segunda-feira, 7 de maio de 2007

O Poder da Comunicação



Muito se tem debatido sobre as dificuldades de comunicação do promotor imobiliário na gestão global do PUAL (Projecto de Urbanização do Alto do Lumiar) e do desenvolvimento da sua implementação.

O que se passa no sector da construção é que passámos de uma situação de excesso de procura para uma situação nova-no-mercado de excesso de oferta. Lembremo-nos que as técnicas de Marketing (como a Publicidade ou a Força de Vendas) apareceram em mercados amadurecidos por volta dos anos 1950 quando passámos a ter esse fenómeno, em que os Produtores passaram a verificar que já não bastava produzir, era necessário “chegar” ao Cliente (!). Na realidade, o braço da “balança” passou a “inclinar-se” para o “outro lado” (o do Cliente) e nunca mais voltou para o “lado inicial” (o do Produtor).

O Marketing e a Comunicação passaram a ser absolutamente cruciais nesses mercados.

Em Marketing, ou melhor, no bom Marketing, o que se oferece é uma combinação de um bom produto e de uma política adequada de preço, distribuição e comunicação.

Uma visão mais “comunicacional” dirá que a única coisa que realmente interessa é exclusivamente a Comunicação, pois o que interessa é chegar à “alma” e à “mente” do Cliente/Consumidor e conseguir induzir-lhe um estado de satisfação, pois dessa forma ele sentirá “mais valor” na sua relação com o produto.

Esta visão “fundamentalista” – em que só a Comunicação é que interessa – poderá ser considerada exagerada, mas reflecte a extrema importância do papel da Comunicação. Efectivamente, os 4 p’s do Marketing Mix (product, price, place, promotion-comunicação) deverão estar articulados e, “jogando em equipa”, representando uma “oferta” ou “proposta de valor” para o Cliente.

Apesar de exagerada, esta visão mostra-nos que devemos ver processos de comunicação em todas as actividades relacionadas com a oferta, senão vejamos: o produto comunica em todas as situações que antecedem o processo de compra (sonho), no momento da compra (favorecimento de estados de “alma” que facilitem a venda) e depois da compra (o processo de contacto com o produto, no próprio consumo); o preço pode comunicar a categoria e qualidade do produto e a que tipo de Cientes se dirige, pode dizer-nos algo sobre a flexibilidade do vendedor ou da oportunidade da compra; a distribuição (local de venda, serviços no ponto de venda) pode comunicar, igualmente, a categoria e qualidade do produto e a que tipo de Cientes se dirige, pode ainda ajudar a promover, in loco, o produto a vender; finalmente, a Comunicação propriamente dita (a publicidade, os diferentes meios de comunicação, a comunicação institucional, a divulgação no local, etc.) é desenhada para aumentar a notoriedade (é uma questão de quantidade de comunicação) e para transmitir as ideias principais que quem vende quer fazer chegar ao Cliente (questão da substância da comunicação).

Há ainda um conceito estratégico, que tem o nome de Posicionamento, e que corresponde, em poucas palavras, às principais ideias-chave que os Clientes (genericamente/estatisticamente) mantêm na sua mente relativamente ao produto. Estas ideias-chave, sendo estratégicas, revelam-se centrais relativamente ao conjunto das mensagens e ideias que lhe são transmitidas; é ainda à volta dessas ideias-chave que os Clientes constroem a imagem que fazem da Organização e dos seus Produtos e Marcas.

A grande mensagem deste post é que, na venda de um produto e na sua relação contínua com o Cliente, TUDO COMUNICA! A telefonista, a recepcionista, o Presidente, a Relações Públicas, o que dizem, como dizem, como atendem o telefone; os Vendedores, o que nos dizem, o que nos prometem, a convergência entre o prometido e o real, a divergência positiva (boa surpresa), a divergência negativa (má surpresa); o Pós-Venda, a atenção, a falta de atenção, o esquecimento, o distanciamento, o tempo de resposta, a qualidade da resposta, a ausência de resposta, a resposta operacional concreta, a resolução do problema específico, a relação emocional, a relação com a “alma” do Cliente; o Produto, o que dizem os produtos, os detalhes, os acabamentos, as boas surpresas do produto, as más surpresas dos produtos; o Cliente, o Cliente satisfeito, o Cliente insatisfeito, o que dizem os Clientes; os Meios, o que diz o Outdoor, como o diz, o que nos diz o site, o que dizem os media; a forma como é apresentado o preço, se lhe é dada especial atenção ou se é relegado para segundo plano; a Articulação ou a falta dela de tudo isto; a Articulação de um departamento de Comunicação, Marketing e/ou Relações Públicas com o restante corpo da organização; o que nos dizem e o que não é nos é dito, ...

A boa comunicação é absolutamente fundamental para acrescentar valor (leia-se, valor para o Cliente e para o Produtor/Vendedor), saiba o Produtor/Vendedor desenvolvê-la convenientemente.

Tão fundamental que deveria ser objecto de especial atenção por parte da gestão de topo em vez do resultado de processos casuais, ao acaso, ou de uma filosofia “é como sair, se é que vai sair alguma coisa”.

Ora o que é que isto tem a ver com o PUAL? Sugiro que nos lebremos a notícia que nos informou da alteração da Administração do promotor imobiliário.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/empresas/pt/desarrollo/742725.html

Comunicou muita coisa. Vejamos: Dificuldade de vendas (muito abaixo do planeado, “stocks elevados”) – revela-nos, indirectamente, que há um déficite de comunicação em quantidade e/ou substância e/ou focalização; problemas com a qualidade do Produto (“mau nível de qualidade”); problemas na relação com o Cliente (“que os seus clientes se queixam”); problemas das inconsistências de Posicionamento – Alta de Lisboa vs poucos produtos “topo-de-gama” ou Alta de Lisboa vs política de promoção e comunicação baseada em preços baixos, desqualificando os bons atributos do conceito/PUAL (“a empresa optou por promoções, em detrimento do produto”).

Existe efectivamente um problema de comunicação que parece ser uma função esquecida, ou relegada para segundo plano, por parte do promotor imobiliário.

Finalmente, quero deixar claro que gostaria de poder contribuir para uma Comunicação de verdadeiro Valor Acrescentado, e ser mais um Cliente a divulgar a excelência do projecto (e sua implementação) sem qualquer “mas” pelo meio do discurso. Gostava de ser mais um “peão” no “xadrez do sistema de comunicação” e dizer a toda a gente “é Excelente” em vez de “estou genericamente satisfeito mas ...”. No entanto, será necessário que alguma coisa mude muito seriamente.

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domingo, 6 de maio de 2007

Feira das Galinheiras todos os Domingos



Ver aqui como lá chegar.

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JPP fala no PÚBLICO sobre de que é hoje feita a massa dos políticos


José Pacheco Pereira
PÚBLICO, 5 de Maio de 2007

Por detrás de Carmona Rodrigues, ao lado, em cima, a aplaudir às claras, a conspirar às escuras, a conspirar às claras, a mover-se quer como um polvo, quer como aqueles pombos que vinham nos livros antigos de zoologia, um a que tinham tirado o cérebro e ficava firme e hirto, outro a quem tinham tirado o cerebelo e ficava ali pousado na sua própria gravidade, está uma entidade pouco visível em todo este processo. Na sua declaração, Carmona Rodrigues referiu-se-lhe de passagem sem a nomear. Esta terceira entidade na crise lisboeta, não sendo decisiva em nada de importante como seja ganhar eleições, é fundamental nas peripécias. Ora peripécias é o nome do processo de Lisboa a partir de agora. Esta entidade é o aparelho político do PSD em Lisboa, a distrital de Lisboa.

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Duas prevenções são necessárias. Uma é que a distrital de que falo está muito para além da sua actual presidente, e pouco tem a ver com ela, já lá estava antes, estará lá depois. Os presidentes passam, mas os mesmos homens e mulheres lá ficam agarrados aos seus pequenos e pequeníssimos poderes, nas secções, uns na oposição, outros controlando secções onde funcionam como caciques há longos anos. Todos têm um longo historial de conflitos, agudíssimos pela proximidade, uns contra os outros, aliando-se e zangando-se conforme as conveniências, arregimentando-se atrás da "situação" (a distrital e o seu presidente, ou os autarcas em funções), ou combatendo-a sem descanso. São várias centenas de pessoas, do PSD, da JSD e dos TSD, que "militam" no preciso termo da palavra, mantêm as estruturas a funcionar, reúnem-se, discutem, organizam umas sessões, mas, acima de tudo, prosseguem uma actividade de marcação de território, de conquista ou minagem.

A segunda prevenção é que tudo o que eu digo sobre a distrital de Lisboa é aplicável ipsis verbis à estrutura idêntica do PS na capital. Os dois partidos funcionam da mesma maneira e têm um "pessoal" político que parece tirado a papel químico. E a questão está muito para além de ser do PSD ou do PS. Tem a ver com a degradação acentuada dos aparelhos partidários em Portugal. Revelam-se na sua actuação não só velhas tendências diagnosticadas há muito na "oligarquização" dos partidos, mas também as fragilidades do tecido político nacional e a crise dos partidos dentro da crise mais geral das mediações nas sociedades que caminham da democracia para a demagogia.

Eu conheço bem esta realidade porque fui presidente da distrital de Lisboa, onde ganhei duas eleições (uma das quais as primeiras directas no PSD) e perdi vergonhosamente uma. Foi a minha experiência política mais desastrosa, mais desgastante, menos rewarding, mas foi aquela em que aprendi mais e, num certo sentido, uma das mais interessantes para perceber muita coisa que se passa no PSD, e o próprio PSD e o PS. Prometo a mim próprio há muitos anos escrever uma memória destes tempos, mas talvez ainda seja cedo ou tarde de mais, até porque os nomes circulantes continuam por aí, e continuarão até morrer porque esse é o seu modo de vida. Já estiveram comigo, com os meus opositores, com os opositores dos meus opositores, com os amigos e com os inimigos, mas estão lá, que é o que interessa. Muitos deles são instrumentais na crise de Lisboa, uns a favor de Carmona, outros de Marques Mendes, outros virulentamente contra os dois, ou só contra um deles. Farão tudo para se defender e aos seus lugares, e farão tudo para varrer os outros dos lugares. É a lei da selva mais dura que para aí anda, com um grau de produção de "inimigos íntimos" sem dimensão fora da política, mas "eles" são a distrital de Lisboa e não há outra.

Tiro já da equação factores que têm hoje um pequeno papel em todo este processo. Um é a componente ideológica e partidária, a adesão a um corpo de ideias e políticas, uma obrigação de intervenção cívica, que nos primeiros anos do PSD era um motivador das suas "bases" e que agora é apenas uma sobrevivência inútil. As listas nas secções e na JSD não têm qualquer lastro ideológico e político e são quase inteiramente "posicionais": contra este ou aquele, de "oposição ao líder", ou ao seu serviço, a favor deste ou daquele grupo, deste ou daquele interesse. O essencial é constituir sindicatos de votos que ou são livres de se deslocarem ao serviço dos seus donos, ou são emanações de outros grupos e de outras pessoas, de cujo sucesso político ficam dependentes, como é o caso dos "santanistas". As velhas classificações, como a de "sá carneirista", são hoje meramente instrumentais e usam-se cada vez menos. Um dos grandes "sá carneiristas" que conheci numa secção dos subúrbios de Lisboa mal verificou que não seria recandidato a uma vereação, depois de fazer tudo, e foi mesmo tudo, para conseguir manter o lugar, acabou depois por procurar o PRD, o PSN e por fim o PDC, partidos que existiam apenas nominalmente, para conseguir candidatar-se contra o PSD. Existe ainda a "camisola", uma identidade laranja forte, principalmente nos mais velhos, mas é uma atitude póstuma nas cidades, embora ainda haja pelo país fora sobrevivências desta antiga cultura de partido, feita da resistência nos anos difíceis dos anos 70 e 80, ela está em extinção.

O segundo factor é a ilusão de que haja qualquer ética de serviço público, qualquer vontade cívica, qualquer projecto que não esteja ao serviço de objectivos que são para eles "profissionais" no sentido pleno, para si ou para os seus familiares e amigos. Ninguém quer verdadeiramente ganhar nada, mas querem manter o statu quo e esse statu quo é medido pelo número de lugares de que dispõe um grupo ou uma secção e a sua categoria (a resistência do aparelho do PS a eleições em Lisboa é da mesma natureza). Esses lugares são aqueles que aparecem nas estatísticas da oposição como as dezenas e centenas de militantes do PSD e da JSD (lembro, no PS é a mesma coisa) que entraram para este ou aquele departamento da Câmara de Lisboa, esta ou aquela empresa municipalizada, gabinete da vereação ou serviço municipal.

Há os fiéis de Santana que Carmona afastou e que são violentamente anti-Marques Mendes, há os fiéis de Paula Teixeira da Cruz herdados de António Preto, que são pró-Marques Mendes, há os opositores a Paula Teixeira da Cruz e ligados a Helena Lopes da Costa, secretária-geral proposta por Luís Filipe Menezes, há os que se colaram a Carmona e ao seu poder autárquico e que sabem que, se este cair, caem com ele para o ajuste de contas dos seus adversários, lugar a lugar, secção a secção, há os "companheiros" do vereador A ou B, o seu grupo de apoiantes a quem atribuiu lugares na estrutura da câmara e que sabem que tão cedo não voltam, há uma miríade de interesses instalados que resistirão manu militari. Não me admira pois que mandem o partido às malvas e queiram desesperadamente lá ficar, a não ser que percebam que a sua atitude é inútil.

Face a eles não adianta perguntar qual o poder de Carmona, Paula Teixeira da Cruz ou Marques Mendes, porque a resposta é quase nenhum. Terão, talvez, algum poder em 2008, mas todos os seus adversários trabalham afincadamente para que não estejam lá em 2008 a fazer as listas para 2009. Há uma frase atribuída a Jaime Gama sobre os jornalistas, que dizia que "ou se tinha poder para os despedir ou dinheiro para os comprar". Infelizmente para todos, a situação nos partidos não é muito diferente e ninguém tem nem uma coisa nem outra.


[via Jumento]

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sexta-feira, 4 de maio de 2007

Abate de árvores no Campo Pequeno


Não me lembro de ter visto uma CML que abatesse tantas árvores em tão pouco tempo de governação, sempre com o estafado argumento das "razões fitossanitárias", sem mostrar a público os estudos que comprovassem a necessidade da medida. No Campo Pequeno querem agora abater 200 árvores, muitas delas de grande porte, outras há pouco tempo plantadas.

O Vereador António Prôa assina por baixo. Desconhece-se o verdadeiro interesse, as motivações reais, mas isto cheira muito, muito mal!

Que este Executivo caia de podre antes de abater as árvores. Só a falta de vergonha os impede.

Carta enviada ao Provedor de Justiça, aqui.

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quinta-feira, 3 de maio de 2007

O Biber foi à Imbicta


Isto não tem nada a ver com a Alta, mas como o blog é resultado das cinergias, afectos e motivações pessoais de moradores, aqui ficam umas imagens de uma cidade linda que fica a norte de Lisboa.

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Os dias luminosos alternaram com outros deprimentes, de céu plúmbeo.


No Porto há um roteiro de capelinhas a percorrer pelos turistas: as caves, os Clérigos, o Magestic, a livraria Lello e Irmão. Só fui aos dois últimos. Está-se bem na livraria; há café, mesas para conversar, poltronas para ler e ver uma casa rara.


Outro "must" da cidade invicta é o Mercado do Bulhongue. Infelizmente os varandins estão em obras e apenas o piso térreo está a funcionar. Mas o ambiente continua o mesmo. Ó menino, olhe-me estes moranguinhos! Ó freguês, veja estas tripas acabadas de cozer!





Se pudesse fazia disto vida: passear o dia todo, almoço e jantar pagos, ensaios à noite, concerto ao Sábado. Já agora, foi um concerto memorável. A Orquestra Nacional do Porto, tornada gigantesca com inúmeros reforços, dirigida por Martin André, e dois coros juntos, o Coral de Letras do Porto e o Lisboa Cantat, que perfaziam mais de 100 vozes a cantar uma Cantata de Prokofiev, com textos de Lenin e Stalin, composta na altura do 20º aniversário da Revolução de Outubro de 1917. Um pequeno excerto de um ensaio:

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quarta-feira, 2 de maio de 2007

Desafio à SGAL

No seguimento de uma acalorada mas amável troca de ideias acerca da informação, do papel de um blog, dos deveres e direitos de SGAL e moradores, o Viver lança à SGAL o seguinte desafio:

Terá a SGAL a disponibilidade e a vontade para criar um espaço de informação actualizado (diaria ou semanalmente), no seu site ou num blog a criar, onde todos os interessados - moradores, clientes e potenciais clientes - os humildes escribas deste e doutros blogs - terão a possibilidade de conhecer em cima do acontecimento as razões do incumprimento dos prazos, as dificuldades e atrasos da responsabilidade de entidades exteriores à empresa, a evolução dos diversos projectos, as datas previstas para lançamento e conclusão dos mesmos e todos os restantes elementos que constroem a vida deste empreendimento - os sucessos, as ideias e os objectivos?

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terça-feira, 1 de maio de 2007

Caminho pedonal e tapumes

O grande eixo pedonal da Alta de Lisboa está em fase de construção. Com a inauguração da 1ª fase do Parque Oeste (ou do Vale Grande), em Julho do ano passado, tudo levava a crer que este caminho (ou parte dele) iria ficar terminado em breve. Mas ao fim de vários meses de utilização esta via continua inacabada…

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Parque Oeste, 1 de Maio de 2007

Uma deficiência deste caminho, no troço que atravessa o Parque Oeste, é a falta de iluminação pública vertical. Dado que é um caminho utilizado diariamente por muitas pessoas carece, obviamente, de iluminação adequada. Será que as entidades responsáveis ainda não chegaram a esta brilhante conclusão?
Alguns terrenos ainda livres de construção estão a ser vedados. Há locais em que a vedação é feita por gradeamento o que evita a sensação de uma cidade entaipada. Contudo, há sítios em que o uso exclusivo de tapumes opacos, torna os caminhos circundantes mais fechados o que faz aumentar a sensação de insegurança. É o que se passa no caminho pedonal do lado sul do Parque Oeste.

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Parque Oeste, 1 de Maio de 2007

Para quê a pressa em fechar este terreno se a construção dos edifícios só começará, na melhor das hipóteses, daqui a ano e meio?

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quinta-feira, 26 de abril de 2007

Caminho pedonal (diagonal)

Para quando a conclusão deste projecto fundamental?
Uma cidade necessita de caminhos pedonais. Estes são por excelência os espaços que promovem o encontro dos seus habitantes. Este excelente projecto da Alta de Lisboa merece ser terminado!

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Monte de S. Gonçalo, Alta de Lisboa, 21 de Abril de 2007


Do topo da Colina de S. Gonçalo, quando a visibilidade é boa a vista alcança o Tejo…tão longe e tão perto!

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Badabum!

"A minha ética é a ética da lei", ouvi ontem na Quadratura do Círculo alguém citar Pina Moura. Para além de não ser original, o senhor não é, nem de perto nem de longe, caso único neste país. Da experiência que já levo de contactos profissionais com autarquias, empresas e serviços públicos deste país, esta é - pelo menos oficialmente - a regra a seguir. Acho muito bem.

O que já não acho tão bem é a regra parar por aqui. Seja por formação, seja por deformação, a muitos o estrito cumprimento da lei parece ser suficiente para garantir um sono descansado após um dia pleno de cumprimento do dever. Ora um pouco de sensibilidade e bom-senso para analisar as consequências que poderão advir dessas acções não faria mal-nenhum, servindo antes para diminuir eventuais prejuízos a terceiros e, principalmente, para evitar o alargar do fosso permanente que existe em Portugal entre a coisa pública e os cidadãos.

Porque é que temos sempre de lidar com esta coisa do "eles" e do "nós"?

Vem isto a propósito do mais recente espectáculo montado no Lumiar pelos executantes do último troço do Eixo Norte-Sul, em vias de conclusão (pelas minhas contas, que sou distraído e não sigo todas as declarações do ilustríssimo Presidente da nossa Câmara a inauguração irá ter lugar algures entre os meses de Abril e de Maio... deste ano) - a demolição do prédio contíguo às instalações do Mercado cuja altura colidia com as cotas de trabalho do tabuleiro, a qual começou cerca das 23:30 do passado dia 19. Uma quinta-feira. Sim, onze e meia da noite. De um dia de semana.




Antes que os habituais guardiões da VERDADE-E-DA-DECÊNCIA me venham acusar de não ler o que está escrito na lei e de começar a ofender sem razão, acrescento desde já que não tenho dúvidas de todos os trâmites legais terem sido seguidos. A lei do ruído - elaborada para proteger os cidadãos... de ruídos incómodos nas horas de descanso... - permite que se ocupem as horas de sono de uma população com o ruído proveniente da demolição de um edifício de três andares - desde que em nome do bem público e devidamente autorizado pelos serviços municipais.

Eu também sei que, a ser feito durante o dia, a confusão provocada pelo corte da rua seria enorme. Mas que diabo: não há sábados? Não há domingos? Tinha mesmo de ser durante a noite?


É que o facto de se saber que a lei foi observada não alegra quem tenta adormecer embalado por um ritmado "bum-bum-bum-traaaaaaaaaack!!!" que lhe chega do exterior. E fica-se chateado. Concerteza que se fica chateado.




E já agora: também andei à procura da lei que permite que os empreiteiros mantenham as imediações exteriores do local de uma obra pública imundas por via dos trabalhos realizados, mas essa não a encontrei. Custava muito manter os passeios limpos de terra e da areia usadas para tapar buracos e colmatar tapumes? É que já não bastava a exiguidade do passeio e o risco de se ser atropelado por um autocarro mais apressado a cortar caminho também ter de circular como se num caminho de cabras se tratasse...




Seria possível um bocadinho mais de consideração pelos concidadãos? Seria possível promover uma limpeza periódica? Talvez por alguns dos funcionários que descobrem um tempinho livre a meio da jornada de trabalho vespertina para beber uma mini num dos cafés das redondezas?

Obrigadinho, sim?

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quarta-feira, 25 de abril de 2007

Tesourinhos deprimentes 3

Retrato de um país pouco orgulhoso de uma revolução que pôs fim a uma ditadura saloia e pobrezinha. Ontem, a um dia dos 33 anos do 25 de Abril de 1974, fui, entre tantos semelhantes, ultrapassado por dezenas de portugueses muito mais inteligentes do que nós, muito mais eficazes, muito mais capazes. Nós, os estúpidos, a ver os espertos passar na bomba de gasolina, sem parar, para poupar 100 metros de fila, mesmo que com esse pecadilho crivassem um pouco mais os seus retratos escondidos no sotão. Que dilemas assaltarão cada uma destas almas?



Mas este retrato não é apenas pessimista. A música que ouvem, o final de uma Dança Sinfónica de Rachmaninoff para 2 pianos , é tocada por Luís Miguel Magalhães e Nina Schumann. Música maravilhosa extraordinariamente bem tocada, a provar que este país, apesar de ser pródigo em grunhos, tem também motivos para se orgulhar.

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segunda-feira, 23 de abril de 2007

Bolor

Dei por mim a ler pela enésima vez o post do Tiago ali de baixo (sim, aquele que tem a imagem de uma secretária de quatro pernas) e a pensar em como este país pouco mudou em certas coisas nos últimos trinta e três anos (é giro, 33 é um número bíblico, será que vai ser este ano que chegará a prometida rev(o)el(u)ação?).

Continuamos a achar que quem não é por nós é contra nós.

Continuamos a achar que quem aponta defeitos só existe para nos atacar.

Continuamos a reagir atacando quem nos critica.

Continuamos a tentar derrubar o mensageiro sem ligar pevas à mensagem.

Somos pequeninos, o que querem.

(Distrai-me, mais uma vez... estava a pensar em quê, quando me perdi nesta evocação do programa do António Barreto? ah, sim)


É ESTE BLOG CONTRA A ALTA DE LISBOA?

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aqui puxo dos meus galões: se houve alguém de entre os escribas deste espaço que tenha sido directamente acusado disso, your's trully está na linha da frente)

Não sejam disparatados. Como o Tiago se tem cansado de escrever (e deriva das nossas inseguranças autistas e arrogantes treslermos o que os outros escrevem) o que este blog é mais é a favor da Alta. E que melhor modo de se ser a favor do que procurar apontar e eliminar defeitos? Qual é o consumidor melhor servido - o que compra conhecendo a fundo as qualidade e defeitos do que leva ou o que é alienado por campanhas côr-de-rosa que varrem para debaixo do tapete do futuro os problemas latentes que o esperam?

Quem é que é contra a Alta - este blog de discussão livre onde as opiniões valem pelo que são e onde todos terão sempre a hipótese de as contestar em caso de discórdia ou de infactualidade, ou as entidades que promovem por omissão atrasos nos prazos de conclusão das infraestruturas, na resolução de problemas, na concretização de promessas? Quem faz descer os preços das casas - quem lhes aponta os defeitos ou quem as definiu assim?

E, para os distraídos, vou ser claro (mais uma vez): vivo na freguesia do Lumiar há 35 anos, sou vizinho da Musgueira/Alto do Lumiar há 35 anos e não tenho dúvidas de que prefiro ter à minha porta uma Alta de Lisboa com qualidade de vida, com espaços urbanos de qualidade, com comércio de proximidade, com infra-estruturas terciárias funcionais, à alternativa anterior. Tenho dúvidas - muitas dúvidas - se esta foi a melhor opção para a cidade de Lisboa, pelo que a ocupação plena do bairro vai significar em termos de ainda maior esvaziamento das zonas mais centrais (a menos que a mesma se faça à conta do esvaziamento dos concelhos periféricos, facto do qual ainda duvido), pelo acréscimo de fluxos para o centro de serviços, pela ainda maior descentralização habitacional (ou, se quisermos, pela acentuação do zonamento da cidade). Mas sou pragmático: a urbanização da Alta é um facto obviamente irreversível e, como tal, trabalhar para o seu ocaso, para além de imbecil, não traria benefícios as nenhuma das partes, pelo que nunca me passou nem passará pela cabeça perder um minuto do meu tempo com isso. Fui convidado para participar neste blog e aceitei fazê-lo, com a perspectiva de ajudar, de fazer parte da solução. Muitas vezes e principalmente através da provocação, da ironia ou do humor. Porque sou assim e porque acho que a maneira portuguesa dos paninhos quentes só nos leva ao sítio onde já estamos. E porque gosto muito do Mário Henrique, do José Maria e do Ricardo.

Se não gostarem, olhem, problema vosso. Se não reagirem, olhem, problema meu.

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Cruzamento Estrada da Torre X Rua Helena Vaz da Silva

Esta fotografia foi tirada há cerca de 4 semanas.


Na semana passada houve outro acidente no mesmo local. Hoje de manhã, mais um! Que eu saiba, pelo menos desde que aqui moro, já conto 6 acidentes naquele cruzamento o que o torna, claramente, um dos "pontos negros" da Alta de Lisboa.

Quem por ali passa sabe que a visibilidade, principalmente de quem circula na Rua Helena Vaz da Silva, é nula: i) o declive acentuado na Estrada da Torre impede de ver os carros que se aproximam até estes estarem demasiado perto; ii) o corte ao trânsito de uma das vias da Estrada da Torre (que não percebo porque se mantém neste momento) torna o cruzamento confuso; e iii) o paralelipipedo de cimento que se encontra em frente ao separador das duas vias da Estrada da Torre impede ainda mais a visibilidade.



Felizmente, penso que nenhum dos acidentes teve consequências graves. Mas o seu número é já suficiente para que a resolução deste problema se torne urgente. Penso que lombas não são uma solução, já que a velocidade, ali, não parece ser um problema (ao contrário de em vários outros sítios). Talvez uma rotunda? Semáforos? Alguém que perceba do assunto tem alguma sugestão?

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Saldos

A SGAL resolveu deixar entrar no hermético e rígido mercado imobiliário as leis de oferta e procura que regem toda a economia: alguns apartamentos que estavam difíceis de vender estão agora a um preço mais baixo. Consta que tem sido um corropio no stand de vendas. Esta nova estratégia é terrível para quem comprou casa como investimento, mas excelente para quem quer Viver na Alta de Lisboa. Uma cidade fantasma não interessa. Venham, venham!

Só uma sugestão ao departamento de publicidade da SGAL: o slogan "Faltam n dias" levanta algumas dúvidas. Durante uma semana fiquei com a sensação que faltavam n dias para começar a promoção. Só depois percebi que afinal faltavam n dias para acabar. Perguntei a mais pessoas que leitura faziam do slogan e invariavelmente a resposta era a mesma. Pode ser limitação minha e dos meus conhecidos, até porque se houve corropio, houve quem percebesse, mas é capaz de haver gente a telefonar para saber novidades tarde demais. Talvez "Ainda faltam n dias para..." ou "Já só tem n dias para...".

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domingo, 22 de abril de 2007

Tesourinho Deprimente 2

Vá lá, alegrem-se: não acredito que na Alta alguma vez se venha a verificar esta situação (ainda que há uns anos também achasse impossível que alguma vez uma Câmara Municipal responsável decidisse promover a implantação de uma auto-estrada com três pistas para cada sentido pelo meio de uma zona urbana consolidada como o Lumiar...).


Pertinho de Lisboa, naqueles arrabaldes onde condenaram a viver os filhos dos últimos alfacinhas de gema, numa urbanização que seria impossível na teoria, na lei ou num PDM responsável - mas bastante real, tão real que deu para fotografar sem recurso a pós-produção com software específico - encontrei esta oferta do fornecedor de energia à zona: linhas de média tensão tão próximas dos edifícios que podem ser facilmente aproveitadas para estendais.



Para os que se desesperam com as dificuldades encontradas perto de casa, recomendo um passeio pedonal ao local não deixando, no entanto, de recomendar uma frequência extra na preparação física: é que as pendentes de ruas e passeios não são para todos...



E não, o "STOP" que se vê na imagem não foi colocado pela associação de moradores para protestar contra o absurdo. Mas bem que podia. Protestar. E parar-se com a situação. Ou será que um campozinho electromagnético à porta de casa faz maravilhas à saúde dos que a habitam?

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sábado, 21 de abril de 2007

Conversas de corredor

Servem estas linhas para esclarecer que a casa não é responsável pela totalidade dos comentários que aparecem na caixinha de cada post. Há quem concorde com o que foi escrito, quem discorde, quem parabenize o blog, quem o lamente; nem sempre se gosta do que se lê, isso calha a todos, mas faz parte das regras do jogo. Acredita-se por aqui que a discussão dos assuntos seja mais benéfica para as pessoas do que a sua ignorância. Esclarece-se também as cabeças mais sensíveis que não nos cabe limitar (nem queremos) os variados graus de retórica de cada leitor.

Afirmamos peremptória e convictamente que este blog é a favor da Alta de Lisboa e não contra. Critica-se, louva-se, propõe-se, tenta-se suscitar o debate. Se alguém por falta de tempo e sorte apenas ler as críticas, sugerimos que deixem escorrer os olhos um pouco mais, buscando também a exultação de Viver na Alta de Lisboa.

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quinta-feira, 19 de abril de 2007

Parque do Monteiro-Mor

Coisas boas, hoje. Aqui bem perto, no Paço do Lumiar, existe um parque público que concorre seriamente para o melhor de Lisboa, a par do Jardim Botânico e o Jardim Colonial. Já aqui foi publicitado, mas vale a pena voltar a falar nele. A entrada é feita pelo Museu do Teatro ou pelo Museu do Traje, a escolha é do leitor. Paga-se a quantia simbólica de um euro e meio, mas ao Domingo a entrada é livre até às 14h. Uma experiência a não perder.

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Prémio Joselito

Este é mais um daqueles posts que suscitam comentários do tipo este-blog-está-cada-vez-mais-sobre-política-e-menos-sobre-a-alta, mas teve de ser. Vi esta notícia no DN e lembrei-me logo que é de pequenino que se torce o pepino.

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quarta-feira, 18 de abril de 2007

E se fizéssemos "queixinhas"?

Há uns tempos atrás fiquei a saber, através de uma entrevista na TSF, que a Ordem dos Arquitectos tinha criado a figura de Provedor da Arquitectura.

Diz assim: "O Provedor da Arquitectura recebe queixas ou reclamações de cidadãos, de arquitectos e de entidades terceiras, com vista ao seu esclarecimento, encaminhamento, mediação de eventuais conflitos ou emissão de pareceres e recomendações."

Já todos sabemos que vários dos empreendimentos em que moramos apresentam alguns problemas estruturais: o sobreaquecimento das casas nos Jardins de S. Bartolomeu (e outros empreendimentos), o revestimento frágil do Condomínio da Torre, ou de má qualidade na Colina de S. Gonçalo, etc, etc. Ao fim de, já alguns anos às turras com a SGAL ou com os gabinetes de arquitectos responsáveis pelos projectos, temos agora alguém a quem nos dirigirmos enquanto cidadãos. Podemos fazê-lo individualmente ou de forma organizada: por prédio, empreendimento, ou mesmo toda a zona de residência (deixo este repto à ARAL), mas não estamos dependentes de ninguém para além de nós para o fazermos. É só enviar um e-mail para: provedordaarquitectura@ordemdosarquitectos.pt.

Para além da arquitectura das nossas casas podemos também queixarmo-nos, se quisermos, de questões de urbanismo. A questão da pista de ski, ou dos prédios junto ao Eixo N-S são um bom exemplo, se quisermos explicações e discussão.

O actual provedor, o Arquitecto Francisco da Silva Dias, que ouvi em entrevista, garante que TODAS as queixas têm resposta.

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2º passeio de bicicleta da ARAL, próximo Sábado de manhã

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terça-feira, 17 de abril de 2007

Debate sobre cidadania

(Clicar para ampliar)

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segunda-feira, 16 de abril de 2007

Ainda a pista de ski

O alerta para a possibilidade de a pista de ski que a CML deseja construir no Parque Oeste cortar o Parque Periférico, previsto muito antes, e que implicou custos adicionais nos viadutos do Eixo Norte-Sul, teve alguns ecos. A Carmona Rodrigues foram enviadas cartas pelo Cidadania LX e pelo deputado do MPT, Pedro Quartin Graça.

Estes esforços de cidadania foram noticiados no PÚBLICO, bem como nos jornais de distribuição livre Metro e Destak.


Alguém conhece o estudo de viabilidade que garante um milhão de visitantes por ano? Porquê abdicar de um espaço que se previa verde e que poderá servir no futuro de barreira sonora e ecológica face à poluição do Eixo Norte-Sul? Tinham conhecimento do projecto do Parque Periférico, antes de receber de braços abertos a ideia da pista de ski, o director da UPAL, Fernando Rosado de Sousa, o Vereador do Desporto Pedro Feist e o Vereador dos Espaços Verdes António Prôa?

E por aqui, que opiniões há sobre a pista de ski?

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sexta-feira, 13 de abril de 2007

Tesourinhos deprimentes I


O Eixo Norte-Sul que esventra agora o Lumiar irá roubar para sempre o sossego que os seus moradores tiveram durante décadas. Tudo porque ninguém responsável se lembrou de conciliar os planos deste troço em túnel com as obras do metro. Mas se há quem autorize uma autoestrada passar a 30 metros de habitações que já existiam, também há quem licencie e construa habitações a 30 metros do Eixo Norte-Sul. O que mais espanta neste caso é que há quem compre e caucione esta imbecilidade.

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quinta-feira, 12 de abril de 2007

Prémio "Isto são muitos anos de calotes, já tínhamos prática, mas agora estamos a ganhar lata"

Hoje, dia 12 de Abril de 2007, no PÚBLICO, suplemento Local:

"O atelier Silva! Designers decidiu interromper a produção da agenda cultural da Câmara Municipal de Lisboa por causa de dívidas que se acumulavam há dez números. O director municipal de Cultura, Rui M. Pereira, garante que a agenda do próximo mês sairá na data prevista e que a equipa da câmara, que assegura a recolha e tratamento da informação relativa a eventos culturais da cidade, está preparada para fazer face à situação. "O fim desta colaboração pouco mudará na agenda. Espero até que haja uma mudança para melhor", disse Rui M. Pereira."


Se há uma equipa na CML que está preparada para fazer face à situação, e se a mudança será até para melhor, então porque não terminaram a colaboração há mais tempo? Porque deixaram arrastar a dívida por dez meses?

Mas esta notícia acaba por ser boa para os cofres da CML. Ser verdadeira é "irrelevante", mas como ofende "o crédito e o bom-nome" da edilidade, há grande hipóteses de ganhar um processo em tribunal, desde que os juizes sejam os mesmos deste caso.

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quarta-feira, 11 de abril de 2007

Regressões


Em 2001 o PÚBLICO noticiou que o Sporting CP devia ao fisco cerca de 2,29 milhões de euros. O Sporting processou o jornal em 2002, exigiu uma indemnização, mas perdeu em 2004. Os jornalistas autores da notícia (João Ramos de Almeida, José Mateus e António Arnaldo Mesquita) foram absolvidos, considerando o tribunal que estes haviam cumprido com o dever de informação.

O Sporting recorreu dessa decisão, mas no final de 2006 o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a decisão da primeira instância. O Sporting insistiu com novo recurso, agora para o Supremo Tribunal de Justiça. E o resultado é espantoso:

O Supremo condena o jornal, considerando que apesar de a notícia do PÚBLICO ser verdadeira, é gravosa dada a violação do bom-nome e reputação do Sporting.

"É irrelevante que o facto divulgado seja ou não verídico para que se verifique a ilicitude a que se reporta este normativo, desde que, dada a sua estrutura e circunstancialismo envolvente, seja susceptível de afectar o seu crédito ou a reputação do visado", lê-se no acórdão, datado de 8 de Março, subscrito pelos conselheiros da sétima secção cível do tribunal, Salvador da Costa, Ferreira de Sousa e Armindo Luís.

Os conselheiros consideram ainda que os jornalistas "agiram na emissão da notícia em causa com culpa stricto sensu, isto é, de modo censurável do ponto de vista ético-jurídico". Segundo os mesmos, "não havia em concreto interesse público na divulgação do que foi divulgado", situação que ofendeu "o crédito e o bom-nome do clube de futebol, que disputa a liderança da primeira liga".

notícia completa no PÚBLICO 10 de Abril de 2007



Bem... Acho que não vou pagar mais impostos daqui em diante. Quando a dívida for suficientemente grande, espero que o Estado publique o meu nome na lista de devedores, arranjo um bom advogado, rezo para que me saia na rifa um juiz familiar do Batatinha e depois, com a justa indemização por "desacreditarem o meu bom-nome", vou passar férias durante uns anos. Só não sei se tenho de disputar a liderança da primeira liga. Se assim for, pode ser mais complicado.

Aconselha-se também os jornalistas a terem mais cuidado no futuro, sempre que quiserem dar como notícia factos que se comprovem verdadeiros. É "irrelevante".


P.S. Há uns poucos anos uma escola de música fez uma audição pública dos seus alunos no Museu da Música. O protocolo entre a escola e o Museu para a cedência do espaço implicava que os pais das criança pagassem o bilhete de entrada, cerca de 1,5€. O pai de uma menina que ia tocar, não querendo pagar tal quantia, apresentou na entrada o seu cartão de juiz. Parece que os juizes têm uma série de regalias entre as quais poder entrar onde bem lhes entender no exercício da sua condição profissional. Foi o caso...

Quando por 1,5€ um homem perde a vergonha, o que fará por uns trocos mais?


P.P.S. É aproveitar, canalha devedora!

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terça-feira, 10 de abril de 2007

Quem pode discutir arquitectura?

Das cavernas à Alta de Lisboa, passando por palhotas e barracas, a arquitectura surge como um passo em frente na construção da habitação, podendo acrescentar um lado artístico à função primordial de servir as pessoas, abrigando-as, dando-lhes melhor qualidade de vida. Este conceito alargou-se da necessidade primária de protecção ao deleite estético que um edifício ou arruamento pode provocar.


Quando se fala em arquitectura sustentável compreende-se a capacidade do edifício se integrar em simbiose com o meio ambiente, aproveitando os recursos naturais disponíveis promovendo conforto térmico, qualidade do ar e iluminação, reduzindo o consumo de energia eléctrica, ainda demasiado dependente de combustíveis fósseis, poluidores e finitos, utilizando também na sua construção materiais duráveis que minimizem os custos inerentes à manutenção.

O compromisso entre a opção estética e o nível de sustentabilidade é o grande desafio que a arquitectura tem hoje em dia, quando se fala mais do que nunca na necessidade de poupar recursos e proteger o planeta.

Mas se erudição da arquitectura está reservada a poucos, importa saber se é legítima a crítica e avaliação da fruição e vivência das casas pelos que as habitam, mesmo sem a propriedade académica de um arquitecto.

No país europeu com maior exposição solar, faz sentido substituir os estendais por onerosas máquinas de secar roupa? É irrelevante que à magnífica e desafogada vista proporcionada por janelas com a dimensão de uma parede, não se tenha em conta as consequências de uma exposição solar intensa nos meses mais quentes omitindo do projecto qualquer solução passiva como estores ou toldos e se apresente como solução de recurso o AC? Ou que por inacessibilidade exterior dos vidros se proponha a contratação de uma empresa de limpezas especializada aumentando assim os encargos dos moradores? A opção estética na utilização de materiais de desgaste rápido ou facilmente vandalizaveis é independente do contexto urbano e económico onde o projecto se insere?

É possível resolver uma equação onde estética, conforto e sustentabilidade tenham todas valores elevados?

A vontade de um homem deve sobrepor-se à vontade da comunidade? Estará esta dialecticamente preparada para o debate? Pode a arquitectura aprender alguma coisa com as opiniões do seu público, ou, pelo contrário, a opinião leiga é perniciosa ao seu desenvolvimento? É arrogante, presunçoso e desrespeitador para com o arquitecto ou urbanista verbalizar estas questões? E já agora, como pode a comunidade leiga aprender com a arquitectura? Com a visita aos espaços projectados fazendo-se acompanhar da leitura das memórias descritivas correspondentes?

É este o debate lançado no Viver.


Defesa de Howard Roark, em The Fountainhead, de King Vidor.

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segunda-feira, 9 de abril de 2007

Pista de ski impede Parque Periférico?

A ideia do Parque Periférico, projectado pelo Arq. Gonçalo Ribeiro Telles, é ligar Monsanto até ao vale da Ameixoeira, passando por Benfica, unindo todas as quintas do Paço do Lumiar e acabando na Alta de Lisboa, aproveitando o Parque Oeste, projectado pela arq. Isabel Aguirre de Urcola e que está a ser criado de raiz desde 2005.

Para permitir a continuidade da área verde, tornando-a transitável em toda a sua extensão, o projecto do Eixo Norte-Sul, contíguo ao Parque Oeste, inclui um pequeno troço em viaduto à saída dos túneis sob o qual passará o Parque Periférico. Quanto custou esta pequena obra de arte?


Mas a confirmarem-se os planos para a pista de ski até agora publicados em vários jornais e revistas, a sua implantação irá estender-se desde o Forte da Ameixoeira até à recentemente inaugurada, apesar de não concluída nem ainda utilizável, pista de atletismo Moniz Pereira.

Ora se a pista de atletismo já representou um corte na área verde que se previa inicialmente para o Parque Oeste, motivando o desagrado de Isabel Aguirre de Urcola, a pista de ski, a confirmar-se o que as imagens até agora apresentadas sugerem, não só ocupa o que resta de todo o braço norte do Parque Oeste, com decepa o Parque Periférico, perdendo-se mais área verde em Lisboa e tornando-se esbanjadora e inútil a opção de ter construído o troço suspenso no eixo Norte-Sul.

À atenção da UPAL-CML, da ARAL, de todos os movimentos cívicos que pugnam pelos interesses da população, e do MPT - Partido da Terra, cujo presidente honorário é o Arq. Gonçalo Ribeiro Telles.

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quinta-feira, 5 de abril de 2007

Boas ideias para 2007 - Árvores nas ruas

Na Av. Nuno Krus Abecassis.


Na Av. Sérgio Vieira de Melo.

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Na Av. Helena Vaz da Silva.
Na Rua Tito de Morais.

Na Av. Melo Antunes


E ainda na Av. General Vasco Gonçalves, na Rua António Lopes Ribeiro e na Rua Mário Castrim.

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quarta-feira, 4 de abril de 2007

Quem adivinha o que está a acontecer aqui?


Dica: não tem nada a ver com isto.

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terça-feira, 3 de abril de 2007

Parque Oeste ao entardecer


Está-se muito bem no Parque Oeste ao fim do dia.

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Av. Santos e Castro - Faltam quantos anos?

A Av. Santos e Castro continua no seu calvário. O troço que faltava na zona do antigo acesso ao terminal de camionagem está finalmente a ser construído, mas as maiores dores de cabeça estão longe de passar. A ligação com a 2ª Circular tarda a iniciar, apesar de muito se ter falado já no projecto da Porta Sul. Na zona dos Armazéns Ruela o impasse continua: a CML adia há anos a compra do terreno e a obra não pode avançar. O panorama é este:


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