serão finalmente implementadas, nomeadamente a inclusão de bancos com encosto, iluminação nocturna, equipamentos infantis e uma esplanada em pleno funcionamento.
  • A Alameda da Música vai receber calçada nova, revisão do sistema de drenagem, e os Condomínios da Torre a ela adjacentes vão ser finalmente acabados de acordo com os contratos promessa assinados com os promitentes-compradores com data de re-inauguração para o dia 1 de Outubro próximo, Dia Mundial da Música.
  • Conclusão do Eixo Central ainda em 2008, incluindo as zonas ajardinadas e os campos de râguebi.
  • O Plano de Pormenor para Ameixoeira será posto em prática, sendo demolido o muro existente no “funil” às saída do ENS, ficando asseguradas duas faixas largas num grande boulevard até à Av. Padre Cruz, com ligação a Odivelas, permitindo a passagem de autocarros para os dois sentidos, em simultâneo.
  • A construção do empreendimento LX Condomínio, parada há quase seis meses, irá ser retomada na próxima semana.
  • Será lançada a primeira pedra do Centro Cultural projectado no atelier do Arquitecto Siza Vieira no final da próxima semana com conclusão no dia de Natal, com inauguração nesse mesmo dia com um coro de renas finlandesas.
  • Serão colocados finalmente os jacuzzis, sauna e banho turco que faltavam nos balneários da Pista de Atletismo Moniz Pereira, exigidos contratualmente por SL Benfica e Sporting CP, podendo assim a pista a ser utilizada para grandes competições internacionais. Está em estudo uma candidatura aos Jogos Olímpicos.
  • Será accionado o acordo entre CML e Armazéns Ruela para desocupação dos terrenos que impedem a conclusão da Av. Santos e Castro. O início das obras de terraplanagem está marcado para o próximo 31 de Abril.
  • A Porta Sul, que fará a ligação da Av. Santos e Castro e do Eixo Central à Segunda Circular, solução com diferentes níveis de altura, já com estudo de impacto ambiental realizado, irá ter início na próxima semana, com conclusão prevista para o final de 2008.
  • A CMLisboa e CMLoures chegaram também a acordo quando à parcela de terreno onde irá ser colocado um pilar para a conclusão do viaduto desta mesma avenida sobre o Campo das Amoreiras. O entendimento entre as edilidades foi conseguido com a inclusão de duas portagens para entrada e saída do Concelho de Loures nesse troço de 50 metros.

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E quatro meses e meio depois...

No dia 12 de Novembro publicou o PS Lumiar, juntamente com a foto acima, o seguinte texto:

Os acessos à Escola EB 2,3 de D. José I na Azinhaga da Musgueira são degradantes.
O espaço fronteiro ao estabelecimento de ensino é misto: parte de asfalto já muito gasto e em terra batida.
São inexistentes os passeios. Em sua substituição há enormes blocos de betão, alguns já derrubados e imensas lixeiras, algumas de alcatrão que não foi removido quando procederam ao asfaltamento parcial daquela artéria.
Tampas de esgotos sobrelevadas.
Este é uma das situações em que as palavras não conseguem retratar a realidade. Só visto.
Não há passadeira de peões junto à escola o que não acontece em nenhuma outra e a Azinhaga da Musgueira tem intenso movimento automóvel.
Também há membros da comunidade escolar que desrespeitam a sinalização vertical, estacionando em zona proibida.

A CML/UPAL devem actuar no local com a maior brevidade de modo a proporcionar acessos condignos à comunidade escolar.

Todos merecem ter o mesmo tratamento e idênticas condições.


Mais de quatro meses e meio depois, recebeu o PS Lumiar a resposta do Gabinete do Vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes.

Exmos. Senhores,

Serve o presente para informar que a execução do cruzamento da Avenida Carlos Paredes com a Rua General Vasco Gonçalves encontra-se actualmente dependente da desocupação/aquisição de uma parcela de terreno, cujo processo está a decorrer no Departamento de Património Imobiliário. Acresce ainda que a situação aplica-se igualmente para o arranjo definitivo de todo o espaço público envolvente, incluindo a execução dos passeios.

Mais se informa que está a decorrer um processo de redefinição dos limites, entre a CML e a DREL, após o qual será possível proceder à construção definitiva de todo o espaço envolvente daquele equipamento escolar.

Não obstante, a Direcção Municipal de Gestão Urbanística solicitou à SGAL que procedesse à melhoria das condições de segurança de circulação de peões na envolvência da Estrada da Torre, incluindo os acessos à escola.

Vale a pena salientar ainda que o Gabinete do Vereador José Sá Fernandes continuará a acompanhar esta importante matéria, até à sua efectiva resolução.

Com os melhores cumprimentos,

Pelo Gabinete do Vereador José Sá Fernandes

Ana Sartóris


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segunda-feira, 31 de março de 2008

Duas cartas

Hoje damos a conhecer duas cartas publicadas na Tribuna do Leitor do PÚBLICO de hoje. Dois assuntos na ordem do dia: o street racing e lazying in work (eh lá... duas expressões em inglês... Não, não comprei óculos de massa nem tenho ido ao King ou jantar com a redacção de cultura do referido diário). Fica para comentário dos estimados leitores. Encontram soluções para isto? Coisas práticas, pró-activas, soluções passivas. Vamos pôr a imaginação ao serviço da cidade.


Corridas de carros nos Olivais
Embora já tenha pedido a intervenção da PSP, quer telefonicamente, quer na esquadra, todas as noites ocorrem nos Olivais corridas de automóveis, a alta velocidade e com toda a potência de escapes rotos. Matilhas de dezenas de Fângios selvagens começam por se reunir pelas 23h00 nas bombas da Galp (ao Ralis) e arrancam violentamente e aos pares, rua abaixo. O ruído, que é de enlouquecer, só acaba às 3h00 ou 4h00 da madrugada. A Av. Dr. Alfredo Bensaúde é a pista preferida. É um inferno! É o desespero de quem precisa de dormir para trabalhar no dia seguinte! A polícia diz que a culpa é da Câmara de Lisboa, que colocou radares noutros pontos da cidade e não a ouviu sobre pontos prioritários. Além disso, alega que não tem meios para perseguir os corredores. Comprovado que está que a polícia só serve para preencher boas estatísticas, é legítimo perguntar se os cidadãos poderão tratar directamente o assunto. Quem sabe, se com umas fisgas, umas pedras ou uns fuzis. Ou, de forma mais pacífica, apelar a que a "imprensa" desmascare tanta impunidade.
Karl Capulana
Lisboa


Ruas lavadas aos berros
São neste momento 4h30 da noite de 28/3/08 e estou desde as 11h30 a ouvir dois funcionários da Câmara de Lisboa a lavar a rua, sempre na mesma zona. Ou este bocado de rua está francamente suja, ou não estão para se mexer muito. Enquanto um lava, o outro recolhe o lixo ruidosamente, com uma pá. E conversam, não se esforçando por usar um tom de voz que não incomode. Depois de ser totalmente impossível dormir, imagine-se o excelente rendimento que uma pessoa vai ter daqui a umas horas! Não consigo perceber como é que uma câmara com graves problemas financeiros se dá ao luxo de pagar pelo trabalho nocturno que pode ser feito de dia, sem perturbar o sono de ninguém. Já de manhã, enquanto esperava pelo autocarro, dois senhores também da câmara cortavam árvores, outros dois estavam comodamente sentados dentro das carrinhas da autarquia, sendo que uma delas esteve sempre com o motor a trabalhar, enquanto mais outros dois funcionários ficaram encostados a ver. Desculpem, mas isto é gozar com toda a gente!
Alexandra Pereira
Lisboa

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quinta-feira, 27 de março de 2008

Onde vai ser o CineCidade, que começa esta 6ª feira?

É já amanhã a primeira sessão do CineCidade, com o ilustre arquitecto Carrilho da Graça, que tem um projecto de um edifício (malha 17) junto ao Parque Oeste. O ciclo, como já todos sabem, tem como mote o olhar do cinema sobre a arquitectura e urbanismo e suas consequências na sociedade.

Mas para poderem aproveitar o debate terão primeiro de conseguir chegar à Academia Portuguesa da História, onde irão decorrer as sessões. E como alguns amigos nos perguntaram como lá chegar, aqui fica uma breve explicação:

Se forem daqueles cidadãos com consciência ecológica que andam de metro em Lisboa, saiam numa das duas estações mais próximas, a da Quinta das Conchas ou a do Lumiar. Depois, conforme o mapa, sigam a linha até à Alameda das Linhas de Torres, onde está sediada a APH. É o edifício que fica ao lado da entrada da Quinta das Conchas e dos Lilazes. Existe um portão verde que irá estar aberto. A partir daí serão muito bem recebidos e conduzidos por uma bonita escada de caracol em ferro forjado que vos leva ao Salão de Inverno onde estaremos à vossa espera. Se vierem de carro, o percurso é similar, mas como não sabemos onde vão encontrar lugar de estacionamento não conseguimos fazer o mapa respectivo. Tenham paciência, mas não faltem.

A morada é esta:
Academia Portuguesa da História
Palácio dos Lilases,
Alameda das Linhas de Torres, n.º 198-200
1769-024 Lisboa

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quarta-feira, 26 de março de 2008

Metro na Alta de Lisboa!


Moradores acusam CML de “desinteresse”
Projecto da Alta de Lisboa está por concluir


LUMIAR Os moradores da Alta de Lisboa denunciam a descontinuação do projecto de urbanização desenvolvido para aquela zona e acusam a Câmara Municipal de Lisboa (CML) de “desinteresse” e “incumprimento” de promessas.

“Gostava de pensar que o problema é conjuntural e que os dirigentes não são incompetentes nem têm falta de vontade”, disse ao METRO Pedro Cruz Gomes, do movimento Viver na Alta de Lisboa.

O Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL) começou a ser desenvolvido na década de 80, tendo entrado em vigor em 1998. O projecto nasceu da vontade de reabilitar os bairros degradados da zona, criando áreas habitacionais reservadas para realojamento e zonas habitacionais de venda livre.

A CML criou para o efeito uma parceria com a entidade privada SGAL - Sociedade Gestora da Alta de Lisboa. A autarquia cedia terrenos e a SGAL assumia os custos de loteamento e construção.

“A câmara não está a cumprir a sua parte do acordo, mas a SGAL também não tem cumprido, deixando as coisas arrastar-se”, lamentou ao METRO Tiago Figueiredo, do mesmo movimento cívico.

Promessas por cumprir
De acordo com estes dois cidadãos, está quase tudo por fazer. O realojamento foi a única parte concretizada, o resto “saiu furado”, disse Pedro Cruz Gomes, acrescentando: “Não há equipamentos que fixem aqui as pessoas. Faz falta uma mudança de paradigma, a criação de uma cidade compartimentada, com habitação, comércio e serviços, onde os 60 mil habitantes previstos para a Alta possam viver e trabalhar, não apenas morar”.

Apenas 49 por cento das zonas habitacionais de venda livre estão construídas. E os edifícios de escritórios não chegaram sequer a ser construídos. Dez anos após o pre visto, o último troço do Eixo Norte-Sul foi inaugurado em Novembro de 2007. A Avenida Santos e Castro, com inauguração prevista para Dezembro de 2004, está por concluir, dependente de expropriações e/ou aquisição de terrenos entre a Câmara de Loures e a de Lisboa. Por concluir está também o Nó de Calvanas, que se prevê que faça a ligação à Segunda Circular, aliviando o tráfego actual daquele eixo rodoviário.

Actualmente, vivem cerca de 30 mil pessoas na Alta de Lisboa (perto de seis por cento da população actual da capital), mas previa-se a duplicação destes números.

“As pessoas vieram viver para aqui porque acreditaram no projecto e as promessas não foram cumpridas. Houve quebra do contrato moral que a SGAL e a câmara fizeram com os cidadãos”, considerou Pedro Cruz Gomes.

O movimento “tem sido uma experiência esclarecedora e com algumas desilusões”, admite Tiago Figueiredo. Há três meses que estes cidadãos têm feito contactos junto da CML à procura de respostas concretas, mas até agora ainda ninguém prestou quaisquer esclarecimentos. “Estes movimentos informais põem a nu a falta de preparação de uma sociedade que se diz democrática. É preciso que as pessoas tenham consciência de que têm voz e que os políticos só têm poder porque foram elas que lhes deram esse poder”, conclui Pedro Cruz Gomes.
MARTA COSTA SANTOS


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segunda-feira, 24 de março de 2008

CineCidade - 1ª edição, João Luís Carrilho da Graça / Playtime

E, se numa noite de Inverno um viajante do ano 2020 percorrer o Eixo Central, terá a oportunidade de, em algumas centenas de metros, encontrar dois antagónicos exemplos de como é pensar a arquitectura em Portugal neste princípio de milénio.

Primeiro deparar-se-à com a provocação consciente da malha 5, do seu centro comercial feérico, dos planos desconstruídos e reassemblados (fica aqui bem uma palavra excêntrica como esta, não fica?). Mais à frente, se olhar para a sua esquerda, encostado ao Parque Oeste, encontrará um conjunto de edifícios de habitação projectados por João Luís Carrilho da Graça.

(antevisão da malha 17, projecto de J.L.Carrilho da Graça, fonte SGAL)

João Luís Carrilho da Graça é o primeiro convidado do ciclo cineCidade.

Ficarão bem umas palavras de apresentação mas confesso que me faltam o engenho e o saber para descrever a sua arquitectura. Se o tivesse, diria que a sua, é uma arte que brilhantemente vence o constrangimento estrutural a que o projectar para uma região sísmica o obriga (logo ele, adepto confesso da liberdade plástica dos arquitectos brasileiros) e, do mesmo modo, elabora deslumbramentos partindo da singeleza dos planos despidos do frenesim decorativo que o modernismo tanto prezou e que, para mim parece consistir a sua influência iniciática (com significativas identificações com o léxico que a arquitectura da chamada "escola do Porto" apresenta).

(fotos retiradas da pagina do atelier do autor, jlcgarquitectos)

Poder-se-à falar de voluptuosidade ascética? Poder-se-ão falar de jogos de volumes e das tentações do olhar a que induzem? Não sei. Eu, que não sou arquitecto não me meto por aí.


(fotos retiradas da pagina do atelier do autor, jlcgarquitectos)

Mas que vou ter muito prazer em, a propósito de um filme tão fortemente crítico de uma ideia de arquitectura e de cidade (se calhar uma ideia de leigo, mas para quem é construída a cidade se não para uma maioria de leigos?) - a cidade "moderna" que se impôs nos anos 50 e 60, filha das teorias modernistas e da renascença europeia do pós-guerra, como é o PLAYTIME do Jacques Tati, o ver falar sobre arquitectura, lá isso vou.


Fica aqui o convite a todos que tiverem curiosidade. Aos que gostam de cinema. Aos que gostam de arquitectura. Aos que gostam da Alta, aos que se deixaram seduzir pelos planos da Alta. Aos que gostam dos dois autores.


Vá, apareçam. Na próxima 6ªfeira dia 28, a partir das 18:30 até onde a conversa levar. Com intervalo no meio e umas pataniscas para elevar o ambiente.


Fica o convite e a apresentação feita.

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domingo, 23 de março de 2008

Cinema Paraíso

"Não tenho dinheiro para reabrir e também o meu entusiasmo para lutar por um cinema marginal, que não é visto, também já não está disponível"
Pedro Bandeira Freire,
em declarações ao PÚBLICO sobre o encerramento definitivo do Quarteto, o primeiro cinema multiplex em Portugal, que fundou em 1975.

O Quarteto fechou definitivamente, depois de um primeiro encerramento imposto pelo IGAC, no final de 2007, por incumprimento dos regulamentos actuais quanto àssaídas de emergência, sistema de detecção de incêndios, presença de materiais inflamáveis e, entre outras coisas, ausência de acesso para deficientes.

Mas Pedro Bandeira, que se confessa desmotivado para continuar, terá de enfrentar o saudosismo dos que querem continuar a ver Lisboa enfeitada por locais outrora frequentados. 400 mil euros é a quantia necessária para restaurar o Quarteto, considerado emblemático, um cinema incontornável na década de 80 e 90, mas que não conseguiu resistir à concorrência feroz de novas salas mais bem equipadas e do pujante mercado de aluguer de DVD.

Rosália Vargas, Vereadora da Cultura, equaciona classificar o Quarteto como espaço de interesse cultural da cidade impedindo que se altere o fim para que foi criado.

Todos os que viram cinema no Quarteto lamentam o seu desaparecimento, mas investir 80 mil contos e classificar o espaço irá ressuscitá-lo desta morte há muito anunciada? A perda de público deveu-se às razões que levaram o IGAC a fechá-lo? É esta a melhor política cultural para Lisboa? Reagir em vez de agir? Preservar o passado que ocupa mais lugar na memória que nas nossas vidas presentes em vez de olhar à volta e dar condições às inúmeras associações que ainda sentem motivação para existir? E classificar o espaço exclusivamente para sala de cinema, sem garantias de viabilidade e auto-sustentabilidade, impedindo outro tipo de empreendedorismo, não irá agravar ainda mais desertificação do lugar?

Gosto do Quarteto, vi centenas de filmes naquelas 4 salas, lamento o seu desaparecimento, mas desconfio que agora seja demasiado tarde para fazer o que quer que seja. Sejamos honestos, as salas do Quarteto há muito que deixaram de ser o melhor local para ver cinema; os ecrãs são pequenos, o som débil, as paredes permeáveis ao filme da sala ao lado. As últimas vezes que lá fui senti-me feliz ao satisfazer a minha necessidade de nostalgia, por recordar outros anos, quando ia lá muito mais assiduamente. Mas investir a quantia necessária anunciada não irá retirar ao Quarteto todas essas características do passado que o fazem castiço, que o fazem ser defendido pelos saudosistas? Irão ao Quarteto os que o defendem agora quando o virem transformado numa moderna e segura sala de cinema, igual a tantas outras? Lembram-se de uma petição contra a extinção do Bife à Café Império que até Carmona Rodrigues, então presidente da CML, apoiou? Os principais promotores da iniciativa foram os primeiros a dizer publicamente que jamais voltariam ao Café Império, depois de desiludidos com o restauro.



Uma última nota, voltando a citar Pedro Bandeira, antes de transcrever a notícia do PÚBLICO:

"Eu fiz o Quarteto no tempo da outra senhora. Hoje não conseguiria. É tudo muito burocrático. Peço uma audiência e ninguém tem tempo para me receber. No passado falava com qualquer director no próprio dia. Até com o Secretariado Nacional de Informação. Nem no tempo do salazarismo isto era tão difícil. Hoje está tudo em reuniões, não se chega a lado nenhum."

As centenas de telefonemas que o Viver tem feito para a CML para saber novidades de processos como a atribuição do pavilhão de madeira da Quinta dos Lilazes ao Lisboa Cantat, as respostas ao documento Alto do Lumiar - que futuro?, ou para questionar mais uma vez a ausência de passadeiras ou do muro da Quinta das Conchas esbarram na esmagadora maioria das vezes em respostas automáticas que podiam ser ditas por um computador: "Não há novidades sobre esse processo, o Sr. Vereador continua a estudar o assunto. Infelizmente não poderá falar com ele ou com qualquer assessor, estão em reunião; tente mais tarde." E tentamos. Mas a resposta é a mesma.


Câmara pondera classificar salas do cinema Quarteto como espaço de interesse cultural
Primeiro multiplex português encerrou as portas definitivamente esta semana por falta de dinheiro para obras de melhoramento que levaram ao seu encerramento em Novembro
23.03.2008, Ana Machado, PÚBLICO

Ainda não há nenhum projecto concreto delineado, mas a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Rosália Vargas, disse ao PÚBLICO que a autarquia tem em cima da mesa a hipótese de classificar as salas do cinema Quarteto, o primeiro multiplex de Portugal, como espaço de interesse cultural. Na quarta-feira, o Quarteto fechou as portas definitivamente. Falta dinheiro aos actuais responsáveis para conseguirem cumprir com as melhorias que levaram ao fecho em Novembro passado.

Foi Pedro Bandeira Freire que o fundou em 1975 e foi também ele que, na passada quarta-feira, fechou a cadeado as portas do Quarteto. O espaço, composto por quatro salas, estava encerrado já desde 16 de Novembro do ano passado, altura em que a Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) ordenou o encerramento por falta de saídas de emergência em número adequado, falta de um sistema de detecção de incêndio, pela presença de materiais inflamáveis que tinham de ser substituídos, e ainda pela ausência de acesso para deficientes, entre outras causas apontadas na altura.

A Associação Cine-Cultural da Amadora, a quem o espaço estava subalugado desde 2000, ainda se dispôs a fazer as alterações necessárias para que o espaço pudesse voltar a abrir. Mas até hoje as condições impostas pela IGAC continuaram sem estar reunidas, ao mesmo tempo que a falta de verba para cumprir com todas as exigências legais, e que foram protelando a situação até agora, acabaram por conduzir ao encerramento definitivo.

"Não tenho dinheiro para reabrir e também o meu entusiasmo para lutar por um cinema marginal, que não é visto, também já não está disponível", desabafou Pedro Bandeira Freire, que se refere ao Quarteto como "um símbolo da cidade de Lisboa".

Excesso de burocracia
"Eu fiz o Quarteto no tempo da outra senhora. Hoje não conseguiria. É tudo muito burocrático. Peço uma audiência e ninguém tem tempo para me receber. No passado falava com qualquer director no próprio dia. Até com o Secretariado Nacional de Informação. Nem no tempo do salazarismo isto era tão difícil. Hoje está tudo em reuniões, não se chega a lado nenhum."

A vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Rosália Vargas, foi uma das responsáveis a que Pedro Bandeira Freire recorreu. Foi recebido, junto com representantes da Junta de Freguesia de Alvalade, que quiseram ajudar: "Estavam indignados. Achavam que aquele espaço não podia fechar." Lá foram todos à audiência. "Mas não mostraram vontade de o recuperar. Também não tenho a lata de pedir a uma Câmara Municipal em má situação financeira 80 mil contos [400 mil euros] para voltar a abrir o Quarteto."

Ao PÚBLICO, a vereadora Rosália Vargas disse que a Câmara de Lisboa não tem dinheiro para comprar o Quarteto: "E nem sei se a família proprietária o queria vender. Também o frequentei. Era como um clube de cinema. Sou sensível a este assunto e é uma pena se se perder o Quarteto. A Câmara de Lisboa gostaria de o preservar, ou pelo menos preservar a sua memória. O que podemos tentar fazer é classificar o espaço como de interesse cultural da cidade, impedindo que se altere o fim para que foi criado. Estamos a ponderar essa hipótese. Mas ainda não estabelecemos negociações."

"Fizeram-se aqui casamentos. Isto diz muito a uma geração. Foi um centro cultural muito importante. As entidades culturais deviam preocupar-se. Em todo o lado do mundo um espaço destes seria preservado. Há até ingratidão para com o Quarteto", diz Pedro Bandeira Freire sobre o espaço que trouxe para Portugal os primeiros filmes de Martin Scorsese, Jacques Rivette ou Jean-Luc Godard.

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sábado, 22 de março de 2008

Antenas de telemóvel

Recebemos na nossa caixa de email a seguinte carta, que desejamos, dada a importância do assunto, ser merecedora de um debate informado e esclarecedor por parte dos leitores :


Exmos Srs.

Tive conhecimento há poucos dias conhecimento que na reunião de um condomínio vizinho foi aprovada a colocação de uma antena de telemóvel da Optimus no telhado desse empreendimento.

Tenho ouvido dizer que o campo electromagnético destes equipamentos representa perigo para a saúde dos moradores dos prédios vizinhos.

Gostaria de saber se estas informações correspondem à verdade e se, caso o perigo para a saúde exista, podem os moradores prejudicados contestar e/ou impedir a instalação da antena.

[...]

Aguardando a vossa colaboração,
[leitor devidamente identificado]

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Lisboa a duas rodas tem chave no Parque Eduardo VII


Lisboa a duas rodas tem chave no Parque Eduardo VII

Tese de mestrado descobre pistas para tornar Lisboa mais ciclável
22.03.2008, Catarina Prelhaz [PÚBLICO, Local Lisboa]


Serviço Lx Porta-a-Porta poderia, a custo zero, abrir portas a uma cidade efectivamente ciclável, diz especialista

Do Príncipe Real ao Cais do Sodré é sempre a descer. Seis de Junho de 2007. O candidato à Câmara de Lisboa António Costa usa as duas rodas em mais uma acção de pré-campanha. Faltam-lhe 25 dias para ser eleito presidente da autarquia, mas o passeio de bicicleta granjeia-lhe críticas. O social--democrata Marcelo Rebelo de Sousa é um deles. "Descer do Príncipe Real para o Cais do Sodré, isso também eu, queria vê-lo era a subir do Cais do Sodré para o Príncipe Real. Se há cidade em que não faz sentido defender a bicicleta é em Lisboa".

Teoricamente, na prática e "totalmente absurda" é a tirada do professor de Direito, explica o engenheiro civil Paulo Santos, que desde 1 de Janeiro embarcou no projecto Cem dias de bicicleta em Lisboa, no âmbito de uma tese de mestrado. Agora, 526 quilómetros depois, faz as contas. Primeiro, o dinheiro: ter e usar carro próprio custa ao ano cerca de 3440 euros ("com mil euros líquidos andamos a trabalhar três meses e meio por ano só para sustentar o automóvel e isto sem contar com portagens, danos e inspecções"), o passe "leva-nos à volta de 30 euros por mês", ter bicicleta ("das boas") faz sair dos bolsos de uma vez 300 euros "e acabou". Depois, o tempo: metade das viagens de automóvel em meio urbano fazem-se em trajectos com menos de cinco quilómetros (30 por cento são inferiores a três), a velocidade média de um carro na cidade nas horas de ponta ("e é a estas horas que todos nós andamos") é inferior a 20 km/h ("no centro da cidade nesse horário é ainda menor"), "eu de bicicleta ando a 13, 14", o autocarro "a 12" ("melhor só o metro, que faz em média 30 km/h").

E que dizer das colinas? "Das sete? Lisboa tem mais", atira o engenheiro, para logo cozinhar a solução. "E se lhe dissesse que o Parque Eduardo VII é a chave do problema? E se acrescentar que a câmara pode resolvê-lo acusto zero?" A ideia é que pegue numa das carrinhas do serviço Lx Porta-a-Porta, criado em 2004 para colmatar o défice de transportes nos bairros históricos, e lhe implante um dos atrelados de bicicletas igual aos utilizados no ciclismo ["que a câmara tem algures nos seus armazéns"] para levar os utilizadores do Rossio ao topo do Parque Eduardo VII, que, por estar 100 metros acima do nível do mar, "permite ir a qualquer ponto da cidade e sempre a descer" ao estilo Príncipe Real-Cais do Sodré.

"Claro que ir da Baixa ao Castelo seria muito difícil, mas também que percentagem de pessoas necessitaria de fazê-lo? Os estudos mostram que grande parte do fluxo de pessoas na cidade [80 por cento] ocorre na âncora desenhada pela marginal e pela Avenida da Liberdade e transversais e é aí que temos de nos concentrar". Alvo a abater é o "mito" de que as bicicletas são ainda "aquelas pasteleiras antigas que pareciam arrastar o peso do mundo", alerta Paulo Santos, especialista em vias de comunicação e transportes. "Elas já evoluíram e as mudanças permitem pedalar quase sem esforço nas subidas".

Já para o presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicletas (FPCUB), José Caetano, a arma para vencer a orografia da cidade está na complementaridade bicicleta/autocarros da Carris. "Basta equipar a frota da Carris com grelhas para bicicletas que já não há colinas que resistam a este tipo de transporte", argumenta.

Corredores são mais baratos
O respeito pelo ambiente é outra dasmais-valias do uso da bicicleta, explica Caetano, para quem a câmara deve apostar em medidas cirúrgicas de baixo custo para a promoção deste meio de transporte. Num documento entregue à autarquia na terça-feira, a federação invoca o caso paradigmático da segunda maior cidade austríaca, Graz, onde uma política de incentivo à utilização da bicicleta resultou numa redução de 25 por cento da poluição, segundo dados da Comissão Europeia.

Tal como a FPCUB, Paulo Santos considera "impensável" munir de ciclovias de 50 mil euros por quilómetro ("verdadeiras auto-estradas que nenhum cidadão aceitaria custear", garante José Caetano) uma Lisboa em "dramática situação financeira". Contudo, é possível reservar corredores para os utilizadores destes veículos em estradas e passeios mais largos, investindo apenas em sinalização vertical e horizontal. As laterais da Av. da Liberdade ("são demasiado largas para um carro e demasiado estreitas para dois") e a Av. Fontes Pereira de Melo ("o estacionamento lateral que havia foi trancado por pilaretes, mas o espaço está lá, sem uso") são disso exemplo. A construção de mais parques de estacionamento para bicicletas (sobretudo em articulação com os bus), a repavimentação das estradas, a remoção de carris desactivados e a criação de um serviço de requisição de bicicletas são outros dos caminhos apontados pela federação.

"Há quem diga que não se deve investir porque não há utilizadores suficientes. Mas se não os há é porque não estão criadas condições para isso. A câmara tem estado muito receptiva a soluções e basta-lhe apenas quebrar o ciclo", remata Paulo Santos.


Meio de transporte inteligente e complementar

Os cidadãos finlandeses e também os alemães pedalam na rua a temperaturas negativas, mas, diz o engenheiro Paulo Guerra dos Santos, que o clima - "essa velha e falsa desculpa" - é um dos argumentos mais apontados contra o uso da bicicleta nos meios urbanos. "Este ano ainda só houve seis ou sete dias em que não utilizei bicicleta por causa da chuva", contesta. "Eu sou um automobilista e vivo dos carros, porque faço projectos para estradas, mas é preciso saber dosear o seu uso. A bicicleta tem de afirmar-se, acima de tudo, como um meio de transporte complementar ao automóvel e aos transportes públicos". A FPCUB concorda: "A bicicleta tem de ser um meio de transporte inteligente, para usar em complementaridade, de forma a optimizar as deslocações", sublinha José Caetano.

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sexta-feira, 21 de março de 2008

Adeus!



Pronto saio assim
sem acentos
porque sim e
porque me foi pedido por escrito.

Boa sorte e ate breve!

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quinta-feira, 20 de março de 2008

Parabéns!

Fez ontem 45 anos mas merece os parabéns nos restantes 364 dias do ano (somar mais um nos bissextos).

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quarta-feira, 19 de março de 2008

Os vereadores eleitos pelo Movimento Cidadãos por Lisboa apresentam hoje na reunião extraordinária sobre a Baixa Chiado, uma proposta de aditamento à proposta 120/2008 (Revitalização da Baixa – Chiado – Revisão do relatório proposto de Setembro de 2006) levada a discussão pelo presidente António Costa e vereador Manuel Salgado.
Sendo um bom aditamento às questões levantadas no texto publicado há uns dias, aqui o transcrevemos:

Considerando que:

  1. o projecto de revitalização da Baixa-Chiado aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa em 2006 se baseava numa forte parceria público-público entre Câmara e Estado, com forte mobilização de recursos públicos, e que esta parceria foi abandonada.
  2. existe, desde há vários anos e pelo menos desde 2004, trabalho feito na Câmara Municipal de Lisboa para a salvaguarda da Baixa-Chiado, ao qual não terá sido dado seguimento – que seja do nosso conhecimento – nomeadamente no que diz respeito ao regulamento que chegou a ser elaborado depois de uma análise exaustiva de todo o edificado da Baixa.1
  3. existem uma série de agentes e entidades com competências para intervir na Baixa-Chiado, cuja acção não é perceptível para a opinião pública – desde a Agência Baixa-Chiado à própria SRU Baixa Pombalina – e cujos resultados até à data não são visíveis numa efectiva revitalização da Baixa-Chiado.
  4. os processos de revitalização do tecido histórico só têm sucesso quando partem de uma perspectiva integrada - nomeadamente envolvendo as componentes de revitalização urbanística, económica, social e cultural e a manutenção da qualidade ambiental do espaço público.
  5. esta perspectiva integrada – embora esteja anunciada no relatório que é aqui apresentado - não tem tradução nas propostas concretas que somos chamados a votar, que na prática se reduzem a propostas de gestão urbanística.

Tenho a honra de propor ao Plenário da Câmara Municipal de Lisboa que:

  • a Câmara Municipal de Lisboa deve aprovar a realização de um Programa de Emergência para a Baixa-Chiado, num prazo de 60 dias, que permita uma intervenção multidisciplinar com resultados visíveis a curto prazo, sob pena de descrédito absoluto do processo de revitalização desta zona, por perda de oportunidades sucessivas desde 2004.
  • para o efeito, se deve aproveitar muito do trabalho já existente, nomeadamente aquelas propostas que possam ter resultados rápidos e bem como integrar outras em domínios que o relatório não desenvolva, como na áreas social e cultural.
  • dentro desta perspectiva pluridisciplinar e plurisectorial, um Programa de Emergência para a Baixa-Chiado deva conter medidas como:

A nível do tecido edificado:

  • a definição das regras de jogo para a intervenção no edificado da Baixa, nomeadamente através da aprovação do Regulamento - elaborado pela DMCRU em 20042 - a ser revisto, actualizado e posto em vigor.
  • a preparação técnica de mão de obra qualificada para intervir no edificado da Baixa-Chiado, através de cursos de formação profissional suportados pelos apoios públicos e conhecimentos técnicos disponíveis.
  • a abertura de um balcão físico (e virtual), onde seja possível obter toda a informação sobre incentivos e apoios disponíveis, tipo de intervenção possível, etc. (por exemplo, a instalar na Loja do Munícipe – Baixa Pombalina, na
Rua dos Douradores, 108).
  • a escolha de um Quarteirão-Piloto para efeitos demonstrativos das técnicas de recuperação arquitectónica. [n.r.: esse quarteirão de alguma forma já existe - é o do BCP, exemplarmente recuperado do ponto de vista da engenharia - qual é a opinião dos serviços camarários sobre essa recuperação?]

A nível do tecido económico:

  • a apresentação de um plano de revitalização comercial – em colaboração com as associações de comerciantes e com a Agência Baixa-Chiado, que responda a um conjunto alargado de questões como por exemplo: horários de estabelecimentos, cargas e descargas, estacionamento e regras para obras de beneficiação e de adaptação.
  • criação, através da Banca, de incentivos próprios à reabilitação, nomeadamente à de fogos devolutos (através de crédito bonificado e outras facilidades).

A nível do tecido social:

  • a criação de uma bolsa de fracções devolutas pertencentes a: Banca, Seguradoras, Estado, CML, Fundações e outras entidades para imediata reabilitação e colocação no mercado de arrendamento, por um período não inferior a cinco anos3.
  • mobilização de incentivos financeiros públicos existentes (PROHABITA, REHABITA, JESSICA, etc...) ou a criar para intervenção nesta bolsa de fogos devolutos.
  • mobilização da rede social para apoio a situações de maior vulnerabilidade, nomeadamente residentes imigrantes e idosos, para além de agregados ou pessoas isoladas em risco de pobreza.

A nível cultural:

  • revitalização e apoio da rede cultural existente, nomeadamente associações e movimentos cívicos sediados ou actuantes nesta zona da cidade.
  • a criação de novas oportunidades, como por exemplo a localização de um “ninho de associações” num edifício devoluto desta zona.
  • recuperação e divulgação da importância das várias minorias étnicas na história desta zona da cidade, desde a sua fundação.
  • criação de percurso pedonais turísticos-culturais (como por exemplo percursos relacionados com a história literária e artística desta zona).

A nível da mobilidade e ambiente urbano:

  • medidas de diminuição da poluição sonora e atmosférica, em articulação com a disciplina e abrandamento do tráfego.
  • desobstrução e melhoria dos percursos pedonais existentes, nomeadamente através da melhoria do estado dos pavimentos e da remoção de caixas de electricidade desactivadas.
  • renegociação dos contratos dos parques de estacionamento de modo a adequar horários e tarifas à estratégia de revitalização da Baixa

Em bold, algumas das propostas com as quais concordo quase incondicionalmente.

Registamos com entusiasmo a proactividade destes Cidadãos.

Registamos o atraso na entrega oficial das respostas ao nosso documento "Alta de Lisboa - que futuro?". Já conhecemos algumas, falta o registo escrito.

E falta ligarmos toda a cidade, DA ALTA À BAIXA, num só destino, numa só visão.

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terça-feira, 18 de março de 2008

Banco Informativo de Serviços - como funciona

O Banco Informativo de Serviços funciona da seguinte forma:
  • Os prestadores de serviços inscrevem-se no BIS,
  • Os pretendentes dos serviços ligam para 217 588 913, para saber se existe alguém disponível, no horário indicado na figura ao lado
O BIS é uma iniciativa conjunta da Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar, da ARAL e K'Cidade. Numa primeira fase, o BIS irá funcionar desta forma, mas o objectivo dos promotores é informar a oferta de serviços disponíveis através de um site.


O BIS é uma ideia excelente, um verdadeiro instrumento para o projecto da Alta de Lisboa atingir os seus objectivos sociais. Uma iniciativa inteligente e um desafio para todos os moradores. Todos.

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Carta de António Brotas a Manuel Salgado

Assunto: Encontro de ontem na Sociedade de Geografia e intervenção na Televisão.

14 de Março 2008


Caro Arquitecto Manuel Salgado,


Ouvi-o ontem falar na Televisão de três questões com grande importância para o urbanismo de Lisboa e que terão de ser tidas em conta no seu planeamento, a saber:

a questão da ponte rodo-ferroviária para o Barreiro, o encerramento do Aeroporto da Portela e a ligação da linha de Cascais à linha da cintura.

No que diz respeito à ponte para o Barreiro é uma obra que não está decidida. O Governo mandatou o LNEC para fazer o estudo comparado das travessias para o Barreiro e para o Montijo, esta por ponte ou tunel. Uma e outra são obras com elevadíssimos custos financeiros e ambientais (maiores no caso do Barreiro) e uma coisa é certa: a travessia ferreoviária do Tejo só pode ser decidida quando, simultaneamente, for decidida a entrada em Lisboa dos futuros TGV para o Porto.

Ora, há 3 anos, dizia-se que a ponte para o Barreiro serviria para os TGV para o Porto, que voltariam a atravessar o Tejo perto de Vila Nova da Rainha para passarem perto da Ota e depois seguirem para o Norte . Mas viu-se que, por este trajecto, os TGV levariam possivelmente mais tempo que os actuais comboios pendulares. Pensou-se, depois conjugar a ponte para o Barreiro, destinada só aos comboios para o Sul, com uma entrada a Norte de Lisboa, pelo vale de Loures, para os TGV para o Porto. Mas esta solução, defendida durante uns tempos, foi posta de lado porque, além de caríssima, obrigava a constrir 10 km de novas linhas de bitola europeia no interior de Lisboa, em viaduto, à superfície ou em tunel.

Julgo que a solução actualmente defendida pela Secretaria de Estado dos Transportes é a seguinte: os comboios de bitola europeia vindos do Sul pela ponte do Barreiro virarão à direita e seguirão por um viaduto com cerca de 4 km até um anexo a construir ao lado da actual estação do Oriente. Os TGV para o Norte partirão desta estação e seguirão pelo vale do Trancão para a Ota e depois para o Porto. Se este projecto vier a ser construido terá um muito negativo impacto ambiental para Lisboa. Penso, no entanto, que o seu estudo está numa fase inicial e pouco mais é, por ora, de um muito vago projecto. O Ministro das Obras Públicas já disse, aliás, que a passagem dos TGV para o Porto perto da Ota terá de ser repensada.

No caso da travessia pelo Montijo, destinada unicamente a comboios de bitola europeia, o estudo das duas hipóteses, por tunel e por ponte, ambas muito caras e com problemas técnicos dificeis, está também ainda numa fase embrionária. Deve, no entanto, ser sublinhado que esta solução pode ser usada para os TGV para o Porto, que, depois da travessia do Tejo podem seguir pela margem esquerda até perto da Chamusca O impacto ambiental sobre Lisboa é assim muito menor.

Estes assuntos foram amplamente debatidos num encontro, ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, em que participaram 5 professores do Técnico, e em que eu apresentei a proposta de uma travessia perto de Alverca. Se esta solução for possivel, será incomparavelmente mais barata, mais facil de construir, mais operacional, e com menos danos ambientais do que qualquer das outras.

No que diz respeito ao Aeroporto da Portela, é certo que este aeroporto continuará em funcionamento durante mais uma ou duas décadas. Entretanto, será construido por fases o aeroporto de Alcochete. Só daqui a uns dez anos será necessário decidir se a Portela virá a ser encerrada, ou se continuamos com os dois aeroportos. A discussão agora deste assunto é uma pura perda de tempo porque não conhecemos as condições que se verificarão no futuro e porque agora não pode ser tomada nenhuma decisão.

Com respeito à ligação da linha de Cascais à linha da cintura, será uma obra a ponderar. Mas muito mais util teria sido o prolongamento da linha vermelha do metro para o lado de Sacavém, como esteve previsto. Era também conveniente que esta linha fosse à estação de Campolide, em vez de ir ao bairro de Campolide, e era importante que descesse a Avenida de Ceuta. Esta última possibilidade parece-me estar ainda em aberto. O metro nesta avenida, que vai ser urbanizada, é muito importante para os seus futuros habitantes. Com escadas rolantes pode ainda servir as traseiras do bairro de Campo de Ourique, contribuindo assim para a dignificação da zona.

No encontro de ontem na Sociedade de Geografia, não esteve nenhum responsável, nem nenhum técnico da Câmara de Lisboa. Penso que será util , no futuro, que as pessoas que se interessam por este tipo de assuntos se possam encontrar com alguma frequência, que mais não seja para trocarem opiniões e transmitirem informações que detenham.Terei todo o gosto em participar em encontros que a Câmara eventualmente organize.



Com os meus melhores cumprimentos, subscrevo-me

António Brotas
Professor Jubilado do IST

Coordenador de uma equipe universitária que, em 1988, concorreu à elaboração do PROTAML


[recebido por email]

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segunda-feira, 17 de março de 2008

There are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy.

É com grande alegria, honra e orgulho que anuncio a chegada de um novo elemento ao Viver na Alta de Lisboa - BI cívico. Pedro Ornelas, d'O céu sobre Lisboa, um amigo nosso, junta-se a partir de hoje a esta redacção.

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domingo, 16 de março de 2008

Manuel Salgado sobre a morosidade da CML e parcerias com privados

Na 5ª feira passada, o Arqº Manuel Salgado, Vereador do Urbanismo, foi entrevistado na RTP2, no programa Balanço & Contas. A conversa passou muito pela Baixa Pombalina, pelos projectos de Alcântara, pelas circulares viárias que se pretende fazer em Lisboa, nas novas oportunidades criadas pela saída do aeroporto e a construção da terceira travessia do Tejo. Mas também, aqui e ali, Salgado foi dizendo outras coisas igualmente interessantes, no estilo franco que já tínhamos tido o prazer de conhecer, como a sua estupefacção perante a edilidade incompreensivelmente lenta e ineficaz que encontrou, apesar dos 10000 funcionários, ou a necessidade da CML continuar a agir e promover Lisboa apesar das dificuldades financeiras, recorrendo a parcerias com privados.

Ora, parceria com privados é precisamente o que a CML fez aqui na Alta de Lisboa, mas muitas das declarações recentes dos altos responsáveis camarários revelam, em vez de um entusiasmo juvenil de um enlace prolífero, o enfado e cinismo de um casamento morto. E, lamentavelmente, à falta de paixão pela Alta de Lisboa patente no discurso da CML, responde a SGAL com uma frialdade silenciosa, submissa e conformada, que, não defendendo bravamente o projecto, acaba também por desrespeitar os 20.000 habitantes que o viabilizaram.

Fica aqui uma montagem com dois excertos, que proponho que oiçam tendo em mente esta parceria CML-SGAL, ou os atrasos por falta de licenciamento de inúmeras obras, como a Malha 6, os LX Condomínio ou a Porta Sul.


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sábado, 15 de março de 2008

Banco Informativo de Serviços


Foi hoje apresentado ao público o Banco Informativo de Serviços, iniciativa conjunta da Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar, da Associação de Moradores do Alto do Lumiar e do Programa K'Cidade, com o precioso apoio da Junta de Freguesia do Lumiar e da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, SA. O bis propõe-se ser um ponto de encontro entre a oferta e procura de mão-de-obra no bairro.

O Viver na Alta de Lisboa - BI cívico deseja os melhores sucessos ao projecto e dá os parabéns a todos os envolvidos.


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Cavaco veta zona ribeirinha

Depois de centenas de horas de debate, de rios de tinta gastos em artigos de jornal, depois de se tornar opinião generalizada que a situação da frente ribeirinha, com uma linha de Tejo de mais de 10Km vedada à população por estar entregue ao Porto de Lisboa, tinha de mudar, depois de finalmente a CML e Estado chegarem a acordo sobre este assunto, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, usa pela primeira vez no seu mandato o poder de veto, devolvendo ao Governo o diploma aprovado há dois meses em Conselho de Ministros.

Infelizmente, Cavaco Silva não deu qualquer justificação. E assim, a população, que é a mais interessada no assunto, continua sem saber que cordelinhos mexem a política portuguesa.

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