quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

A marcha dos mortos-vivos


(Azinhaga da Cidade, 9h30m da manhã. Ao fundo, o túnel do Eixo Norte-Sul)

Por mais eixos Norte-Sul que fizermos, Av. Santos e Castro, CRIL, CREL, tuneis do Marquês, o problema do trânsito em Lisboa não acaba, apenas será adiado. Haverá sempre um ponto de gargalo em que a quatidade de automóveis que quer entrar será superior à capacidade de absorção da cidade. Aí recomeçam as buzinadelas, as irritações, a poluição atmosférica, sonora e visual.
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Nos debates das autáquicas de 9 de Outubro de 2005, as propostas de medidas dissuasoras da entrada de automóveis na cidade foram timidamente aventadas por medo que fossem impopulares e tivessem consequência eleitorais negativas. Parecem-me, no entanto, tão inevitáveis para Lisboa como inevitável é constatarmos que apesar da crise as pessoas têm mais recursos financeiros agora do que há 20 anos. Mas alguma da qualidade de vida que pensamos ter melhorado é apenas aparente.

Não havendo coragem e competência política para tomar já as decisões necessárias para regular a mobilidade das cidades, só nos resta esperar pelo extertor dos combustíveis fósseis que tornará insutentável para as nossas bolsas a rotina sado-masoquista de mergulhar diariamente nas filas de trânsito.

Então seremos obrigados a acordar deste torpor estupidamente comodista, talvez os transportes públicos passem a ser o meio de deslocação preferencial e se comece finalmente a planear a cidade de forma mais saudável, diminuindo as distâncias entre habitação e emprego.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Cidade Imaginada (III)
























Imagino uma cidade (que tinhamos há poucos anos) em que os edíficios não estão forrados com publicidade. Imagino uma cidade (que tinhamos há poucos anos) em há locais próprios para a colocação de pequenos cartazes. Imagino uma cidade (que nunca tivemos) em que os governantes se preocupam com os pequenos problemas que há para resolver.

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E ainda dizem que o e-mail acelera a comunicação...

Ainda estavamos nós no passado dia 24 de Janeiro de 2006, quando resolvi enviar um mail para aqui utilizando este endereço amávelmente fornecido pelo António Gouveia no seu blog Altalx.

No dia 26 de Janeiro de 2006, recebi um simpático mail daqui a dizer que o mail tinha sido reencaminhado para ali.

No dia 30 de Janeiro de 2006, achei estranho pois ninguém me respondia de volta -Será que estavam em época de férias e este municipe não sabia!?- e então resolvi enviar novo mail (em jeito de reminder) mas com uma pequena nuance: Resolvi inverter a ordem dos destinatários e então enviei um e-mail directamente para aqui com conhecimento destes.

Passaram-se mais alguns dias -8 de Fevereiro- e entretanto recebi mais um simpático mail daqui indicando-me que estes seus colegas dali tiveram problemas no sistema informático e como tal, o processo (?!) naturalmente atrasou-se e o meu mail estava a dar entrada (?!).

Estamos a 14 de Fevereiro de 2006. Agora pergunto eu na minha mais pura das intenções: Será que ainda estão com problemas informáticos? É que se assim for imagino o -pequeno- caos que deve estar Lisboa no que toca à manutenção das áreas que estão sob alçada deste departamento.

Para que todos vós entendam o contexto, o assunto é este e o mail enviado originalmente está aqui transcrito:

"
Boa Tarde,

Venho desta forma informar-vos que a passadeira existente na Azinhaga da Musgueira perto da Rua Helena Vaz da Silva (lado de quem vai para o Lumiar e perto do Condominio da Torre, após a paragem da Carris) necessita de manutenção urgente pois já não está vísivel.

Peço a vossa actuação urgente, pois este é um local de grande afluência de veiculos e de peões (muitos deles crianças). Alerto-vos para a existência de uma escola bastante perto do local que indiquei.

Agradeço que indiquem, caso necessitem de algum esclarecimento adicional.

Desde já agradeço a vossa disponibilidade

Com os meus melhores cumprimentos,
Rodrigo Bastos

"


PS: Sei que a leitura deste post é algo cansativa, mas uma coisa podem ter a certeza é que é sempre muito mais rápida do que a resposta destes senhores. ;)




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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

A Cidade Imaginada (II)

Apesar de ser um pouco fora de contexto, decidi responder desta forma ao desafio colocado pelo Pedro.

Há tradições alfacinhas que não se podem perder e aos quais os novos bairros devem tentar dar continuidade. Os Santos Populares são para mim dos momentos mais mágicos da nossa bela cidade à beira tejo plantada e gostava de os poder viver na Alta de Lisboa.

Para terminar, deixo-vos então com o "Cheira Bem, Cheira a Lisboa" que vos convido desde já a cantarolar e até sugiro que a imaginem a ser cantada pela nossa Amália Rodrigues. Tenham um belo voo...
"
Lisboa já tem Sol mas cheira a Lua
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro eléctrico da rua
Faz coro com as chinelas da Ribeira

Se chove cheira a terra prometida
Procissões têm o cheiro a rosmaninho
Nas tascas da viela mais escondida
Cheira a iscas com elas e a vinho

(Refrão)
Um craveiro numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar

Cheira bem, cheira a Lisboa (2x)

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar

Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é Verão

Teus lábios têm o cheiro de um sorriso
Manjerico tem o cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas

(Refrão)

Cheira bem, cheira a Lisboa (2x)

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar
"

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A Cidade Imaginada (I)

Desafio radical para um blog colectivo que fala de coisas novas: que geografias afectivas gostariam de implantar na Lisboa idealizada?

Eu começo: uma linha de eléctrico em funcionamento 24/24, percorrendo dolente as colinas da cidade histórica, com serviço de café (uma afectiva bica, um absorto pastel de nata) com auscultadores onde uma voz sussurrasse um poema por cada local de passagem. Imaginem-se à beira da janela aberta, a brisa de fim de tarde do Tejo e o silêncio do nosso mundo interior em diálogo com a paisagem. E à noite, um aquário deslizante perante quem se espraiasse pelas esplanadas dolentes, uma miragem flutuante nas ruas da cidade. Conseguem imaginar, conseguem?

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Lisboa cresce ou engorda?



Brad Mehldau no CCB. Foi um concerto fabuloso, por um trio de jazz composto por piano, contrabaixo e bateria.

Quando conheci o Rodrigo, há uns meses, confidenciei-lhe estar arrependido de ter dado um início exclusivista ao blog. Tinha acabado de conhecer o Brad Mehldau através de um CD emprestado. Ouvia-o compulsivamente, várias vezes por dia. Na altura não encontrei forma de conciliar o meu entusiasmo e vontade de mostrar a música que me perseguia com as fotografias das ruas e jardins em construção. Parecia-me deslocado num blog que se propunha a debater o desenvolvimento e vivência de uma zona nova de Lisboa fazer um post de carácter pessoal a falar de um disco que me estava a obcecar.
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Mas hoje penso de maneira diferente. Uma cidade faz-se de pessoas, com prazeres, motivações, paixões. E nesta teia de blogues que falam de cidades, no Céu, no Planeta, n'a barriga, em todos os outros que lutam por uma vida mais saudável, por um maior respeito pelas pessoas, hierarquizando a importância que tem as várias opções tomadas e por tomar pelas autarquias e governos, apercebi-me que uma cidade precisa de inteligência, de açúcar e afecto.


[aqui jaz um pedaço de música]

(Brad Mehldau - Places, Los Angeles)


As pessoas precisam de tempo para viver, para pensar nas coisas, para encontrar razões e motivações para as suas vidas. E quando falamos da cristalização dos bairros antigos de Lisboa, do comércio instalado, na vida de rua possível de ter, falamos de harmonia entre as casas das pessoas, dos empregos, e de toda a estrutura comercial e de equipamentos que permite a subsistência autónoma do bairro. Os males acontecem quando temos grandes urbanizações onde pouco existe para além de casa de habitação, e grandes bairros onde pouco existe para além de escritórios e comércio.

A vida de rua feita dentro do automóvel, desde a saída da garagem do prédio de habitação à entrada na garagem do escritório ao parque de estacionamento do hipermercado está, aos poucos, a matar a cidade. Bairros inteiros vazios à noite, como a Baixa Pombalina, bairros inteiros vazios de dia, como alguns subúrbios lisboetas, indiciam uma perda de tempo nas deslocações entre a casa e o emprego, desnecessária se a cidade fosse construída (ou melhor, mantida) de forma planeada, incentivando a fusão entre habitação, emprego e comércio. Esta perda de tempo e qualidade de vida está a deixar as pessoas dormentes, indiferentes a tudo o que as rodeia, olhando o próximo como um estranho, desinteressando, ignorando e desresponsabilizando-se das opções governamentais tomadas. A falta de tempo não nos permite ler, manter informados, pensar, discutir, questionar o rumo das coisas. Ter tempo, hoje em dia, começa a ser considerado um luxo ou sinal de preguiça e ociosidade.

Numa cidade pequena, como a Guarda, por exemplo, com 40000 habitantes, é possível fazer um percurso casa-emprego em cerca de 10 minutos, bem menos que a hora e meia que em hora de ponta leva do Cacém ao centro de Lisboa. Ao fim de um dia de trabalho sobra tempo para outras coisas, para viver. E se vêm com o chavão de que fora das grandes metrópoles pouca oferta de cultura e entretenimento existe, atentem no Teatro Municipal da Guarda: têm um site bem estruturado, um blog com informação mais recente, um programa em papel com uma apresentação fantástica, e, mais importante que tudo isso, uma programação variada e rica.

Não faço ideia do orçamento desta programação, nem das audiências médias de cada espectáculo. É provável que seja bastante dispendioso, é provável que sem uma boa divulgação e uma ligação inteligente com as escolas todo este esforço financeiro seja em vão, mas não deixo de me espantar com o contraste de dinamismo que vejo cada vez mais nas cidades do interior e em Lisboa.


Nesta discussão recente sobre a Alta de Lisboa ficou a ideia de que ou se está do lado do projecto ou se está contra. Essa discórdia fundamentalista passa-me ao lado. Ou se discute o colapso económico, o colapso da construção civil, a corrupção instalada nas Câmaras Municipais que vendem ao desbarato os seus terrenos oportunamente licenciados para habitação, aumentando o surrealismo de algumas zonas da cidade, num adiar cego da falência, ou então jamais se chega a conclusões acerca seja do que for.

Há portanto algumas dúvidas urgentes: Quando houver maior oferta do que procura, que valores terão as casas onde famílias hipotecaram grande parte do seu orçamento? Qual deverá ser a aposta dos governos centrais e locais? A reabilitação, reconstrução ou abandono das malhas antigas? A construção de novas zonas planeadas de raiz, tipo Alta de Lisboa, ou o crescimento canceroso da cidade, sem critério que não seja lucro rápido? O que vai acontecer aos bairros históricos de Lisboa se se continuar a adiar a sua reconstrução ou restauro estrutural? Até quando ou quanto será tolerável a incompetência e corrupção dos vários governos nestas questões?

Parece-me que a Alta de Lisboa como projecto é exemplar, mas o cenário que se estende à sua volta torna preocupante o seu futuro. As questões trazidas à discussão recentemente, mais do que porem em causa o projecto da Alta de Lisboa, põem em causa a política de urbanismo e de rigor de qualidade em Portugal. Valerá a pena continuar a licenciar a construção de prédios de habitação se começa a haver mais oferta que procura? Valerá a pena continuar a permitir o aumento dessa oferta sem critérios de qualidade urbana quando simultaneamente se é parceiro num projecto gigantesco como a Alta de Lisboa que pode ficar condenado ao insucesso por questões extrínsecas ao seu planeamento? Vale a pena continuar a fomentar a desumanidade de ser perder duas horas diárias em deslocações casa-emprego em detrimento da família e lazer?

Seria bom também que a própria SGAL, UPAL, CML tivessem uma participação séria e honesta nesta discussão. Que todos abríssemos os olhos, acordássemos deste torpor optimista porque não gostamos de andar deprimidos.

Finalizando este longo post: quando será possível assistir-se a uma programação cultural no Centro Cultural da Alta de Lisboa que traga nomes como Brad Mehldau, Grigory Sokolov ou a Orquestra Filarmónica de Berlim? Para isso fazer sentido é necessário que a Alta de Lisboa tenha crescido, cristalizado na Lisboa e ganho uma vida que neste momento não tem.

[aqui jaz um pedaço de música]

(Brad Mehldau - Elegiac Cycle, Bard)

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Arrumar a casa

Quis, nos dois últimos posts, lançar duas questões que me parecem fundamentais para Lisboa, ainda que só paralelamente relevantes para um blog como é este Viver. Feliz ou infelizmente, temos sempre a tendência de traduzir o que lemos de acordo com as nossas preferências / preocupações e - mesmo sendo extremamente salutar a discussão que se gerou nos comentários - parece-me que, para alguns, as questões passaram ao lado.

Ponto prévio: as minhas palavras não visavam atacar a Alta - antes lançar um debate que me parece relevante para o futuro da cidade - e muito menos menorizar o "produto" imobiliário que a maior parte dos participantes adquiriu - antes torná-los mais conscientes dos "riscos" que correm ao tornarem-se proprietários de imobiliário em Portugal - e, como tal, consumidores mais exigentes e intervenientes.

Deste modo, vou relançar as questões de uma forma mais directa (se é que isso é possível em alguém que - vá-se lá saber porquê... - parece fazer do gongorismo imagem de marca das suas intervenções):

1. Numa cidade em acentuado decréscimo populacional, com uma zona histórica em que é consensual a necessidade de preservação e consequente reabilitação e com uma rede de transportes de superfície sufocada pelo trânsito automóvel de privados, fará sentido criar uma nova polarização habitacional na periferia da mesma com uma perspectiva de ocupação que atingirá quase 15% da população actual?

e

2. Dados os preços cobrados por metro quadrado e o tipo de construção realizado será que se está a pagar um preço justo? Sendo - ao contrário do que já vi referido - a "qualidade" da construção um dado fisicamente mensurável e comparável com o previsto na regulamentação nacional, não terá chegado o momento de exigir essa comprovação?

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Qualidade

Dos muitos comentários que o último post suscitou, fiquei com a ideia de que uma das principais razões - se não a principal - que levaram as pessoas a querer vir habitar a Alta foi a da qualidade. Qualidade do espaço urbano (sim, aceito que, pelo menos no projectado, ela é inegável), qualidade do espaço habitacional.
E volto a repetir a pergunta que fiz então: têm a certeza da qualidade da "qualidade" do espaço habitacional?
Tenho tido, no decorrer da minha actividade profissional, a oportunidade de conhecer com algum detalhe a actividade imobiliária em alguns países - tanto no que se refere às definições de construção como aos diversos produtos imobiliários disponibilizados em relação à gama de preços. E cheguei a duas convicções: em Portugal, o que é considerado o supra-sumo da qualidade - o "luxo" - é poeira para os olhos de quem tem muito dinheiro para gastar e poucas exigências para viver; a relação preço/qualidade de construção (mensurável fisicamente) é altamente deficitária.
O que é considerado luxuoso nos outros países não existe em Portugal e, inversamente, o que é considerado "de luxo" em Portugal não valeria dois caracois em mercados mais exigentes.
Por outro lado, pagam-se como excepcionais, características que são consideradas quase corriqueiras noutros países.
Porque é que se valoriza tanto um sistema de condicionamento térmico quando até já há legislação que impõe capacidades mínimas de inércia térmica aos edifícios que - a ser efectivamente seguida - quase o tornariam dispensável? E porque é que vidros duplos, caixas de ar revestidas com isolamento térmico e acústico, pavimentos flutuantes são referidos como excepções a ser devidamente realçadas? O facto da estrutura ser em betão ou os prédios terem elevador ou canalização de gás é-o?
Acresce que, o facto de existirem estes componentes não assegura que o funcionamento dessas infra-estruturas seja o desejado. Em Portugal constroi-se cada vez mais desleixadamente.
E para que não venham já dizer que estou a exagerar pergunto-vos: nas vossas casas novas da Alta já tiveram ocasião de apreciar as qualidades vocais de um dos vossos vizinhos (de cima, de baixo, do lado)? as conversas no átrio do vosso piso? o levantar voo de um avião na Portela (tudo isto evidentemente de portas e janelas fechadas)? Já tiveram de ir a correr aumentar o fluxo de ar ou de água quente no sistema de aquecimento ambiente porque, ao amanhecer, sentiram especial relutância em circular de pijama pela casa? E num outro plano, nunca terão ido em desespero pedir encarecidamente ao vizinho de baixo para desligar a lareira porque o ar na vossa sala se aproximava rapidamente do irrespirável? Nunca descobriram com surpresa uma preocupante ausência de ligação do esquentador à conduta de evacuação de ar da cozinha? Ou sentiram uma zoada nos ouvidos devida ao barulho do exaustor automático da cozinha...? Nunca tiveram as portas completamente arruinadas devido às infiltrações de água vindas do andar de cima porque, devido à inexistência de um tubo de fuga, a água acumulada na varanda acabou por inundar todo o apartamento? OU - caricatura das caricaturas - acharam que era um exagero de salubridade usar-se água quente no autoclismo?
Não, não estou a inventar. Tudo isto são casos passados em casa de amigos e, à excepção de um, todos em edifícios do admirável sítio novo... É que se constroi mesmo com duas mãos esquerdas em Portugal.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

O futuro passado

Valerá a pena discutir a viabilidade da Alta numa altura em que o bairro se constitui como o futuro dos milhares de habitantes que aí compraram casa? Isto é, valerá a pena discutir o futuro quando, para eles (a possibilidade de ele vir a acontecer) já é discussão passada (tendo-se baseado a decisão de compra no pressuposto - ou dogma? - da sua existência benigna)?

O que é Lisboa-cidade? Uma metrópole pujante, em crescimento económico e populacional ou uma cidade envelhecida, centro terciário de dia gerador de fluxos de tráfego de centenas de milhar de pessoas mas que viu perder para a periferia nos últimos 30 anos cerca de metade da sua população? O que é Lisboa-cidade para além de um cadáver adiado?

A Alta de Lisboa no seu conceito original despido de galões publicitários glamorosamente fim-de-século - ou seja, o "Alto do Lumiar" - foi a proposta do presidente Abecassis para a erradicação da chaga urbana e social que os bairros de barracas e habitações clandestinas formavam na zona extrema da cidade, junto ao aeroporto. Numa época pré-União Europeia e sem os milhões que chegaram depois, com uma Câmara Municipal sem muito dinheiro mas com uma perspectiva de crescimento populacional que, ainda que não comprovada nas estatísticas, era admissível face aos fluxos de migração interna para a capital, o "ovo-de-colombo" de uma operação urbanística megalómana que permitisse pagar a demolição do existente e a edificação de habitação social para os desalojados com parte das mais-valias realizadas com o loteamento e a construção parecia ter sido encontrado. Em sintonia com o programa politico-económico do presidente da Câmara, a intervenção seria conduzida por entidades privadas.

À boa maneira portuguesa passaram os anos até que o projecto arrancasse. Passaram vereações de outros quadrantes políticos. Passaram os milhões europeus. Passaram os habitantes cada vez mais em direcção à periferia. Passou-se tanta coisa e só a ideia inicial de construir um polo gigantesco - numa cidade que já tem mais fogos vagos que a velocidade dos serviços camarários em os contabilizar - se manteve.

O Alto, crismado em "Alta" (não é tão mais apetecível morar em alta do que num alto?) aguentou-se nos primeiros anos de vendas com a ilusória corrida de promitentes compradores que mais não passavam, na sua grande maioria, de promitentes especuladores, robustecidos por operações semelhantes de compra e trespasse de posições de compra nas Amoreiras, Parque dos Príncipes, Laranjeiras dos selvagens anos oitenta de crescimento da economia e das novas-ricas classes emergentes. Só que, com a crise da balança de pagamentos e com o pântano subsequente de que Guterres pressurosamente se demitiu, a procura diminuiu e, com ela, os cash-flows necessários ao prosseguimento do plano traçado em gabinete e vendido aos futuros moradores. E nem o dinheiro fresco trazido pela compra da sociedade por um capitalista chinês parece poder recuperar o dinamismo dos primeiros anos.

A verdade é que não há compradores para tanta habitação.

Como pode haver, quando a população decresce, o poder económico baixa e o mercado imobiliário estagna por falta de novos compradores que, a montante, permitam a permuta de habitações?

E a Lisboa? Interessa-lhe que a Alta atinja os resultados iniciais? Sendo os meus dados correctos, numa Alta "completa" viverão cerca de 40.000 pessoas, um décimo da população actual da cidade. De onde virão? Dos subúrbios? Como, se não têm a quem vender os apartamentos actuais e a diferença de preço por metro quadrado ainda é significativa? De outros pontos da cidade? E se sim, de apartamentos próprios ou arrendados? E à cidade interessa-lhe esvaziar ainda mais as zonas centrais para uma periferia pouco servida de transportes públicos com o consequente aumento de deslocações automóveis para o centro e a desertificação ainda mais acelerada do mesmo? E onde fica a política de reabilitação urbana? Para quem? Para as populações envelhecidas e carenciadas? Com que sustentabilidade futura?

Tantas perguntas e nenhuma resposta oficial. Pior, nenhuma tentativa das entidades oficiais para - ao menos! - equacionar os problemas.

Não sendo uma mais-valia para a cidade em termos globais, não tendo hipótese de, a curto-prazo, criar mais-valias para cobrir os investimentos, que futuro resta então à Alta?

O de cumprir o fado lusitano e lá ir sobrevivendo numa apagada e vil tristeza?

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Reflexão...

Não é só com hinos à Engenharia e à Arquitectura que se patrocina a qualidade de vida dos moradores da Alta de Lisboa, outras componentes são igualmente importantes e até então tem sido algo descuradas.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

ESTAVAS TU Ó LINDA INÊS POSTA EM SOSSEGO

Não que eu tenha nascido com uma luzinha na ponta do dedo (ainda que, com o advento dessas fantásticas superfícies comerciais que dão o nome da origem a tudo aquilo que nos outros é disfarçado com uma etiqueta ocidental, fosse fácil e barato desencantar uma que se adaptasse imperfeitamente à torta anatomia que me coube por sorte) ou consiga fazer levitar bicicletas sobre subúrbios mais ou menos glamorosos (o que, com o aproximar da idade do reumático (mais mental que real, enfim) daria muito jeito nos passeios de bicicleta organizados pela vizinhança) mas fui logo avisando que me sentiria como o ET no quarto de Elliot ao pisar com canhestra estranheza estes caminhos da Alta.

Pois que em ET viesse se fosse o caso, como ET seria bem-vindo.

E depois pus-me a pensar ...................................................................
...................................................................................


(como é bom de ver, isto era eu a pensar)


... bem vistas as coisas, o que é a Alta de Lisboa (née Alto do Lumiar 20 anos antes do marketing dominar o imobiliário para a classe média) senão um volumoso ET deixado em herança à cidade pela aspiração a resolver problemas de um defunto presidente da Câmara?

E assim cá me encontro (ainda a atarrachar a dita luz que os moldes chineses ainda se encontram na fase em que se encontravam os primeiros radios de pilhas japoneses quando começaram a invadir a Europa: feios e manhosos ainda que apetecivelmente adquiriveis) com assento no lado de cá da audiência (ou seja, escrevendo para uma imensa minoria) em vez de, mudo e ocasionalmente comentador, continuar desse lado daí de onde vocês me leem.

E descansem: textos encaracoladamente renitentes como este só ocasionalmente verão a luz do dia. Ou, se preferirem a analogia, raramente subirão à Alta.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Viver na Lisboa

Continuando a necessidade de discutir a Alta de Lisboa como parte integrante da Lisboa, cidade antiga, com bairros históricos erudidos pelo tempo e desinteresse eleitoral, com movimentos demográficos que explicam o aparecimento das cidade-dormitório, com outros bairros construídos de raiz como foram Alvalade e Olivais, com tantas variáveis da equação que nos interessam enquanto cidadãos, precisamos de mais pessoas capazes de pensar e falar nos problemas e soluções, mesmo que não morem na Alta de Lisboa.

A nossa mais recente aquisição mora muito perto. Mas por acaso. Não foi essa a condição sine qua non para o convite.

E pela primeira vez anuncio a entrada de mais um elemento para este blog porque me envergonho e penitencio de ter sido tão mau anfitrião nas chegadas da Ana, da Ana Louro, da Joana, do Rodrigo, do Pedro e do João. Eles sabem que não foi por mal, mas por timidez. Sempre me ofuscou a luz forte dos palcos.

Dentro de momentos surgirá então o novo morador deste blog!

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Os Abrigos das Paragens de Autocarros

O tema dos abrigos dos autocarros da Carris está a ganhar pó nas "Conversas que ainda não acabaram aqui" do nosso Viver.

Infelizmente, venho mais uma vez constatar que tanto a Carris como a UPAL/CML, aparentam ter uma especial falta de interesse em melhorar -neste ponto- a qualidade dos serviços prestados aos utentes da Carris da nossa área.

Note-se, que ao longo de vários meses já foram efectuadas as mais diversas solicitações às entidades em causa, questionando as mesmas sobre quais as razões concretas que levam à não colocação de um abrigo no local indicado neste post.

Em resposta ao meu último mail, a Carris mais uma vez se desresponsabiliza e indica que a responsabilidade é inteiramente da CML/UPAL e para vosso conhecimento a CML/UPAL têm estado até agora..."muda". Será que a JCDecaux já foi entretanto contactada?

Mas qual é a dificuldade em colocar algo parecido com isto:


neste local?


Paragem da Carris no cruzamento entre a
Rua Helena Vaz da Silva e a Estrada da Torre.


A Carris como entidade prestadora do serviço e a UPAL\CML como institução pública responsável pela colocação dos abrigos, não poderão efectuar diligências conjuntas e concretas para que este abrigo se torne uma realidade? Os utentes desta paragem concerteza que agradecem...

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domingo, 5 de fevereiro de 2006

O Homem na Cidade



Lisboa e Tejo são indissociáveis. A beleza extraordinária do estuário, a imensidão que separam a costa de Lisboa da outra margem, Alcochete, Montijo, Barreiro, Seixal, Almada, fazem deste rio um ser com caraterísticas únicas que poucas cidades se podem gabar.

Roubá-lo à cidade, às pessoas que nela habitam, visitam e passeiam, é de uma boçalidade e insensibilidade atroz. Este blog não quer, não deve, nem pode cingir-se a assuntos relacionados com o Alto do Lumiar, apesar da sua principal vocação ser essa, porque a vida das cidades é o resultado de uma intrincada equação que não acaba nas fronteiras de cada bairro ou freguesia.

E porque amo a Lisboa onde nasci, a Lisboa onde sempre vivi desde há três décadas, mas que vejo transfigurada para pior em muitos pontos fundamentais que a faziam uma cidade diferente de todas as outras, não posso deixar de ficar preocupado com o que li no Céu, aqui e aqui.

E porque acredito que as pessoas, se quiserem, podem impedir atentados como este, acho que podíamos fazer alguma coisa por isto.

[Aqui jaz música]
(O Homem na Cidade - Ivan Lins e Trio de Bernardo Sassetti)

[Aqui jaz música]
(O Homem na Cidade - Carlos do Carmo)

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Av. Santos e Castro - expropriações de terrenos e avanço das obras

Continuando as informações sobre a construção da Av. Santos e Castro, aqui ficam imagens do resultado de uma das expropriações que faltava, a da Transportadora Lusitânia.


8 de Dezembro de 2005


5 de Fevereiro de 2006

O troço que ligará a Rotunda Este aos viadutos do Campo das Amoreiras teve também um considerável avanço desde há dois meses.



A Porta Norte tem registado progressos, com a asfaltagem.



Informações sobre a conclusão do viaduto do Eixo Norte-Sul sobre a Av. Padre Cruz, a ver aqui.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Carta dirigida ao Presidente da CML

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Rua Eduardo Covas em hora de ponta da manhã

Estando a minha vida a ser afectada pelas condições de circulação no Alto do Lumiar, resolvi no dia 19 de Janeiro de 2006 enviar uma reclamação por escrito dirigida ao Presidente da CML nos seguintes termos:

"Ex.mo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,

Na qualidade de morador no Alto do Lumiar, na freguesia da Charneca, venho expor a seguinte reclamação:
Nas minhas deslocações diárias de casa até ao meu local de emprego atravesso o Alto do Lumiar em direcção a uma das três estações de metropolitano mais próximas, Ameixoeira, Lumiar ou Quinta das Conchas a fim de poder viajar até ao centro da cidade de Lisboa. Nestas deslocações, utilizo quer o transporte individual quer o transporte público (autocarros da Carris), pelo que, invariavelmente, percorro várias ruas e avenidas desta zona de Lisboa.
Como morador nesta zona desde meados de Setembro de 2005, constato que as condições de circulação nestas vias têm vindo a degradar-se muito rapidamente, atingindo o ponto de ruptura em determinados momentos. Por exemplo, no domingo dia 16 de Janeiro de 2006, pelas 14h e 40 minutos, a Rua Eduardo Covas era atravessada em toda a largura da sua faixa de rodagem por uma vala profunda que quase impossibilitava a circulação automóvel. Ao passar por este local, que estava coberto por água da chuva, por pouco não fiquei imobilizado no veículo em que seguia.
Este triste acontecimento é demonstrativo do que se está a passar no Alto do Lumiar em matéria de acessos rodoviários. Os exemplos de piso degradado são inúmeros e não param, infelizmente, de aumentar. Os principais acessos a esta área (Av. Santos e Castro e Eixo Norte-Sul) estão ainda em fase de construção, desconhecendo-se a data da sua entrada em funcionamento. As alternativas a estes acessos (Av. Santos e Castro antiga e Azinhaga de S. Bartolomeu) estão actualmente em péssimas condições de utilização e não suportam o volumoso tráfego rodoviário: têm piso irregular, apresentam grandes áreas sem asfalto, não têm passeios pedonais, não possuem rede eficaz de escoamento das águas pluviais, etc.
As vias pedonais previstas para o Alto do Lumiar, tão difundidas nos folhetos de propaganda da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, estão praticamente todas por concluir, ao que se alia a falta de passagens de peões devidamente sinalizadas na grande maioria das ruas e avenidas. Perante este cenário, qualquer deslocação a pé se torna muito perigosa, pois o peão é frequentemente obrigado a pisar a faixa de rodagem, quer pela ausência de passeio quer pela existência de tapumes de obras em execução. Vejam-se os exemplos da Rua Eduardo Covas, da Avenida Krus Abecassis e o lado ocidental da Rua Helena Vaz da Silva.
Deste modo, venho apelar a V. Exa. uma intervenção rápida no sentido de fiscalizar as empresas que actualmente operam no Alto do Lumiar, para que estas cumpram as normas de segurança no que se refere à boa conservação da rede viária. Por outro lado, peço também uma sua intervenção no sentido da criação urgente de vias e passagens pedonais seguras, adequadas aos muitos milhares de habitantes do Alto do Lumiar, a fim de se acabar com o isolamento de todos os quarteirões habitacionais.

Com os melhores cumprimentos,

(assinatura)"


Ainda não obtive qualquer resposta mas pelo menos é mais um grito de alerta sobre a realidade deste bairro de Lisboa onde a falta a qualidade prometida.

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"Cidadãos Anónimos Salvaram Azulejos de Sá Nogueira"
























Jornal Público, 3 de fevereiro de 2006

Este foi o título escolhido para o artigo que hoje saiu no jornal Público sobre o painel de azulejos de Sá Nogueira. Fomos um dos blogs que alertou para o que estava a acontecer, apesar de por enquanto nada estar resolvido, as notícias começam a ser animadoras. Vamos continuar atentos e esperar que a C.M.L. comece rapidamente com a recuperação do painel.

Texto da notícia do jornal Público:

Cidadãos anónimos Salvaram azulejos de Sá Nogueira da Ruína

Não fosse o interesse e a perseverança de meia dúzia de cidadãos anónimos e o painel de azulejos de Rolando Sá Nogueira no prolongamento da Avenida dos Estados Unidos da América, em Lisboa, uma das últimas obras do pintor falecido em 2002, podia ter os dias contados. Isso mesmo indicava o demasiado evidente estado de degradação do painel, que se acentuava a olhos vistos de dia para dia perante a incredulidade de quem por lá passava. O primeiro alerta foi dado na morada de Internet www.amnesia.weblog.com.pt, no início de Janeiro, por um cidadão que se declarava “em estado de choque” ao constatar que eram já muitos os azulejos em falta no painel, tanto nas faixas verdes como nas borboletas de várias dimensões que o compõem, e muitos outros os que ameaçavam cair e partir-se. Ao apelo, repetido depois com fotografias que tinhas dez dias de intervalo mas indiciavam bem como os próximos meses podiam ser fatais, seguiram-se referências noutros blogues e e-mails enviados para diversos serviços da Câmara Municipal de Lisboa. A boa notícia, que é também uma prova do valor de cidadania como este, é que a autarquia garante que “ já tomou conta desse problema”, prometendo “em breve” remover os azulejos para que sejam restaurados a partir dos planos originais de Sá Nogueira. Segundo o assessor de imprensa do vereador da Cultura, , vai também ser construído um muro para contenção de terras com caixa de ar para suportar o painel, para que a ruína que alguns cidadãos anónimos conseguiram impedir não volte a ameaçar a obra do pintor.

Inês Boaventura

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Mais pressão

Para que Lisboa, e não só a Alta, volte a ser uma cidade aprazível, onde dê gosto viver.

Obrigado ao Às duas por três..., ao RandomBlog02, e ao RetortaBlog.

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A pressão aumenta

Anteontem foi o Canhoto a considerar válido o nosso protesto. Hoje mais três blogs se juntam à lista, fazendo da blogosfera uma ferramenta de cidadania cada vez mais poderosa:

o Jumento, já nos links à direita (a falta de reciprocidade durou pouco), o a barriga de um arquitecto, blog que pela sua excelência foi já muitas vezes citado por aqui, e ainda o Tese & Antítese.

Muito obrigado aos quatro!

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Causa efeito



Ainda ontem falámos aqui nesta obra mal terminada que punha em causa a segurança rodoviária e saúde dos automóveis. Nem um dia passou para o mal ser reparado.

Uma cidade só é viva com o esforço comum de todos os participantes. Quando apontamos as falhas da nossa cidade o objectivo é que sejam reparadas, corrigidas, para vivermos todos melhor.

Na construção da Alta de Lisboa, é necessária uma parceria forte entre Moradores, SGAL e UPAL, como responsabilidades e direitos bem definidos e partilhados, com os canais de comunicação completamente desobstruídos, sem estratégias de defesa, sem silêncios de meses, sem cartas, faxes, emails e telefonemas por responder, sem desrespeito de parte a parte, sem desonestidade intelectual.

Este remendo na Av. Krus Abecassis, posto logo a seguir ao alerta dado aqui, ou é uma enorme coincidência, ou é um sinal de que a parceria existe, mesmo que informal. Não devia ser necessário falarmos nisso, mas faz parte da coisa. Agora faltam outras obras, algumas maiores, mais complicadas, mas mais necessárias, também.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Obras mal acabadas



Esta é a Avenida Nuno Krus Abecassis. Longa, actualmente com cerca de 800 metros mas ainda em construção no troço que irá ligar a Praça D. António Ribeiro à Ameixoeira, fazendo também o nó com o Eixo Norte-Sul, como se vê na fotografia em baixo.



Acontece que em meados de Outubro passado foi aberta uma vala para conectar os esgotos do empreendimento dos Jardins de S. Bartolomeu ao colector público. Esta obra implicou o desvio do trânsito para apenas uma via de rodagem, mas causou transtorno menor, já que foi de execução rápida, pouco mais de dois dias. O problema é que são ainda visíveis hoje, a 31 de Janeiro de 2006, quase quatro meses depois, as feridas desta intervenção, num relevo que chega aos cinco centímetros.



Repare-se também no pormenor nas protecções que a rapariga usa nos pés. É a única forma de poder andar a pé nalgumas zonas da Alta de Lisboa sem estragar sapatos e encher depois a casa de terra.

A imagem do troço a concluir da Av. Krus Abecassis mostra o aspecto que qualquer obra tem. É uma situação normal, e o incómodo que provoca é colateral aos benefícios futuros que daí virão. Mas o arrastar durante meses e anos de obras mal acabadas, de arruamentos não concluídos, de passeios inexistentes, são um elemento de enorme prejuizo para o dia-a-dia dos moradores que podia perfeitamente ser evitado. Devia, pela dignidade de todos, pela credibilidade que o projecto merece.

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Bens públicos, interesses privados

É bom começar o dia a saber que mais pessoas acham desnecessária a contradição entre o projecto da Alta de Lisboa e a sua concretização. No Canhoto.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

A Alta de Lisboa só avança com passeios de lama?

O projecto da Alta de Lisboa é arrojadíssimo. Implica o realojamento de milhares de pessoas, a construção de milhares de fogos, escolas, espaços verdes, equipamentos sociais, vias rodoviárias. Um sem número de obras a decorrer simultaneamente, difíceis de gerir, difíceis de planear, difíceis de conjugar com a vida já existente no bairro, maior que muitas cidades.

Fazer de novo, arrasar casas degradadas, terraplanar colinas, construir estradas, ligações, acessos, prédios de habitação com 9 andares, implica um estaleiro permanente que já foi muito discutido por ser tão incómodo e prejudicial ao dia-a-dia dos moradores actuais. Este estaleiro é uma contingência inevitável de um projecto gigantesco que ainda está a mais de dez anos da conclusão.

No entanto, há situações que não são compreensíveis. É o caso das ligações rodoviárias e pedonais entre a zona Sul e zona Norte. Neste momento, como desde há meses, a ligação rodoviária é feita exclusivamente por esta rua, com um sentido para cada lado. São crescentes os engarrafamentos em hora de ponta, como já foi dito aqui e aqui.



É evidente que os engarrafamentos não ocorreriam se as pessoas preferissem os transportes públicos ao transporte privado. É uma mudança de mentalidades necessária na população portuguesa, mas isto também não ajuda. Para além, obviamente, do círculo vicioso que é a relação dos atrasos pela falta de mobilidade dos transportes públicos pela excessiva utilização do transporte privado. Quanto maior a utilização do automóvel, menor a mobilidade do autocarro, quanto menor a mobilidade do autocarro maior o atraso e desconforto dos passageiros, quanto maior o atraso e desconforto dos passageiros maior a vontade de preferir o automóvel. São necessárias medidas políticas corajosas que defendam a mobilidade e eficácia dos transportes públicos.

Mas os engarrafamentos são uma realidade incontornável no presente, e a única hipótese de lhes fugir, não havendo ainda estruturas que facilitem o uso da bicicletas, é ir a pé. O problema é que o percurso pedonal existente para ligar as zonas Norte e Sul da Alta de Lisboa, para além da rua contígua ao Complexo Desportivo, tem o aspecto que as imagens em baixo mostram.



Para que não pensem que há sempre a hipótese de atravessar a rua e caminhar no outro passeio, aqui fica também a imagem desse lado.



Não se percebe, não se justifica, por mais complexo que seja o planeamento da construção de uma cidade, que se despreze e maltrate assim os seus habitantes. É necessária uma grande capacidade retórica para justificar o esquecimento anos a fio de uma situação destas. Não é digno de um projecto com tantos méritos reconhecidos internacionalmente, com ideais sociais tão apregoados, desleixar a este ponto as necessidades urbanas mais básicas, rementendo a cidade para um nível terceiro-mundista. Não é só a capacidade de escoamento rodoviário da Alta de Lisboa para outras zonas da cidade que está em causa, é a própria mobilidade e vivência dentro do bairro, às vezes na própria rua.

E já agora, com o atraso da finalização do Parque do Vale Grande que neste momento, por estar vedado ao público, funciona como tampão entre os dois hemisférios da Alta de Lisboa, não seria uma atenuante acelerar a conclusão do Eixo Pedonal para o abrir ao público? Seria uma forma simples de minimizar o estado de ilha a que muitos moradores estão actualmente condenados. Mesmo assim, será também necessário adaptar o estaleiro da futura malha 6 para que estas vias possam funcionar.


Todos têm a ganhar com a melhoria das condições de vida na Alta de Lisboa. Os moradores, por serem directamente afectados, a SGAL que quer vender um produto que nitidamente é inferior no campo do que nos panfletos publicitários, e o executivo da CML e UPAL, por lhes ser posteriormente reconhecida a competência no seu papel regularizador e executor da cidade.

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domingo, 29 de janeiro de 2006

Está a nevar!



Neve! A última vez que nevou em Lisboa, disseram logo nas rádios, foi a 2 de Fevereiro de 1954, há quase 52 anos. Esta imagem é insólita para a maioria de nós, que vivemos em Lisboa, mas algo me diz que o desacerto climatérico a que assistimos ano após ano, com consequências cada vez mais radicais, nos irá trazer espectáculos destes com maior frequência.

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sábado, 28 de janeiro de 2006

Associações de Moradores - artigo no PÚBLICO

Para quem ainda não leu, aqui fica o texto integral publicado no Domingo, dia 22 de Janeiro, sobre as Associações de Moradores e importância que têm para a vigilância e cooperação política das cidades.



Associações de moradores mobilizam-se em nome de soluções para o seu bairro

As associações de moradores estão cada vez mais atentas aos problemas da cidade. A Internet tornou-se uma arma poderosa para os grupos de residentes lançarem apelos ou mobilizarem moradores para acções de protesto para resolver um problema.

Anabela Mendes

Existem por diversas razões, mas juntam-se quase sempre pelo mesmo motivo: um problema no bairro que leva a "tocar a rebate" e a reunirem esforços para encetar batalhas com a autarquia, com um clube desportivo ou com instituições ou empresas. São associações de moradores ou mesmo cibernautas sempre atentos ao que se passa na cidade ou no seu bairro e que depois do rescaldo das lutas continuam a existir e a persistir pela melhoria de Lisboa.

O Jornal da Praceta, publicação online, é um dos grandes exemplos de como na cidade, através de um computador, se podem denunciar injustiças, encetar lutas, mobilizar cidadãos ou simplesmente informar. Carlos Fontes, director da publicação, é professor de filosofia. Foi dirigente no Instituto do Emprego e Formação Profissional, do Ministério da Cultura, no âmbito das Artes e do Património, e está neste momento a desenvolver um projecto pioneiro de apoio a imigrantes, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, para a produção de material didáctico destinada ao ensino da cultura e língua portuguesa. Em 1995, como representante do Ministério da Cultura, participou na elaboração de um documento estratégico para a sociedade de informação em Portugal. Nessa altura, recorda, já se criticava a ausência da participação dos cidadãos na utilização das novas tecnologias e na chamada "cibercidadania".

"Em 2001 colocou-se no Campo Grande a questão da construção de um parque de estacionamento num jardim público. A revolta levou-me a criar o Jornal da Praceta como elo de ligação e fórum de debate entre os cidadãos", conta Carlos Fontes. "Acontece que os moradores das freguesias de Campo Grande, São João de Brito e Alvalade começaram a solicitar-me, via Internet, que desse voz a outras notícias desta zona da cidade e eu continuei", acrescenta. O êxito inesperado daquele primeiro gesto de raiva levou ao prosseguimento com a publicação, deixando de lado os casos pontuais e passando a ser a voz dos protestos, notícias, informações e histórias daqueles bairros de Lisboa e mesmo de toda a cidade. Todos os dias recebe 20 mensagens de leitores, nas diversas caixas de e-mail que teve de criar para este propósito, e em tempo de uma luta mais acesa as mensagens são incontáveis.

Sendo considerado por muitos movimentos de cidadãos uma referência, a verdade é que Carlos Fontes garante que recebe mesmo mensagens de responsáveis políticos e autárquicos que lhe pedem para ver algumas informações publicadas na sua publicação. Mas isto também causa engulhos a quem não aprecia o exercício da cidadania. Carlos Fontes foi processado por um responsável autárquico na sequência de um texto publicado em 2002, no seguimento de notícias divulgadas na imprensa. O caso não lhe causa estranheza, até porque afirma já ter percebido que "quando a participação do cidadão é muito activa, há que identificá-lo, processá-lo e tentar intimidá-lo, para finalmente, o conseguir calar". Daí a necessidade que sente de resguardar a privacidade, dando a cara pelas causas que defende ou divulga, mas sempre na blogosfera.

"Todos nunca são demais"
O Jornal da Praceta e restantes blogues que criou - a única rede de sites temáticos do país (http://filorbis.no.sapo.pt/) -, tiveram em 2005 mais de um milhão e 600 mil visitantes (sites únicos). Por todos estes motivos, Carlos Fontes considera que "todas as associações, fóruns ou sites onde os cidadãos possam trocar ideias, apresentar sugestões, reivindicações ou exprimir as suas convicções, nunca são demais e são fundamentais para se exercer a cidadania, por menos que o poder goste disso".

Bento Velhinho, do gabinete da presidência da Câmara Municipal de Lisboa, garante que a relação com as associações de moradores têm vindo a ser incentivada pela autarquia desde os últimos quatro anos. De acordo com este responsável, foi criado em 2001 um gabinete de apoio às associações de moradores, dependente da vereadora da Acção Social. O gabinete visava não só estabelecer contactos directos com os dirigentes associativos, mas também criar as condições necessárias para a formação de associações nos novos bairros PER (Programa Especial de Realojamento), sendo-lhes facultado apoio jurídico e apoio financeiro."

A partir dessa altura passámos a considerar as associações de moradores como parceiros sociais válidos, na medida em conhecem o terreno em que estão inseridos, facilitando a relação entre a Câmara de Lisboa e os residentes. Elaborámos várias medidas conjuntas, que visavam nomeadamente conservar o edificado e os espaços envolventes, entre outras", explica. Segundo Bento Velhinho, este trabalho iniciado há quatro anos deve continuar e ser melhorado, "no que diz respeito aos apoios directos às associações e na facilidade de contacto com a autarquia, não se podendo desprezar este valioso exercício de cidadania, até porque os dirigentes associativos são líderes de opinião e representantes de grupos populacionais importantes para a cidade".


Movimento luta pela cidadania no ciberespaço

Conheceram-se pela Internet e deram corpo ao Fórum Cidadania Lisboa em Março de 2005, devido à preocupação com o futuro da Casa Garrett, em Campo de Ourique. Os rostos do movimento são dois jovens economistas, Paulo Ferrero e Pedro Policarpo, que afirmam que só avançaram com a iniciativa porque sentiram a falta de um ponto de encontro e discussão global que tratasse os problemas da cidade.

Abriram um site, fizeram um blog e mail a mail conseguiram juntar mais de 2300 assinaturas que deram origem a um abaixo assinado para salvar a Casa de Almeida Garrett. Conseguiram trazer a público a questão, que ainda hoje se arrasta na Câmara Municipal de Lisboa e que faz notícia em toda a imprensa, mas afirmam que não têm ilusões. "Na prática, organizações como a nossa e mesmo as restantes associações de moradores da cidade ou até as próprias juntas de freguesia, são completamente ignorados pela Câmara de Lisboa", afirma Pedro Policarpo. E acrescenta: "Não há qualquer espécie de gestão participada e a própria assembleia municipal, que deveria ser um verdadeiro parlamento, não funciona como tal. A carga burocrática é imensa e o tempo reservado para a intervenção dos munícipes é muito reduzido".

Os dois responsáveis do Fórum Cidadania consideram até "normal" que a autarquia não dê qualquer resposta às cartas que enviam. "Se não respondem aos ofícios dos presidentes de junta porque é que haviam de se dar ao trabalho de nos responder a nós?", questiona Paulo Ferrero.

Neste fórum, que funciona através da Internet e em que a maior parte dos 300 membros não se conhece, não há qualquer espécie de formalidade, mas muita vontade e expectativa de "contribuir para a melhoria da cidade e da vida dos que aqui vivem, aqui trabalham ou simplesmente a visitam". Paulo Ferrero e Pedro Policarpo, que já travaram algumas lutas por Lisboa em outros grupos, garantem que transportam o desgosto de viverem "numa cidade pior do que aquela em que viveram os pais", mas também a esperança de deixarem "uma cidade melhor para os filhos" e, por isso mesmo, prometem não baixar os braços e continuarem a lutar pelo bem de Lisboa.

Gastam muitas horas com o Fórum Cidadania, que confessam roubar à vida familiar, mas também afirmam que só com a Internet é possível desenvolver o trabalho a que se propuseram e que conta com a adesão de muitos cidadãos, mesmo residentes no estrangeiro e que continuam a querer uma Lisboa melhor. O fórum continua a sua luta pela Casa Garrett, esperando pelos próximos desenvolvimentos, mas já prepara as intervenções seguintes: a restrição do trânsito da Avenida da Liberdade até à Praça do Comércio e as várias vertentes de requalificação da Baixa.

Para trás, sem resposta, fica o documento que entregaram ao presidente da câmara, Carmona Rodrigues, no dia da sua tomada de posse: "16 Propostas Concretas para Uma Lisboa Melhor". Ali apresentavam soluções para a Casa Museu Almeida Garrett, Cinema Paris, Bairro de Alvalade, Bairro Azul, Campo de Ourique, Palácio da Ajuda, envolvente e Tapada, Passeio Público da Avenida da Liberdade, Príncipe Real, Convento e Bairro da Graça, Acesso à colina Oeste do Castelo de São Jorge, Paço do Lumiar, 15 medidas para uma Lisboa mais estética, zonas de oportunidade, acesso à zona ribeirinha, património cultural municipal e símbolos ao abandono (Arco da Rua Augusta, Aqueduto das Águas Livres, Teatro Itália).

"Uma resposta ao apelo à cidadania", feito pelo então candidato do PSD Carmona Rodrigues em campanha eleitoral, mas que Paulo Ferrero e Pedro Policarpo não viram acolhida, até ao momento, com grande entusiasmo.


Bairro Azul procura tempo perdido
Depois de lutarem contra o Corte Inglés, enfrentam o metro para salvar plátanos

Edgar Piló e Ana Alves de Sousa são membros da Comissão de Moradores do Bairro Azul desde a data da sua constituição, em 2001. Coordenadores do "núcleo duro", dez elementos que realmente se dedicam à comissão, explicam que nesta reunião de boas vontades não há presidentes. São todos iguais, os cerca de 350 associados, só que "uns trabalham mais que outros". "O bairro foi tomado de assalto por causa do Corte Inglés. O trânsito tornou impossível a circulação, o lixo largado pelos frequentadores da loja começou a dar um ar muito desleixado às ruas e resolvemos agir", recordam os dois coordenadores. A luta que travaram com a autarquia deu frutos e hoje o trânsito está condicionado no bairro, tendo sido mesmo cortada a saída que permitia o atravessamento da Rua Fialho de Almeida para a Av. Sidónio Pais, conferindo algum sossego aos moradores. Mas a comissão continua activa. Atenta aos lixos, aos espaços verdes e às relações de boa vizinhança que procuram alicerçar, por exemplo, com a mesquita de Lisboa, estão a organizar visitas guiadas ao templo, para explicar aos moradores a realidade de uma religião diferente da que professam. Estão também empenhados em ajudar a escola Marquesa de Alorna, com quem estabeleceram algumas parcerias de trabalho, depois de um pedido de ajuda lançado pelo estabelecimento de ensino. Alguns moradores, psicólogos, voluntariaram-se para dar apoio a crianças, professores e mesmo encarregados de educação, ao mesmo tempo que estão a tentar, junto do Ministério da Educação e da Câmara de Lisboa, conseguir a requalificação do edifício, a propósito do 50º aniversário, que terá lugar em 2008.

Mas outras guerras estão na forja. Neste momento enfrentam o Metropolitano de Lisboa, na tentativa de salvar os plátanos do bairro, cujo abate foi anunciado por aquela entidade. Elaboraram um abaixo-assinado e exigem que lhes sejam mostrados os planos das obras. Lutam pela classificação do Bairro Azul como património municipal, "para evitar delapidações patrimoniais e reaver o espírito de unidade" que já viveram noutros tempos.

O estacionamento continua na ordem do dia, estando a comissão nesta altura a tentar que a autarquia transforme dois logradouros, actualmente ocupados por oficinas e viaturas de rent-a-car, em parque de parqueamento para residentes, com capacidade para 90 carros. "Queremos ser facilitadores e não executores", garante Edgar Piló, que explica que este espírito de intervenção lhe advém do facto de nunca ter tido feitio para "barafustar sem fazer nada". Ana Alves de Sousa reconhece que foi um discurso de Jorge Sampaio, enquanto presidente da câmara, apelando à cidadania, que a levou a uma posição mais interventiva.


Telheiras luta pelo bairro prometido
Ganharam batalhas, perderam lutas. Mas garantem não baixar os braços

Foi a intenção de fazer um acesso da Segunda Circular ao Bairro de Telheiras, mesmo em frente ao hipermercado Euromarché, agora Carrefour, que levou os residentes a mobilizarem-se para impedir que tal acontecesse. O intento foi conseguido e as sementes para a formação da Associação de Residentes de Telheiras estavam lançadas, tendo sido formalizada a sua criação em 1989.

Na altura, recorda Guilherme Pereira, vice-presidente, os problemas relacionavam-se com a falta de infra-estruturas e espaços verdes mas, em 1995, quando a associação resolveu fazer a avaliação do plano de urbanização do bairro, os problemas saltaram à vista. Falta de estacionamento, andares a mais, polidesportivo por construir, piscina inexistente. Dessa altura ainda resta uma velha "guerra" que diz respeito ao prolongamento do jardim da Quinta de Santana, um local classificado no Plano Director Municipal como zona verde, mas em cujo local a Empresa Pública de Urbanização de Lisboa tem planos para construir um prédio de cinco andares.

Guilherme Pereira recorda que ao longo dos anos várias foram as lutas ganhas, mas também já se contabilizam algumas perdidas. Conseguiram impedir a construção de uma estação de serviço em plena praça central de Telheiras, mas não conseguiram evitar que a construção do novo estádio de Alvalade lhes "roubasse" a ciclovia ou que o trânsito invada o bairro em dias de jogos de futebol. Estes são apenas dois exemplos de longa batalhas travadas, com convocação de manifestações e muitas páginas de jornais preenchidas.

A associação, com 700 sócios que pagam uma quota anual de 18 euros, tem várias comissões formadas, como a de segurança, protecção civil ou as de espaços verdes e higiene urbana. Reúne todas as últimas quartas-feiras de cada mês, dando conta aos moradores que queiram assistir dos desenvolvimentos conseguidos pelos vários grupos de trabalho.

Duas vezes por ano publicam um boletim, com uma tiragem de 12 mil exemplares e distribuição porta a porta. Na sede da associação têm lugar as mais variadas actividades: aulas de guitarra, coro, danças escocesas, danças africanas, danças latinas, artes plásticas e yoga, para além de um grupo de teatro e um de fotografia. Têm uma tertúlia, que organiza conferências e debates e ainda arranjam tempo para coordenar os festejos dos santos populares, no mês de Junho.

Neste momento lutam pela colocação de barreiras acústicas na saída do Eixo Norte-Sul para o Alto da Faia. Guilherme Pereira garante que o saldo da associação é muito positivo, "porque o bairro de Telheiras está mais atento e mobilizado".

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Massa Crítica - Bicicletada


MASSA CRÍTICA / BICICLETADA

27 DE jANEIRO
LISBOA - 18h00 no Marquês de Pombal

PORTO - 18h30 na Praça dos Leões


No próximo dia 27 de Janeiro, como em todas as últimas sextas-feiras do mês, realiza-se mais uma Massa Crítica. Bicicletas, skate, patins (e outros transportes não poluentes) desfilarão pela cidade de Lisboa conduzidos por cidadãos comuns.

A Massa Crítica é um evento que se tem vindo a realizar todos os meses,com um número crescente de aderentes. Apelamos a todos que se juntem a esta grande festa! Ornamentem o vosso meio de transporte, tragam instrumentos musicais, e tudo o que possa transmitir alegria e boa disposição.

A "Massa Crítica" pretende ser um movimento capaz de congregar todos os cidadãos inconformados com a supremacia automóvel. O objectivo primordial é realizar uma marcha de bicicletas, e outros meios de transporte não poluentes, com uma forte componente reivindicativa, que transmita uma mensagem pedagógica e exija a criação de políticas de mobilidade mais vantajosas para a utilização de meios de transporte ecológicos (bicicletas, patins, andar a pé).

A "Massa Crítica" é um movimento espontâneo e livremente organizado, e insere-se numa filosofia mundial de reivindicação dos direitos dos cidadãos face ao despotismo do automóvel e às políticas ecologicamente subdesenvolvidas, divulgando a existência de alternativas viáveis à utilização de transportes motorizados privados. Pretende, para além disso, ser o início de um movimento mais amplo e estruturado de activismo ecológico e social.

A "Massa Crítica" não requer grande capacidade física (dado que é uma iniciativa de grupo com uma forte solidariedade entre todos os seus membros). É aconselhável a utilização de capacete de ciclista, máscara anti-poluição e levar água. Muito mais que um protesto, a "Massa Crítica" é uma acção directa saudável, pacifica, didáctica e divertida.

Contactos: www.massacriticapt.net
massacritica-lx@riseup.net
(recebido por email)

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Bancos com encosto



Chegou ao fim a nossa sondagem sobre os bancos com encosto. Com 100 votos, sem qualquer rigor estatístico dada a artesanalidade deste tipo de sondagem, supostamente 88 pessoas gostariam de ver bancos com encosto nos referidos parques, mas 12 dos votantes não gostariam.

O tema foi levantado aqui, com o pressuposto errado de que não haveria bancos com encosto na Quinta das Conchas. Distracção minha, porque a verdade é que há. No entanto, pelo que nos foi dito por entidade oficiais, no projecto do Parque do Vale Grande, ou Parque Oeste, não estão previstos este tipo de bancos.

Todas estas questões são discutíveis, cada um há-de encontrar razões para a necessidade dos bancos com encosto, outros poderão achar que representam um perigo público ou um elemento dispensável na vivência do jardim. Mas é curioso ver a evolução que o mobiliário urbano tem tido nas últimas décadas, desde a abundância de oferta do Jardim da Estrela, à inexistência de bancos no Parque Oeste.

Acabo mostrando-vos este exemplo engaçadíssimo, na Praça da Batalha, na lindíssima cidade do Porto, onde estão colocados uns cadeirões individuais de forma desordenada, simulando o ambiente informal de uma conversa de amigos.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Passeio de Domingo às 10:00

Por muita gente pensar que é uma violência acordar tão cedo ao Domingo, o passeio de bicicleta vai ser desta vez às 10 da manhã.

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Terraplanagem nas Calvanas



Se há obras que tardam a acabar ou mesmo a começar, já o movimento de camiões carregados de terra na zona das Calvanas é verdadeiramente impressionante. Vai-se preparando o terreno para a construção da zona verde do Campo Novo e da grande avenida que irá ligar a 2ª circular à Rotunda Sul.


(mapa roubado ao Pedro, já há uns meses)

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terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Passeio de Bicicleta no Domingo



Como chegar à Rua Adriana de Vecchi? aqui.

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