De tamanho pequeno, macho, agradece-se a quem o encontrar o favor de contactar
Susana Viegas- 962593982
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Tiago
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Extra, extra!!!
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Pedro Cruz Gomes
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etiquetas: Uma Campanha Alegre
Uma e meia da manhã. O concerto da noite anterior continua. Ocasionais chegam os risos dos operários, o raspar de uma qualquer máquina eléctrica, o bater do ferro contra ferro. O som cavo da vibração de um qualquer mecanismo em funcionamento. À medida que a noite avança vão deixando de ser o intervalo entre carros para serem a companhia persistente dos noctívagos ou a causa do acordar dos que têm um sono mais leve.
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Pedro Cruz Gomes
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Tiago
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etiquetas: CanaLta 17b

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etiquetas: Lisboa 2007
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Pedro Cruz Gomes
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etiquetas: Lisboa 2007, reabilitação urbana
E pronto, mais uma edição do post politicamente incorrecto Uma Campanha Alegre. Desta vez com a prova evidente de como na campanha para Lisboa 2007 as candidaturas começam a extremar posições. A reter a inversão de papeis: enquanto a esquerda toma de assalto o moralismo castigador apanágio da direita no passado - devem os lisboetas ser castigados pelas escolhas eleitorais anteriores? -

esta parece amenizar-se, dar um ar familiar e heterogéneo à candidatura. Tempos de mudança, tempos de mudança...
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Pedro Cruz Gomes
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etiquetas: Lisboa 2007, Uma Campanha Alegre
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Tiago
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"O "Pantufa" (nome que lhe dei), foi encontrado no passado dia
1.Junho.2007 na rua, meio perdido e confuso, na zona da Alta de
Lisboa, Lumiar, e até à data não há sinais do dono.
Trata-se de um gato com idade de 1 a 2 anos, com pelo cuidado, muito
dócil e meigo.
Tem características bem próprias de um gato domesticado e adaptado à
viver num apartamento, como sendo:
- É fácil dar-lhe banho, embora não goste muito do secador;
- Adora ser escovado;
- Tem as unhas aparadas;
- Está castrado;
- Está habituado a comer ração;
- Só faz as necessidades na WC própria;
- Está sempre a pedir festas;
- Acompanha-nos para qualquer lado que vamos, faz sempre companhia.
Por motivos de saúde, não me é possível ficar com ele, por isso
procuro um lar que esteja disposto a cuidar dele.
Neste momento encontra-se fechado numa marquise, o que não é o lugar
ideal para um gato lindo e meigo como o Pantufa.
Se tiver condições para ficar com o "Pantufa", por favor contacte:
Lúcia Inês (919388774)
lucia.pedro.ines@gmail.com"
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Pedro Veiga
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Pedro Cruz Gomes
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O urbanismo em Portugal tem alguns paradoxos inexplicáveis, tal como este exemplo: investe-se forte e feio numa auto-estrada de seis faixas que rasga Lisboa ao meio (o eixo norte-sul) …
… que desemboca numa azinhaga de uma só via onde é impossível a circulação de veículos com segurança, como é o caso da estreita azinhaga de S. Bartolomeu:
Na óptica do desenvolvimento urbano da nossa cidade, esta auto-estrada tornou-se necessária, pois o trânsito automóvel cada vez mais asfixia as ruas dos bairros de Lisboa. Por outro lado, esta via irá funcionar como atractivo para a vinda de mais veículos para o interior da cidade. É neste conceito errado de desenvolvimento que Lisboa tem crescido.
É claro que, se o desenvolvimento urbano de Lisboa assentasse noutras premissas voltadas para a criação de uma rede eficiente de transportes públicos e para a construção de espaços pedonais, tudo seria muito diferente. A nossa cidade teria mais espaço para se respirar e se viver em segurança. Infelizmente, as políticas definidas pelos nossos governantes continuam voltadas para a primazia do automóvel sobre o peão. Ainda no domingo passado, o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa teve a amabilidade de afirmar que a bicicleta não serve como meio de transporte em Lisboa. Perante tal afirmação, ficamos a saber como está mal formada a consciência dos nossos fazedores de opinião pública acerca das ideias do desenvolvimento sustentável das cidades.
Este é, sem dúvida, um tema da ordem do dia! A informação que circula nas cadeias de televisão e nos jornais não nos alerta para o que se está a passar globalmente no nosso planeta. A explosão do desenvolvimento das nações mundiais trouxe um vertiginoso aumento do consumo de recursos energéticos e materiais. Hoje, a necessidade de metais-base essenciais à nossa indústria, como o ferro, o chumbo, o cobre, o estanho, etc., disparou de tal modo que os preços têm subido vertiginosamente. No campo dos recursos energéticos, a procura de petróleo tem aumentado a um ritmo muito forte, que está a ultrapassar a capacidade de oferta por parte da natureza. Para estes recursos existe um limite geológico de extracção, conceito que a esmagadora maioria dos nossos governantes e seus conselheiros parece desconhecer por completo.
Actualmente, o mundo necessita de mais de 80 milhões de barris diários de petróleo para satisfazer as suas necessidades energéticas e materiais! Ora, tal sede por este versátil e rentável recurso está a ser satisfeita pelos gigantes campos petrolíferos descobertos há mais de 40 anos. Estes campos estão actualmente a dar fortes sinais de exaustão. Tais sinais traduzem-se pela diminuição progressiva da quantidade de crude extraída. Especialistas nesta área afirmam que, globalmente, o planeta Terra não conseguirá fornecer mais de 100 milhões de barris de petróleo diários. Ora, isto significa, que o volume de extracção actual (cerca de 84 milhões de barris) estará próximo do limite geológico (cerca de 100 milhões de barris)! Ou seja, estamos a atingir o pico de extracção de petróleo (“peak oil”). 
É, portanto, urgente mudar de hábitos e acabar com o desperdício energético, símbolo do desenvolvimento no século XX e da insustentabilidade no século XXI. Por isso, a promoção de modos de deslocação ecológicos e mais racionais é um dos caminhos a percorrer para o harmonioso desenvolvimento das cidades. Devem ser defendidos os transportes públicos, as vias pedonais e os caminhos cicláveis em detrimento do uso abusivo do transporte particular, grande consumidor de energia. Ao considerar um disparate o uso da bicicleta em Lisboa, o Professor Marcelo, mostra estar atrasado 50 anos, altura em que foi descoberta a maior parte dos grandes campos petrolíferos que ainda hoje saciam a nossa sede energética.
À luz destes sinais da natureza, todos os grandes projectos que envolvam o consumo de energia não renovável devem ser cuidadosamente pensados. Se, daqui a uma década o barril de petróleo valer 500 dólares ou mais, qual será o preço médio de uma viagem de avião para uma cidade da Alemanha? Provavelmente, só uma minoria de pessoas poderá viajar frequentemente de avião. Valerá a pena construir um colossal aeroporto novinho em folha?
A meu ver, o crescimento económico está dependente dos limites geológicos do planeta. O modelo económico actual assenta na equação:
Crescimento económico = Crescimento energético
Este tipo de crescimento poderá continuar enquanto o nosso planeta aguentar a pressão. O século XXI será, de certeza, um século de mudança. Espero que para o bem.
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Pedro Veiga
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Tiago
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etiquetas: eixo pedonal
Parque Infantil de Bicicletas, Plano Almada Ciclável
Mas Almada tem o Plano Almada Ciclável. E outros sítios no mundo têm outras ideias, como este elevador para bicicletas. Esta era uma boa ideia para ir do Cais-Sodré para o Príncipe Real, não era?
Com a "renovação" da Autarquia era boa altura para ver ideias para Lisboa. A melhor que vi até ao momento está na candidatura do BE: "Criar, nos próximos dois anos, um parque municipal de bicicletas para utilização pública, com postos espalhados pela cidade; Executar, nos próximos dois anos, uma rede ciclável, nos seguintes eixos: eixo ribeirinho Algés / Moscavide, eixo Alcântara / Jardim Zoológico / Carnide e eixo Benfica / Telheiras / Campo Grande / Parque Eduardo VII". As outras dizem coisas tão gerais como "privilegiar os transportes públicos", mas sem dizer como nem onde.
No entretanto, o Metro aumentou ligeiramente o horário em que é permitido o transporte de bicicletas, e a Carris diz que é para o final do ano (via Cenas a Pedal).
Para quem tem vontade, mesmo com a pouca ajuda da Câmara, Metro e Carris, fica aqui um blog de dicas para ciclar em Lisboa: Utilizar a bicicleta na cidade.
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Joana Jordao
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Pedro Cruz Gomes
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etiquetas: Lisboa 2007, perguntas aos candidatos
Ainda a propósito das perguntas aos candidatos feitas em nome individual e nunca respondidas, vem-me à memória esta lei de Heródoto, citada por Kapuscinski(*):
"É mais fácil enganar uma multidão do que um único indivíduo"
(*)Andanças com Heródoto, ed. Campo das Letras
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Pedro Cruz Gomes
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12:15
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Das entradas, destaque para os enchidos. Das nossas incursões pudemos comprovar a excelência da morcela da Guarda e da alheira de caça: a morcela com o excesso de gordura que lhe é natural devidamente cortado pela acidez dos gomos de laranja, a alheira acompanhada por uns grelos cozidos no ponto e salteados em azeite e alho. Já o salpicão nos pareceu menos digno de nota, um tom inferior face à pujança dos seus acompanhantes.
Ficou por provar o queijo de Castelo Branco, igualmente anunciado na ementa.
PEIXES
Camarão na Grelha; Amêijoas à Bulhão Pato; Choquinhos à Algarvia; Dourada Grelhada; Feijoada de Camarão
Concessões à diversidade de gostos dos clientes, ao camarão e à dourada dissemos nada, reservando-nos para a feijoada de camarão. Bem apurada, com fartura de crustáceos valeu a escolha.
Já dos choquinhos não gostámos do excesso de sal, a acentuar em exagero a fortaleza do refogado e da presença do alho.
CARNES
Pernil de Porco no Forno; Perna de Veado no Forno; Pato no Forno com Laranja; Presa de Porco Preto na Grelha; Picanha Fatiada na Grelha; Carne de Porco Alentejana; Feijoada de Lebre; Coelho com Amêijoas; Moelas Estufadas; Bife da Vazia Frito ou Grelhado
Há nos pratos de carne disponíveis um visível cuidado em combinar as concessões ao gosto pouco exigente dominante actual (o pernil de porco, a picanha, o bife da vazia) com uma culinária menos vista mas mais regionalista. Boas surpresas poderão ser, para quem queira arriscar sair do habitual a feijoada de lebre ou o coelho com amêijoas. A presa de porco, provada, pareceu-nos um bocadinho seca, acusando um ligeiro excesso de tempo na grelha, eventualmente acidental; a utilização de fruta como parte do acompanhamento, um bocadinho despropositada.

SOBREMESAS
Mousse de Chocolate; Baba de Camelo; Doce de Maçã com Doce de Ovos
Enfim, não se pode ter tudo. E no capítulo das sobremesas, a nossa animação decresceu perante tão rala oferta. O doce de maçã é um atentado aos menos gulosos. Puré de maçã envolto em claras batidas em castelo e levado ao forno, revestido com um doce de ovos transbordante é a proposta.
CARTA DE VINHOS
A carta de vinhos é, ao contrário das vitualhas, pouco variada e muito menos apelativa. Tivesse o amigo Almeida tempo, recomendar-lhe-íamos umas expedições aos locais de origem dos seus pratos em busca de bons casamentos vinícolas para disponibilizar aos comensais.
PRATOS DO DIA
Terça – Pato no forno com laranja; Quarta – Feijoada à Brasileira; Quinta – Arroz de Polvo com Camarão; Sexta – Pernil de Porco no Forno; Sábado – Choquinhos Fritos à Algarvia; Domingo – Cabrito Assado no Forno
SERVIÇO
Extremamente prestável e atento, o dono da casa, Sr. Almeida, oficia sozinho e de tudo dá conta.
COMO IR
O restaurante fica na Rua do Lumiar mas o melhor é deixar o carro no princípio da vizinha e paralela Alexandre Ferreira e depois a ela aceder a pé pelo pequeno pátio situado no saguão do primeiro prédio do lado esquerdo. Para os menos avisados, a rua Alexandre Ferreira começa no prolongamento da Alameda das Linhas de Torres, junto às bombas da Repsol.
APRECIAÇÃO
Localização e acessos - 4/6; Espaço interior, conforto – 3/6; Serviço - 5/6; Ementa – 5/6; Culinária – 5/6; Carta de Vinhos – 2/6. Valor final – 4/6. Apreciação final: um espaço definitivamente a frequentar quando em busca de uma cozinha sólida, regional, apurada.
RESTAURANTE RETIRO DA MATILDE
Rua do Lumiar, 18-20, Lumiar
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Pedro Cruz Gomes
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20:11
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etiquetas: Restaurantes, Viver Magazine
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Pedro Cruz Gomes
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etiquetas: IPO, Lisboa 2007
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Tiago
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Tiago
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Defina-se em primeiro lugar qual o âmbito em que iremos tratar a “reabilitação urbana” já que, no seu sentido mais lato, reabilitação urbana será qualquer tipo de intervenção de requalificação que se faça numa cidade. Assim, de que falamos, quando falamos de reabilitação urbana em Lisboa? Especificamente, estamos a referir-nos à actuação do poder público na definição e na execução de políticas que eliminem as patologias urbanas (sociais, arquitectónicas, económicas) e as causas a elas associadas de que enfermam os denominados bairros históricos da cidade (concretamente Alfama, Mouraria, Madragoa, Bairro Alto, Bica). Em linguagem mais pragmática: que procurem reconduzir estes bairros a patamares de vivência que já tiveram, com diversidade etária, social e económica e com capacidade de gerar, sem auxílio externo, condições para que esses níveis se mantenham.
Demasiado críptica a intenção? E que tal, em português mais directo: que se criem condições para que saiba bem lá viver?
Esta dificuldade aqui expressa de definição de um objectivo que, à partida, pareceria tão fácil de definir, é um espelho das dificuldades que as várias forças (na verdade foram só duas: o PCP e o PSD) no poder tiveram para, mais do que saber o que queriam, concretizar o que queriam para a parte antiga de Lisboa.
Tentemos então sistematizar ideias.
Quais são então os principais factores para “criar” qualidade de vida” num bairro? Resumidamente,
- A arquitectura (das fachadas aos espaços interiores)
- O urbanismo (no que respeita à “disfrutabilidade” dos espaços)
- A facilidade de acessos, de circulação automóvel, de estacionamento
- A proximidade dos equipamentos e serviços
- A proximidade de transportes públicos
- A existência de espaços de lazer e a sua agradabilidade
Penso ser do senso comum concordar que estes factores tanto funcionam para as novas urbanizações como para as existentes. Se assim é, então para que exista uma efectiva reabilitação do bairros históricos lisboetas é necessário garantir que neles estes factores existam ou voltem a ser oferecidos – não é pela lágrimazinha furtiva que emitimos quando por eles passeamos, ou quando a sardinheira no varandim, o candeeiro antigo na fachada ou as ruelas perfumadas pelo manjerico nos captam a atenção que mais população decidirá voltar a habitá-los.
Não é pelos seus lindos olhos que os bairros históricos passarão a ser atractivos o suficiente para motivar o aumento da sua população.
Mas é mesmo o aumento da população que o poder camarário quer para os bairros históricos?
Pelo que fez e disse através dos responsáveis da altura, ao PCP (e, por força da coligação ao PS) isso não interessava: objectivo fundamental era o de criar condições de habitabilidade à população residente, evitando, num equilíbrio precário, a sua fuga mas também a gentrificação dos locais, numa espécie de nunca assumido, parque temático socialmente correcto. Em simultâneo, defendia-se a necessidade dos bairros criarem a sua própria sustentabilidade e a vontade dos mesmo não se gentrificarem (ou seja que não se alterasse a sua composição sociológica) o que, perante uma população que tinha demonstrado à saciedade não ter recursos para tal (daí a necessidade de intervenção camarária na reabilitação dos edifícios), nunca ninguém soube ou pode explicar como. Também o PSD, por omissão – já que nunca contestou a política anterior, antes a anunciou mais eficazmente gerida -, pareceu concordar com esta ideia (o que ideologicamente parece também fazer sentido: à média burguesia as urbanizações limítrofes, aos pobrezinhos o depauperado centro para turista ver). Quanto aos restantes partidos, para além das bondosas frases de circunstância em defesa do politicamente correcto, nada de mais específico se ouviu.
E será o aumento da população nos bairros históricos o que Lisboa precisa? Como?
Do meu ponto de vista, essa necessidade é uma evidência.
Porque não faz sentido – urbano, económico, social – ter uma cidade esvaziada no centro, tomada pela pobreza e/ou pelos serviços, e superlotada na periferia.
Porque Lisboa precisa de massa crítica populacional de modo a viabilizar toda uma gama de pequenos serviços que servem para dar tessitura a uma cidade – o comércio de proximidade, os serviços de apoio aos moradores, por exemplo.
Porque, como já foi referido, os bairros precisam de auto-sustentabilidade de modo a suportarem-se por si próprios, numa sempre activa regeneração que cria actividade, gera riqueza, aumenta o nível de vida das populações.
Porque, mesmo para consumo turístico, uma zona viva, pujante, activa, gera mais riqueza e mais oportunidades para todos, do que uma relíquia que apenas tem para oferecer os sinais da decadência e de um passado morto.
Porque a democracia se constrói com gente activa e não com uma população decadente e sem futuro, porque uma cidade se constrói em evolução e não em involução.
Se então se torna claro que o aumento da população é uma necessidade, onde buscar essa população?
Nos últimos 30 anos Lisboa encontra-se num ciclo claramente regressivo de população. Há uma fuga clara para os concelhos limítrofes que anula os efeitos da imigração interna do interior do país para a capital e da imigração vinda do exterior, fruto, não da oferta de melhores condições de habitação mas de uma melhor relação preço/qualidade da habitação. Há uma fuga para as novas urbanizações da periferia da cidade pela mesma razão.
Perante esta realidade, ou se seduz a população já residente na cidade ou se procura o regresso dos que emigraram para os concelhos vizinhos. Ou se depaupera ainda mais o interior do país.
A primeira hipótese está fora de questão por não contribuir para o aumento da população da cidade, do mesmo modo que, a terceira parece de todo em todo recusável. Resta assim dirigir os esforços de captação de nova população para aquela que já na cidade habitou.
Como criar então atractividade suficiente nos Bairros Históricos para que nos mesmo se verifica uma inversão da procura actual? Pela conjugação de dois factores: o económico e o emocional.

Porque é que as gentes fugiram de Lisboa? Porque lhes desgostava viver na cidade onde nasceram? Porque a perspectiva de passar entre duas a três horas nos percursos entre casa e o emprego lhes era atraente? Porque a desumanidade das cidades dormitório lhes era indiferente? Ou porque simplesmente não tinham dinheiro para viver na Lisboa que queriam?
Repare-se no tipo de produto imobiliário disponível nos bairros históricos para preços por metro quadrado equivalentes aos da periferia: apartamentos de áreas reduzidas, inferiores muitas vezes aos mínimos sociais definidos na legislação, em prédios antigos a necessitar de obras, sem garantias de resistência sísmica, sem garantias de estanqueidade, sem elevador, em zonas de difícil acesso automóvel e quase impossível estacionamento.

Como é possível acreditar-se verdadeiramente que, apesar destes elementos desfavoráveis (que constituem o fulcro de toda a decisão de escolha de uma casa), ainda haverá uma população suficientemente numerosa que escolha morar nos bairros históricos?
Só alterando profundamente estas condições se inverterão os fluxos habitacionais actuais. Acrescentando à parte afectiva que existe – as vistas do rio, a cultura própria dos sítios, a patine histórica, a luz – razões mínimas de conforto suportadas por preços concorrenciais.
A nível arquitectónico escolhendo criteriosamente – por razões arquitectónicas, históricas, culturais – quais os poucos quarteirões a preservar e demolindo e recriando, em condições regulamentares e em coerência com o existente, novos espaços de habitação numa lógica de intervenção quarteirão a quarteirão, aproveitando a economia de escala e – factor fundamental – criando condições de resistência a sismos (o que, diga-se frontalmente, é quase impossível de garantir em intervenções individuais). Recorde-se que a reabilitação, em condições regulamentares, de um edifício em Alfama ou Mouraria atinge, sem grandes descontrolos orçamentais, valores que são duplos a triplos dos valores definidos por lei para habitação social – é esta a principal razão porque, apesar das boas intenções, a maioria dos projectos de intervenção da CML não foi concluída.
A nível urbano, aproveitar alguns desses quarteirões para instalação de silos de estacionamento. Deixar quarteirões vazios de habitação e criar espaços de fuga para o Tejo para os olhares e de fruição para os sentidos. Acautelar a manutenção das carreiras de eléctricos existentes e criar transportes públicos interiores (não existem já os transportes sociais pagos pela CML?) em veículos ecológicos com dimensão adequada à dimensão das ruas. E – porque não? – reestruturar circulações, criando ou alargando algumas ruas de modo a racionalizar circuitos de acesso aos edifícios (e não para trânsito automóvel) acabando de vez com a mentira da proibição ao trânsito automóvel em vigor em alguns bairros.
É arrepiante pensar na demolição de muitos dos prédios destes bairros?
Arrepiante é pensar que, no estado em que estão as coisas, alguém ainda possa acreditar que muitos deles terão à sua frente uma vida longa. Muitos vêm morrendo há décadas, corroídos por múltiplas infiltrações derivadas da ausência de obras de manutenção e reabilitação; muitos degradam-se fruto de intervenções casuísticas efectuadas por moradores pouco esclarecidos ou empreiteiros ignorantes; quase todos não têm um mínimo de condições de resistência a um sismo de intensidade semelhante à dos que atingiram Lisboa no passado.
Arrepiante é acreditar na bondade das intenções da autarquia que garante todos pretender reabilitar. Como, se lhe faltam as verbas? Como se são as verbas no passado aplicadas na reabilitação de um ínfimo da área existente que tanto pesam na dívida de hoje, a ponto de paralisarem a acção da Câmara?
O presente exige realismo, pragmatismo e inteligência. Para se aceitar que as teorias do passado foram as responsáveis pelo presente, para compreender que, para além dos gostos estão as necessidades da cidade. E para se evitar cair em tentações de sinal contrário em que o camartelo é rei e o progresso fazendo tábua rasa de tudo. Porque se é tempo de acabar com uma Lisboa antiga, miserável e moribunda, nunca o será da construção de uma alta coimbrã ou de uma ceausesquiana Bucareste.
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Pedro Cruz Gomes
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etiquetas: autárquicas, Lisboa 2007, reabilitação urbana
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Pedro Cruz Gomes
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etiquetas: Lisboa 2007, perguntas aos candidatos